A oportunidade de uma atleta ser staff, experiência singular de aprendizado e de crescimento no esporte.

Dai Dias, integrante do Team Maria’s da Trilha, nos conta como foi a experiência de estar do outro lado em uma prova de corrida em trilha.

O que te levou a ser voluntária para trabalhar como staff?

Como em 2020 eu pretendo fazer as provas de ultradistâncias no Campeonato Gaúcho de Corrida em Trilha, optei por não correr a etapa do Morro Tapera, pois a prova antecedia em uma semana uma das minhas provas alvo do ano, a Indomit Pedra do Baú. Mas, eu não queria ficar de fora desse evento pelo qual tenho um carinho imenso, visto que foi em uma das provas da Raiz no Morro Tapera que me encantei pelo Trail Running e passei a me dedicar mais ao esporte. Portanto, desde que soube a data do evento avisei à organização que gostaria muito de participar como Staff e assim vivenciar a energia da prova.”

Qual era tua função no evento?

 “Fui Staff Móvel.

Quais as atividades que você desenvolveu no evento?

Antes da prova iniciar eu passei revisando a marcação do percurso, ou seja, coloquei mais fitas coloridas de identificação onde vi como necessário, agora com a visão do atleta e não do organizador, mesmo estando fazendo parte da organização naquele momento; durante a prova, com o auxílio de um rádio comunicador (walk talk) mantinha contato com o coordenador geral e com os staffs fixos e conforme a demanda desses eu me deslocava para diferentes pontos do Morro, auxiliando assim no acompanhamento de corredores desistentes por rotas facilitadoras, atendendo também algumas intercorrências apresentadas, prestando primeiros socorros quando preciso, mantendo contínua revisão de percurso e marcação e controle do número de corredores a concluir a prova.

Quantos quilômetros você percorreu durante o evento?

Acredito que tenham sido entre 25 e 30km. A bateria do meu relógio não aguentou toda duração do evento, mas sei que foram inúmeras vezes que subi e desci o Tapera naquele dia.

Qual a situação mais inusitada ou surpreendente durante teu trabalho?

 “Infelizmente, o que mais me surpreendeu foi o fato de muitas pessoas, independente da distância para a qual estavam inscritas, parecerem menosprezar ou não ter noção da dificuldade que o Morro Tapera apresenta e partirem para uma prova de autossuficiência com pouco ou nada de hidratação e alimentação.

Qual tua impressão dos atletas que participaram do evento?

De forma geral vi pessoas se superando e curtindo muito as belezas e particularidades do Morro Tapera, de fato, vivenciando o espírito e ensinamentos do Trail Running. Entretanto, como mencionei anteriormente, muitos atletas pareciam não ter noção do que enfrentariam.

Qual tua sugestão para os atletas em geral no que diz respeito à segurança individual em provas de trail?

Penso que antes de fazer qualquer prova (ou até treino) de trilha os atletas devem procurar se informarem mais sobre o terreno, o grau de dificuldade, se haverá pontos de hidratação ou se a prova é de autossuficiência e também a previsão meteorológica para o dia. Tendo conhecimento desses fatores devem se programar para um determinado tempo de exposição, sempre considerando possíveis intercorrências, e então, partirem para prova abastecidos no mínimo com água, alimentos e kit de primeiros socorros (pelo menos material para curativo e antisséptico para higienizar). Há provas que exigem alguns itens obrigatórios, mas mesmo que não haja exigências, por bom senso é importante sempre estar preparado. Dentro das condições de cada um, a utilização de roupas e calçados adequados também é muito importante; por exemplo, optar por tênis que ofereçam maior aderência e escorreguem menos pode evitar uma queda capaz de causar uma grave lesão. Acredito que as assessorias devam sempre orientar seus atletas quanto a esses cuidados e salientar aos iniciantes, que mesmo que façam distâncias curtas, certos cuidados farão toda diferença e determinarão se a atividade será agradável ou não. Aos atletas que não possuem professores e assessorias, sugiro que busquem ao menos conversar previamente com alguém que já tenha participado de alguma prova e possua mais experiência no trail, mas enfatizo que a boa orientação é imprescindível na prática desse esporte e contar com o auxílio de um profissional qualificado pode também evitar prejuízos à prática.

Qual foi o teu maior ganho em estar do outro lado numa prova de corrida em trilha?

Poder ajudar as pessoas é sempre gratificante! E nessa função acredito que pude ajudar muitas pessoas, seja com uma palavra de incentivo ou até mesmo a controlar a dor ou nervosismo… Sem dúvidas, poder me sentir útil assim foi meu maior ganho e tornou a experiência muito mais valiosa. Além disso, o fato de estar envolvida na organização me fez perceber o quanto se demanda de trabalho e tempo para fazer uma prova, e digo que não é uma tarefa nada fácil. De certa forma, isso me faz ter mais consciência, enquanto atleta, que também tenho responsabilidades quando participo de uma competição e ter a certeza que o sucesso da prova não depende somente de quem organiza e trabalha nela.

Dai Dias , @correcorreguria no Instagram.

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