Dificuldade de corridas em trilha: avaliação do percurso – PONTOS ITRA

Recentemente a International Trail Running Association (ITRA) anunciou, em virtude da pandemia, o congelamento do Índice de Rendimento dos atletas de corrida em trilha no ano de 2020.

Em dois posts vamos falar aqui da diferença entre Pontos ITRA e Índice de Rendimento.

Iniciaremos falando sobre Pontos ITRA. Vamos lá!

Dificuldade de corridas em trilha: avaliação do percurso.

Conhecer de forma precisa a dificuldade de uma corrida em trilha permite aos corredores verificar se podem ou não participar da prova com base na sua aptidão física naquele momento.

A ITRA avalia e pode certificar os percursos dos organizadores de corridas que assim desejem.

A distância e o desnível positivo a serem percorridos são analisados para calcular o esforço necessário e é expressado em Quilômetros (Km) de Esforço (Km-esforço).

Baseada nos km-esforço, a prova se classifica em uma das 7 categorias de corrida em trilha, vão de XXS (Ultra Ultra Curta) até XXL (Ultra Ultra Longa). Segundo esse nível de dificuldade são atribuídos pontos que vão de 0 (zero) até 6 (seis) os chamados Pontos ITRA.

Categorias Pontos ITRA Km-esforço e Tempo estimado do ganhador. Tempo baseado em um atleta com Índice de Rendimento de 850 pontos (explicaremos em um próximo post).

CategoriaPontos ITRAKm-EsforçoTempo aproximado do ganhador
XXS00-241h
XS125-441h30-2h30
S245-742h30-5h
M375-1145h-8h
L4115-1548h-12h
XL5155-20912h-17h
XXL6>=21017h
Fonte: https://itra.run/

Os pontos ITRA servem para certificar a experiência do corredor, vamos entender como isso funciona.

Os Pontos ITRA servem como unidade de medida para indicar o nível de dificuldade de uma corrida, seu valor expressa a relação entre km a serem percorridos e o esforço necessário (km-esforço), calculada com base na distância e o desnível positivo da corrida.

Dada pela Fórmula:

Distância da Prova em Km + (Altim Positiva/100) = X

Isso nos dá o dado base do Km-esforço, temos ainda que considerar o número de Postos de Reabastecimento disponibilizados pelo organizador durante o percurso. O que é um resultado obtido pela Fórmula:

(Distância da Prova em Km + (Altim Positiva/100))/N P Reabst = Y

Se esse resultado Y for maior que 13, a prova não sofre nenhuma penalização em seu resultado da primeira fórmula, a que nos deu o resultado X. Porém se for menor ou igual a 13, começa a sofrer penalizações de decréscimo de Km-Esforço.

Somente depois de realizar essa divisão pelo número de Postos de Reabastecimento é que saberemos em qual das 7 categorias a corrida se enquadra e com quantos Pontos ITRA ela irá bonificar aqueles atletas que concluírem o percurso dentro do regulamento estabelecido para a prova.

Vamos a um exemplo:

A prova Travessia da Costa possui distância de 36km e Altimetria Positiva acumulada (D+) 1900m

A prova terá 2 Postos de Reabastecimento. Vamos aos cálculos:

Distância: 36km

D+ = 1900m

Postos Reabast: 2

36+(1900/100)=

36+19= 55

Vamos verificar agora se a prova terá decréscimo em virtude da quantidade de Postos de Reabast:

(36+(1900/100))/2=

((36+19))/2=

55/2= 27,5

Ou seja, maior que 13, com isso não sofrerá decréscimo em sua pontuação de Km-Esforço, mantendo os 55 Km-Esforço, que quando comparado com a classificação abaixo se enquadra numa prova de 2 pontos. E se comparada com a Tabela anterior se enquadra numa prova “S”, “Short”, ou seja, Curta.

Sendo as provas classificadas e pontuadas conforme abaixo:

• 0 pontos ITRA para km-esforço entre 0 e 24

• 1 pontos ITRA para km-esforço entre 25 e 44

• 2 pontos ITRA para km-esforço entre 45 e 74

• 3 pontos ITRA para km-esforço entre 75 e 114

• 4 pontos ITRA para km-esforço entre 115 e 154

• 5 pontos ITRA para km-esforço entre 155 e 209

• 6 pontos ITRA a partir de 210 km-esforço


Cada vez que um corredor concluí uma corrida, acumula automaticamente a quantidade de Pontos ITRA correspondentes a corrida que participou. Chegue em primeiro ou em último, acumula a mesma quantidade de pontos, pois esses expressam a experiência do corredor e não sua performance.

Corrida após corrida, o atleta acumula Pontos ITRA e comprova seu nível de experiência como corredor de trilha. Esta experiência lhe dá acesso a corridas particularmente técnicas destinadas a corredores com mais experiência. Alguns organizadores pedem aos participantes que comprovem sua experiência para garantir a segurança em seus eventos.

Os dados e informações constantes desse post foram retirados do site: https://itra.run/

Exemplo de competições que exigem Pontos ITRA para que os corredores se inscrevam e participem da corrida:

ProvaDistânciaPede Pontos ITRAAdquirir em no máximo
UTMB170km102 Provas
Patagônia Run170km123 Provas
TDS145km82 Provas
Lavaredo Ultra Trail120km41 Prova
CCC101km62 Provas
Ultra Dolomites80km31 Prova
TNF EC Chile80km8Sem limite de Provas
OCC56km42 Provas
TNF EC Chile50km3Sem limite de Provas

No próximo post falaremos sobre os Pontos de Rendimento de Atletas.

Até semana que vem.

Importância do Kit 1ºs Socorros na Prática do Trail Running

Olá Maria’s!

Neste breve vídeo queremos apresentar para vocês uma sugestão de kit 1ºs socorros básico para treinos e provas onde tal material não seja obrigatório. Conduzir estes itens pode ser a diferença entre chegar bem em local onde se possa receber os cuidados adequados. Esperamos que gostem e que seja de grande valia para a prática segura das corridas em trilha.

INSCREVAM-SE NO CANAL DO YOUTUBE DAS MARIA’S DA TRILHA E FIQUEM LIGADAS, VEM MUITA COISA BOA E NOVIDADES POR AÍ!

Resultado da Pesquisa “As Maria’s querem saber!”

Olá Maria’s, hoje vamos divulgar os resultados da nossa pesquisa denominada “As Maria´s querem saber”, que foi realizada pela internet nas nossas páginas do Instagram e Facebook, durante 10 dias no mês de abril de 2020 onde obtivemos 211 respostas.

O principal objetivo era mapear as características básicas e interesses das mulheres brasileiras que praticam a corrida em trilha no nosso país.

Ficamos muito satisfeitas, pois recebemos respostas de todo o Brasil. Nos surpreendemos de forma positiva no que diz respeito a região que vivem, pois 63,5% das participantes informaram que são de locais que não a cidade de Porto Alegre RS, sede das Maria´s da Trilha. Isso comprova o nosso alcance e que o projeto está conseguindo cumprir o objetivo de disseminar o esporte.

Ao analisar as respostas e realizar o tratamento das mesmas, verificou-se que a faixa etária predominante destas mulheres está entre os 31 e 40 anos de idade, representando um percentual de 36,5% das respostas, em um total de 77 mulheres, das 211 participantes da pesquisa.

Fonte: Pesquisa Maria’s da Trilha Abril 2020

Outras 57 respostas, o que equivale a 27% do total, informaram que a corrida em trilha não é o seu esporte principal, o que para nós deixa claro que temos ainda muito o que conquistar.

Fonte: Pesquisa Maria’s da Trilha Abril 2020

Quanto ao tempo que praticam a corrida em trilha, 118 mulheres responderam que conheceram o nosso esporte no máximo há 3 (três) anos. Isso nos faz entender que temos uma quantidade considerável de mulheres aderindo ao trail nos últimos anos, o que nos deixa mais uma vez muito felizes, pois o nosso projeto também completará 3 (três) anos no final de 2020.

Fonte: Pesquisa Maria’s da Trilha Abril 2020

Entre as distâncias mais praticadas pelas entrevistadas destacam-se: até 20 km – tem a preferência com 42,7% das nossas corredoras, depois dos 21 até 42 km – com 28,4% das respostas. As duas faixas de distância somaram 150 respostas, o que representou 71,1% do total.

Fonte: Pesquisa Maria’s da Trilha Abril 2020

Esta característica de público aliada ao tempo de prática entre 0 (zero) e 3 (três) anos explica o porquê ainda temos poucas mulheres em provas de distâncias acima de 50 km no Brasil. Por outro lado, demonstra que chegaremos em números maiores de participantes em breve nessas distâncias se analisarmos a evolução e a entrada de novas mulheres no esporte.

Em relação aos treinos específicos de corrida que realizam e atividades complementares em geral, além de horas dedicadas à sua preparação, temos os seguintes resultados: 49,3% delas treinam especificamente corrida 3 (três) vezes na semana.  Outras 56 respostas, ou seja, 26,5% delas declaram que dedicam 3 (três) dias da semana para sua preparação total (entre corrida e outras atividades), utilizando em média de cinco até sete horas semanais para estas atividades. Isso tudo demonstra uma normalidade dentro dos protocolos utilizados por diversas assessorias esportivas, quando o objetivo visa a pratica do esporte participativo. Quando questionamos o acompanhamento e orientação de assessorias, verificamos que em 84% doas respostas, equivalente a 178 entrevistadas, treinam com orientação de profissionais capacitados. Nesta questão devemos recomendar para as que não possuem treinador, que hoje existem, inclusive, diversas assessorias que trabalham com a orientação remota, planilhas online e feedback por aplicativos. Vale a pena pesquisar e buscar este assessoramento.

Fonte: Pesquisa Maria’s da Trilha Abril 2020

Quando questionamos o acompanhamento e orientação de assessorias, verificamos que em 84% doas respostas, equivalente a 178 entrevistadas, treinam com orientação de profissionais capacitados. Nesta questão devemos recomendar para as que não possuem treinador, que hoje existem, inclusive, diversas assessorias que trabalham com a orientação remota, planilhas online e feedback por aplicativos. Vale a pena pesquisar e buscar este assessoramento.

Sobre a necessidade e acompanhamento de fisioterapia, ficamos preocupadas, pois 70% das que responderam à pesquisa já sofreram lesões que lhes tiraram dos treinos por mais de uma semana e somente 52% do total de entrevistas realizam acompanhamento com fisioterapeuta.

Um número que nos trouxe certa surpresa é que houve um empate entre as que realizam acompanhamento nutricional e as que não realizam. Bom, com relação a isso, realmente sabemos que a procura de um nutricionista muitas vezes está engajada a perda de peso. Mas não podemos deixar de mencionar que para a pratica esportiva ela se torna importante tanto para que se consiga obter o aporte nutricional para a realização das atividades, quanto para que não tenhamos uma perda de rendimento na vida cotidiana, em virtude de um déficit de algum nutriente recrutado pelo organismo para a pratica do nosso esporte.

Outros dados levantados em nossa pesquisa, as participantes declaram que que já correram provas de trail em todas as regiões do país, o que apresenta, mesmo que anda de forma desigual a crescente disseminação do trail pelo Brasil, a crescente oferta de provas, mesmo que necessitando de alguma regulação por parte dos órgãos de gestão do esporte no país e o fervilhante e crescente mercado do trail running que não para de se expandir.

Quando perguntadas se já tinham corrido fora do país, e essa pergunta não distinguiu asfalto e trilha o resultado obtido foi de que 121 mulheres que responderam já correram fora do país, o que demonstra que as mulheres brasileiras andam se aventurando mundo a fora, tendo corrido provas em lugares bem interessantes, desde 10km na Islândia até 160km no Nepal. O local fora do Brasil onde essas mais correram foi na nossa vizinha Argentina.

Por fim, entre os assuntos de maior interesse, quando lhes pedimos para escolherem, numa lista com 12 assuntos, em que poderiam optar por mais de um, os três mais votados foram:

Prevenção de lesões na pratica da corrida em trilha, assunto esse que será abordado em podcast onde estará conosco Matheus Kowalski, fisioterapeuta fundador da Suporte Reabilitação Esportiva.

Os outros assuntos mais votados foram:

Exercícios de fortalecimento para a corrida em trilha, este produziremos uma matéria para o nosso site.

E o terceiro mais votado foi:

Análise de prova futura, planejamento de tempo de prova e leitura de perfil altimétrico, assunto que abordaremos em roda de conversa presencial das Maria’s da Trilha.

Fonte: Pesquisa Maria’s da Trilha Abril 2020

Os demais assuntos vamos produzir conteúdos conforme a demanda do nosso público, mas a pesquisa, graças a participação de mulheres engajadas e que acreditam no nosso projeto, nos deu uma ideia daquilo que interessa essas inquietas e determinadas mulheres!

Informamos que em momento algum nossa pesquisa se propôs a outro objetivo, que não o de nos apresentar uma noção básica de quem são as mulheres brasileiras que andam se aventurando no mundo das trilhas.

Fiquem ligadas, em breve estaremos apresentados mais conteúdos interessantes acerca do mundo das trilhas!

Vamos lá gurias, devemos nos manter ativas e prontas para o que der e vier, a final somos todas Maria’s da Trilha!

#somostodasmariasdatrilha

A oportunidade de uma atleta ser staff, experiência singular de aprendizado e de crescimento no esporte.

Dai Dias, integrante do Team Maria’s da Trilha, nos conta como foi a experiência de estar do outro lado em uma prova de corrida em trilha.

O que te levou a ser voluntária para trabalhar como staff?

Como em 2020 eu pretendo fazer as provas de ultradistâncias no Campeonato Gaúcho de Corrida em Trilha, optei por não correr a etapa do Morro Tapera, pois a prova antecedia em uma semana uma das minhas provas alvo do ano, a Indomit Pedra do Baú. Mas, eu não queria ficar de fora desse evento pelo qual tenho um carinho imenso, visto que foi em uma das provas da Raiz no Morro Tapera que me encantei pelo Trail Running e passei a me dedicar mais ao esporte. Portanto, desde que soube a data do evento avisei à organização que gostaria muito de participar como Staff e assim vivenciar a energia da prova.”

Qual era tua função no evento?

 “Fui Staff Móvel.

Quais as atividades que você desenvolveu no evento?

Antes da prova iniciar eu passei revisando a marcação do percurso, ou seja, coloquei mais fitas coloridas de identificação onde vi como necessário, agora com a visão do atleta e não do organizador, mesmo estando fazendo parte da organização naquele momento; durante a prova, com o auxílio de um rádio comunicador (walk talk) mantinha contato com o coordenador geral e com os staffs fixos e conforme a demanda desses eu me deslocava para diferentes pontos do Morro, auxiliando assim no acompanhamento de corredores desistentes por rotas facilitadoras, atendendo também algumas intercorrências apresentadas, prestando primeiros socorros quando preciso, mantendo contínua revisão de percurso e marcação e controle do número de corredores a concluir a prova.

Quantos quilômetros você percorreu durante o evento?

Acredito que tenham sido entre 25 e 30km. A bateria do meu relógio não aguentou toda duração do evento, mas sei que foram inúmeras vezes que subi e desci o Tapera naquele dia.

Qual a situação mais inusitada ou surpreendente durante teu trabalho?

 “Infelizmente, o que mais me surpreendeu foi o fato de muitas pessoas, independente da distância para a qual estavam inscritas, parecerem menosprezar ou não ter noção da dificuldade que o Morro Tapera apresenta e partirem para uma prova de autossuficiência com pouco ou nada de hidratação e alimentação.

Qual tua impressão dos atletas que participaram do evento?

De forma geral vi pessoas se superando e curtindo muito as belezas e particularidades do Morro Tapera, de fato, vivenciando o espírito e ensinamentos do Trail Running. Entretanto, como mencionei anteriormente, muitos atletas pareciam não ter noção do que enfrentariam.

Qual tua sugestão para os atletas em geral no que diz respeito à segurança individual em provas de trail?

Penso que antes de fazer qualquer prova (ou até treino) de trilha os atletas devem procurar se informarem mais sobre o terreno, o grau de dificuldade, se haverá pontos de hidratação ou se a prova é de autossuficiência e também a previsão meteorológica para o dia. Tendo conhecimento desses fatores devem se programar para um determinado tempo de exposição, sempre considerando possíveis intercorrências, e então, partirem para prova abastecidos no mínimo com água, alimentos e kit de primeiros socorros (pelo menos material para curativo e antisséptico para higienizar). Há provas que exigem alguns itens obrigatórios, mas mesmo que não haja exigências, por bom senso é importante sempre estar preparado. Dentro das condições de cada um, a utilização de roupas e calçados adequados também é muito importante; por exemplo, optar por tênis que ofereçam maior aderência e escorreguem menos pode evitar uma queda capaz de causar uma grave lesão. Acredito que as assessorias devam sempre orientar seus atletas quanto a esses cuidados e salientar aos iniciantes, que mesmo que façam distâncias curtas, certos cuidados farão toda diferença e determinarão se a atividade será agradável ou não. Aos atletas que não possuem professores e assessorias, sugiro que busquem ao menos conversar previamente com alguém que já tenha participado de alguma prova e possua mais experiência no trail, mas enfatizo que a boa orientação é imprescindível na prática desse esporte e contar com o auxílio de um profissional qualificado pode também evitar prejuízos à prática.

Qual foi o teu maior ganho em estar do outro lado numa prova de corrida em trilha?

Poder ajudar as pessoas é sempre gratificante! E nessa função acredito que pude ajudar muitas pessoas, seja com uma palavra de incentivo ou até mesmo a controlar a dor ou nervosismo… Sem dúvidas, poder me sentir útil assim foi meu maior ganho e tornou a experiência muito mais valiosa. Além disso, o fato de estar envolvida na organização me fez perceber o quanto se demanda de trabalho e tempo para fazer uma prova, e digo que não é uma tarefa nada fácil. De certa forma, isso me faz ter mais consciência, enquanto atleta, que também tenho responsabilidades quando participo de uma competição e ter a certeza que o sucesso da prova não depende somente de quem organiza e trabalha nela.

Dai Dias , @correcorreguria no Instagram.

A Importância de ser Autossuficiente em Ultras de Montanha – Vera Saporito.

No Sábado próximo, dia 01/06/2019, teremos um evento trail running em Porto Alegre-RS,  O Desafio Raiz Tapera, com características de autossuficiência. Não terá distância de ultramaratona, mas a Raiztrail ofertará um prova com distâncias de até 21 km, ou seja, os atletas são responsáveis por sua sobrevivência do início ao fim.

Para fins de informação, utilizamos o texto de  um dos ícones do esporte, de uma das primeiras mulheres de destaque a nível nacional. A Vera Saporito nos auxiliou a entender a autossuficiência de forma prática, mesmo enfatizando a ultratrail, neste caso de montanha, sua especialidade. Venham conosco, até mesmo você que pratica distâncias menores, conhecer e compartilhar o conhecimento desta fera.

Quando se fala de ultratrail vem na cabeça:

Como comem, como vivem, como treinam, tipo globo repórter kkkk

Mas falando sério, quando fiz minha primeira ultra de 50km corri com reservatório de água, kit de primeiro socorros e 4 pacotinhos de gel. Foi bom porque a prova foi bem estruturada.

Mas as distancias foram aumentando, os percursos, ficando mais difíceis…

E quanto mais técnica a prova, mais difícil fica para a estrutura da prova chegar nos lugares, por conta da altimetria, e tem trechos que veículos não entram.

E depois de algumas ultras aprendi a ser autossuficiente na marra!!

Autossuficiência: refere-se ao estado de não necessitar de qualquer ajuda, apoio ou interação dos outros, um tipo de autonomia. Quando você se propõe a fazer provas em meio a natureza em um ambiente que você não controla, o desfecho da sua prova depende quase sempre de você.

Em 2018 fiz a KTR 80km de Ilhabela, um circuito de ultratrail muito bom aqui do Brasil, prova difícil, muito técnica e mais difícil ainda pois choveu a semana inteira na ilha mudando todos os planos da prova.

A única coisa que não mudou foi que a prova seria de autossuficiência, estava escrito no regulamento e no briefing da prova, o que na minha opinião e´ o ideal para longas distancias.

Então vamos la: além do treino de corrida e fortalecimento muscular pode colocar na planilha estratégias para aprender a ser autossuficiente, como? Use os treinos longos, para adaptação da mochila de hidratação juntamente com um plano de alimentação (itens obrigatórios nestas provas) para ir testando durante a periodização do treino.

A estrutura da prova vai demarcar o percurso, colocar staffs e socorro médico nos lugares pontuados no briefing (lugares possíveis de se chegar ok?) já corri na serra fina 80km La Mission um dos picos mais altos do Brasil, tive ruptura parcial de ligamento no km30 porque enrosquei o pé em uma raiz,o socorro so chegaria no dia seguinte, peguei esparadrapo no kit de primeiro socorros fiz uma bota e prossegui, com ajuda de dois amigos.

Tinha minha alimentação, e a hidratação era reposta com pontos naturais da montanha, temos ainda que contar com as adversidades da natureza ,chuva, frio, calor extremo quanto mais sobe mais gelado fica, mais chances de correr em terreno enlameado e escorregadio também.

O que uma prova séria deve exigir na minha opinião: provas de 50km nos mesmos moldes (de autossuficiência) completadas para correr 80km, e logico se você se inscreveu em 80km sabe a responsabilidade de se treinar para isso! Mesmo assim recomendo, mesmo sendo uma prova de 50km já vai aprendendo ta! Quanto mais treinado para 50km mais fácil encaixar 30km a mais no seu treino.

Já participei de provas que prometiam estrutura X e na hora não tinha nada, fiquei revoltada, mas quando você entra com autonomia nestas provas consegue driblar estes inconvenientes.

Ai vem aquela frase: ¨Mas é Brasil…

Tenho no meu currículo umas 6 provas internacionais, e na minha opinião, o que nos difere dos outros países é a experiência em organizar provas de endurance, são lugares diferentes, cultura diferente, enquanto que aqui no Brasil a ultramaratona de montanha deu um bum absurdo a alguns anos, em países de regiões montanhosas, ultramaratona é uma modalidade muito conhecida e praticada pelas pessoas a muito mais tempo.

Eles contam com a experiência, tem um ambiente que favorece muito a modalidade, os atletas tanto profissionais como amadores treinam e aprendem a correr em situações adversas e assim aprendem a ser autossuficientes.

Tive uma experiência na ultra fiord em 2016 que lembrou muito o Brasil que todo mundo reclama, fui para distância de 70km,o tempo mudou drasticamente, a patagônia chilena é um lugar magnifico mas igualmente perigoso!!!

O tempo virou e ficou impossível chegar nas geleiras, a prova contou 62kms, foi avisado no briefing que teria postos de alimentação e resgate na alta montanha. Largamos com menos 5 chovendo e nevando, e para nossa surpresa só houve um posto de alimentação, chegando na alta montanha a neve aumentou o frio também e muita chuva, quando chegamos no topo só havia uma barraca com algumas pessoas e a contagem do chip para detectar os atletas não funcionava, a neve estava quase nos joelhos, articulações congelando e o socorro não conseguia chegar… foram mais 30km de charco(região onde tem muito barroe humidade)passamos por rios que congelavam os pés, eu acredito que só quem conseguiu concluir esta foram pessoas que aprenderam a ter autonomia em provas.

Duas mulheres entraram em hipotermia, sendo resgatadas depois e houve um óbito na prova.

Pois é, e não foi no Brasil, foi traumático mas serviu de grande aprendizado, outra prova cobiçada por muitos é o UTMB, uma prova super tradicional na Europa ,estrutura impar a meca das ultramaratonas de montanha!!!

Mas para participar desta prova, mesmo tendo uma estrutura incrível você ainda tem que ser autossuficiente, existe o sorteio, e mesmo que você seja sorteado tem que alcançar pontuação em outras provas para participar, a ultra fiord é uma prova que te da esta pontuação desde que você conclua a prova, entende isso?? Vamos te dar todo o suporte, mas você ainda tem que provar que sabe se virar sozinho…

Meu conselho: quer participar de ultramaratonas na montanha??aprenda a ser autossuficiente isso vai te poupar de muitas frustrações, só espere da organização um percurso bem demarcado e sinalizado o resto é por sua conta.

Quanto a valores, sim são altos corremos em áreas preservadas pelo IBAMA, terrenos particulares, contamos com socorro médico (ambulância) staffs espalhados pelo percurso, a organização abre algumas trilhas, porque devemos carregar reservatório de agua? Porque não é permitido utilizar descartáveis em alguns pontos, pois pode sujar as trilhas (e dá uma multa pesada por isso) toda essa estrutura custa dinheiro e infelizmente no nosso pais tudo é super inflacionado!!

E dentro de tudo isto ainda pode acontecer falhas, lembre-se que você está correndo em meio a natureza e nela ninguém manda ,cabe a nós entender estas adversidades, respeitar e preservar as belezas que a natureza nos oferece !!!

Bons treinos!!!

Trailrun – me aqueça neste inverno

Há duas semanas atrás, passamos por um treino duro, que se tornou ainda mais difícil por conta do frio. Resolvemos então escrever sobre alguns cuidados que temos que atentar para dar continuidade ao nosso planejamento relacionado aos treinos.

As temperaturas tem despencado nos últimos dias, o que dificulta o seguimento da planilha, principalmente para quem treina outdoor e tem objetivos que não esperam o tempo melhorar,  não perdoam se deixarmos a constância dos treinos propostos.

Treinar com sensação térmica negativa nos motivou a descrever aqui alguns cuidados que temos que tomar para que os nossos treinos sejam contemplados dentro do prazo desejado.

A estação mais fria do ano iniciou na semana passada, mas já mostrou para que veio, para marcar e judiar dos atletas trailrun. Temos a necessidade de manter o treinos, então, bora lá conversar um pouco sobre alguns cuidados, simples, que podem nos ajudar no planejamento e concretização da planilha ofertada pelo nosso treinador.

Na maioria das vezes temos a sensação que basta sairmos correndo, que renderemos a mesma coisa, mas aí que o perigo ronda, a nossa auto suficiência pode nos encaminhar para lesões desnecessárias, desidratação, mal estrares, hipotermia, que podem nos afastar do treinamento temporariamente, ou até mesmo nos impossibilitar de seguir em frente com o desafio proposto. Aí vai então, uma reflexão do que devemos atentar neste momento em que as baixas temperaturas e o clima úmido tomam conta dos nossos dias por 3 (três) longos meses.

Estudando um pouco a fisiologia humana, nos deparamos com a situação de que a prática do esporte outdoor, exposto à temperaturas extremamente baixas, é uma das condições mais estressantes para o nosso organismo, exigindo mais energia,  acelerando o metabolismo e aumentando a pressão arterial, pois o sangue fica dando suporte ao sistema cárdio respiratório. Além disso, a potencia-explosão dos músculos fica diminuída, potencializando o aparecimento de lesões periféricas. O resfriamento excessivo das extremidades também aparece neste momento, o que pode comprometer o desenvolvimento dos movimentos propostos.

Com isso, devemos estar atentos para alguns cuidados que seguem:

Hidratação

Ela não deve ser esquecida, simplesmente por que durante os treinos no frio, sentimos menos sede, que aparece quando o organismo já está debilitado, e muitas vezes quando nos damos conta, a aceitação gástrica da hidratação pode ficar diminuída e provocar vômitos comprometendo a conclusão do treino.

A importância da ingesta hídrica deve ser mantida conforme rotina usual durante a exposição, , pois uma redução de 2% na água do organismo pode causar um pequeno, mas crítico encolhimento do cérebro, o que pode prejudicar a coordenação neuromuscular, diminuir a concentração e deixar o raciocínio lento.

A desidratação também reduz a resistência, a força, causa cólica e retarda a resposta muscular” alertam os fisiologistas.

A regulação da temperatura corpórea também fica afetada com a falta de líquidos ingeridos, especialmente água e repositores hidroeletrolíticos, podendo o atleta desenvolver a hipotermia, pela falta de manutenção hídrica.

Alimentação

Não podemos perder o foco na dieta, nesta época do ano somos surpreendidos com alimentos pesados e hipercalóricos que podem prejudicar a performance com a “falsa” reposição nutricional. O nutricionista pode nos auxiliar a conciliar o treinamento com os excessos oferecidos pela estação.

 

Vestimenta

Estudos demonstram que os agasalhos em excesso podem proporcionar uma maior perda de eletrólitos, causando também a desidratação. Mesmo no frio, a sudorese ocorre durante o exercício, em função das perdas calóricas e compensação do organismo.

Além dos agasalhos em excesso proporcionarem uma sudorese muito mais intensa, deixam as roupas molhadas e resfriam excessivamente do corpo, favorecendo mais uma vez a hipotermia, a qual falaremos mais tarde.

O ideal é iniciar o treino agasalhado com uma peça a mais e descartar assim que o corpo aquecer. Após o treino, é importante manter as vestimentas que favoreçam o aquecimento do corpo, já que o sistema termo regulatório se torna mais após o término do mesmo. As roupas molhas devem ser retiradas imediatamente após o final do objetivo cumprido e substituídos por agasalhos que mantenham o corpo aquecido.

Existem no mercado tecnologias que nos protegem e devem ser utilizadas para nosso benefício, que são:

Agasalho de contato com a pele que deve fornecer evaporação do suor com uma absorção do calor. – blusas justas e de tecidos sintéticos, que protegem, mas drenam o suor rapidamente.

A segunda pele deve proporcionar o isolamento, os chamados corta-ventos.

E a terceira – aquela que fornece resistência contra água e o vento, deve ser de fácil remoção, nestes casos citam-se os impermeáveis ou anoraks.

As extremidades também devem estar protegidas, o uso de toucas e luvas impedem o resfriamento, que neste caso é induzida pelo exercício e pela diminuição do aporte sanguíneo nestas regiões.

Mas os adereços devem também permitir a transpiração para favorecer as trocas energéticas.

Para as pernocas, sugerimos calças justas, compostas de tecidos tecnológicos que também proporcionem as trocas com o meio e a evaporação em caso de chuva e neve.

Hipotermia

Pode-se chamar de vilã do corredor, que pode variar de leve a intensa. Os sintomas vão de tremores, desconforto, até mesmo a desorientação, alucinações e arritmia cardíaca.  É importante ficar atento para os primeiros sintomas , manter o corpo aquecido através de alimentação, hidratação e agasalhos. O atleta trailrun, não deve se preocupar em apenas correr,  mas acima de tudo ficar atentar aos sinais que o seu corpo demonstra, agir com pró atividade, para que não venha a sofrer de moléstias graves.

Aquecimento

Aconselha-se sempre, não só no inverno, o aquecimento do corpo, antes do treino, para estimulação das fibras musculares e articulações, que neste caso, estão mais rígidas, evitar lesões e adaptação do sistema cardio respiratório. O treino deve ser iniciado em ritmo mais lento e progressivo.

Para concluir, é importante mencionar a sensação térmica, muitas vezes o clima nos apresenta uma temperatura baixa, mas o vento, chuva e outros fenômenos, podem nos trazer uma sensação menor. Devemos atentar para a nossa sensibilidade e nos adaptar dentro daquilo que nos proporciona conforto para realizarmos o nosso tão amado esporte confortavelmente.

Deixamos aqui este breve relato atentarmos aos sinais do nosso corpo, a fim de dar continuidade à prática do trailrun,  e também nos conscientizar que não devemos apenas sair correndo pelas trilhas. A preparação e a segurança com certeza somente nos deixarão com gostinho que quero mais….muito mais treinos e vida longa ao nosso contato com a natureza.

Obrigada Maria´s por acreditarem no nosso projeto. Belas e feras na natureza e bora conviver com a natureza no frio também.

É possivel prevenir lesões? Um breve relato do Fisioteraputa Matheus Kowalski

Correr tem imensos benefícios, mas como tudo, qualquer atividade em excesso ou sem os cuidados necessários tem os seus malefícios. Tantos podem ser os problemas, que muitas vezes nos deparamos com atletas que não encontram extrema dificuldade em recuperar a sua performance por conta das lesões crônicas adquiridas. Normalmente tais lesões são consequência, principalemente, da falta de acompanhamento de um profissional adequado ou  mesmo por falta de cuidado e respeito com o seu próprio corpo.

O nosso corpo necessita de manutenção, a prevencão e a proatividade fazem parte de uma boa parte do sucesso de um atleta, seja ele amador ou profissional. O nosso querido amigo Matheus Kowalski, fisioterapeuta experiente e sócio da Suporte Reabilitação Esportiva, nos trouxe alguns tópicos que nos auxiliarão na prevenção de algumas lesões que possam nos tirar ou distanciar temporariamente do mundo trail.

É possivel prevenir lesões?

Primeiro temos que entender que a lesão muitas vezes ocorre pelo desconhecimento ou desleixo do atleta “amador” ou até mesmo “profissional”.

Devemos saber que existem modelos multifatoriais que podemos prevenir antes do EVENTO LESÃO.

Os fatores intrísecos, aqueles que provém do nosso corpo, devem ser levados em consideração para a longevidade do atleta, são eles, os principais:

-Força muscular – o atleta deve manter a sua musculatura fortalecida, para que consiga suportar a sobrecarga dos treinos e os desafios lançados. O reforço muscular deve fazer parte do alinhamento da planilha de corrida. Existem exercícios específicos que fazem a manutenção do corpo e os tornam resistentes para suportar também outras estruturas como ossos e tendões.

-Flexibilidade – deve ser trabalhada para o desenvolvimento correto, no que se refere amplitude, dos movimentos exercidos na corrida, e, ainda também trazer estabilidade às articulações, evitando entorces acidentais, por exemplo.

– Alinhamento anatômico – o atleta precisa reconhecer a importância do corpo estar alinhado,  a necessidade de trabalhar determinados modificações posturais que contribuirão para a diminuição do risco de lesões. O profissional envolvido deve incentivar o atleta a desenvolver exercícios propostos para este fim.

– Fatores Psicológicos – o atleta deve ser motivado a evitar lesões, geralmente os treinos são estressantes e acabam por fadigá-lo, antes mesmo dele se dar conta do que está acontecendo. O profissional deve estar ao lado do atleta para demonstrar que correr, seguir uma planilha focado em um objetivo, cansa, fadiga e desestrutura psicologicamente.

– A nutrição inadequada é diretamente proporcional ao aparecimento de lesões. As células devem receber um aporte de macro e micro nutrientes adequados para sustentarem a sua saúde. Busque um nutricionista.

– O biotipo do atleta e a sua idade também contribuem para o aparecimento dos tais incômodos citados, a cautela sempre deve ser adotada nestes casos.

Temos também os fatores extrínsecos que podem comprometer a saúde do atleta, podem acometer sua performance, eles estão aí e precisamos estar preparados fisicamente para enfrentá-los, pois destes não temos controle. São os fatores ambientais, as regras da prova, a escolha do calçado, dos equipamentos, e principalemnte, o treinamento.

Matheus nos conta que um estudo americano mostrou os principais locais de lesões e as áreas do corpo afetadas.

Sempre antes de iniciar um ciclo de periodização para alguma prova alvo é recomendado que o atleta passe por algumas avaliações: cardiológicas, ortopédicas, fisioterápicas, nutricionais e, sempre, orientado  por um profissional de Educação Física. Tudo isso para estabelecer metas, reconhecer as condições reais de enfrentar o desafio ao qual está querendo se propor.

Ele, como profissional de Fisioterapia, sempre realiza os seguintes testes:

  1. Anamnese Clínica
  2. Avaliação do Dinamismo do Joelho
  3. Avaliação da Rigidez de Quadril
  4. Avaliação do Pé (Estática e Dinâmica)
  5. Avaliação da Força Funcional de Músculos envolvidos com a corrida
  6. Avaliação da Flexibilidade
  7. Avaliação Proprioceptiva
  8. Testes Específicos

 

Mas e aí Maria’s, é possível PREVENIR uma lesão?

Sim, é possível. Com esses dados podemos direcionar o atleta a realizar um reforço muscular específico para os desequilíbrios apresentados. Trabalhos proprioceptivos (equilíbrio) para tornozelos, joelhos, quadris, flexibilidade caso seja necessário trabalhar, ver o alinhamento corporal e a possível necessidade do uso de órtese (palmilha ortopédica), massagem ou liberação miofascial utilizando bolinhas de tênis, foam roller, rolo massageador. Matheus também defende a utilização de gelo pós- treino, pois considera de grande valia para minimizar os micro traumas musculares.

Estas ideias sucintas mas de grande valia são apenas a ponta desse enorme iceberg que é a fisiologia do exercício. Assunto que termos espaço para diversas discussões, a fim de proporcionar ao atleta o amadurecimento necessário para uma “caminhada” longeva e sustentável no mundo das corridas.

Vale ressaltar que cada atleta é um ser único, e a resposta ao treinamento proposto é só sua. O que é adaptado muito bem para um atleta, pode ser prejudicial ao outro, pois como já foi citado, existem vários fatores envolvidos na preparação de um atleta.

O que necessitamos é tratar este assunto com seriedade, pois estamos correndo e praticando o esporte para evoluírmos saudavelmente. O importante a ser refletido também é respeitar as etapas, devemos adquirir a consciência de que tudo tem o seu tempo e necessita de amadurecimento para termos sucesso. O atleta precisa do auto-conhecimento para encarar as reações do corpo com maturidade e aprender com elas, diariamente.

Tudo isso porque vai doer, não será fácil, vamos nos sacrificar na maioria das vezes, mas cruzar a linha de chegada preparado para o próximo desafio é a melhor sacada.

Fica aqui, as dicas do nosso amigo, que deixa o seu abraço às Maria’s da Trilha. E ainda nos diz que podemos contar sempre com ele.

Obrigada Matheus, falar sério é muito importante e faz parte do trailrun saudável.

 

Vamos Maria’s!!! Vamos invadir as trilhas!!!

 

 

As principais lesões que acometem os praticantes de trailrunning

Além de contar histórias de superação e de inspiração para todas as Maria’s da Trilha, também consideramos importante falar sobre alguns problemas que podem acometer alguma Maria desavisada ou apressadinha na transição para o mundo das trilhas.Neste post vamos apresentar as lesões mais comuns nos praticantes do esporte, para que em outro post o Fisioterapeuta Matheus Kowalski, mais um amigo das Maria’s e sócio da  Suporte Reabilitação Esportiva aqui de Porto Alegre possa nos orientar como prevenir ou até evitar tais lesões e, assim, possamos ter uma maior longevidade no trailrunning junto com uma ótima qualidade de vida, capaz de nos proporcionar o bem estar, a alegria e a saúde que tanto buscamos.

Quais partes do nosso corpo sofrem com lesões quando praticamos o trailrunning?

Segundo estudos em diversos países onde o trailrunning é praticado por centenas e milhares de pessoas, o alto impacto que a apaixonante, porém exigente, atividade exerce sobre o corpo faz que seja necessário termos uma preparação orientada, bem como um cuidado adequado antes, durante e depois da corrida, caso negligenciemos esses cuidados poderemos desenvolver lesões como as que abaixo citaremos:Lesões no tornozelo, pés ou dedos dos pés: cãibras, tendinite da fáscia plantar, neuroma de Morton, entorses e fraturas de tornozelo / pé, luxações e fraturas nos dedos dos pés.

Lesões nas pernas: cãibras nas panturrilhas, tendinite de Aquiles, periostite tibial (canelite), estiramentos ou contraturas musculares.

Joelho: entorses / ligamentos rompidos, lesão do menisco, síndrome da banda iliotibial, tendinite patelar.

Quadril: tendinite do músculo psoas, tendinite do músculo reto-femural, dores no quadril.Lombar ou parte inferior das costas: lombalgia (dores na porção inferior das costas), dor ciática.

Tórax, abdômen e costelas: cãibras no abdômen ou no diafragma, luxações ou fraturas das costelas.
Coluna dorsal e ombros: espasmos nos músculos trapézio, espasmos nos músculos escapulares, contraturas musculares na região dorsal.

Pescoço-cabeça: dores no pescoço e coluna cervical.

Existem outras lesões possíveis nos praticantes de trailrunning, mas essas acima citadas são as mais comuns na grande maioria dos praticantes do esporte.

Agora esperemos o nosso amigo Matheus no próximo post nos orientar como prevenir essas lesões para que, todas nós Maria’s da Trilha  possamos realizar a pratica responsável e consciente do nosso esporte e não tenhamos que ficar de molho por esses inconvenientes.Já estamos ansiosas pelas dicas!

Vamos Maria’s!!! Vamos invadir as trilhas!!! Segue um vídeo da (clique ao lado) Mt. Marathon em Seward no estado americano do Alasca, nela homens e mulheres correm separados, reparem na quantidade de Maria’s correndo por lá! Tomara que em breve tenhamos provas assim por aqui, bem como a mesma quantidade de meninas nas trilhas!!!

Maria’s da Trilha, belas e feras na natureza!!!

Gustavo Carneiro – Uma lição de vida

Conforme foi mencionado no Post da Ultra Fiord, tomamos a liberdade de inserir um homem na página das Maria’s. Ele nos deu uma lição de vida antes no dia em que aconteceria os 70 km da Ultra Fiord 2018,  prova essa que foi adiada em função das cruéis intempéries que assolaram aquelas bandas na noite anterior ao dia da largada.

Se pararmos para pensar, e ao longo da história verificaremos que o Gustavo ao participar  da prova dos 30 km na Ultra Fiord, esteve no percurso durante todo o período que as inclementes condições climáticas varreram a região do Fiord de la Última Esperanza na inóspita e castigante patagônia chilena.

Entrem nessa história, ao final garanto que todas  estarão  motivadas, com energia renovadas e prontas para  novas metas na busca de seus objetivos, sejam na vida ou sejam no trailrunning.

 

Olá Marias!!!
Um grande prazer estar aqui contando um pouco da minha história para vocês.
Dei uma olhada no site e que legal todo esse envolvimento entre vocês e com o trail run.
Sou mineiro, nascido em Uberlândia, 45 anos, administrador, pai de 2 filhas (Jessica 24 e Iasmim 7), atleta amador desde sempre e desde out/17 deficiente físico.
Desde a infância minha vida esteve envolvida com vários esportes. Acho que esse é um talento que Deus me deu, sempre tive muita facilidade e isso resultou em títulos em diversas modalidades.
Comecei cedo na natação, passando pelo futebol e aos nove anos comecei no tênis, esporte que é a minha paixão.
No tênis fui campeão mineiro algumas vezes e um dos melhores do Brasil.
Campeão Mineiro e Brasileiro de Peteca, Campeão Brasileiro de Squash.
Praticante de moutain bike desde 2001, em 2009 fui para a Cordilheira dos Andes fazer uma travessia da Argentina até o Chile.
E a corrida nisso tudo? Comecei cedo, com 15 anos já ia e voltava correndo para o kung-fu. E não parei mais, é o único esporte que sempre fiz em paralelo com os demais.
Desde criança eu tinha o sonho de correr uma maratona, era algo que eu admirava muito. Como uma pessoa consegue correr 42km? Minha primeira maratona só foi acontecer em 2016 por um motivo que contarei abaixo. Eu poderia ter corrido há muito mais tempo, mas por não focar, por estar praticando outro esporte fui deixando o sonho de lado. Me contentava em correr as meias maratonas.
Em 2010 parei de correr, jogar tênis e squash porque estava com tendinite patelar, sentia muita dor nos esportes de impacto. O médico disse que nunca mais eu poderia fazer esses esportes. Foi duro escutar isso, então fiquei só na bike.


Em 2013 minha vida começou a mudar, fisicamente e mentalmente. Descobri um câncer abaixo da batata da perna esquerda. Foi um choque muito grande me imaginar com essa doença.
Muitos detalhes nesse processo, cogitaram amputar a perna nessa época, mas o resumo é que fiz a cirurgia em São Paulo e precisei retirar somente um pouco de músculo da panturrilha até bem perto do pé.
Fiz quimioterapia durante 6 meses e no final 30 sessões de radioterapia. Finalizei o tratamento em dezembro de 2013.
Em 2014 voltei a pedalar e comecei a treinar na equipe máster de natação do meu clube. No final do ano percebi que meus joelhos estavam sem as dores que sentia, fui em outro médico e ele liberou a corrida e ainda me disse “você pode correr até maratona se quiser”.
Já sai do consultório e fui comprar um par de tênis. Corri tanto nos primeiros dias que machuquei a perna da cirurgia. Essa perna só ficou boa para correr forte em Abril de 2015 e foi aí que decidi fazer a minha primeira maratona. Em Maio de 2016 completei a Maratona do Rio de Janeiro.
A vida seguiu normal, trabalhando, treinando e fazendo os acompanhamentos necessários.
Até que em Outubro de 2017 descubro que o tumor tinha voltado e numa região que não dava margem para retirar e preservar a perna.
Em 21 dias descobri e amputei a perna.


Chorei só no primeiro dia quando descobri. Depois eu só conseguia ver o lado positivo de tudo, eu ficaria vivo e colocaria uma prótese. Estava ótimo! E se a doença estivesse se espalhado? Graças a deus que não! Então estava tudo bem!
Fiz a cirurgia numa segunda, dia 23/10. E no fim de semana que antecedeu eu fiz tudo que podia fazer com essa perna, acho que ela até agradeceu quando a tiraram de mim rsrsrs.
No sábado joguei tênis de manhã, a tarde fui jogar tênis na cadeira de rodas para ver como era, depois fui numa corrida noturna da Track & Field. E no domingo eu organizei uma corrida com 10 amigos para me despedir, mas foram 250 pessoas correr comigo, foi muito emocionante.
Fiz a cirurgia e a cabeça continuou boa. Daí em diante não parei mais, em 14 dias já estava na musculação, em 21 nadando e 30 dias após a cirurgia, estava eu  jogando tênis na cadeira de rodas.


Hoje o meu pensamento é que não quero passar a vida sem tentar fazer tudo que eu tenho vontade, não quero ficar velho e olhar para trás e pensar que poderia ter feito mais. Eu quero olhar para trás e ter a certeza que fiz o meu máximo, consegui algumas vezes e outras não, faz parte da vida. Sempre tive vontade de correr a maratona, mas porque demorei tanto pra fazer isso? Precisei passar um susto na época para me motivar? Também tinha vontade de surfar, nunca tinha tentado, em fevereiro fui pra Florianópolis e surfei com uma perna.
Em Janeiro tive a ideia de fazer uma prova caminhando já que correr iria demorar. Tinha comprado a prótese só há 20 dias. (é uma prótese só para andar)
Queria uma prova que me marcasse, que fosse especial, escolhi a Ultra Fiord e não poderia ter sido melhor.


Comecei a treinar, caminhava umas 3 vezes durante a semana e no sábado longões de até 7h.
Me preparei para uma prova de 15 a 16 horas. Como eu estava enganado. Precisei de 27h para concluir os 30km com a minha prótese e 2 muletas.
Foi muito difícil, muita dor nas mãos por causa da descarga de peso nas muletas, um percurso muito difícil mesmo para quem tem as 2 pernas, frio, fome, GPS marcando errado, etc. Mas eu tinha uma lembrança que me motivou a não parar. Lembrava do dia da cirurgia, eu deitado na mesa de cirurgia para ser amputado e depois acordando e vendo que eu não tinha mais a perna. Isso me dava uma força incrível e eu cruzaria a linha de chegada nem que fosse me rastejando.


Terminei a prova chorando de felicidade, de dor, de medo, de não entender como consegui superar essas 27h. Foi um momento inexplicável.
Fui carregado para o barco que nos levaria para a cidade, pois minha mãos estavam inchadas e com muitas dores e estava com hipotermia. Ali no barco, várias pessoas vieram me ajudar. Uma delas foi a Luci que foi me dando comida na boca e suplementos. Lições que só o esporte nos proporciona.
Hoje tenho um objetivo de vida bem definido: tentar realizar todos os meus sonhos e vontades. Não só no esporte, mas na vida. Não quero deixar nada para depois porque pode ser que não terei esse depois.
No esporte meu objetivo maior é estar em 1 ano entre os 3 melhores jogadores de tênis de cadeira de rodas do Brasil e representar o país em todos os torneios.
E a corrida lógico, quero em breve colocar a prótese de corrida e voltar aos treinos. Correr pra mim sempre foi uma terapia e sinto falta de as vezes sair sozinho, correr por horas e pensar na vida.
Um grande abraço para todas vocês e vai aqui um pedido: Não Parem!!!
Fiquem com Deus!!!

Gustavo e Suzi, agradeço todos os dias por ter convivido um pouco com vocês. Com certeza uma grande lição de vida. Saúde e mais saúde sempre para este casal pra lá de especial.

Quantas já somos?

MARIA’S QUANTAS JÁ SOMOS?

Recentemente a IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo), reconheceu no verão de 2015 o Trailrunning como uma nova disciplina do Atletismo e a ITRA – International Trail Running Association como o órgão de governança para o esporte das trilhas ao redor do mundo.
Anualmente mais de quinhentas provas de trailrunning reconhecidas pela ITRA são realizadas nos quatro cantos do mundo, tornando a disciplina esportiva outdoor com o maior número de competições, possuindo inclusive o maior circuito mundial entre as corridas na natureza.


Já foram realizados dois Trail World Championships reconhecidos pela IAAF em 2016 durante a Trans Peneda-Gerês – Portugal e 2017 em Badia Prataglia, Toscana – Italia. Em 2018 será durante a Penyagolosa Trails SportHG, Castellon – Spain. Todos com organização conjunta entre ITRA e a IAU – Associação Internacional de Ultramaratonistas.

Em 2017 a CBAt – Confederação Brasileira de Atletismo passou a ser a única entidade brasileira reconhecida pelas entidades internacionais (IAAF) que regem os segmentos do Atletismo de Corrida em Montanha e Trilha (Trail) no país, e que tais segmentos estão regidos pelas Regras Oficiais de Competição da IAAF.

No Brasil o Trailrunnig está dividido em Corrida de Trilha e Corrida de Montanha, em breve faremos uma publicação explicando as diferenças básicas entre elas. Com o reconhecimento das modalidades e para que elas cresçam a CBAt necessita saber quantos somos? Isso serve para que as entidades governamentais possam criar políticas públicas de fomento ao esporte, bem como para que organizadores, marcas, mídia e possíveis investidores possam envidar recursos para o fomento e a consolidação das corridas em trilhas e montanhas.

Então gurías? Vamos fazer nossa parte? Abaixo vamos passar a forma de se filiar na CBAt como corredoras de trilhas e corredoras de montanha, VAMOS MARIA’S VAMOS INVADIR AS TRILHAS!

Cadastro Corredor de Trilha e de Montanha na CBAt:

1) Entrar página CBAt na internet;
2) Clicar em Formulários;
3) Escolher o Estado que você reside;
4) Cadastro de Corredor de Trilha ou de Montanha (se for fazer os dois, um de cada vez);
5) Preencher o Formulário (os);
6) Imprimir e assinar (somente o atleta assina);
7) Anexar 01 foto 3×4 para cada formulário e a copia frente e verso do RG (essa serve para os 2 cadastros se for o caso);
8) Depositar a taxa de R$10,00 por formulário na Conta da CBAt;
9) Imprimir o comprovante e também anexar;
10) Por em um envelope e enviar para o endereço da CBAt em SP.

Taxa da CBAt, esta deve ser depositada na conta da CBAt, o valor e de R$ 10,00 por registro.
Dados bancários CBAt:
Caixa Econom Fed
Ag 3033
Op 003
CC 683-4

CNPJ: 29.983

Filiação válida por dois anos!

Você deve enviar diretamente para a CBAt:
Rua Jorge Chammas, 310 – Vila Mariana – São Paulo – Brasil – CEP: 04.016-070

MARIA’S DA TRILHA BELAS E FERAS NA NATUREZA!