Robertinha decidiu que estava na hora de se aventurar por aí!

As Maria’s da Trilha estiveram presentes na Indomit Pedra do Baú – São Bento do Sapucaí-SP, prova que aconteceu em 14/03/2020. As nossas Robertinha e Daiane Dias realizaram suas provas e conquistaram seus objetivos por lá. Hoje vamos trazer as impressões da Roberta para vocês. Já adiantamos, muita maturidade e consciência nas palavras dessa nossa Maria, aproveitem!

A escolha da prova Indomit Pedra do Baú foi em 2019 quando assisti alguns conhecidos fazendo a prova e comentando da organização e do visual, então na curiosidade fui pesquisar sobre e vi muitas fotos, li muitos relatos e assisti vídeos. Pesquisei sobre a cidade de São Bento do Sapucaí que é um dos pontos mais altos em São Paulo, o complexo do Baú, que é formato por três montanhas de pedra, Bauzinho, Pedra do Baú e Ana Chata, dependendo da distância que você escolhe para fazer a prova passa pelas três montanhas.

Depois de analisar em que distâncias estava treinando e competindo no trail running em 2019 onde fiquei mais focada em distâncias médias resolvi que em 2020 eu ia subir mais um degrau nos desafios, iria me arriscar em provas acima de 30km fora do Rio Grande do Sul, outro ponto do desafio foi aumentar o desnível, acostumada com desnível em média de D+ 1400, fui para mais de 2000.

Então, em janeiro 2020 comecei a preparação com base e depois em fevereiro com o específico, e digo que foi bem complicado os treinos, se eu achei que tinha sofrido treinando pra Uphill em 2019, treinar para essa prova foi fogo, com o aumento do volume tive duas sobrecargas do lado direito, uma sobrecarga na pata do ganso e uma sobrecarga na banda iliotibial, o que me deixou apavorada, essa é a palavra, mais que apavorada veio a ansiedade e mais que isso, a incerteza se iria me recuperar a tempo. Praticamente treinei todo o específico com dor e tratando com fisioterapia desportiva.

Chegamos em São Paulo em torno das 13h, o próximo passo era pegar um carro alugado e ir até São Bento, e por lá chegamos no final da tarde indo direito na retirada do kit na Pousada do Quilombo, onde seria a chegada da prova, olhar todas aquelas montanhas e aquele visual só aumentava a apreensão pré prova, era hora de fazer uma blogueiragem com fotos pré prova e já seguir para a pousada que era bem perto, alias tudo é perto em São Bento, uma cidade pequena, acolhedora e muito bem cuidada.

A pousada Quintal Sem Fim também era ótima, perto de tudo, inclusive da largada que acontece no centro e da chegada que acontece no local da retirada do kit. Outro ponto da pousada é a cozinha coletiva e como estávamos em bastante pessoas da Veloz (Assessoria onde treino) optamos por fazer a janta lá e jantarmos todos juntos com a famosa massa e frango pré prova. Hora de traçar a estratégia de prova com o professor Eduardo Campelo, e depois fui acompanhar a largada dos 80 km que acontecia às 22h de sexta. Foi muito bacana ver os corajosos da maior distância da prova largarem a noite e vivenciar uma prova de alto padrão como é a Indomit.

Sábado bem cedo era a nossa largada às 6h da manhã, e ninguém dorme direito pré prova, pois as 4h levantamos e correria para se trocar e fazer café, pois a pousada só servia às 5h o café da manhã e só aproveitei o café preto deles o resto não arrisquei comer nada diferente.

Amanheceu fresquinho em São Bento as largadas dos 35 km e 50 km foram juntas e boa parte do percurso também.

Digamos que o começo da prova lembra a Uphill asfalto com inclinação leve de subida e foi uns 3km…4km tranquilos e passado isso começou uma das partes mais difíceis da prova com subidas que pareciam infinitas, mas eu sabia que seria assim até o km 20, o gasto energético ali era bem grande e por isso tinha que estar sempre atenta à hidratação e alimentação, qualquer erro poderia custar caro, pois depois do km 20 começavam as descidas longas e mais adiante um sobe e desce até o final da prova.

Quanto mais subia mais lindo ficava o visual, aquela imensidão das montanhas, as nuvens, o nublado, aquele verde reluzia aos olhos, tudo parecia uma pintura até o sol começar a raiar.

Fui com a estratégia de completar a prova e não arriscar nada até os km 20 e digo que quando começou as descidas a vontade era colocar o pé e acelerar, mas por precaução e por ser uma prova bem longa em relação a exposição resolvi seguir no mesmo passo bem devagar, depois de todos problemas que tive não dava pra arriscar e ter dores no joelho de novo. Optei por parar em todos postos pegando água gelada, gatorade e quase nada do que comer, pois eu tinha tudo que iria consumir, mas sentia muita sede, então sempre abastecia bem. Também tive que lidar com problemas gástricos pela metade da prova, coisa que nunca tinha me acontecido em prova, mas em virtude da viagem e da alimentação mudar um pouco não me surpreendeu esse contratempo.

O percurso é um misto de três pisos asfalto, estradão e trilhas, as trilhas eram abertas e fechadas tinha para todos gostos.

Gostei muito de vivenciar essa prova foi uma experiência enriquecedora, acertei em me aventurar numa prova em terreno de montanha que eu desconhecia, em cada pedacinho percorrido, eu abria um sorriso, cada km era uma vitória contra as dores e o querer completar falou mais alto, pois eu percebia que ali eu era eu, minha cabeça, meu corpo em meio a natureza, por horas um silêncio e por outros momentos aqueles barulhos dos atletas no percurso e os sons da natureza e dos animais. Atravessar aqueles 37km nas montanhas de São Bento foi uma experiência indescritível pra vida.

Já na reta final da prova o calor começou a pegar e o cansaço também, mas achar o professor no últimos 3km deu um gás, ele falando o que tinha que fazer deu até mais confiança e consegui impor um ritmo mais forte de corrida, porque aquele último km de subida até o pórtico foi uma tortura, já era meio dia e o sol estava me matando de tanto calor, todo mundo que estava ali perto dizia tá chegando e não chegava nunca. Cruzar aquele pórtico era meu maior desafio e levantar aquela faixa com aquele visual da Pedra do Baú atrás vai ficar guardado no meu coração como meu maior desafio até hoje no trail.

Sobre a prova é tudo aquilo que falam, organizada, bem estruturada a cada 5km tinha postos uns com hidratação outros com alimentação o que facilitou não ir com a mochila pesada. O visual compensa qualquer coisa, as paisagens são deslumbrantes faz o coração vibrar a cada km percorrido.

Indomit Pedra do Baú Ultra Trail muito mais que uma corrida é uma experiência de vida.
Obrigada Robertinha querida por compartilhar conosco sua experiência! Que seu exemplo, simplicidade, constância e maturidade seja inspiradores para outras de nós que desejam galgar mais degraus em suas vidas!

Obrigada Robertinha querida por compartilhar conosco sua experiência! Que seu exemplo, simplicidade, constância e maturidade seja inspiradores para outras de nós que desejam galgar mais degraus em suas vidas! 

@robertinhapoa

Somos mais parecidas que podemos imaginar! Entrevista com Faby Rosa, uma Maria do mundo bem real!

1. Quem é a Faby Rosa?

Mãe de 3 filhos, 42 anos, chefe de família, dona do lar, profissional liberal (cabeleireira), no momento também cursando Faculdade de Educação Física, atleta amadora, apaixonada pela corrida, um amor maior na corrida em trilha. Faço de tudo para me manter em movimento, apesar de todas as responsabilidades que tenho no dia a dia.

2. Desde quando corre e por que iniciou a correr?

A corrida entrou na minha vida, por insistência de uma amiga (pois, não queria de jeito nenhum correr). Já no primeiro treino fiz 7 km sem parar, dali em diante nunca mais parei.

3. Como chegou ao trail running?

A mesma amiga insistente que me levou para a corrida me apresentou o trail running.

4. Em que momento fez a transição do asfalto para o trail?

Na primeira prova de trail running, ali aconteceu a transição entre o asfalto e as trilhas, indiscutivelmente foi amor à primeira trilha .

5. Você sempre treinou com orientação de treinador?

Não, nem sempre. Nos dois primeiros anos, me aventurei sem treinador. Só tinha uma rotina de academia fazendo treinos de fortalecimento e musculação. Faz três anos que tenho acompanhamento com treinador de corrida, tive uma evolução absurda.

6. Como faz pra conciliar os treinos com a vida de mãe e profissional liberal?

O dia é planejado de acordo com minha agenda de atendimentos , estudos , tarefas de casa e filhos. Normalmente treino no início da manhã, mas também quando os horários não batem (imprevistos) , treino no horário que sobra, às vezes entre um atendimento e outro.

7. Como vê o momento e a evolução do trail feminino?

Crescendo de uma maneira linda de se ver, e ao mesmo tempo consciente.

8. Como você vê o papel dos grupos e assessorias na consolidação do trail running como modalidade esportiva em pleno crescimento no país?

Importante e fundamental a união das assessorias e grupos, com base na fomentação e disseminação sempre levando para o lado positivo da corrida em trilha. Com tudo o cenário mudou para a normatização das provas oficiais, priorizando como modalidade esportiva em crescimento satisfatório.

9. O que deixou de fazer no cenário do esporte neste 1º semestre em virtude das medidas de combate a Covid-19 e o que tem feito para manter-se ativa em tempos de isolamento?

Obviamente os treinos foram dando espaço para o isolamento, a natação, as corridas ao ar livre. Como estamos predispostos ao vírus, e não podemos colocar nossa saúde em risco e das pessoas que estão à nossa volta (família, amigos, todos ). Assim adaptei em casa, dividindo os dias com treinos específicos e também experimentando outras modalidades, me reinventando: o importante é se manter em movimento.

10. O que espera do restante de 2020 o ano que ficará marcado na história como o ano em que tudo parou?

De uma certa forma ficará marcado sim, o ano em que tudo parou por um tempo. Tenho esperança que no 2º semestre tudo voltará aos poucos. E também acredito que será imprescindível, que sejamos persistentes, pois, o ano não acabou e teremos muito trabalho pela frente.

Obrigada Faby por dividir tua história conosco, cada vez mais temos a convicção que #somostodasmariasdatrilha !

@fabyrosa_