O Caminho até aqui.- Lúcia Magalhães

Ela é demais! Tivemos o primeiro contato na UD Passa Quatro em 2017. Ficamos impressionadas com a performance, com a energia e a resistência. A partir daí seguimos esta gigante e ficamos muito felizes com a sua convocação ao Mundial Trail 2019. Ela leva Deus no coração e sempre conquista o primeiro lugar do pódio. É a atual campeã feminina da Patagonia Run – 110 km, com um tempo de 16h47min, 11º geral. Com a sua personalidade prática, ela, em poucas palavras fez um relato surpreendente. Este relato tu não podes perder!

O fato de comprar meu primeiro smartphone me ajudou bastante a iniciar minha caminhada com a corrida. Como eu sempre gostei de ir no parque correr eu baixei o aplicativo de corrida no celular e comecei a leva-lo comigo. Com o aplicativo eu podia correr fora do parque e ter o controle da distância percorrida e dessa maneira eu me obrigava a sempre correr um pouco mais do que no último treino. Fui me desafiando a cada treino até o dia em que corri 15km sozinha. A partir daí concluí que devia procurar um curso de corrida, pois eu já era formada e trabalhava na área já tinha alguns anos e queria aprender mais sobre o treinamento específico dessa modalidade.
Nesse curso de corrida que fiz em uma academia na minha cidade conheci um rapaz que me chamou para um treino outdoor, me interessei pelo convite e fui. A partir desse treino percebi o que queria para minha vida, não tinha ideia do que viria pela frente, mas senti que ali era o meu lugar. Já nesse mesmo ano (2014) me inscrevi para minha primeira prova de trailrunning na distância de 21km, eu sempre gostei de distancias maiores, não que 21km seja considerada uma longa distância, mas não passou pela minha cabeça ir até a Ilha Bela e passar um tempo muito curto correndo. Nada contra distancias menores, certo? Eu admiro quem corre distâncias curtas, pois são incrivelmente intensas para mim. Nesse mesmo ano, depois de alguns meses treinando fui para uma prova de 40km na Serra Fina, e sem ter ideia alguma que era possível fiquei em terceiro lugar geral entre as mulheres. Isso me motivou demais a ingressar de fato no mundo das competições.
A partir desse momento passei a ter um treinador e a cada prova analisava minha performance e procurava detectar onde eu não era boa. Assim, conversava com meu treinador e passava a focar meus treinos naquilo que eu realmente precisava. Passei a selecionar provas que eu julgava serem desafiadoras e que tinham uma projeção bacana no calendário nacional e treinava especificamente para elas. Meu desempenho foi melhorando de prova em prova e comecei a subir no pódio ao lado de grandes atletas que eram consideradas elite.


Em 2017 tive um belo salto de performance, depois de minha única lesão na vida ficando 4 meses parada sem correr decidi que iria dar a volta por cima e ser mais disciplinada ainda quando voltasse. E não deu outra, esse ano de 2017 foi um ano em que me entreguei mais ainda ao esporte e passei a ter resultados muito bons em provas duras. Ingressei no meu time de hoje em dia, Go on outdoor, e comecei a ser uma pessoa conhecida pelos meus resultados como atleta. Nesse ano ganhei praticamente todas as prova que fiz ficando em segundo lugar apenas em uma prova, porém metade da prova disputei com uma grande atleta e isso me motivou muito. Eu perdi a disputa, mas foi como se tivesse ganho de tanto conhecimento sobre mim mesma que adquiri. Eu fiquei muito empolgada com tudo que acontecia.
No ano seguinte em 2018, mais bons resultados (graças a Deus!) e minha primeira prova fora do Brasil. Conquistei um sexto lugar entre as mulheres em uma prova bem acirrada na Europa, tive oportunidade de correr com atletas da elite mundial e nem por isso me senti menor. Eu sabia que tinha treinado muito e queria buscar meu melhor mesmo disputando com a melhores do mundo. Foi um balde de aprendizado e percebi que nós brasileiros somos tão bons quanto todos as outras nações, nós apenas precisamos de mais disputas para percebermos o que precisamos melhorar, e para nos fortalecermos diante das situações de competição acirrada. Precisamos competir mais e mantermos nossa autoestima positiva!


E agora em 2019, fiz minha primeira grande ultramaratona de montanha realizada com sucesso graças a orientação do meu fantástico treinador, que é também meu sócio na empresa que trabalho. O Bonatto me orienta para as provas e tem me ajudado demais a manter minha performance sou muito grata a ele. E esse ano também tive a felicidade de ser convocada para compor a seleção brasileira feminina no mundial de trailrunning ao lado de atletas que admiro muito. O mundial será realizado em Portugal no início de junho, preciso treinar muito até chegar lá. Estou feliz, pois este é meu quinto ano como atleta de corrida de montanha e tenho me dedicado muito desde que iniciei as competições em 2014. Agradeço a Deus por todas essas benções em minha vida, agradeço a Ele pela vida da minha família querida e pela vida do meu marido César. Sem a parceria do César nesses anos, eu não teria chegado até aqui. O meu muito obrigada ao Deus querido.

Lucia da Silva Magalhães

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