Entrevista com Manuela Onzi a mais jovem das integrantes do Team Maria’s da Trilha – palavras doces que contrastam com uma atitude determinada quando soa o sinal da largada.

  1. Quem é a Manu além de atleta amadora de corrida em trilha?

Sou a irmã mais nova de 4 filhos do Enio Onzi e da Marinês Onzi. Faço parte de uma família apaixonante, onde cada um, luta do seu jeito para buscar sonhos e ideais. Meus pais me ensinaram que com fé e coragem posso alcançar o que preciso. Não consigo imaginar uma vida sem Deus e oração. Tenho como premissas de vida, o respeito, a empatia e a confiança.

No trabalho, sou uma apaixonada pela educação, principalmente de crianças pequenas. Sou professora de Educação Infantil e atualmente Supervisora Educacional, no município de Farroupilha. Ser professora é uma realização, pois diariamente observo nos olhos das crianças o futuro do mundo.

Tenho amigos muito especiais, estes me trazem paz e muita diversão. Sou feliz por saber que posso contar com eles.

Enfim, gosto de ajudar o próximo, compartilhar ideias, levar uma vida simples, ficar em casa, conversar e ser feliz.

  1. Como e por que iniciou a correr?

Nas terças-feiras a noite, um grupo de corrida possui o hábito de correr pelas ruas da cidade de Farroupilha. Sendo assim, recebi um convite de uma amiga, a Thaile Amaral Dall’Igna, para correr junto com eles. Em uma noite qualquer, decidi me desafiar. Iniciei correndo 3km, depois intercalava corrida com caminhada. A partir daí, não parei mais. Comecei a conquistar amizades e mais confiança a cada passada. Então, combinávamos corridas pela parte da manhã, antes do trabalho e nas quintas-feiras a noite. Hoje, aquele grupo que era desconhecido e admirado, é o meu grupo.

  1. Como e a quanto tempo chegou ao trail running?

No início, não possuía preferencias. Participava de corridas em asfalto e trilhas. Porém, com o tempo, meu coração ficava mais feliz quando entrava na mata. Sentia dificuldade em respirar ao correr em asfalto, pois os percursos não se mostravam variados e aquilo me entediava. Na trilha o ar parece ser mais puro, o verde me revigora, o cheiro de terra faz com que eu lembre da minha infância e das minhas raízes. O bem-estar e as belezas que a natureza proporciona me mostram que o meu lugar é a “trilha”. Nasci e ainda moro no interior da cidade, então poder correr em trilhas faz com que eu me sinta “em casa”. Além disso, devido ao local que moro, para treinar em “trilhas” é só colocar um tênis e dar alguns passinhos. Pronto! Estou no meio do mato.

  1. Você sempre fez parte de assessoria ou treinou com orientação de treinador?

Sim, desde o início faço parte da “Associação Farroupilha Runners”. Tenho muito respeito pela associação a qual participo, afinal foi ela que me apresentou ao mundo da corrida. Iniciei a treinar com auxílio de um treinador há aproximadamente 1 ano.

  1. Como faz pra conciliar os treinos com a sua profissão?

Costumo ser bem fiel a minha planilha. Então, todos os dias, no final da tarde, coloco meus tênis e vou treinar. Tenho em mente que por mais que não esteja motivada, eu preciso ter disciplina.

  1. Como vê o momento e a evolução do trail feminino?

Por muito tempo, as mulheres foram ensinadas a se submeterem aos desejos de outras pessoas, e essa “regra” limitou as vidas de muitas, que se viram obrigadas a abandonar os seus sonhos e autenticidade. Hoje em dia as coisas estão diferentes e estamos caminhando para uma mudança. Temos mais espaço para nos expressarmos verdadeiramente, exigir nossos direitos e escolher nossa felicidade acima de qualquer coisa. Penso que o “Trail Feminino” está agregando muito nesta nova forma de ver as mulheres. Somos muito fortes e capazes. Maria’s são capazes de invadir as trilhas e arrasar!

  1. Como você vê o papel dos grupos e assessorias na consolidação do trail running como modalidade esportiva em pleno crescimento no país?

Penso que acima de tudo precisamos apoiar uns aos outros. Ter um grupo/assessoria, faz com que a corrida se torne mais comprometida e segura. Devemos nos sustentar na ideia de que corremos pelos mesmos objetivos. Saúde, bem-estar, superação e felicidade.

  1. Como você se sente sendo parte do primeiro Time exclusivamente de mulheres do trail nacional?

Feliz, grata e motivada. Fazer parte do time faz com que eu me sinta responsável pelo esporte.

  1. O que espera do prosseguimento do ano esportivo no país depois que tudo voltar ao normal e possamos retomar nossas rotinas?

Acredito que muitas coisas irão mudar e não serão fáceis, não só no mundo do esporte. Mas, estou encarando tudo isso, como um momento de aprendizado. O mundo precisa mudar a forma de ver a vida e as pessoas. Este tempo de isolamento nos mostra que as pessoas devem ficar em primeiro lugar e que a vida é o dom mais precioso que temos. O corredor possui como caracteriza a reinvenção. Vejo que muitas pessoas estão treinando em casa, no pátio, nas escadas. Isso mostra comprometimento com o esporte. Então, acredito que o retorno, com respeito, responsabilidade e cautela será profícuo.

  1. Qual seu principal sonho dentro do nosso esporte?

Meu sonho é ficar velinha e continuar com a motivação e entusiasmo para correr. Meu sonho é fazer do esporte um hábito eterno.

Obrigada Manu, que teu carinho, juventude e energia contagiem mais e mais mulheres e que elas criem coragem ou sintam-se revigoradas para cada vem mais invadirem as trilhas!

@manuelaonzi

Somos mais parecidas que podemos imaginar! Entrevista com Faby Rosa, uma Maria do mundo bem real!

1. Quem é a Faby Rosa?

Mãe de 3 filhos, 42 anos, chefe de família, dona do lar, profissional liberal (cabeleireira), no momento também cursando Faculdade de Educação Física, atleta amadora, apaixonada pela corrida, um amor maior na corrida em trilha. Faço de tudo para me manter em movimento, apesar de todas as responsabilidades que tenho no dia a dia.

2. Desde quando corre e por que iniciou a correr?

A corrida entrou na minha vida, por insistência de uma amiga (pois, não queria de jeito nenhum correr). Já no primeiro treino fiz 7 km sem parar, dali em diante nunca mais parei.

3. Como chegou ao trail running?

A mesma amiga insistente que me levou para a corrida me apresentou o trail running.

4. Em que momento fez a transição do asfalto para o trail?

Na primeira prova de trail running, ali aconteceu a transição entre o asfalto e as trilhas, indiscutivelmente foi amor à primeira trilha .

5. Você sempre treinou com orientação de treinador?

Não, nem sempre. Nos dois primeiros anos, me aventurei sem treinador. Só tinha uma rotina de academia fazendo treinos de fortalecimento e musculação. Faz três anos que tenho acompanhamento com treinador de corrida, tive uma evolução absurda.

6. Como faz pra conciliar os treinos com a vida de mãe e profissional liberal?

O dia é planejado de acordo com minha agenda de atendimentos , estudos , tarefas de casa e filhos. Normalmente treino no início da manhã, mas também quando os horários não batem (imprevistos) , treino no horário que sobra, às vezes entre um atendimento e outro.

7. Como vê o momento e a evolução do trail feminino?

Crescendo de uma maneira linda de se ver, e ao mesmo tempo consciente.

8. Como você vê o papel dos grupos e assessorias na consolidação do trail running como modalidade esportiva em pleno crescimento no país?

Importante e fundamental a união das assessorias e grupos, com base na fomentação e disseminação sempre levando para o lado positivo da corrida em trilha. Com tudo o cenário mudou para a normatização das provas oficiais, priorizando como modalidade esportiva em crescimento satisfatório.

9. O que deixou de fazer no cenário do esporte neste 1º semestre em virtude das medidas de combate a Covid-19 e o que tem feito para manter-se ativa em tempos de isolamento?

Obviamente os treinos foram dando espaço para o isolamento, a natação, as corridas ao ar livre. Como estamos predispostos ao vírus, e não podemos colocar nossa saúde em risco e das pessoas que estão à nossa volta (família, amigos, todos ). Assim adaptei em casa, dividindo os dias com treinos específicos e também experimentando outras modalidades, me reinventando: o importante é se manter em movimento.

10. O que espera do restante de 2020 o ano que ficará marcado na história como o ano em que tudo parou?

De uma certa forma ficará marcado sim, o ano em que tudo parou por um tempo. Tenho esperança que no 2º semestre tudo voltará aos poucos. E também acredito que será imprescindível, que sejamos persistentes, pois, o ano não acabou e teremos muito trabalho pela frente.

Obrigada Faby por dividir tua história conosco, cada vez mais temos a convicção que #somostodasmariasdatrilha !

@fabyrosa_

A Bicampeã da ExtremoSul Marathon.

Fomos conversar com a Bi Campeã da Extremo Sul Ultramarathon, a Catarinense Ivoneti Loes Wild. Ficamos muito lisonjeadas com o depoimento desta super mulher, trabalhadora, mãe, e ultramaratonista, que vem se destacado em suas competições. Curtam conosco esta história que preparamos com muito carinho.

01- Como conheceu as ultramaratonas?

Através dos amigos de corrida.

02- O que motivou você a iniciar nas ultras?

A vontade de me desafiar e de me superar.

03- Qual foi a sua primeira prova?

5km em Florianópolis

04- Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira ultra?

Uma alegria enorme,  um sensação de superação de dever cumprido.

05- Você faz parte de alguma acessória esportiva? Qual?

Sim SARUN

06- Como são seus treinos?

Para  a extremo Sul foram 6 meses de preparação e o volume mensal de corrida iniciou em 300km e foi até  600km.

Também faço treino de reforço muscular 2x na semana  e  treinos de bicicleta

07-Como concilia  as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?

Recebo da minha assessoria os treinos com antecedência então eu planejo na semana como executá -los, observando meu trabalho, família e atividades do lar,  quando os horários ficam complicados acordo mais cedo ou treino a noite.

08- O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de ultramaratonas?

Acredito que é muito importante, pois quando vc treina para uma ultra leva o seu corpo e mente ao extremo, então este profissional nos auxilia a repor o que está faltando no nosso corpo e também a seguir uma alimentação de acordo com as nossas  necessidades diarias.

09- Nos conte como foi a sua segunda passagem pela extremosul… bicampeonato… queremos saber tudo…

Foi incrível, cheguei com medo, mas fui tão bem acolhida por todos que logo passou e fui em busca de melhorar o meu tempo do ano anterior.

Lembramos que na sua primeira participação, em 2018, concluiu a prova em 40h00s e em 2019, baixou sem tempo em um pouco mais de 6 horas… 33h 50min, tornando-se a Recordista da sua Categoria, geral Feminina.

Continuado…

Procurei me manter motivada para que cada quilometro não virasse um sofrimento  e sim uma superação.

O segundo dia foi mais difícil estava muito quente e com muito sono, então  estar motivada e lembrar de tudo que já tinha alcançado e treinado,  fez com que eu focasse para a reta final.

Gritei, chorei, pedi forças a Deus ao meu treinador, risos…

Recebi as  energias das pessoas que me acompanham e tenho certeza que elas vieram em todo momento,  principalmente nos ultimos 30km finais, onde eu senti uma força de superação que nem eu conhecia!

10 – Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?

Normal, apenas inclui mais carboidrato e muita água para estar bem hidratada.

Nada de exageros para não chegar mais pesada pra prova.

11- Quais provas te marcaram mais?

Com toda certeza a Extremo Sul!

E a  maratona de Florianópolis.

12- Qual será seu maior desafio em 2020?

Com meu treinador estou organizando o calendário, entre elas tenho provas de 50km ate 300km com trechos de trilha e praia.

13- Qual ulra você indicaria para uma Maria?

Então são muitas provas legais, tudo vai depender da preparação de cada Maria.

Gosto de indicar aquela que vc olha, analisa e o coração começa a bater mais forte, então quando isto acontece fica mais fácil porque o desafio está no coração e vc vence qualquer obstáculo.

14- Qual seu maior sonho dentro das ultras?

Fazer provas ainda maiores, porém sempre observado a saúde e o prazer que a corrida proporciona.

15- Na sua percepção, ser ultratrail runner é…

É o desafio da superação, ver que posso melhorar sempre, que com planejamento organização e disciplina podemos fazer coisas incríveis!

16- Por que você indica a corrida como prática esportiva?

Porque ela é livre, vc escolhe o ritmo que quer correr.

Porque ela te ensina ter organização, disciplina, foco e  persistência.

Porque ela faz com que conhecemos o nosso corpo, um outro mundo,  a superação de cada atleta a alegria de conquistar cada km e ter muitos amigos legais.

Ivoneti, as Maria´s da Trilha desejam desde já um futuro promissor, que continues a te desafiar.

Um abraço de toda a nossa turma!

Obrigada!

A Campeã do 1º Campeonato Gaúcho de Trail Running – Categoria Ultra

As Maria´s da Trilha foram correndo conversar com a  atual Campeã do 1º Campeonato Gaúcho de Trail Running, pois ela tem muito para nos contar e contribuir dentro do nosso universo. Casada com o Marcelo, mãe da Valentina e do Pet Snow, a Fisioterapeura Dalila Danelli Ticiani vem se destacando no cenário Rio Grandense, pela sua força e performance. Natural de Bento Gonçalves-RS, tem um terreno propício para estimular o sobe e desce das montanhas.

Ela focou, treinou e foi Consagrada no Sábado passado a 1ª campeã da maior consquista do trail running gaúcho, o nosso Campeonato reconhecido pela Federação de Atletismo do Rio Grande do Sul.

Vamos embarcar com ela e prestigiarmos esta atleta que está fazendo história.

5- Como conheceu o trailrun? Através dos amigos Clécio Rasador e Sirlesio Carboni para fazer o circuito trilhas e montanhas. Estava chovendo e fiz a prova toda com muito barro. Foi a primeira vez que subi no pódio geral. Me apaixonei.

6- O que motivou você a iniciar no trail run? A oportunidade que tive de participar da BTR ( Bento Traill Runners) e conviver com pessoas apaixonadas por trilhas.

7- Qual foi a sua primeira prova? A primeira prova onde entendi o que é traill foi a Patagonia Run, 42 km.

8- Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trail? Uma sensação de liberdade, felicidade e vontade de fazer isso de novo.

9- Você faz parte de alguma assessoria esportiva? Qual? Faço parte do grupo de corrida BTR, sendo que este não é um grupo de assessoria. Tenho um treinador particular.

10- Como são seus treinos? Divido meus treinos entre reforço muscular, planilhas e pilates. Faço isso sempre, mas quando tenho provas alvo, intensifico um pouco mais a planilha, dependendo a característica de cada prova.

11- Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições? Isso é uma tarefa exaustiva, que exige organização do tempo e muita determinação. Me divido em trabalhar como fisioterapeuta, ser mãe e esposa. Também tenho o privilégio de ter pessoas que apoiam e ajudam na organização do dia a dia. Amigos e família e meu companheiro nessa trajetória, meu marido.

12- O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrun? Não vejo a possibilidade de fazer uma ultra maratona a nível de competição sem acompanhamento nutricional, acho essencial.

 

13- Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova? Não sigo dietas restritivas, faço uma alimentação equilibrada e orientada pela minha nutricionista esportiva. Uso pouco suplemento, dou ênfase a comida. Dez dias antes das provas, procuro diminuir doces e não consumir álcool e aumento a ingestão de água. Durante a prova uso gél, água de côco, gatorade, palitinhos salgados e gomas. Pós prova frutas vermelhas, uma coca cola bem gelada e uma refeição com carne, massa e um bom vinho (outra paixão).

14- Quais provas te marcaram mais? UTMB (OCC) 56km. Sensacional.

15- Qual será seu maior desafio em 2020? Pretendo fazer a Lavaredo Ultra trail em Cortina d`Ampezzo, e tentar o sorteio da UTMB (CCC) 100 km.

16- Como você vê o momento do trailrun no Brasil? Em crescimento no país, e principalmente em nosso estado. Tem conquistado muitos adeptos que gostam de conciliar corrida e natureza.

17- Na sua opinião, o que o 1º Campeonato Gaúcho de Trail Running representou para o Estado?
Oportunidade incrível de alavancar o traill running, buscando melhorar a organização das provas e elevar o nível dos atletas participantes.

18- Qual prova você indicaria para uma Maria? Patagonia Run e sem dúvida nenhuma UTMB. No Brasil as etapas do Campeonato Gaúcho.

19- Qual seu maior sonho dentro do trail? Ainda pretendo aumentar a minha quilometragem, e me desafiar nos 100km.

20- Na sua percepção, ser trail runner é…superar-se a cada treino.

21- Por que você indica o trailrun como prática esportiva? É um esporte que concilia corrida em lugares incríveis, natureza e nos proporciona fazer novos amigos.

Obrigada Dalila, torcemos muito pelo teu sucesso, que tua disciplina, teu foco e tua força seja multiplicada, para que alcances todos os teus objetivos. As Maria´s da Trilha vibram a cada conquista de uma mulher trail running.

Antes, Durante e Depois da OCC – UTMB

Uma mulher com muita coragem. Não só por ter participado de uma das provas mais cobiçadas na comunidade trailrunning.

Como ela mesma diz, “eu tinha dois caminhos e decidi enfrentar e lutar”. Venceu o cancer de mama e de quebra concluiu a OCC – Orsières-Champex-Chamonix, uma das distancias (54km) do UTMB, na Semana Mundial do Trail em Chamonix, na França.

Este post nos emocionou demais, percebemos que a vida é frágil, e que podemos sempre, fazer de um limão…uma limonada. Obrigada Lisiani Calvano, por nos presentear com o teu depoimento e Parabéns pela sua bravura.

Há 10 anos, o mês de janeiro traz fortes emoções aos “trilheiros” do mundo.

É o período que sai o resultado das inscrições para todas as provas que compõem a Semana  “UTMB” – Ultra-Trail Du Mont-Blanc, corridas que passam pelos Alpes da França, Suíça e Itália.

Esse ano, eu e meu marido, fomos sorteados para correr a OCC (56,200Km, com 3.500+, largada na Suíça e término na França), e, primeiro a emoção incrível pela realização de um GRANDE SONHO, principalmente, depois de ver o pequeno grupo de brasileiros selecionados, e… depois começou a “correria”!

Organizar uma viagem dessa espécie requer planejamento e dinheiro, e lá fomos nós, empolgados, montar nossa grande aventura.

Tudo seguindo seu rumo tranquilo, treinos avançando, passagens compradas, quando o destino bateu de frente, e vivi a experiência mais assustadora da minha vida: ao fazer exames de rotina para obter o Atestado de Saúde para enviar para a prova, diagnóstico de Câncer de Mama.

O nódulo estava em fase bem inicial, por isso, para minha sorte, primeiro procedimento foi cirurgia de remoção, e, como foi classificado como “hormonal”, que seria a forma mais “branda”, 15 sessões de radioterapia.

Eu não sabia mais o meu futuro exato, mas acreditei no “Projeto OCC”, e me mantive bem alimentada, com sono em dia dentro do possível, e, fazendo reforço muscular, caminhadas e após corrida, sempre dentro dos limites da minha recuperação.

A corrida me manteve “firme”, e os treinadores e amigos da corrida ajudaram em todos os sentidos, e lá fui eu confiante com o passar do tempo ganhando confiança e disposta a encarar a viagem para a Europa.

Devidamente autorizada pelos médicos, feliz demais pela grande experiência que me aguardava, sorriso no rosto, lágrimas nos olhos, a força da corrente do bem, pronta para as Montanhas dos Alpes Franceses e Suíços, impactada pela beleza da região de Orsiére, que já foi energizante para uma largada emocionante!

Foi o começo de uma corrida sem comparação, e para mim, uma parte de uma longa jornada que ainda tenho pela frente!

E para aumentar a emoção, fomos saudados pelas pessoas de todos os vilarejos suíços e franceses que cruzamos ao longo da prova, todos aplaudindo e gritando palavras de incentivo, e, dezenas de crianças faceiras estendendo os bracinhos para dar um cumprimento, sempre sendo incentivada mais ainda quando viam a bandeira do Brasil em meu número de peito.

O desafio foi imenso, porque no Brasil sequer temos Montanhas, e as “subidas infinitas” foram um teste para a mente e o corpo, a primeira já mostrou o que nos esperava, porque tivemos que subir por 10km de forma contínua!

Clima seco, trilhas com muitas pedras e penhascos assustadores, a prova é uma pedreira do começo ao fim.

O cenário nos remete a imagens de filmes, o tempo todo, o corredor se sente no topo do mundo, perto das nuvens e muito, muito perto do cume gelado do Mont’ Blanc.

A estrutura é inigualável no mundo, tanto na largada quanto na chegada, quanto nos Postos de Apoio e controle, e toda comunidade, sempre atenciosa e feliz ajudando todos, e tornando essa prova uma experiência incrível.

Pessoas do mundo todo participam da prova, o que dá uma charme especial ao evento, ainda mais em provas de trilha, onde formamos grandes parceiros ao longo do trajeto, apoiando uns aos outros.

Sem os devidos treinos, mas amparada em meu currículo de trilheira, principalmente porque em dezembro de 2018 tinha feito 70 km na Serra da Cuesta, em São Paulo, fui indo km a km, e chegando dentro do tempo limite nos postos de controle da prova.

A prova exige grande organização e preparo, principalmente, quanto aos equipamentos, roupas e alimentação, um descuido e o corredor não termina, eu sofri na parte da alimentação, porque o calor desgasta muito, mas mantive meu “protocolo de emergência” cuidando hidratação e sal.

Teve 2 momentos que pensei em abandonar a prova, quando duvidei da minha capacidade diante dos treinos “limitados”, mas fui salva por anjos da guarda e certamente pela torcida no Brasil que me fizeram seguir adiante e viver meu “momento UTMB”.

Devagar, mas com resistência e sem me machucar, cruzei o Pórtico de chegada em Chamonix, caminhando, porque já me faltava energia depois de 14h de prova.

Coração acelerado, mente revivendo toda a jornada, e a certeza de que haveriam muitas outras belas chegadas na vida!!

Depois fiquei sabendo que dos 27 brasileiros inscritos para a prova, somente 16 finalizaram a distância, uma razão a mais para agradecer e viver com a alma leve da certeza de que cada dia é possível estar no caminho do bem e conquistar as Montanhas!

O Caminho até aqui.- Lúcia Magalhães

Ela é demais! Tivemos o primeiro contato na UD Passa Quatro em 2017. Ficamos impressionadas com a performance, com a energia e a resistência. A partir daí seguimos esta gigante e ficamos muito felizes com a sua convocação ao Mundial Trail 2019. Ela leva Deus no coração e sempre conquista o primeiro lugar do pódio. É a atual campeã feminina da Patagonia Run – 110 km, com um tempo de 16h47min, 11º geral. Com a sua personalidade prática, ela, em poucas palavras fez um relato surpreendente. Este relato tu não podes perder!

O fato de comprar meu primeiro smartphone me ajudou bastante a iniciar minha caminhada com a corrida. Como eu sempre gostei de ir no parque correr eu baixei o aplicativo de corrida no celular e comecei a leva-lo comigo. Com o aplicativo eu podia correr fora do parque e ter o controle da distância percorrida e dessa maneira eu me obrigava a sempre correr um pouco mais do que no último treino. Fui me desafiando a cada treino até o dia em que corri 15km sozinha. A partir daí concluí que devia procurar um curso de corrida, pois eu já era formada e trabalhava na área já tinha alguns anos e queria aprender mais sobre o treinamento específico dessa modalidade.
Nesse curso de corrida que fiz em uma academia na minha cidade conheci um rapaz que me chamou para um treino outdoor, me interessei pelo convite e fui. A partir desse treino percebi o que queria para minha vida, não tinha ideia do que viria pela frente, mas senti que ali era o meu lugar. Já nesse mesmo ano (2014) me inscrevi para minha primeira prova de trailrunning na distância de 21km, eu sempre gostei de distancias maiores, não que 21km seja considerada uma longa distância, mas não passou pela minha cabeça ir até a Ilha Bela e passar um tempo muito curto correndo. Nada contra distancias menores, certo? Eu admiro quem corre distâncias curtas, pois são incrivelmente intensas para mim. Nesse mesmo ano, depois de alguns meses treinando fui para uma prova de 40km na Serra Fina, e sem ter ideia alguma que era possível fiquei em terceiro lugar geral entre as mulheres. Isso me motivou demais a ingressar de fato no mundo das competições.
A partir desse momento passei a ter um treinador e a cada prova analisava minha performance e procurava detectar onde eu não era boa. Assim, conversava com meu treinador e passava a focar meus treinos naquilo que eu realmente precisava. Passei a selecionar provas que eu julgava serem desafiadoras e que tinham uma projeção bacana no calendário nacional e treinava especificamente para elas. Meu desempenho foi melhorando de prova em prova e comecei a subir no pódio ao lado de grandes atletas que eram consideradas elite.


Em 2017 tive um belo salto de performance, depois de minha única lesão na vida ficando 4 meses parada sem correr decidi que iria dar a volta por cima e ser mais disciplinada ainda quando voltasse. E não deu outra, esse ano de 2017 foi um ano em que me entreguei mais ainda ao esporte e passei a ter resultados muito bons em provas duras. Ingressei no meu time de hoje em dia, Go on outdoor, e comecei a ser uma pessoa conhecida pelos meus resultados como atleta. Nesse ano ganhei praticamente todas as prova que fiz ficando em segundo lugar apenas em uma prova, porém metade da prova disputei com uma grande atleta e isso me motivou muito. Eu perdi a disputa, mas foi como se tivesse ganho de tanto conhecimento sobre mim mesma que adquiri. Eu fiquei muito empolgada com tudo que acontecia.
No ano seguinte em 2018, mais bons resultados (graças a Deus!) e minha primeira prova fora do Brasil. Conquistei um sexto lugar entre as mulheres em uma prova bem acirrada na Europa, tive oportunidade de correr com atletas da elite mundial e nem por isso me senti menor. Eu sabia que tinha treinado muito e queria buscar meu melhor mesmo disputando com a melhores do mundo. Foi um balde de aprendizado e percebi que nós brasileiros somos tão bons quanto todos as outras nações, nós apenas precisamos de mais disputas para percebermos o que precisamos melhorar, e para nos fortalecermos diante das situações de competição acirrada. Precisamos competir mais e mantermos nossa autoestima positiva!


E agora em 2019, fiz minha primeira grande ultramaratona de montanha realizada com sucesso graças a orientação do meu fantástico treinador, que é também meu sócio na empresa que trabalho. O Bonatto me orienta para as provas e tem me ajudado demais a manter minha performance sou muito grata a ele. E esse ano também tive a felicidade de ser convocada para compor a seleção brasileira feminina no mundial de trailrunning ao lado de atletas que admiro muito. O mundial será realizado em Portugal no início de junho, preciso treinar muito até chegar lá. Estou feliz, pois este é meu quinto ano como atleta de corrida de montanha e tenho me dedicado muito desde que iniciei as competições em 2014. Agradeço a Deus por todas essas benções em minha vida, agradeço a Ele pela vida da minha família querida e pela vida do meu marido César. Sem a parceria do César nesses anos, eu não teria chegado até aqui. O meu muito obrigada ao Deus querido.

Lucia da Silva Magalhães

Franciela – A Campeã da TUTAN

Natural de Florianópolis-SC, ela é Jornalista de formação, mestre em Educação. Atualmente cursa Nutrição e tem a ultratrail no coração…até rimou! Além de todas estas atividades, ela casada, faz estágio no Departamento Médico no Avaí Futebol Clube e atua fortemente na área comercial da Vidas Corridas.

Convidamos a Franciela Fantin, 1ª colocada Feminina da TUTAN – Transmantiqueira Ultratrail Agulhas Negras – 100km, que ocorreu em Abril /2019, para nos contar um pouco do seu dia a dia, enfatizando a prova que a consagrou campeã. Curtam conosco mais esta belíssima trajetória.

Como conheceu o trailrun?

Corro há 4 anos e meio, mas nos três primeiros anos, corri somente asfalto. Há 1 ano e meio descobri o trail running e desse então migrei somente para esta modalidade.Quem me apresentou o trail run foi o ultramaratonista Claudio Vicente, quando me convidou para fazer o Mountain Do da Lagoa em dupla mista. Bom, nem preciso dizer que foi amor à primeira vista.

 

O que motivou você a iniciar no trail run?

Foi o Claudio, me convidando para fazer o MD em dupla mista. Mas também me motivou pelo interesse em fazer longas distâncias. Após a Maratona de Porto Alegre em 2017, decidi que eu queria mais que 42km e naturalmente as ultramaratonas te levam para a prática do trail run.

Qual foi a sua primeira prova trail e sua percepção? 

De trail foi o Mountain Do da Lagoa, em dupla mista, em outubro de 2017.Foi fantástico, na verdade, eu já sentia isso nos treinos. Mas mais realizada ainda fiquei quando fiz minha primeira ultramaratona (45km), ficando em segunda geral (Amazing Runs Garopaba) e depois quando fui aumentando as distâncias, chegando agora aos 100km, é onde realmente me sinto realizada. Correr por horas e horas é algo que não se explica, somente é possível sentir. E eu tenho foco em desempenho. Tem corredores que gostam de curtir a paisagem, tirar fotos do percurso, e não tem nada de errado nisso, cada um com seu foco, o meu é desempenho.

Você faz parte de alguma assessória esportiva? Qual? E como são seus treinos?

Sim. Carlos Venturini Treinamento de Corrida.

Faço os treinos de corrida orientada pelo Carlos Venturini, faço preparação física na academia, orientada por dois profissionais, tenho uma nutricionista que me orienta e ainda faço fisioterapia preventiva, evitando ter lesões.

Pratico 5 treinos de corrida por semana, variando entre intervalados em pista, tiro em subida, fartleks e os longos no sábado e no domingo; e 2 treinos de preparação física na academia com o personal trainer.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?

Treino as 5 da manhã todos dias. No sábado saio antes devido aos longões. Faço faculdade de nutrição, então estou na aula todas as noites e a tarde eu faço estágio no departamento médico do Avaí Futebol Clube (área de nutrição). No período da manhã atuo com a loja Vidas Corridas.

 O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrun? Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?

Indispensável. Não existe fazer endurance sem acompanhamento nutricional. Visito minha nutri esportiva (Amanda Miranda) a cada 2 meses e em período de prova com mais regularidade ainda. Toda a estratégia de nutrição e suplementação são pensadas por minha nutri conforme o meu tipo de treino, a prova que vou fazer.

Minha alimentção pré-treino depende da modalidade que vou praticar, se for intervalado é um tipo de suplementação, se for fartlek é outro, longos requerem outra suplementação. E para cada prova também tenho uma estratégia a fim.

Quais provas te marcaram mais?

Brasil Ride Botucatu 70km – QUINTA GERAL

XC Run Itaipava 50km – TERCEIRA GERAL

TUTAN 75 ou 100km – CAMPEA

Qual será ou foi seu maior desafio em 2019?

Foi a TUTAN 100km como a prova alvo do primeiro semestre

Será a La Mission 80km no segundo semestre

Como você vê o momento do trailrun no Brasil?

Está em expansão, o que é bom. Mas nas provas de longas distâncias tenho percebido muitos corredores despreparados para tal desafio. O ruim é que acabam desistindo da prova e por vezes do próprio esporte. Ultramaratona não é brincadeira, você precisa treinar muito, ser muito bem orientado por profissionais da área. Me preocupo com a “síndrome do super herói”, do cara que vai lá fazer uma prova longa sem preparação só para dizer que se superou, mas por vezes acaba lesionado, demora muito tempo para se recuperar ou até mesmo desiste das ultras depois.

Qual prova você indicaria para uma Maria?

Brasil Ride Botucatu 70km

XC Run Itaipava 50km

TUTAN 75 ou 100km

Qual seu maior sonho dentro do trail?

Fazer a UTMB (neste ano estou fazendo provas que dão pontuação)

Na sua percepção, ser trail runner é…

Treinar, treinar e treinar muito para alcançar os resultados

Por que você indica o trailrun como prática esportiva?

Porque não é fácil, porque tem que se preparar muito para enfrentar uma prova casca grossa como a TUTAN, por exemplo.

Obrigada pela contribuição Fran, desejamos que teus passos seja cada vez mais longos e seguros. Estaremos sempre sempre na torcida pelo teu sucesso.

Viviane Souza e sua ultramaratona na Patagônia

Fomos até Capão da Canoa -RS, cidade da Viviani Oliveira de Souza, ultramaratonista, para que nos contasse o seu dia a dia e sua recente participação na Patagonia Run, 70 km. Ela, que é Professora – Educação Especial e Anos Iniciais, tem agenda lotada com o filhote de 10 anos, seu grande companheirinho, e ainda assim cumpre a risca sua planilha.

Mais uma Maria como nós para compartilhar a sua experiência, uma mulher, trabalhadora, mãe e ultramaratonista, bora lá conhecer!

Como conheceu o trailrun?
Sempre gostei de esporte e o fazia em academias, quando vim morar em Capão, mudei um pouco a rotina,  sempre achava um tempinho e corria a beira mar. Fiz isso por anos por simples prazer em estar naquela conexão comigo mesma, sem saber de distância, pace, tão pouco provas de corrida…
Há pouco mais de dois anos uma grande amiga, profissional da área e triatleta inaugurou sua assessoria esportiva, voltada para a corrida, onde eu me incluí desde o primeiro treino. Dois meses depois fomos treinar no Morro da Borússia, em Osório e naquelas estradas de chão meio a trilhas e a natureza,
percebi que tinha muito mais do que uma “beira mar” para eu me encontrar, conhecer, treinar e me encantar ainda mais com a prática deste esporte.

O que motivou você a iniciar no trailrunning?
Na verdade o que motivou estar no trail runnig, foi o próprio grupo de corrida, pois eu desconhecia esta modalidade e de fato corria para serenar minha mente e espairecer da rotina e corre-corre de atividades e afazeres de “gente grande”. Logo conheci o Chico, meu companheiro, aí sim o caso com o trail entrou de vez nas minhas rotinas de treinos e provas e passei a conhecer um pouco mais sobre tudo isso através dos conhecimentos e experiências dele, e, cada vez mais me interesso por esta modalidade. Unir esporte, natureza e estar em paz com meu corpo e minha mente, além de construir verdadeiros laços de amizade é sensacional!

Qual foi a sua primeira prova?
No Morro da Borússia, fiz 13km no Circuito Gaúcho de Trilhas e Montanhas em 2017, prova em que eu me perguntei pela peimeira vez o que eu estava fazendo ali… a resposta veio quando eu cruzei a linha de chegada,, um filme se passou na minha cabeça sobre a minha vida e eu sorri grata a Deus por cada km que me levou até ali.

Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trail?
Talvez já tenha respondido um pouco na questão anterior… mas, percebi que eu estava no lugar certo e que ali queria continuar, pelas várias sensações que senti e por estar entre pessoas conectadas de uma energia muito boa, com força, determinação e sobre tudo de alegria.

Você faz parte de alguma acessória esportiva? Qual?
Sim, Meta Assessoria Esportiva – Professora Aline Negruni, aqui de Capão da Canoa.

Como são seus treinos?
Dou aula na parte da manhã em uma escola e a tarde em outra, sendo que a tardinha tenho as atividades com meu filho. Uma ou duas vezes na semana reuniões nas escolas, por isso meus treinos são logo cedinho antes desta rotina toda, vejo o nascer do sol todos os dias acordando as 5h30 para
treinar, segunda, quarta e sexta a corrida na beira mar e nas terças e quintas o reforço muscular na academia. Fim de semana, sigo a planilha por aqui ou nos morros vizinhos.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?
Pois então… eu fiz uma grade de provas que gostaria de realizar durante o ano e tento me organizar para fazê-las, o foco para o primeiro semestre era Patagônia Run e fiquei encantada com tudo o que vivenciei lá. Em função de logística, filho e trabalho, faço o que está ao meu alcance, acordando
cedo para meus treinos e sempre que consigo estou nas competições. Agora estamos reavaliando e viabilizando novos desafios.

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrunnig?
Importantes. Há um ano procurei uma nutricionista que vem me acompanhando com avaliações e dicas importantes. Tento adequar ao máximo possível na minha rotina alimentar diária e vou testando, conhecendo os alimentos durante os treinos para que conclua cada percurso e distância de forma positiva, seja no dia a dia ou nas provas.

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?
Sigo as orientações nutricionais com uma dieta balanceada e muito simples com os principais componentes a serem ingeridos: carboidrato, proteína leguminosas e vitaminas antes e pós prova. Durante as provas e treinos não tenho muita vontade de alimentar-me, mas uso carbogel, isotônico,
já usei bolinhos de batata e frango, sementes, grãos e caldo quente na Patagônia, aos quias tive boa aceitação.

Quais provas te marcaram mais?
Acredito que cada prova tem um marco, porque sempre aprendemos algo sobre os percursos e desafios e mais ainda sobre nós. Mas a Patagônia Run vai ficar para sempre nas minhas lembranças por ser diferente de tudo que já tinha vivenciado: correr a noite, montanhas com altimetria elevada, temperaturas negativas, correr entre grandes feras do trailrunnig, estar em outro país com tantas pessoas de diferentes nacionalidades unidas por um mesmo esporte e alegria, foi demais e ficará para sempre na memória!! Minha primeira maratona, foi no Rio de Janeiro com uma super energia positiva e uma chegada emocionante. A primeira ultratrail foi ano passado na Indomit
Costa da Esmeralda, foi forte, desafiadora e gratificante… E assim vai, mais tantas outras… Meu primeiro lugar na geral da Audax de Riozinho na distância média, foi sensacional também!!

Qual foi o seu maior desafio em 2018 e o que virá em 2019 ?
2018 foi os 50km da Indomit e a TTT em dupla;
2019 foi a Patagônia Run, a continuidade no circuito do Audax e a TTT solo.
Aos poucos, devagar conhecendo o meu corpo, meus limites e trabalhando naquilo que posso melhorar e que seja capaz de realizar, vamos estabelecendo novas metas, levando em consideração as logísticas pessoais (trabalho e família) vou me aventurando em treinos e provas…

Como você vê o momento do trailrunnig no Brasil?
Sou “novata” neste meio e agora estou conhecendo um pouco mais através de amigos, ouço e vejo o crescimento e expansão do trailrunnig com a formação de grandes grupos para treinos, seja eles para “desbravar” novos trechos e percursos, para participar de provas e eventos ou para buscar recursos, estabelecendo assim de companheirismos e amizades através deste esporte.

Qual prova você indicaria para uma Maria?
Patagônia Run, ainda sinto a energia desta prova, tudo muito recente… Foquei nos treinos para a realização deste desafio, estive com meu grupo em belas parcerias de treinos, conheci outros durante este período de treino e ouvi muitas pessoas experientes que só contribuíram para a formação de minha “bagagem”. Viajar e estar com pessoas de nacionalidades diferentes ou ainda
brasileiros de outros estados, e sem nunca ter os vistos conversar, sorrir, trocar e aprender é fantástico!! O trailrunnig tem me feito muito bem no aspecto físico, social e psíquico.

Qual seu maior sonho dentro do trailrunning?
Aumentar minhas distâncias, conhecer novos lugares e pessoas com a certeza e segurança de estar cuidando da minha saúde, do meu corpo e da minha mente, conhecendo e desfiando meus limites.

Na sua percepção, ser trailrunner é…
Aventurar-se através de um esporte, estar em meio à natureza respeitando-a e sendo feliz.

Por que você indica o trailrunnig como prática esportiva?

Porque é um esporte, movimento, saúde, paz, construção de laços de amizades, é natureza, é alegria, são desafios e conquistas pessoais…

E a Ligia vai para o Trail World  Championship 2019


Ela é uma das referências no trailrunning feminino brasileiro. Se destaca pela sua força e entusiasmo em manter a competitividade no esporte. Conversar com ela deu uma injeção de ânimo. É forte, persistente, corajosa, ousada e disciplinada. Seus desafios são, na maioria das vezes concluídos com sucesso. Hoje ela vai nos falar sobre estar entre uma das melhores do país, o que significa representar as mulheres brasileiras no Trail World  Championship 2019, que acontecerá em Portugal, e, como mantém a competitividade como seu maior combustível.

A Ligia Almeida é de São Bernardo do Campo / SP. Casada com o Ricardo (Thor), ainda não tem filhos, atua como  Terapeuta Ayurvédica , está na segunda gradução em Ed. Fisica , pois quer trabalhar este foco quando concluir o curso. Deixamos tudo com as palavras dela, para nos aproximar mais do dia a dia desta super atleta. Bora aproveitar?

Como conheceu o trailrunning e o que te motivou a praticar o esporte?
Através da Empresa no qual trabalhava, existia uma consultoria em qualidade de vida que oferecia treinamento de corrida em parceria com José Virginio de Morais dono da Assessoria JVM Trail Run, ele é meu técnico e estou na nesta assessoria esportiva desde então isso foi em 2009.

O meu técnico Virgínio, me ofereceu uma inscrição para o percurso de 6 km no Corrida de Montanhas em Parapiacaba região de São Paulo. Eu amei tanto tudo aquilo, me sentia tão eufórica que ao invés de seguir no meu percurso dos 6 km, conforme orientação do Staff, segui para os 12 km o percurso mais longo da prova. Claro fui desclassificada, se tivesse corrido o percurso devido chegaria entre as três primeiras, no 12 km também… rs a partir dai o céu foi o limite comecei a escrever minha história no Trailunning e sou uma Ultramaratonista Endurance.

Qual foi a sua primeira prova e qual sua percepção?
Oficialmente na montanha tirando essa que fui desclassificada foi em Campos do Jordão, Mountain Do 18k, fui 3.ª colocada entre as mulheres.

Veja, foi a de mais pura euforia, estava tão contente por estar naquele contexto, que queria mais e mais e desde então não me vejo não fazendo algo que me traz tanta felicidade, paixão, paz e conexão comigo mesma.

Como são seus treinos?
Nessa fase que sigo para o Mundial de Ultra Trail, estamos na fase de treinos de força específicos para resistência, intervalados e ritmo. Tenho um dia de Day Off (sexta-feira), Sábado meu treino é em horas quando vou para montanha e quando é algo mais rolado (Cross Country) em Kilometragem, tudo não passa de 3h, e o ritmo é como se fosse competição ou na percepção de esforço (eu gosto), e no Domingo uma bike “Lúdica” como assim específica meu técnico, ele quer dizer soltar as pernas não forçar, rs

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?
Já foi mais intenso quando trabalha no mundo corporativo, hoje como trabalho por conta consigo administrar melhor meus horários com família, trabalho, estudo, afazeres de casa, treinos e competições. O que ajuda mais é o apoio e parceria do meu “namorido” ele também corre isso facilita a rotina de acordar cedo e irmos juntos principalmente nos finais de semana. Amamos esportes em geral então entra como entretenimento nosso também, e viagem de férias já nos programamos para fazer uma prova no local que iremos conhecer e depois montamos roteiros para explorar os locais, comidinhas típicas e tudo que gostamos de fazer. Ano passado fomos para Europa competimos em 2 provas na Áustria, inclusive uma delas entrou como prova da minha escolha para contar para a Seletiva do Mundial, antes da prova fizemos um trekking no Parque Nacional do Triglav na Eslovênia e conquistamos o cume do Triglav o pico mais alto da região foi incrível!

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrunnig?
Fundamental, comer bem é treino tão importante quanto o treino físico e mental, na minha opinião esses são 3 pilares para se encontrar o equilíbrio perfeito e conquistar o Everest se quiser, rs

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?
No geral não tenho problemas com alimentação, na semana da prova, concentro uma alimentação reforçada nos carboidratos mais complexos e muito líquido (Água, Água de Coco).

No dia antes da largada Isotônico, pão branco com geleia (irei usar essa fonte de açúcar rápida nos primeiros kms da prova) e café preto sem açúcar por gosto e preferência.

Durante a prova, a suplementação que recomenda minha nutri normalmente (eletrólitos, bcaa e recovery) alinhamos isso de acordo com a distância/tempo de prova, mas quando longas distâncias reforço com géis a base de sal e cafeína, tâmaras, damasco, provolone, batata com azeitona, paçoquinha, balas de gengibre e uso o que a prova oferece (leio antes para saber o que terá já que muitas provas precisamos ser mais auto-suficientes) isso entra também como estratégia de prova para não sair muito carregada, como eu me conheço e faço testes de alimentação nos treinos longos então consigo me orientar bem com essa estratégia.

Quais provas te marcaram mais?

Tem algumas, mas irei citar 3 específicas.

Trail World Championship em 2016 também em Portugal, além de ser o 1.º Campeonato, pra mim foi como estar nas Olimpíadas do Trail Run, memorável toda abertura e cenário competitivo que vivenciei. Feliz em voltar esse ano e levar nossa bandeira novamente junto com todos da delegação brasileira.

Ultra Fiord 2017 – 112k Essa corrida me marcou, porque, depois dela revi minha maneira de correr e objetivos com a corrida…, ela me deu um verdadeiro sacode, rs

Indomit São Bento do Sapucaí 2019, embora já tivesse conquistado minha vaga no inicio do ano, eu me coloquei nesse cenário competitivo e forte para continuar firme nos treinos para chegar mais preparada e dar meu 110% nesse mundial.

Qual será seu maior desafio em 2019?
Além do Mundial em Portugal em Junho meu outro maior desafio é o UTMB – Ultra Trail du Mont Blanc) no final de Agosto desse ano percurso das 100milhas (170km cruzando a tríplice fronteira da França, Suíça e Itália) desde 2015 venho me qualificando e me preparando para ela. É meu sonho antigo e esse ano, além dos pontos válidos minha loteria saiu. Não foi fácil conquistar essa primeira parte, como diz o meu amigo Cícero Barreto “suei grosso” até aqui, e continuo suando, rs

Como você vê o momento do trailrun no Brasil?
Vejo mais positivo, estamos 1 km por vez, desde o 1.º Mundial muitos corredores bons começaram a se revelar isso foi ótimo, minha opinião é que precisamos nos organizar com campeonatos estaduais para nos enfrentar mais assim melhoramos nível de provas e performance para todos (organizadores, técnicos, assessorias, lojas esportivas, etc..,)…, penso eu também que esse cenário ajuda a medir o quão nossos treinos estão sendo eficientes para atingir os objetivos, isso vale para todos atletas amadores e profissionais.
Além disso para dar continuidade ao Trail no Brasil precisamos trabalhar, motivar e incentivar mais pessoas para prática, tornar mais conhecido o esporte.

Um outro ponto positivo ao meu ver é que os gringos nos conhecem sabem que tem brasileiros bons correndo montanhas e não estamos tão distante das realidade deles, embora tenhamos que muitas vezes tirar leite de pedra para realizar os treinos específicos, já que não temos na porta do nosso quintal as altas montanhas.

Qual prova você indicaria para uma Maria?
Marias eu gosto de muitas provas, porém a minha melhor experiência nacional foram 3 provas nas quais eu pude desfrutar de tudo: boas trilhas, confiança, segurança, respeito e cuidados com atleta, foram: Faccat Trail, Brasil Ride Botucatu e Indomit São Bento do Sapucaí.

Qual seu maior sonho dentro do trail?

PERFORMANCE! Gosto de fazer jus ao tempo e força que dedico aos treinos e sim eu curto competir e me divirto muito com tudo isso. Aliás é mais divertido do que difícil uma vez que se está preparado/treinado eu sempre aproveito todos os caminhos e competições que me coloco com muita alegria nas pernas e no coração principalmente.

Na sua percepção, ser trailrunner é…
Fazer parte do todo que envolve a natureza que nos ensina o tempo todo como se comportar perante a ela, é se colocar nos desafios com respeito por tudo e todos, é preciso ter a certeza que não é o 1.º e nem o último lugar que determina quem a gente é, mas como estamos realizando a jornada.

Por que você indica o trailrunnig como prática esportiva?
Porque, a natureza e a montanha tem conexão direta com seu eu interior…, ela te coloca em competição direta consigo mesmo, de uma maneira boa, gostosa as vezes dolorosa e bastante suada.
Aposto que todo mundo o tempo todo vivência essa competição, vou dizer que é a minha melhor competição quando eu enfrento a mim mesma, meus anjos e monstrinhos saem, rs nada melhor que conhecê-los, enfrentá-los e conseguir dominar e aprender com cada um deles.
A sensação que dá que quando saio das trilhas e montanhas é que levei uma boa “surra”, me mostra o quão eu preciso aprender a cair e a me levantar repetidamente perante a grandiosidade da vida, e que somos apenas parte dela, semente que Deus plantou perante ela no qual precisamos respeitar, merecer, cultivar e agradecer por tudo que temos principalmente a oportunidade de vivenciá-la e praticá-la. Sou um ser humano melhor depois que comecei a prática do Trail Run isso é fato e transformador.

Sem palavras para te agradecer Lígia. Tua experiência, com certeza, nos impulsionou a “desafiar” cada vez mais o nosso “eu” interior. Temos muito mais para dar, com certeza. Desejamos que teu caminho seja longo e que continues nos representando assim, com essa força!

Obrigada!

Maria´s da Trilha


 

A conversa com a “Dama de Ferro”

Ela é uma trailrunner experiente, acostumada a enfrentar provas duras, e tem muitas conquistas em seu currículo. Após a conclusão da UTMB-USCHUAIA, na qual sagrou-se Vice-campeã, entramos em contato com a Cal Nogueira, natural de Ouro Preto – MG, Oficial de Justiça, mãe de dois filhos (casal), uma Maria da Trilha conforme manda o figurino.

Hoje ela vai nos contar como vive a relação com o trailrunning assim como suas tarefas diárias como mulher, mãe e trabalhadora do Brasil. Aproveitem e embarquem de cabeça na história desta mulher chamada com carinho pelos seus amigos  mineiros e conhecida a nível de Brasil como a “Dama de Ferro”.

Como conheceu o trail run?
Na verdade desde criança, já praticava o trail run, só não sabia! Passei boa parte da minha infância, correndo e me divertindo com meus primos, em uma região muita bonita de Minas Gerais, chamada Serra do Cipó. Ali a brincadeira era desbravar; atravessando o Rio Cipó, escalando as pedras, abrindo as trilhas A aventura era certa e quem chegava por último era “a mulher do padre”…rsrsrsr

O que motivou você a praticar o trailrunnig na íntegra?
Sempre fui muito ativa e gostei de praticar esportes. Antes de iniciar na corrida treinava para competições de natação em águas abertas de 1500 a 3000 metros. A convite de uma amiga fiz um treino forte de 8km e fiquei uma semana sem conseguir andar direito, mas fui insistindo pelo prazer que senti. Comecei com a corrida de rua e pista, mas mesmo ganhando as provas de 5km até 10km, sentia que estava faltando alguma coisa. Fui convidada para alguns treinos, nos parques e trilhas de Ouro Preto, sofria muito com as subidas e reclamava (era o meu fantasma), mas a paisagem em constante transformação me encantava e no final dos treinos estava sempre feliz,
como se uma força gigantesca renascesse em mim. Com o passar do tempo e muito treinamento principalmente de subidas, fui melhorando, descobrindo que gostava mesmo era de mato, terra, pedra, água, tudo que lembrava a minha infância. Larguei a natação e comecei a me dedicar às competições de trailrruning.

Qual foi a sua primeira prova?

Nesse período de migração natação x corrida, fiz algumas provas curtas. A primeira foi no ano de 2011 – X-terra Vale do Aço  e, logo depois X-terra Tiradentes, mas a K21 que aconteceu na região de Pedra Azul – ES é a que considero como batismo, pois me deixou fascinada, abrindo um caminho sem volta. Prova dura e linda, foram meus primeiros 21km em trilhas, conquistando o 4º lugar geral.

Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trailrunnig?

Correr em serras, montanhas, estradões, trilhas, é sempre um desafio. A natureza é surpreendente e, são justamente essas surpresas que me motivam. Quando corri em Pedra Azul e me deparei com aquela rocha imensa,
até então vista só de longe, meu coração faltou pular pra fora de tanta emoção, ali parei por alguns segundos e agradeci fazendo um gesto com as mãos, momento inesquecível! Tudo era novidade e assim é até hoje. Eu não gosto de ficar estudando minuciosamente as provas que faço, por gostar
das surpresas que vou encontrando pelo caminho, procuro aprender com a jornada, que faz com que eu tenha que dar o meu melhor, pois sempre saio mais forte de cada prova, descobrindo que ainda tenho muito a evoluir e valorizando o quanto já cresci.

Você faz parte de alguma acessória esportiva? Sim Qual? Go On Outdoor

Como são seus treinos? Fiquei anos competindo sem treinador, mas chegou um tempo que parei de evoluir e senti a necessidade de procurar um profissional. Foram três anos com o Geraldo Abreu da Funcional Trainner que me lapidou, tivemos ótimos resultados nas provas. Como gosto de mudanças, fui treinar com o Guilherme De Agostini e atualmente estou com o Rafael Bonatto da Assessoria Go On Outdoor, todos excelentes profissionais. As planilhas são montadas de acordo com as provas do calendário e realizadas na parte da manhã, acordo cedinho fugindo do sol e calor, pois prefiro os dias frios; depois vou para a academia, onde faço treinamento funcional, aulas de
pilates e meditação. Sou privilegiada em morar nessa cidade rodeada de ladeiras, serras, cachoeiras… Posso escolher a 200m da minha casa, se treino no asfalto, estradões de terra batida, nos parques ou nas trilhas.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?

Sou disciplinada e agitada, não paro nunca e consigo tempo pra tudo…rsrsr. Meu dia começa cedinho. Treino na parte da manhã e depois me organizo para entregar as intimações. Nas provas internacionais aproveito para gozar uns dias de férias e fazer turismo, já as que acontecem no Brasil, combino com certa antecedência com os colegas de trabalho, fazendo troca de plantão quando necessário.

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrunning?

Sem dúvida, o acompanhamento nutricional é fundamental na evolução do atleta, e para mim não foi diferente. Em um período de três anos com a mesma nutricionista Dra. Ana Flávia Martins testamos vários tipos de dieta e fomos adaptando pra mim. Atualmente me sinto muito bem.  Estou mais magra e com pouca gordura corporal, sinto uma melhora absurda na recuperação depois dos treinos e provas, e ainda fazendo alguns ajustes no que comer nas competições pra não ter enjoos. Optei por uma nutricionista por não gostar muito de suplementação, sempre preferi os alimentos de verdade, doados pela natureza..

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?
Não sou gulosa, gosto de pouca comida e de comer quando estou com fome, mas na semana de competição faço um esforço e fico mais disciplinada. Deixo um pouco de lado as verduras e sementes, dando preferências aos ovos, carnes vermelhas, frango e peixe. Meu carboidrato tiro de legumes variados: Batata doce, mandioca, inhame, batata baroa, etc… Macarrão ou arroz branco deixo para os dois dias que antecedem a prova. Na manhã da prova banana, aveia, canela, ovos mexidos com açafrão e o café puro sem açúcar com óleo de côco.
Durante a prova não consigo tomar mais que três saches de gel, gosto de queijos, salame, azeitona, tomatinho, amendoim, maça (tudo em pequenas porções). Atualmente tenho tido bons resultados com a Palatinose que uso 15mim antes da largada e levo outra já preparada na garrafinha com uma
pastilha de Hidroeletrolítico Gu , não esquecendo nunca a hidratação.
Pós prova vale uma cervejinha Puro Malte, carnes, massas, saladas, sopa e tudo que o estômago aceitar.

Quais provas te marcaram mais?
Sem dúvida a minha favorita ainda é Peneda-Gerês trail Adventure, que acontece na cidade de Portugal (Parque Nacional de Peneda-Gerês), onde participei por dois anos consecutivos conquistando o bi campeonato.

Outras como Lá Missión (Passa Quatro – MG);

Deserto do Atacama (Chile);

Zegama-Aizkorri Mendi Maratoia(Espanha),

MIUT – Ilha da Madeira

e o UTMB Ushuaia (Sul da Patagônia Argentina)

Todas pelo desafio em serem únicas em dificuldade técnicas, paisagens maravilhosas e organização, mas a que realmente me marcou foram os 100km da Ultra Maratona dos Perdidos,

na primeira tentativa, tive altos e baixos, só Deus e meu amigo Valmir Lana, sabem o que passei, fui renascendo das cinzas, administrando para não perder a segunda colocação geral. Aprendi muito com a dor e a capacidade de superar, voltei no ano seguinte para corrigir todos os erros, sendo a campeã e recordista da prova.

Qual será seu maior desafio em 2019?
Ainda fresquinha na mente e na alma, a primeira edição Ushuaia By UTMB (05-07 Abril, 2019), vai ficar para sempre na memória. Foi uma prova desafiadora e única, pois não sei se nas próximas edições a natureza vai presentear os corredores com a beleza da neve. Foi uma experiência incrível, onde tudo para mim era desconhecido. Passamos por terrenos alagados (charco) e lama, misturada com gelo e neve durante quase todo o percurso do FBT- 70km, levando muitos escorregões. Gostei muito da prova, achei bem marcada, Staffs prestativos e atenciosos, pontos de apoio suficientes com comida e bebida quente e uma organização preocupada com a segurança do atleta.

Posso ressaltar pontos negativos, como por exemplo o local da largada e chegada, uma melhor marcação para a noite ( uma vez que a neve cobriu algumas estacas). Poderiam ter pedido o uso de grampones nos equipamentos obrigatórios ou sugeridos, são pequenos detalhes que podem ser melhorados.

O meu objetivo era fazer uma prova progressiva e cruzar bem a linha de chegada, estava confiante no meu treinamento e com a sensação que correria bem; meu maior medo era o vento forte e a maior preocupação era acertar na vestimenta devido às baixas temperaturas em torno de 3º- 4º.

Cheguei no “Fin Del Mundo” uma semana antes da prova e fiz alguns passeios, estava frio, e a neve aparecia somente nos cumes. No outro dia, treinei em um terreno arenoso e úmido, com muitas pedras soltas, subindo o Glaciar Martial, que fica bem próximo do centro, queria sentir a respiração, se o corpo aqueceria rapidamente e a dificuldade do terreno. Creio que sem a presença da neve a prova seria mais rápida, mantendo as dificuldades técnicas, mas sem perder a beleza.
Na quarta-feira choveu na madrugada e o tempo mudou, trazendo frio e neve. Fui acompanhando as mudanças do clima, que foi só piorando e foi me dando muito medo ao mesmo tempo em que me sentia feliz em correr na neve.

E agora o que deveria vestir, como me hidratar, como me alimentar para não perder a energia?! Ao mesmo tempo em que tentava tomar decisões, o medo se misturava, com alegria, dor de barriga, forte emoção… o sonho estava começando a se realizar!
Não consegui dormir bem na noite anterior a prova, estava ansiosa e agitada. Normalmente esses sintomas, desaparecem na largada, que sempre é forte, como uma explosão de adrenalina acumulada…rsrsr

Mas dessa vez sai mais lenta, cautelosa, esperando uma resposta do corpo. Em momento algum me preocupei com o ritmo; deixei ser guiada pela sensação de esforço, sentindo a respiração e as passadas firmes. Passamos por florestas de árvores baixas e gigantes, tudo branquinho… As trilhas eram boas para correr (lembrei-me da floresta da Tijuca, pelas raízes fincadas na terra), campos abertos e alta montanha, onde a água descia formando riachos, me deparando com um lago encantador na primeira subida do “Cerro Del Medio”, acredito que foi o Laguna Margot, que me deixou simplesmente paralisada. Pensei em como temos paraísos nesse mundo.
Aos poucos tudo foi se encaixando, o corpo estava aquecido e mais ou menos entre os quilômetros 18-20 teve a divisão dos atletas de 50km e os de 70km que largaram juntos.
Começando a primeira subida, sem sair do meu ritmo de prova, passei duas atletas buscando a segunda posição e conseguindo mantê-la até o final.
Vento, nevasca, chuva e muita neve, mas em momento algum sofri com o frio, com certeza acertei na roupa.

Alimentei muito pouco: 3 saches de gel, 2 pedaços de chocolate amargo; uma porção de amendoim salgado que havia levado, no mais foi o que a organização ofereceu, optando por maça, banana, queijo, salame, marmelada, café e Coca-Cola, muita água e repositor.

Em todo o percurso, me senti muito confortável com o clima; mente forte e feliz, o corpo respondia bem e as surpresas inimagináveis serviam de motivação. Fiquei emocionada por vários momentos e agradecia a oportunidade de estar vivenciado tudo aquilo, pensava que estava onde deveria estar que era o meu momento e não permitia a entrada de nenhum pensamento negativo, ia levando comigo os amigos, os filhos, meus antepassados, lembranças e canções que me fazem rir. Em todos os PCs que
chegava, imaginava a torcida de quem me acompanhava no aplicativo Live Info, e me permitia receber essa energia boa, que me empurrava montanha acima.

Foi uma prova muito técnica e travada; subindo os pés afundavam na neve e descendo levava muitos tombos. Na última montanha já com 64km nas pernas, não tive escolha a não ser descer de skibunda, foi arriscado, mas muito divertido…rsrsrs.

Ao entrar na última floresta, um prazeroso single Track, sabia que faltava pouco, não sei explicar o que aconteceu, mas estava sobrando energia.
Corri com todas as forças e logo estava no asfalto, corria ainda mais, queria chegar e celebrar!
Considero que foi o meu maior desafio, mas também a minha melhor prova. Redondinha, quase perfeita!

Completei em 10h25min7s, conquistando o segundo lugar geral feminino; primeiro na categoria e 24º geral.

Como você vê o momento do trailrunnig no Brasil?
Ainda evoluindo, uma coisa que me incomodada é a figura do Staff, no meu ponto de vista o Staff , que é a pessoa querida e mais importante da competição, ele tem o papel de ser um apoiador do atleta, auxiliando nos PCs e não servir de marcação.
Marcação deve ser feita com placas, fitas, estacas, etc e o atleta sim, responsável por segui-las.
Sinto também a falta do envolvimento da comunidade, colaborando com o organizador e participando na torcida, motivando o atleta. Tenho o sonho de ver mais crianças e mulheres nas trilhas.

Foi pensando em incentivar a prática feminina do trailrunnig na região de Ouro Preto e distritos, que criei o grupo “Trilhas das Minas”, já vamos para o quarto treino juntas. Os encontros são em locais diferentes, no intuito de divulgar as belezas da região. Atualmente temos 87 mulheres cadastradas, mas o trabalho está só começando.

Qual prova você indicaria para uma Maria?
Peneda-Gerês Adventure, organização impecável, realizada em etapas de 4 e 7 dias. Cada dia um novo percurso e novas paisagens. A inscrição inclui transfer, hospedagem e alimentação, ou seja, o atleta fica por conta de correr e se divertir. Ainda oferece passeios para acompanhantes.

Qual seu maior sonho dentro do trail?

Sinto que já realizei. Comecei a correr com 42 anos, sempre disputando na geral com meninas bem mais novas, isso é muito bom, mas a minha maior
conquista é o carinho e respeito das pessoas que me acompanham. Servir de inspiração é gratificante.

Na sua percepção, ser trail runner é …
Ser livre. Me sinto o quinto elemento da natureza: Terra, água, ar, fogo e a Cal!

Por que você indica o trailrunnig como prática esportiva?
Não gosto de rotina e ainda não descobri onde encontrar tanta novidade a cada km. Correr atravessando rios, segurando cordas, subindo e descendo as montanhas, passando por florestas, campos abertos… é diversão garantida, aventura constante.

As Maria´s da Trilha agradecem a tua disponibilidade para nos mostram a tua valentia e coragem. Que possamos nos encontrar ainda várias vezes para compartilharmos este esporte lindo. Parabéns por esta trajetória linda!