Viviane Souza e sua ultramaratona na Patagônia

Fomos até Capão da Canoa -RS, cidade da Viviani Oliveira de Souza, ultramaratonista, para que nos contasse o seu dia a dia e sua recente participação na Patagonia Run, 70 km. Ela, que é Professora – Educação Especial e Anos Iniciais, tem agenda lotada com o filhote de 10 anos, seu grande companheirinho, e ainda assim cumpre a risca sua planilha.

Mais uma Maria como nós para compartilhar a sua experiência, uma mulher, trabalhadora, mãe e ultramaratonista, bora lá conhecer!

Como conheceu o trailrun?
Sempre gostei de esporte e o fazia em academias, quando vim morar em Capão, mudei um pouco a rotina,  sempre achava um tempinho e corria a beira mar. Fiz isso por anos por simples prazer em estar naquela conexão comigo mesma, sem saber de distância, pace, tão pouco provas de corrida…
Há pouco mais de dois anos uma grande amiga, profissional da área e triatleta inaugurou sua assessoria esportiva, voltada para a corrida, onde eu me incluí desde o primeiro treino. Dois meses depois fomos treinar no Morro da Borússia, em Osório e naquelas estradas de chão meio a trilhas e a natureza,
percebi que tinha muito mais do que uma “beira mar” para eu me encontrar, conhecer, treinar e me encantar ainda mais com a prática deste esporte.

O que motivou você a iniciar no trailrunning?
Na verdade o que motivou estar no trail runnig, foi o próprio grupo de corrida, pois eu desconhecia esta modalidade e de fato corria para serenar minha mente e espairecer da rotina e corre-corre de atividades e afazeres de “gente grande”. Logo conheci o Chico, meu companheiro, aí sim o caso com o trail entrou de vez nas minhas rotinas de treinos e provas e passei a conhecer um pouco mais sobre tudo isso através dos conhecimentos e experiências dele, e, cada vez mais me interesso por esta modalidade. Unir esporte, natureza e estar em paz com meu corpo e minha mente, além de construir verdadeiros laços de amizade é sensacional!

Qual foi a sua primeira prova?
No Morro da Borússia, fiz 13km no Circuito Gaúcho de Trilhas e Montanhas em 2017, prova em que eu me perguntei pela peimeira vez o que eu estava fazendo ali… a resposta veio quando eu cruzei a linha de chegada,, um filme se passou na minha cabeça sobre a minha vida e eu sorri grata a Deus por cada km que me levou até ali.

Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trail?
Talvez já tenha respondido um pouco na questão anterior… mas, percebi que eu estava no lugar certo e que ali queria continuar, pelas várias sensações que senti e por estar entre pessoas conectadas de uma energia muito boa, com força, determinação e sobre tudo de alegria.

Você faz parte de alguma acessória esportiva? Qual?
Sim, Meta Assessoria Esportiva – Professora Aline Negruni, aqui de Capão da Canoa.

Como são seus treinos?
Dou aula na parte da manhã em uma escola e a tarde em outra, sendo que a tardinha tenho as atividades com meu filho. Uma ou duas vezes na semana reuniões nas escolas, por isso meus treinos são logo cedinho antes desta rotina toda, vejo o nascer do sol todos os dias acordando as 5h30 para
treinar, segunda, quarta e sexta a corrida na beira mar e nas terças e quintas o reforço muscular na academia. Fim de semana, sigo a planilha por aqui ou nos morros vizinhos.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?
Pois então… eu fiz uma grade de provas que gostaria de realizar durante o ano e tento me organizar para fazê-las, o foco para o primeiro semestre era Patagônia Run e fiquei encantada com tudo o que vivenciei lá. Em função de logística, filho e trabalho, faço o que está ao meu alcance, acordando
cedo para meus treinos e sempre que consigo estou nas competições. Agora estamos reavaliando e viabilizando novos desafios.

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrunnig?
Importantes. Há um ano procurei uma nutricionista que vem me acompanhando com avaliações e dicas importantes. Tento adequar ao máximo possível na minha rotina alimentar diária e vou testando, conhecendo os alimentos durante os treinos para que conclua cada percurso e distância de forma positiva, seja no dia a dia ou nas provas.

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?
Sigo as orientações nutricionais com uma dieta balanceada e muito simples com os principais componentes a serem ingeridos: carboidrato, proteína leguminosas e vitaminas antes e pós prova. Durante as provas e treinos não tenho muita vontade de alimentar-me, mas uso carbogel, isotônico,
já usei bolinhos de batata e frango, sementes, grãos e caldo quente na Patagônia, aos quias tive boa aceitação.

Quais provas te marcaram mais?
Acredito que cada prova tem um marco, porque sempre aprendemos algo sobre os percursos e desafios e mais ainda sobre nós. Mas a Patagônia Run vai ficar para sempre nas minhas lembranças por ser diferente de tudo que já tinha vivenciado: correr a noite, montanhas com altimetria elevada, temperaturas negativas, correr entre grandes feras do trailrunnig, estar em outro país com tantas pessoas de diferentes nacionalidades unidas por um mesmo esporte e alegria, foi demais e ficará para sempre na memória!! Minha primeira maratona, foi no Rio de Janeiro com uma super energia positiva e uma chegada emocionante. A primeira ultratrail foi ano passado na Indomit
Costa da Esmeralda, foi forte, desafiadora e gratificante… E assim vai, mais tantas outras… Meu primeiro lugar na geral da Audax de Riozinho na distância média, foi sensacional também!!

Qual foi o seu maior desafio em 2018 e o que virá em 2019 ?
2018 foi os 50km da Indomit e a TTT em dupla;
2019 foi a Patagônia Run, a continuidade no circuito do Audax e a TTT solo.
Aos poucos, devagar conhecendo o meu corpo, meus limites e trabalhando naquilo que posso melhorar e que seja capaz de realizar, vamos estabelecendo novas metas, levando em consideração as logísticas pessoais (trabalho e família) vou me aventurando em treinos e provas…

Como você vê o momento do trailrunnig no Brasil?
Sou “novata” neste meio e agora estou conhecendo um pouco mais através de amigos, ouço e vejo o crescimento e expansão do trailrunnig com a formação de grandes grupos para treinos, seja eles para “desbravar” novos trechos e percursos, para participar de provas e eventos ou para buscar recursos, estabelecendo assim de companheirismos e amizades através deste esporte.

Qual prova você indicaria para uma Maria?
Patagônia Run, ainda sinto a energia desta prova, tudo muito recente… Foquei nos treinos para a realização deste desafio, estive com meu grupo em belas parcerias de treinos, conheci outros durante este período de treino e ouvi muitas pessoas experientes que só contribuíram para a formação de minha “bagagem”. Viajar e estar com pessoas de nacionalidades diferentes ou ainda
brasileiros de outros estados, e sem nunca ter os vistos conversar, sorrir, trocar e aprender é fantástico!! O trailrunnig tem me feito muito bem no aspecto físico, social e psíquico.

Qual seu maior sonho dentro do trailrunning?
Aumentar minhas distâncias, conhecer novos lugares e pessoas com a certeza e segurança de estar cuidando da minha saúde, do meu corpo e da minha mente, conhecendo e desfiando meus limites.

Na sua percepção, ser trailrunner é…
Aventurar-se através de um esporte, estar em meio à natureza respeitando-a e sendo feliz.

Por que você indica o trailrunnig como prática esportiva?

Porque é um esporte, movimento, saúde, paz, construção de laços de amizades, é natureza, é alegria, são desafios e conquistas pessoais…

4 respostas para “Viviane Souza e sua ultramaratona na Patagônia”

  1. A Viviane é uma guerreira e exemplo para nóis eu tenho orgulho de dizer que sou colega dela de equipe parabéns Viviane por vivenciar estes momentos

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