Entrevista com Luciana Alves

Maria’s hoje fomos buscar na Espanha uma brasileira que é exemplo de alto astral , determinação e perseverança. Esperamos que desfrutem da entrevista que nos deu Luciana Alves, esta brasileira que tem no trail running uma forma de viver a vida com mais alegria e creio que como nós vocês leitoras possam ver isso na primeira imagem, pois está na cara! Rssss.

Seja bem vinda Luciana!

Boa tarde, para mim é sempre um prazer poder colaborar.

Por favor, diga-nos onde você mora e, além de atleta, o que mais Luciana faz no seu dia a dia?

Atualmente vivo em Zaragoza – Espanha, cidade situada entre Madrid e Barcelona. Trabalho como auxiliar administrativa em uma entidade financeira. (Titanes Money Transfer) onde passo boa parte do meu tempo, treino diariamente, me ocupo com os cuidados da casa e do meu cachorro, leio muito e sempre busco aprender algo novo a cada dia.

Desde quando você começou a correr e por que você começou?

Comecei a correr no inicio de 2012 ainda estando no Brasil. Pesava 33kg a mais tinha problemas de saúde e emocionalmente estava desestruturada. Não estava bem comigo mesma e me via em um completo caos. Foi quando conheci o meu esposo, ele foi a motivação que eu necessitava, me incentivou a correr e a recuperar minha auto estima. Comecei caminhando, para mim correr parecia algo impossível. Até que um dia me atrevi a dar um salto e fiz meu primeiro km. Me lembro o quanto comemorei e inclusive publiquei nas redes sociais como minha grande conquista. Assim comecei km a km. Vencendo a mim mesma.

Como você começou no trail running e desde quando é atleta desse maravilhoso esporte?

Sempre sonhei com as montanhas. Desde criança quando via uma montanha ainda que por foto sentia algo especial, fazia desenhos e sempre me via refletida como se fosse meu destino. Em 2015 já levava três anos vivendo na Espanha, corria diariamente como hobby e havia participado de algumas corridas de asfalto. Por casualidade escutei falar sobre trail running me pareceu algo fascinante. Insistentemente propus a um colega de trabalho que me acompanhasse em uma corrida, depois de vários nãos acabou cedendo e juntos realizamos nossa primeira experiência, uma corrida de 14 km que nos tornou grandes amigos e companheiros de aventuras. Somando quilômetros hoje somos corredores de ultras.

Você sempre treinou com orientação de treinador?

Apesar de saber a importância de um acompanhamento personalizado, até o momento não conto com o apoio de um treinador pessoal. Tento me informar ao máximo para estabelecer minhas rotinas e em caso de dúvidas sempre consulto a um profissional da área.

Como é ser brasileira morando na Espanha, como foi sua adaptação?

Quando cheguei na Espanha o país estava em plena crise econômica, e obviamente não era o melhor momento para recomeçar uma vida. Distante da família, amigos e de tudo que havia construído, me assustei e no princípio questionei se não seria um preço alto a pagar. Mas nunca pensei em desistir. Tive que lutar para conquistar meu espaço, chegar até aqui não foi nada fácil mas me ajudou a entender que posso chegar mais longe. A distância e o limite somos nós que determinamos. Me sinto muito querida e tenho o privilégio de contar com o apoio de muita gente. Aprendi a ser eu mesma, assumir minha identidade e creio que agora sou mais brasileira que nunca.

Como é sua rotina de treinamento e como você concilia a pratica do esporte com sua vida cotidiana?

Nunca deixo de treinar por preguiça. Tento adaptar os meus treinos em função do meu horário de trabalho que sempre varia de acordo com as necessidades da empresa. E isso conciliado aos cuidados da casa e necessidades do meu cachorro. As vezes tenho que madrugar muito ou dormir muito tarde para ajustar tudo. Por isso traço objetivos reais e trato de cumpri-los.

Seguimos daqui no Brasil as notícias sobre a pandemia que afeta o mundo e a Espanha, assim como o Brasil sãos países afetados pelo vírus. O que você não fez no cenário esportivo neste primeiro semestre por causa das medidas de combate ao Covid-19 e o que você está fazendo para permanecer ativa em tempos de isolamento?

Comecei o ano declarando que esse seria meu ano. Estava cheia de planos e muitas expectativas para coloca-los em ação. Havia planejado e preparado tudo para fazer diversas atividades de montanha, e participar de grandes corridas de ultra distância na Espanha e fora do país. Todas a corridas foram canceladas ou adiadas e ainda não temos nenhuma certeza de como será o futuro. Depois de quase cinquenta dias confinados agora podemos sair para treinar em horários determinados, algo que nos anima muito. Tenha a habilidade de reinventar e transformar situações adversas em favoráveis, assim que nesse momento trato de me adaptar e buscar formas de aproveitar meu tempo ao máximo. Faço aulas on line de spinning, Zumbá, boodycombat e treinos de força… A verdade é que não paro. Vivo intensamente cada dia!

Luciana, como se organizam as competições de trail running aí na Espanha? Existem competições regionais ou nacionais? Ou as competições são realizadas em sua maioria por organizadores independentes?

Aqui tem vários tipos de competições, regulamentos e condições tanto a nível regional como nacional. Organizadas por clubes de montanha, associações ou empresas, todos devem cumprir normas estabelecidas a depender do nível da competição, o primordial é o bem-estar e segurança dos corredores. Nenhuma competição é realizada sem aprovação de órgãos responsáveis, corredores assegurados em caso de acidentes ou clima favorável. Cada corredor deve portar o material obrigatório determinado pela organização, e também cumprir com regras estabelecidas, em alguns casos nos solicitam atestado médico de aptidão.

Que competição foi mais marcante em sua vida esportiva? E qual o seu sonho no esporte e por quê?

UTGS – Ultra Trail Guara Somontano 108km – 2019. Ao chegar na cidade me surpreendi com um outdoor gigante e era minha foto. Foi algo impactante, tudo parecia conspirar ao meu favor. Havia planejado cada km e treinado muito para aquele dia e estava preparada imensamente. De repente quase na hora da saída comecei a passar mal. Pensei que seria algo passageiro, que seria puro nervosismo e não foi assim. 108km com vômitos e diarreias. Tive que lutar contra mim mesma km a km. Terminei em 22 horas e ao chegar fui recebida como uma campeã. Meu sonho participar de uma corrida de autossuficiência por etapas.

Querida, o que você acha necessário para termos mais mulheres vivendo o mundo das trilhas?

Motivacão. Toda mulher leva dentro de si o espírito de uma guerreira que muitas vezes está adormecido. Temos força, valentia e coragem para cumprir qualquer propósito. Somos capazes de tudo. Reconhecer nosso potencial as vezes nos é difícil porque aprendemos que somos mais frágeis em muitos aspectos. Creio que estamos conquistando nosso espaço no mundo das trilhas e pouco a pouco motivando a outras mulheres.

Estamos chegando ao final da nossa entrevista, deixe uma mensagem para todas as Maria’s da Trilha que estão encantadas com a trail running no Brasil.

Nunca deixem de acreditar em vocês e nunca se esqueçam do potencial que vocês levam dentro de cada uma, vivam cada momento intensamente e se entreguem de corpo e alma. Desfrutem do caminho antes de chegar a meta. Idealizem e planejem e vivam seus sonhos, chame-os a existência até que se transformem em realidade. E sobretudo que nada e ninguém lhes detenham.

Fotos do Arquivo Pessoal de Luciana Alves

@luy983

Luciana, obrigada por nos dar a oportunidade de conversar com você e nos contar um pouco de como uma brasileira enxerga e vive o trail morando fora do nosso país!

Um beijo no seu coração enviado por todas as Maria’s da Trilha!

Obrigada querida!

Maria’s, gostaram? Bom com um sorriso desses e toda essa positividade acreditamos que essa brasileira alegre e determinada conseguiu nos incentivar para enfrentarmos esse nosso nada fácil ano de 2020 e quando possível voltarmos com bastante motivação na busca de nossos objetivos!

Estamos muito felizes por conseguirmos abrir mais esse canal com as mulheres do mundo trail. 

Fiquem ligadas em breve mais entrevistas no nosso OLHAR LÁ DE FORA!