A Maria de Sorocaba

As Marias foram até Sorocaba/SP, conversar com a Sabrina Franco Camargo Vieira, farmacêutica, casada, e, finischer, 4ª gral do KTR-Ilha Bela, ocorrida  no dia 10 passado.

Tem a família como Base, estrutura e apoio em todos os momentos e decisões de sua vida.  ” Só tenho á agradecer pelos meus pais, meu marido Júnior, minha irmã e minhas 3 sobrinhas lindas. E também pelos meus sogros, minha cunhada, sobrinhos que são minha 2°Familia. É muita gratidão.” O texto será narrado em 1º pessoa.

Iniciei com a corrida de rua em 2012, meu marido Júnior professor de educação Fisíca que é meu treinador, me levou em uma prova de 5km pela primeira vez e depois disso não parei mais e os km só foram aumentando a cada prova e a cada ano. Como sempre fui do esporte desde criança foi uma alegria conhecer esse mundo da Corrida é muito gratificante.Em 2015 uma amiga Lucimara me chamou para fazer uma corrida de trail em Cabreúva, chamada Armazém do Limoeiro era uma corrida que tinha 8km e 16km, já fui logo nos 16km e amei essa experiência foi amor a primeira vista, e ainda peguei pódio 1° lugar feminino na categoria de 35 a 39 anos, foi uma alegria para quem nunca tinha feito esse tipo de corrida e ainda ganhar um pódio.

Fiquei muito emocionada.Depois disso nunca mais quis saber de outro tipo de corrida. Me apaixonei pelo Trail Run e até agora só faço esse tipos de provas. As Provas de trilhas fechadas são as que eu mais gosto. Já fiz diversas provas ( Indomit, KTR, K21Serra do Japi, K21 Pico do Urubu, Brasil Ride Botucatu, Desafio 28 Praias, Desafio The Rock e muitas outras desafiadoras). E as que eu mais adoro são as Maratonas de Montanhas, os 42km são minhas paixões.

E ainda quero vivenciar as ultramaratonas que serão meus próximos desafios se Deus quiser. Quando faço uma Maratona sempre gosto de homenagear alguém importante para mim, isso me da muita motivação nos treinos e nas provas, é gratificante e ao mesmo tempo uma emoção.

A motivação para isso tudo foi o fato de correr na natureza, de estar mais próximo das belezas naturais que Deus nos proporciona a cada treino e provas. E o fato dos atletas serem mais prestativos e a recepção sempre é maravilhosa. Eu falo que os Montanheiros são tudo de bom é uma energia totalmente diferente da corrida de rua. As pessoas são mais unidas e uma ajuda a outra. Diversão garantida.

A minha primeira prova foi a Corrida Armazém do Limoeiro em Cabreúva/SP. Tive uma ótima percepção, foi uma alegria, diversão, uma misturada de energia e contato com a natureza e de ansiedade por ser a primeira prova de trail. Eu amei e nunca mais quis saber de outro tipo de corrida.

Não participo de nenhuma assessoria, meu marido é meu treinador ele é educador físico e me dá toda assessoria de treinamentos há anos já, é meu braço direito, meu técnico, amigo, psicólogo e companheiro sempre, faz toda a diferença na minha vida de amadora. E aos finais de semana pago para treinar com a Live Assessoria Esportiva aqui de Sorocaba aonde faço os treinos de trilhas mais especifico com o professor amigo do meu marido.

 

Meus treinos são realizados em terrenos variados, rua, trilha, esteiras. Faço trabalhos intervalados, forte e fraco, técnicos em trilhas. De acordo com os meus limiares. Mais fortalecimentos em musculação, pilates, natação.

Geralmente consigo conciliar assim trabalho o dia inteiro e os treinamentos durante semana faço sempre á noite ou as vezes consigo treinar bem cedinho antes do trabalho, mais na maioria são a noite. Sou muito determinada, focada e disciplinada com os treinos e competições. Depende muito da semana, pois como sou Farmacêutica tenho uma rotina bem agitada. Mais consigo conciliar tudo, trabalho, casa, família, treinamentos e competições.

Acho super importante o acompanhamento nutricional, faz toda a diferença uma alimentação bem balanceada para esse tipo de modalidade, pois ajuda muito nos treinamentos e principalmente nas competições, pela alta exigência calórica. Um bom nutricionista do esporte é o melhor profissional que irá orientar para melhorar cada vez a alimentação atleta amador. Como em qualquer esporte de endurance.

Minha alimentação é toda balanceada e saudável, conforme a distancia que irei realizar a minha nutricionista faz um planejamento adequado para cada prova que irei realizar. Como bastante carboidrato e proteínas e faço uma boa hidratação que é muito importante na semana da prova. Faço o uso de suplementação pré, durante e pós prova. Não como nada diferente antes de da prova. E durante a prova depende muito de cada distancia que irei realizar. Mais sempre com bastante suplementação.

Aqui estão listadas as minhas provas de destaque, assim como um relato da KTR Ilha Bela, que consegui o 4º lugar geral nos 36 km.

K21 Serra do Japi em 2016: aonde fui 2°no geral dos 21km.

 

 

Desafio The Rock em 2017: 4°no geral dos 42km.

 

Desafio 28 Praias Abril 2018:  Vice- Campeã da Prova dos 42km.

Indomit Vila do Farol 10 anos agora em Agosto 2018:  3°lugar no geral

A KTR é um circuito de provas autosuficientes.
Na etapa de ilhabela são várias distância: Ligth 8km, Curta 12km, Média 21km,  Longa 36km e Ultra 80km. Nunca tinha participado dessa etapa é uma das mais desafiadoras. Esse ano devido a 3 semanas de chuvas muito fortes, cheguei ao congresso técnico na sexta dia 09/11 e nos informaram que o percurso iria mudar. A prova sai de castelhiano onde aventura começa já de jipe, mais devido ao tempo foi bloqueada pois caiu algumas barragem que impediram de chegar a Castelhiano. Estava muito ansiosa com a Prova e depois dessa noticia que iria mudar, tive que pensar na estratégia de prova.
A largada foi na Praia do Engenho d’água e la nos informaram que o nosso percurso teve que sofrer algumas alterações e também aumentou a distância de 36km foi para 39.8km.


Comecei a prova tranquila tentando manter um pace ali bem de boa, pois foram 8km de asfalto antes de entrar na trilha. Segurei um pouco para não queimar cartucho já na largada. Entrei na trilha e foi uma alegria,  estava bem desafiadora e perigosa em função das chuvas dos últimos dias. Fui administrando a prova, não sabia quantas mulheres estavam na minha frente, fui para a prova para competir, gosto de competição, apesar de saber que estava entre mulheres fortes, brutas e ultramaratonistas de respeito. Esta etapa é a classificatória para Mundial. Eu sabia que se fosse para classificação no geral eu teria que dar o melhor de mim nessa prova. Todo o cuidado era necessário, hidratação, alimentação e suplementação durante a prova. Afinal é uma prova auto suficiente e temos que levar tudo, não tem pontos de hidratação só algumas bicas de água durante o percurso para abastecer as garrafinhas. Nossa as garrafinhas ajudam muito. Foi a prova mais desafiadora que fiz . No km 30 aonde era o ponto de corte, tínhamos que passar lá até (06:30) de prova. Eu passei com 05:00 esse corte fica no mirante do Baipi, aonde passamos para encarar a tão Temida subida do Pico do Baipi que são quase 4km de subida com altimetria de quase 2000. É uma subida que não tem fim, lá a gente brinca que “vai do céu ao inferno”.

Meu ponto forte são as subidas, foi aí que comecei a me destacar na prova, deixei várias mulheres para trás, esta bem tensa com muitos obstáculos, muita pedra, lama, cipo, cobras, mais chegando lá em cima é muito gratificante e lindo. Depois disso temos que descer tudo de novo e para descer estava extremamente liso, prejudicando a locomoção.

O nível da prova foi muito difícil, mas a experiencia incrível, um desafio perigoso mais nos atletas estávamos cientes que as provas da KTR tem esta característica – auto-suficiência e dificuldade técnica..
Foi emocionante para mim.

Quando eu estava no km 33 descendo o Pico, o staff mencionou a minha posição na prova. Naquela hora passou um monte de coisa na minha cabeça, eu não acreditava que estava entre as primeiras, fiquei emocionada, chorei e fui embora. Na descida tivemos muitas dificuldades, pois tudo escorregava eu várias vezes cai enrosca nos cipós. Durante o percurso vi muitos atletas parando devido as câimbras e desidratação, mas comigo felizmente, deu tudo certo.


Foi incrível viver essa experiência na KTR ilhabela. E ainda chegar entre as primeiras com essa mulherada Bruta, melhor ainda.
Fiz meu tempo de prova: 07:14 ficando em 4°lugar no Geral da prova longa.
O pessoal me apelidou de “Jaquatirica das Montanhas” kkkkkkkk.


Eu só tenho á agradecer ao meu esposo Júnior, que é meu treinador que pega no.meu pé, puxões de orelhas nos treinos, pois sabe que gosto de competir. E ao pessoal da Assessoria que faço de final de semana a Live Assessoria que me.ajudam muito nos treinos de Montanhas.

Meu maior sonho hoje é ser classificada para o Mundial de Trailrun e representar o Brasil.

Fora isso continuo praticando e indicando o trailrun porque é um esporte que faz bem a saúde, ao coração, previne vários tipos de doenças. E também porque é um esporte divertido e de uma energia fabulosa. Aonde as pessoas se conhecem fazem muitas amizades e se tornam uma familía Trailrun.

As Maria´s da Trilha agradecem a tua participação e que venham muitas outras vitórias para que teu sonho se realize…que venha o tão sonhado Mundial.

Cledi, a garota das 100 milhas

Clediane Lunardi, gaúcha, natural de São Martinho, movida ao esporte desde pequena, aos nove anos de idade já participou dos jogos olímpicos na sua escola, onde venceu meninas e meninos numa competição de embaixadinhas, com 132 embaixadas Após aventurou-se para o futsal, em que acumulou medalhas e troféus. Esporte e competição sempre estiveram ao seu lado, então migrou para as corridas curtas de pista.

Após sua mudança para Farroupilha na serra gaúcha, e um período de depressão, com o apoio de uma amiga, reiniciou o ciclo das corridas que foram evoluindo para maratona e a tão sonhada ultratrail.

Após ter concluído algumas ultras curtas, Circuito Trilha e Montanhas – 50 km – Brutus do Gaúcho, Indomit Costa da Esmeralda – 50 km, sendo que algumas delas como o primeiro lugar no pódio, decidiu que queria ir mais longe, correr as 100 milhas (160km) do Indomit Costa da Esmeralda.

Essa moça sapeca, pequenina fisicamente, alegre, e com uma força peculiar, veio nos contar como passou durante o seu tempo de exposição na Ultratrail 100 Mi no Indomit Costa da Esmeralda, que com muita garra, trouxe o título para o Rio Grande do Sul. Vale a pena conferir. O texto é narrado em primeira pessoa, pois tentamos manter aqui a emoção que a Cledi tentou nos passar ao relatar a sua experiência. Aproveitem

“Antes de começar a relatar toda diversão que foi correr a Indomit, importante contar que três meses antes  da prova, me privei de muitas regalias, fiz vários testes juntamente com nutricionista e academia, em busca da melhor adaptação do organismo e músculos.

Dois meses antes da prova reservei  hotel para muitas pessoas que  iriam me acompanhar, minhas duas sobrinhas, mãe, irmã. E faltando apenas duas semanas estava quase certo que meu irmão, cunhada e dois sobrinhos também estariam lá. Uma felicidade me invadia, afinal família é refúgio e vida. Correr por eles e saber que passar a linha de chegada encontraria quem mais amo, seria a melhor das sensações.

Infelizmente por situações rotineiras não foi ninguém. Foi engraçado, pois na penúltima avaliação, brinquei com minha nutricionista dizendo-lhe que não bastava ela ser amiga e  nutri, era também minha psicóloga.  Fui tão vibrante e feliz contando que teria quase toda minha família lá e na avaliação seguinte choramos juntas, pois pra mim a prova já não era mais tão importante.

Denise Gaio lembrou que há dois ano e meio atrás, na minha primeira avaliação ela perguntou qual era meu objetivo. Respondi que queria ser Ultramaratonista. Quando participei em 2017 dos 50km na Indomit, fui na Denise e a disse que no ano seguinte queria fazer 100Mi.

Poucas pessoas acreditaram na minha capacidade, ela foi uma dessas pessoas. Vamos trabalhar, fazer testes e treinar muito para conquistar a Indomit Costa da Esmeralda – 100 Mi.

Um dia antes de ir para Santa Catarina, me certifiquei de que não esqueceria nada para prova, dispus os equipamentos, roupas, tênis e comidas na cama para conferir se estava tudo ok.

A Largada:

Na foto acima minutos antes da largada, baixei a cabeça e pensei. Bom minha família apenas não esta aqui de corpo presente, continuarei correndo por eles e por ela (a minha nutricionista) que utilizou o seu período de férias para estar lá comigo.

Tive apoio da Denise, Everton, Alexandre , Panazzolo, e amigos atletas que participaram da competição Luciene, Arcari, Cris, Brandelli, Marcio e Jasieli  pessoas fundamentais para minha conquista.

Na quinta-feira após pegar o kit e número de peito criei um grupo no whatsapp, nele estava muitas pessoas que acredito merecerem estar lá, família e amigos. Tinha muita gente e confesso que faltou muitos. Ele tinha como propósito mantê-los informados, da minha situação durante a prova e também de certa forma, sentir que todos estavam ali correndo ao meu lado.

Bom, a largada foi como todas as outras, coração já acelerado e frio na barriga. Estava pronta. Uma garoa contínua nos acompanhou durante 24horas.

No quilometro 31 já estava com corpo tomado por endorfina, corria num ritmo muito bom, forte demais para quem tinha tanto chão pela frente. Nesse quilômetro fui parada por uma cratera que se formou num córrego que ia em direção ao mar. Impossível passar, as ondas eram imensas e não dava pé.  Conforme os minutos passavam os atletas chegavam, ficamos esperando baixar o nível d’água durante 45min. Após elevar o meu nível de estresse, pensei como minha avó, “nada acontece por acaso”, ok, fizemos uma foto e seguimos.

ALIMENTAÇÃO

Montei uns saquinhos com alimento e suplementos, que usei a cada  6km, vale salientar que todos foram testados durante os treinos. Eles misturavam salgados e doces, cada um devidamente descrito.  Carreguei no percurso o necessário para cada Posto de Assitência, ou seja, no primeiro drop bag –  quilômetro 36,  pegava toda comida lá guardada, corria e usava até chegar no próximo.

Sobre água, isso não pode faltar, tinha comigo o tempo todo. A cada ponto de apoio reabastecia, além de muita água, fiz uso de Coca-Cola que me auxiliou com sódio e açúcar.

O tempo assustava um pouco, pois era como se estivesse fugindo de uma tempestade.

O período da tarde de sexta foi muito difícil, pois além de chuva tinha um vento que atormentava a mente e me fazia questionar o porquê de estar ali sofrendo.  Na foto abaixo minha expressão de cansada, percorri por estratégia 58km sem bastões para poupar esforço nos braços e deu certo.

Após concluir a primeira volta 58km, estava muito bem, concentrada e determinada a passar a noite bem.

Antes de escurecer, para adrenalina ficar ainda mais em alta, estava subindo uma trilha com um atleta e avistei uma cobra enorme, meu coração disparou e me deixo alerta durante a noite toda. Estar na natureza e encontrar répteis peçonhentos era tão inevitável, quanto minha vontade de atravessar a linha de chegada.

Além de fotos enquanto corria enviei vídeos para o grupo que criei. Isso me ajudou muito, me encorajou a seguir sempre, pois a cada contato eu mencionava que a X distância eu os contataria de novo e sabia que devia chegar no próximo ponto.

No Drop Bag, nos 36 km, deixei apenas alimentos para chegar até o quilômetro 58. Concluindo a primeira volta troquei de tênis, detalhe, o tênis que por sua vez era o certo com travas e adequado estava todo reformado, pois havia levado dias antes num sapateiro para conserto. Posso dizer que seria pior, caso não tivesse ganho um par da loja Atitude Esportes de Bento Gonçalves, nesse caso, teria corrido 160km com apenas um par de tênis.  O que preciso evidenciar é que, um atleta pode ter os melhores equipamentos para fazer qualquer prova, seja ela de nível difícil ou fácil, se não tiver psicológico forte não conseguirá concluir.

Por outro lado, sei e concordo que ter tênis bons e ferramentas para tal é muito importante.  Ocorreu um erro, pois devido ao frio e garoa intensa durante o dia todo de sexta, no drop do km 58, tinha apenas tênis reserva, bastões e comida. Roupa limpa apenas no quilometro 108. Estava encharcada nesse ponto, felizmente tenho amigos, Rodrigo Brandelli tirou seu corta vento e me deu para seguir até a próxima parada. Seguimos.

A noite foi isso, com bastões me auxiliando consegui ganhar mais tempo. No mato as plantas raspavam molhada nas pernas e o barro que fazia, dificultava bastante a corrida. Sabia que faltava pouco para chegar num ponto de apoio e ao tentar acelerar, enrosquei um dos bastões num cipó e caí, foram vários tombos, porém esse com certeza foi o pior deles,  caíx em cima da mão e acreditava ter problemas a partir dali. Neste mesmo morro, não sei precisar horário, descíamos e avistamos uma luz vinda à direção contraria. Assustei-me achando que poderia ser resgate o algo semelhante. Ao se aproximar eu parei e perguntei ‘oque foi?’ e Bruno Campeão dos 100Mi respondeu _ “nada, você apenas vão descer tudo isso, dar uma volta enorme na ilha e passarão por aqui de novo”.  Imediatamente pensei, “nossa, esse cara é foda”. Ele já estava na segunda volta, e continuei meu pensamento firme, tinha a certeza que logo passaria novamente por ali também.

 A cada registro e parada uma brincadeira com Staffs e fotógrafos.  Eu falava pra eles “amanhã quero te ver de novo hein”. Manter a alegria e diversão em tudo que se fez é importante, ganhei novos amigos nessa prova e sei que estavam torcendo para me encontrarem no dia seguinte.

Na madrugada, drop do km 108, estava com frio e a ao chegar ouvi uma voz familiar. “vamos Cledi”.  Inacreditavelmente, a nutri estava lá, ela representou tudo que precisava para seguir. Ajudou-me a  organizar as comidas, troquei de roupa, meias secas e até provou “as misturas” de glutamina, whey, BCAA e tudo que foi combinado. Sim, como disse Everton (marido da Dê), “parecem mãe e filha”, uma torcia pela outra e ali meu desejo de chegar era ainda maior, pois eu e Denise ficamos muito tempo treinando e fazendo testes para que tudo ocorresse bem na Indomit. Antes de seguir, ouvi, agora te esperamos na chegada.

A luz da manhã veio, aliviando o coração. Mais uma etapa concluída desliguei a lanterna e segui.  Foi como se a natureza falasse comigo, pois amanheceu e novamente no meio da trilha outra cobra, eu estava correndo e quando a avistei uns 100 metros de distância, resvalei e cai, coração ainda mais acelerado, aguardei ela desaparecer em meio a capoeira.  Dessa vez meu ‘pace’ aumentou.

Quando cheguei no quilometro 138,4 fui muito bem recebida,  nesse ponto de apoio tinha comida, um par de meias secas, protetor solar, óculos de sol e viseira. Ajudou muito, pois ao contrário de sexta-feira, o sábado foi quente.

 Daquele ponto até a chegada faltavam apenas 22km, arredondando Meia Maratona. Ali tomei decisão de deixar os bastões, lanternas, pilhas reservas, corta vento, tudo o que não utilizaria. Carreguei comigo somente o necessário, pouca comida, água e uma garrafinha de Coca-Cola. Ali Germano que trocava minhas meias (imagem) me informou que uma das meninas havia desistido.

Minha vista antes de iniciar a segunda subida ao Morro do Macaco

Antes de subir Morro do Macaco encontrei quatro staffs, um deles corria na minha direção, questionei sobre o que acontecia. Ele respondeu, “nada não, apenas me movimentando, pois já estou desde ontem sentado”. Rimos todos, pois contrariamente, eu estava esse tempo todo em movimento.  Cheguei ao topo e de lá enviei vídeo e foto para o grupo que criei.

Sabia que descendo Morro do Macaco, restavam apenas dois morros a serem concluídos.  Corri 145km com psicológico em alta, bem  e disposta a chegar. Como é algo inevitável e acredito todos atletas passam por isso, chega um momento da prova em que dá a queda do atleta.  O meu chegou, no inicio de uma das praias, onde meu relógio não tinha mais bateria e eu já não tinha controle de pace e horas. Passei por três pontos, onde questionava staffs de quantos quilômetros faltavam para chegar, todos, absolutamente todos me informaram distancias diferentes e erradas. Daquele ponto em diante, não existia mais brincadeiras e meu pensamento era “não vou conseguir”, uma ansiedade e angustia me tomavam e eu seguia cada vez mais forte na velocidade. Diferente da maioria, meus momentos de queda, me fazer acelerar ao invés de desistir ou parar. Comigo corria um argentino, à única coisa que ele ouvia de mim era, “EU PRECISO CHEGAR, EU PRECISO CHEGAR”, tentando me confortar e ajudar ele respondia o tempo todo, “Tranquila, tranquila, estamos llegando’”.

Como se tudo que tivesse feito até então, não significasse nada. Meu coração estava acelerado e o medo de não chegar a tempo me invadia. Nesse momento respirei, olhei para trás e vi o hermano caminhando, parei também, peguei meu celular e liguei para Denise, quase que me desculpando e chorando falei “Dê eu não vou conseguir”,  apenas uma coisa ela respondeu, “calma, respira e continua, caminha e respira”, desliguei o celular com um nó na garganta, olhei um álbum muito especial que criei anteriormente a prova, nele continham imagens da minha família, sobrinhos, mãe, pai, marido e uma frase do evento *A FORÇA PROVÉM DE UMA VONTADE INDOMÁVEL*, parece bobagem, mas pra mim funcionou, afinal treinei tanto para desistir faltando tão pouco?

Nesse momento além do desespero de querer chegar, as bolhas nos pés me faziam sofrer. Ao visualizar um ponto de apoio, comecei a caminhar, respirei fundo e falei com um casal de staffs. “Por favor, se não souberem quantos quilômetros faltam para minha chegada, liguem na organização e perguntem, pois estou com psicológico afetado e preciso da informação correta.” Ambos riam e a moça falou como se fosse música para meus ouvidos. “calma, você é a Campeã dos 100Mi, faltam apenas 7km e tens 3:00h para atravessar a linha de chegada.” Com olhos lacrimejando, sorri e falei, “Serio?” , O rapaz novamente rindo disse, “sim, você é a Campeã”, e eu “não, é serio que faltam apenas 7km?”

Estranhamente, ali não me importei com classificação, queria apenas chegar. Voltando ao real, peguei celular e gravei uma áudio para o grupo informando a tal informação recebida.

Esses 7km foram para mim os mais longos, pois parecia não chegarem, a ansiedade era tamanha que não me dava conta do quanto já havia percorrido.  Senti tantas dores nesse percurso que achava estar com os pés sangrando, duas vezes cogitei parar e tirar os tênis, mas doía tanto que não conseguiria voltar. Sim, faltava tão pouco, poderia seguir o restante caminhando, mas a única forma de aliviar as dores nos pés era correr. E assim foi a finaleira, corri querendo ouvir o que foi dito. “A CAMPEÃ, A CAMPEÃ DOS 100Mi CHEGOU!”

Adrenalina, vontade, aventura, família, amigos, apoiadores, muito, muito treino, preparo físico e desejo de chegar, foi o que me fizeram atravessar a linha. Cheguei, abracei a nutri e disse: “Obrigada, obrigada por acreditar em mim, por acreditar que eu conseguiria, Dê conseguimos!”  Ela foi a primeira a embarcar nessa loucura e a única, dias antes da inscrição a me incentivar e dizer você vai conseguir.”

Viram? Dissemos que valeria cada palavra! Que relato! Emocionante e real como as coisas da alma!

Querida Cledi, obrigada pela tua contribuição. A Maria´s da Trilha com certeza estarão ainda mais estimuladas com o teu relato.

Que essa tu energia esteja sempre contigo e que venham muitas outras ultramaratonas na tua vida.

Pequena movida a desafios e grande como os verdadeiros sonhos devem ser!

Trailrun – me aqueça neste inverno

Há duas semanas atrás, passamos por um treino duro, que se tornou ainda mais difícil por conta do frio. Resolvemos então escrever sobre alguns cuidados que temos que atentar para dar continuidade ao nosso planejamento relacionado aos treinos.

As temperaturas tem despencado nos últimos dias, o que dificulta o seguimento da planilha, principalmente para quem treina outdoor e tem objetivos que não esperam o tempo melhorar,  não perdoam se deixarmos a constância dos treinos propostos.

Treinar com sensação térmica negativa nos motivou a descrever aqui alguns cuidados que temos que tomar para que os nossos treinos sejam contemplados dentro do prazo desejado.

A estação mais fria do ano iniciou na semana passada, mas já mostrou para que veio, para marcar e judiar dos atletas trailrun. Temos a necessidade de manter o treinos, então, bora lá conversar um pouco sobre alguns cuidados, simples, que podem nos ajudar no planejamento e concretização da planilha ofertada pelo nosso treinador.

Na maioria das vezes temos a sensação que basta sairmos correndo, que renderemos a mesma coisa, mas aí que o perigo ronda, a nossa auto suficiência pode nos encaminhar para lesões desnecessárias, desidratação, mal estrares, hipotermia, que podem nos afastar do treinamento temporariamente, ou até mesmo nos impossibilitar de seguir em frente com o desafio proposto. Aí vai então, uma reflexão do que devemos atentar neste momento em que as baixas temperaturas e o clima úmido tomam conta dos nossos dias por 3 (três) longos meses.

Estudando um pouco a fisiologia humana, nos deparamos com a situação de que a prática do esporte outdoor, exposto à temperaturas extremamente baixas, é uma das condições mais estressantes para o nosso organismo, exigindo mais energia,  acelerando o metabolismo e aumentando a pressão arterial, pois o sangue fica dando suporte ao sistema cárdio respiratório. Além disso, a potencia-explosão dos músculos fica diminuída, potencializando o aparecimento de lesões periféricas. O resfriamento excessivo das extremidades também aparece neste momento, o que pode comprometer o desenvolvimento dos movimentos propostos.

Com isso, devemos estar atentos para alguns cuidados que seguem:

Hidratação

Ela não deve ser esquecida, simplesmente por que durante os treinos no frio, sentimos menos sede, que aparece quando o organismo já está debilitado, e muitas vezes quando nos damos conta, a aceitação gástrica da hidratação pode ficar diminuída e provocar vômitos comprometendo a conclusão do treino.

A importância da ingesta hídrica deve ser mantida conforme rotina usual durante a exposição, , pois uma redução de 2% na água do organismo pode causar um pequeno, mas crítico encolhimento do cérebro, o que pode prejudicar a coordenação neuromuscular, diminuir a concentração e deixar o raciocínio lento.

A desidratação também reduz a resistência, a força, causa cólica e retarda a resposta muscular” alertam os fisiologistas.

A regulação da temperatura corpórea também fica afetada com a falta de líquidos ingeridos, especialmente água e repositores hidroeletrolíticos, podendo o atleta desenvolver a hipotermia, pela falta de manutenção hídrica.

Alimentação

Não podemos perder o foco na dieta, nesta época do ano somos surpreendidos com alimentos pesados e hipercalóricos que podem prejudicar a performance com a “falsa” reposição nutricional. O nutricionista pode nos auxiliar a conciliar o treinamento com os excessos oferecidos pela estação.

 

Vestimenta

Estudos demonstram que os agasalhos em excesso podem proporcionar uma maior perda de eletrólitos, causando também a desidratação. Mesmo no frio, a sudorese ocorre durante o exercício, em função das perdas calóricas e compensação do organismo.

Além dos agasalhos em excesso proporcionarem uma sudorese muito mais intensa, deixam as roupas molhadas e resfriam excessivamente do corpo, favorecendo mais uma vez a hipotermia, a qual falaremos mais tarde.

O ideal é iniciar o treino agasalhado com uma peça a mais e descartar assim que o corpo aquecer. Após o treino, é importante manter as vestimentas que favoreçam o aquecimento do corpo, já que o sistema termo regulatório se torna mais após o término do mesmo. As roupas molhas devem ser retiradas imediatamente após o final do objetivo cumprido e substituídos por agasalhos que mantenham o corpo aquecido.

Existem no mercado tecnologias que nos protegem e devem ser utilizadas para nosso benefício, que são:

Agasalho de contato com a pele que deve fornecer evaporação do suor com uma absorção do calor. – blusas justas e de tecidos sintéticos, que protegem, mas drenam o suor rapidamente.

A segunda pele deve proporcionar o isolamento, os chamados corta-ventos.

E a terceira – aquela que fornece resistência contra água e o vento, deve ser de fácil remoção, nestes casos citam-se os impermeáveis ou anoraks.

As extremidades também devem estar protegidas, o uso de toucas e luvas impedem o resfriamento, que neste caso é induzida pelo exercício e pela diminuição do aporte sanguíneo nestas regiões.

Mas os adereços devem também permitir a transpiração para favorecer as trocas energéticas.

Para as pernocas, sugerimos calças justas, compostas de tecidos tecnológicos que também proporcionem as trocas com o meio e a evaporação em caso de chuva e neve.

Hipotermia

Pode-se chamar de vilã do corredor, que pode variar de leve a intensa. Os sintomas vão de tremores, desconforto, até mesmo a desorientação, alucinações e arritmia cardíaca.  É importante ficar atento para os primeiros sintomas , manter o corpo aquecido através de alimentação, hidratação e agasalhos. O atleta trailrun, não deve se preocupar em apenas correr,  mas acima de tudo ficar atentar aos sinais que o seu corpo demonstra, agir com pró atividade, para que não venha a sofrer de moléstias graves.

Aquecimento

Aconselha-se sempre, não só no inverno, o aquecimento do corpo, antes do treino, para estimulação das fibras musculares e articulações, que neste caso, estão mais rígidas, evitar lesões e adaptação do sistema cardio respiratório. O treino deve ser iniciado em ritmo mais lento e progressivo.

Para concluir, é importante mencionar a sensação térmica, muitas vezes o clima nos apresenta uma temperatura baixa, mas o vento, chuva e outros fenômenos, podem nos trazer uma sensação menor. Devemos atentar para a nossa sensibilidade e nos adaptar dentro daquilo que nos proporciona conforto para realizarmos o nosso tão amado esporte confortavelmente.

Deixamos aqui este breve relato atentarmos aos sinais do nosso corpo, a fim de dar continuidade à prática do trailrun,  e também nos conscientizar que não devemos apenas sair correndo pelas trilhas. A preparação e a segurança com certeza somente nos deixarão com gostinho que quero mais….muito mais treinos e vida longa ao nosso contato com a natureza.

Obrigada Maria´s por acreditarem no nosso projeto. Belas e feras na natureza e bora conviver com a natureza no frio também.

É possivel prevenir lesões? Um breve relato do Fisioteraputa Matheus Kowalski

Correr tem imensos benefícios, mas como tudo, qualquer atividade em excesso ou sem os cuidados necessários tem os seus malefícios. Tantos podem ser os problemas, que muitas vezes nos deparamos com atletas que não encontram extrema dificuldade em recuperar a sua performance por conta das lesões crônicas adquiridas. Normalmente tais lesões são consequência, principalemente, da falta de acompanhamento de um profissional adequado ou  mesmo por falta de cuidado e respeito com o seu próprio corpo.

O nosso corpo necessita de manutenção, a prevencão e a proatividade fazem parte de uma boa parte do sucesso de um atleta, seja ele amador ou profissional. O nosso querido amigo Matheus Kowalski, fisioterapeuta experiente e sócio da Suporte Reabilitação Esportiva, nos trouxe alguns tópicos que nos auxiliarão na prevenção de algumas lesões que possam nos tirar ou distanciar temporariamente do mundo trail.

É possivel prevenir lesões?

Primeiro temos que entender que a lesão muitas vezes ocorre pelo desconhecimento ou desleixo do atleta “amador” ou até mesmo “profissional”.

Devemos saber que existem modelos multifatoriais que podemos prevenir antes do EVENTO LESÃO.

Os fatores intrísecos, aqueles que provém do nosso corpo, devem ser levados em consideração para a longevidade do atleta, são eles, os principais:

-Força muscular – o atleta deve manter a sua musculatura fortalecida, para que consiga suportar a sobrecarga dos treinos e os desafios lançados. O reforço muscular deve fazer parte do alinhamento da planilha de corrida. Existem exercícios específicos que fazem a manutenção do corpo e os tornam resistentes para suportar também outras estruturas como ossos e tendões.

-Flexibilidade – deve ser trabalhada para o desenvolvimento correto, no que se refere amplitude, dos movimentos exercidos na corrida, e, ainda também trazer estabilidade às articulações, evitando entorces acidentais, por exemplo.

– Alinhamento anatômico – o atleta precisa reconhecer a importância do corpo estar alinhado,  a necessidade de trabalhar determinados modificações posturais que contribuirão para a diminuição do risco de lesões. O profissional envolvido deve incentivar o atleta a desenvolver exercícios propostos para este fim.

– Fatores Psicológicos – o atleta deve ser motivado a evitar lesões, geralmente os treinos são estressantes e acabam por fadigá-lo, antes mesmo dele se dar conta do que está acontecendo. O profissional deve estar ao lado do atleta para demonstrar que correr, seguir uma planilha focado em um objetivo, cansa, fadiga e desestrutura psicologicamente.

– A nutrição inadequada é diretamente proporcional ao aparecimento de lesões. As células devem receber um aporte de macro e micro nutrientes adequados para sustentarem a sua saúde. Busque um nutricionista.

– O biotipo do atleta e a sua idade também contribuem para o aparecimento dos tais incômodos citados, a cautela sempre deve ser adotada nestes casos.

Temos também os fatores extrínsecos que podem comprometer a saúde do atleta, podem acometer sua performance, eles estão aí e precisamos estar preparados fisicamente para enfrentá-los, pois destes não temos controle. São os fatores ambientais, as regras da prova, a escolha do calçado, dos equipamentos, e principalemnte, o treinamento.

Matheus nos conta que um estudo americano mostrou os principais locais de lesões e as áreas do corpo afetadas.

Sempre antes de iniciar um ciclo de periodização para alguma prova alvo é recomendado que o atleta passe por algumas avaliações: cardiológicas, ortopédicas, fisioterápicas, nutricionais e, sempre, orientado  por um profissional de Educação Física. Tudo isso para estabelecer metas, reconhecer as condições reais de enfrentar o desafio ao qual está querendo se propor.

Ele, como profissional de Fisioterapia, sempre realiza os seguintes testes:

  1. Anamnese Clínica
  2. Avaliação do Dinamismo do Joelho
  3. Avaliação da Rigidez de Quadril
  4. Avaliação do Pé (Estática e Dinâmica)
  5. Avaliação da Força Funcional de Músculos envolvidos com a corrida
  6. Avaliação da Flexibilidade
  7. Avaliação Proprioceptiva
  8. Testes Específicos

 

Mas e aí Maria’s, é possível PREVENIR uma lesão?

Sim, é possível. Com esses dados podemos direcionar o atleta a realizar um reforço muscular específico para os desequilíbrios apresentados. Trabalhos proprioceptivos (equilíbrio) para tornozelos, joelhos, quadris, flexibilidade caso seja necessário trabalhar, ver o alinhamento corporal e a possível necessidade do uso de órtese (palmilha ortopédica), massagem ou liberação miofascial utilizando bolinhas de tênis, foam roller, rolo massageador. Matheus também defende a utilização de gelo pós- treino, pois considera de grande valia para minimizar os micro traumas musculares.

Estas ideias sucintas mas de grande valia são apenas a ponta desse enorme iceberg que é a fisiologia do exercício. Assunto que termos espaço para diversas discussões, a fim de proporcionar ao atleta o amadurecimento necessário para uma “caminhada” longeva e sustentável no mundo das corridas.

Vale ressaltar que cada atleta é um ser único, e a resposta ao treinamento proposto é só sua. O que é adaptado muito bem para um atleta, pode ser prejudicial ao outro, pois como já foi citado, existem vários fatores envolvidos na preparação de um atleta.

O que necessitamos é tratar este assunto com seriedade, pois estamos correndo e praticando o esporte para evoluírmos saudavelmente. O importante a ser refletido também é respeitar as etapas, devemos adquirir a consciência de que tudo tem o seu tempo e necessita de amadurecimento para termos sucesso. O atleta precisa do auto-conhecimento para encarar as reações do corpo com maturidade e aprender com elas, diariamente.

Tudo isso porque vai doer, não será fácil, vamos nos sacrificar na maioria das vezes, mas cruzar a linha de chegada preparado para o próximo desafio é a melhor sacada.

Fica aqui, as dicas do nosso amigo, que deixa o seu abraço às Maria’s da Trilha. E ainda nos diz que podemos contar sempre com ele.

Obrigada Matheus, falar sério é muito importante e faz parte do trailrun saudável.

 

Vamos Maria’s!!! Vamos invadir as trilhas!!!

 

 

As principais lesões que acometem os praticantes de trailrunning

Além de contar histórias de superação e de inspiração para todas as Maria’s da Trilha, também consideramos importante falar sobre alguns problemas que podem acometer alguma Maria desavisada ou apressadinha na transição para o mundo das trilhas.Neste post vamos apresentar as lesões mais comuns nos praticantes do esporte, para que em outro post o Fisioterapeuta Matheus Kowalski, mais um amigo das Maria’s e sócio da  Suporte Reabilitação Esportiva aqui de Porto Alegre possa nos orientar como prevenir ou até evitar tais lesões e, assim, possamos ter uma maior longevidade no trailrunning junto com uma ótima qualidade de vida, capaz de nos proporcionar o bem estar, a alegria e a saúde que tanto buscamos.

Quais partes do nosso corpo sofrem com lesões quando praticamos o trailrunning?

Segundo estudos em diversos países onde o trailrunning é praticado por centenas e milhares de pessoas, o alto impacto que a apaixonante, porém exigente, atividade exerce sobre o corpo faz que seja necessário termos uma preparação orientada, bem como um cuidado adequado antes, durante e depois da corrida, caso negligenciemos esses cuidados poderemos desenvolver lesões como as que abaixo citaremos:Lesões no tornozelo, pés ou dedos dos pés: cãibras, tendinite da fáscia plantar, neuroma de Morton, entorses e fraturas de tornozelo / pé, luxações e fraturas nos dedos dos pés.

Lesões nas pernas: cãibras nas panturrilhas, tendinite de Aquiles, periostite tibial (canelite), estiramentos ou contraturas musculares.

Joelho: entorses / ligamentos rompidos, lesão do menisco, síndrome da banda iliotibial, tendinite patelar.

Quadril: tendinite do músculo psoas, tendinite do músculo reto-femural, dores no quadril.Lombar ou parte inferior das costas: lombalgia (dores na porção inferior das costas), dor ciática.

Tórax, abdômen e costelas: cãibras no abdômen ou no diafragma, luxações ou fraturas das costelas.
Coluna dorsal e ombros: espasmos nos músculos trapézio, espasmos nos músculos escapulares, contraturas musculares na região dorsal.

Pescoço-cabeça: dores no pescoço e coluna cervical.

Existem outras lesões possíveis nos praticantes de trailrunning, mas essas acima citadas são as mais comuns na grande maioria dos praticantes do esporte.

Agora esperemos o nosso amigo Matheus no próximo post nos orientar como prevenir essas lesões para que, todas nós Maria’s da Trilha  possamos realizar a pratica responsável e consciente do nosso esporte e não tenhamos que ficar de molho por esses inconvenientes.Já estamos ansiosas pelas dicas!

Vamos Maria’s!!! Vamos invadir as trilhas!!! Segue um vídeo da (clique ao lado) Mt. Marathon em Seward no estado americano do Alasca, nela homens e mulheres correm separados, reparem na quantidade de Maria’s correndo por lá! Tomara que em breve tenhamos provas assim por aqui, bem como a mesma quantidade de meninas nas trilhas!!!

Maria’s da Trilha, belas e feras na natureza!!!

O acaso atrasa o sonho da nordestina Drica

A nossa Maria de hoje vem de longe, para mostrar que o trailrun está em todos os cantos do nosso Brasil.  A Adriana Mara Ribeiro Baptista, a Drica, como é conhecida nas redes sociais, veio lá de Teresina no Piauí, para nos contar a sua história. Ela respira o trailrun, e neste ano, intensificou os treinos para bater a meta de completar os seus primeiros 42 km pelos caminhos nordestinos. Bora lá curtir e festejar com esta empresária, esposa, e mãe do Ícaro, da Daphne e do Mário.

Quando ouviu falar de trail run, não tinha idéia o que seria realmente, foi então que resolveu pesquisar mais sobre a modalidade através da web. E… conforme ía assistindo os vídeos relata que enlouqueceu e decidiu que era o trail que queria para a sua vida.  Algo mágico, pensou em unir o seu amor ao mato, à natureza e aos animais, que nada seria melhor que aliar isso tudo ao esporte, pois já era praticante de corrida há 02 anos.

Suas principais motivações, além do que já foi citado, forma os desafios, os obstáculos da natureza , a sensação de liberdade e a capacidade de provar todo tempo que você é capaz. Relata que sentir o aroma das flores, do mato e até mesmo sentir a sensação de medo, tudo isso foi motivador.

Então, em 2013, lançou-se ao primeiro desafio, correr 9km em Pedro II, cidade perto de Teresina, onde o percurso atravessava uma serra e de lá pra cá nunca mais parou de treinar e preparar-se para competir pelos exigentes ambientes nordestinos.

Nos conta que desde o pricípio foi uma experiência fantástica, movida pela ansiedade. Disse que tudo aquilo tomou conta de dela, que percebeu que o trail running é vida, que diante da grandeza da natureza, em poder estar pisando em locais pouco visitados pelo homem, em poder conviver nessas paragens, nos ensina  e nos trona seres humanos melhores.  Segundo ela, não somos NADA na terra, quando comparados  com a imensa beleza apresentada diante de nossos olhos em treinos e provas de trail runnning. Garante que é espetacular e motivo de exemplo, o respeito e o amor que os praticantes do nosso esporte dedicam à mãe natureza.

Preocupada com a evolução e conforme foi amadurecendo no esporte, procurou assessoria profissional, a FOCO INTEGRADO, em que pratica treinos funcionais específicos para o esporte. Sempre quando pode, participa de cursos para adquirir conhecimento que possa auxiliar na sua performance.

Ela treina duas vezes na semana no asfalto, média de 08 ou 10 km. E todo fim de semana e feriado foge para as trilhas, onde faz o seu longão, sempre entre 15 e 20 km. Porém foca na sua planilha com disciplina, pois pretende migrar para as longas distâncias e sabe que este é fator primordial para se aventurar por caminhos mais longos.

Organizada e consciente, programa seus treinos para cedo da manhã, para não atrapalhar suas  obrigações no trabalho. Não fica estressada quando falha algum treino, tenta sempre recuperar na academia. Quando as provas se aproximam, faz um plano estratégico, modifica a sua rotina, a fim de manter o bem-estar e realizar a prova com sucesso.

Drica tem acompanhamento nutricional, para adequação alimentar, a fim de contribuir para um bom desenvolvimento esportivo e consequentemente ter uma melhor qualidade de vida. Costuma comer alimentos saudáveis sempre. Não usa nenhum tipo de produto industrializado ou produzido quimicamente, por sua própria opção. Faz uso de carboidratos pré treino, durante o treino usa mel em sachê, rapadura ou paçoquinha (afinal é uma nordestina nata) risos, grãos e um salaminho para quebrar aquele doce na boca. Para pós treino faz uso de proteínas.

Essa mulher porreta nos mostrou que existem várias provas trail na sua região, e que é possível a pratica sim naquelas bandas, pois quem pensa que no Nordeste só tem praias, engana-se completamente. As Marias daqui do Sul já ficaram curiosas viu Drica?

Já se aventurou no Desafio Serra dos Matões-PI em todas as edições, em Juquitiba-SP e no Desafio Bee, em São Luiz-MA. Preparou-se arduamente para os  42k de Nazária-PI, mas por conta de um entorce logo nos primeiros kms, não conseguiu concluir o seu principal desafio em 2018. Uma frustração inesperada, mas serviu para levantar e continuar treinando para que em 2019 repita a dose com sucesso.

Ainda pretende concluir novamente o Desafio Serra dos Matões 21km e Picos Pro-Race Trail Run 21 km.

 

Dentro da sua visão crítica, vê o trailrun no nordeste está em ascensão. Haja vista que as provas são inspiradas nos modelos de provas realizadas no Sudeste do Brasil, que considera o berço da modalidade. Acredita que estão no rumo certo, pois os organizadores da sua região usam como referências as provas de alto nível e com atletas de excelência, buscam assim aprender muito e buscar a qualificação no lugar certo, tudo para oferecer boas provas aos atletas nordestinos.

E ela tem tanta confiança na qualidade das provas do nordeste que deixa o convite em forma de desafio para que  Maria´s do Sul do país realizem o  DESAFIO SERRA DOS MATÕES em Pedro II, uma prova muito técnica. Onde os atores principais são os atletas. Organização impecável, estrutura e a logística são nota 1.000. Olhem aí meninas mais uma opção de passeio e prova no nosso imenso Brasil!

 

Ela tem o sonho de concluir a sua maratona trail, e após migrar para as ultramaratonas.  A lesão não deixou ela desistir, pelo contrário, continua  treinando e muito.

E para concluir ela nos diz que ser trailrunner é … ter vida plena, é sentir o pulsar de suas veias, é sentir o suor do seu rosto caindo sobre os olhos, é sentir a respiração sendo puxada pelos pulmões. Ser trailrunner é ter a liberdade de escolha é ser destemida.

E… ainda indica a prática esportiva  porque é o melhor remédio para tratar os males do mundo. Profundo não?

Drica querida, agradecemos demais o teu depoimento. Quando nos conhecemos, mesmo que virtualmente, ficamos muito mais motivadas, pois percebemos que estamos chegando aí tão longe. Nos permitiu a oportunidade de mostrar que o nosso esporte é praticado em todas os rincões do nosso país. Além disso, nos proporcionou a grata sensação de proximidade pelas afinidades, isso não tem preço. Já sentimos o nosso sonho realizado, pois estamos demonstrado as diferentes realidades unidas por uma só paixão: o trail running.

Nosso singelo agradecimento.

Conte sempre conosco, pois somos Maria’s da Trilha, sempre Belas e Feras em meio à Natureza… e cada vez mais espalhadas por todo Brasil!

 

 

As trilhas da doce mineirinha Andréa Vidal

Olá Maria’s hoje contaremos a história da Andréa Vidal, esta mineira, natural de Belo Horizonte, para lá de simpática que tem um currículo enorme para nos apresentar. Casada com Francisco Otoni, também ultramaratonista experiente, a  Advogada e Publisher da Revista Trail Running, acabou de correr o Ultra Trail Monte Fuji no dia 27 de abril, lá do outro lado do mundo. E como introdução nos contou um pouco da sua experiência junto aos orientais.
Ela optou pela prova menor, de 92km. Conta que a prova é super organizada, com balizamento perfeito e que a maior dificuldade da prova é o fuso horário. A largada é 12hs (meia noite no Brasil). Sofreu com o sono pela primeira vez, pela dificuldade de adaptação com a inversão literal dos hábitos costumeiros. Mesmo assim afirma ter sido sortuda, pois em 2016 a prova foi cancelada em razão de fortes chuvas e em 2017 a prova não ocorreu. Esse ano largou com o tempo nublado, não muito frio. Nos confessou que os voluntários são incríveis, super prestativos, sempre sorridentes e nos postos maiores tem sempre um voluntário que fala inglês, não teve problema algum nesse sentido. A prova é bem corrível, as subias e descidas são concentradas, em certos trechos, tornando a prova mais difícil do que ela esperava. Como ponto negativo, descreve que, na chegada não tem nada oferecido pela organização, água, comida, nada, somente para comprar, menos mal que a chegada é dentro da cidade. Ela recomenda a prova, simplesmente, porque conhecer o Japão e uma cultura completamente diferente da nossa é algo muito agregador na história de qualquer pessoa.

Como já foi mencionado acima, o casal corre junto, cada um com o seu objetivo, mas a parceria é enorme, visto que Dea considera o marido como sua motivação, sempre animado, empolgado;  ele foi para o trail run e ela resolveu ir também, e deu super certo.

Como ultratrail já tem alguns kms rodados, mas um dia, há alguns anos, ela também foi iniciante e nos contou que após sua primeira Ultramaratona COMRADES, prova de 89km no asfalto, com subidas e descidas na África do Sul, resolveu correr a APTR Itacolomi (que finalizou como 4ª geral), junto com o marido, nos 55km.  Ela estava com a auto-estima bem apurada, afinal, tinha concluído a COMRADES, até descobrir que correr na trilha é muito, mas muito diferente de correr no asfalto, resultado: sofreu muito e falou que nunca mais voltava. Porém, como corredor não tem memória, no ano seguinte foi de novo.

Mas sua primeira prova, avaliou como péssima, rindo muito, enfrentou subidas íngremes demais, cobra no caminho, bichos estranhos, sujeira, lama, traumatizou-se, por um curto período, pela personalidade que ela denomina “fresca”, correr nesse terreno, por horas, sem descansar, era quase inadimissivel. Os amigos sempre dizem que ela é muito, mas muito fresca para isso, que é algo inimaginável, para eles, vê-la em uma prova dessas.

Andrea faz parte da Upfit e treina com a referência nacional Sidney Togumi. Treina 4 vezes na semana corrida e 2 vezes musculação.  Nos conta que seguir os objetivos não é fácil, mas pensa que se não deu para ir de manhã, vai de noite, que quando se tem força de vontade e foco tudo se ajeita.

Com relação a dieta, considera importantíssima, “muita gente acha que por sermos ultramaratonistas podemos  comer de tudo, quem dera,  um dia”.  Segundo ela, a alimentação deve ser balanceada e proporcionar energia para provas tão longas como as que participa.

Sua alimentação pré prova, é pão com ovo, banana com canela e aveia e café com leite. Durante a prova, gel, bananada, torrone e o que a prova estiver oferecendo, geralmente batata tipo chips, azeitona, pão com geléia e se a prova é maior, uma massa geralmente é oferecida e com tolera super bem qualquer alimentação, manda ver (rsss). No pós prova o céu é o limite (mais risos),  logo após a prova fica sem apetite, mas passado um tempo, come o que tiver pela frente.

Essa Maria de sorriso fácil possui algumas provas que muitos sonham:

A Ultrafiord em 2017 pelas condições adversas da prova, muito frio, lama que ficou atolada até a cintura , charco, prova travada demais, marcação ruim. Foi a primeira prova que não fez sozinha, pois ficou receosa com a natureza inóspita e os riscos que ela oferece.

E o TDS, sua maior prova até então, 120km pelas montanhas, vales e trilhas da região do maciço do Mont Blanc, que enfrentou mudança do tempo no meio da prova, largou com sol , de noite veio a chuva, mas apesar de tudo é a sua prova favorita.

E 2018 não terminou no Monte Fuji, Dea vai participar ds Western States, a prova de 100 milhas mais antiga do mundo, que acontece nos EUA na Califórnia. Ela é a  1a. Brasileira a entrar para a lista de atletas sorteados e  será a nossa pioneira  nessa épica jornada. Certamente o trail brasileiro estará muito bem representado. Seu sonho atual é completar esta prova dentro das 30h de limite.  E o relato dela já tem dada marcada por aqui também.

Para as Maria’s ela indica o UTMB, pela organização impecável, trilhas técnicas, paisagem incrível.

Segundo ela o trailrun no nosso país está em crescimento, mas precisando ainda melhorar e muito. Afirma que, quem corre lá fora, no exterior vê a impressionante diferença em termos de organização e a diferença do envolvimento da comunidade nas provas. Aqui a comunidade tira a marcação das provas, uma pena, falta de incentivo e investimento. Ainda é necessária muito amadurecimento em todas as esferas.

Na sua percepção, ser trail runner é… ter contato com a natureza na sua forma mais primitiva, correr em paisagens deslumbrantes,  o trail runnig é realmente incrível.

E ela indica o trail running como prática esportiva, pelo motivo do menor impacto nos corpo dos participantes em relação ao asfalto, com uma recuperação fisiológica mais rápida, além das paisagens, algo que não há comparação.

Obrigada Dea! Obrigada por permitir que as Maria’s da Trilha espalhadas pelo Brasil conheçam e contagiem-se com sua história e com esse sorriso que empolga e inspira!

Sabrina Schirmer – e suas aventuras no mundo do ultratrail

Hoje vamos conhecer essa fera gaúcha que é inspiração de muitas Maria´s. Tem uma larga estrada e diversos feitos em provas nacionais e  internacionais no mundo trail. Atualmente, ela faz parte do Team Raiz Trail, uma iniciativa gaúcha para o fomento do trailrunning no Rio Grande do Sul. Esta inquieta Maria tem como treinador Sidney Togumi, da Upfitrail, e, está em plena preparação para mais uma vez enfrentar os Alpes entre Itália, Suíça e França, na CCC-UTMB.

Vamos lá saber um pouco mais dela.

A Sabrina Schirmer, vive em Porto Alegre com sua família, que segundo ela, é a base de tudo.

É Professora de Educação Física –Personal Trainner

Teve seu primeiro contato com as trilhas nas corridas de aventura há 20 anos atrás. Praticava corrida, bike, remos e técnicas verticais. Ela diz “foi amor à primeira vista”.

Porém, em 2008 depois do nascimento do seu filho e a falta de tempo para treinar todas as modalidades e o fenômeno das ultramaratonas de montanha, resolveu focar nesta modalidade que leva até hoje como sua maior paixão no esporte.

A principal motivação era manter o contato com a natureza e o desafio de encarar as dificuldades, que a nascente modalidade que chegava ao país impunha.

Já no seu primeiro desafio, a superação já estava explícita, foi encarar as montanhas da Argentina na La Mision Race – 160km –  insana – diz ela.

“A primeira prova foi desafiadora. A sensação de chegar ao cume da montanha foi inexplicável. O visual compensou e compensa qualquer sacrifício.”

Como treinos ela costuma correr, conforme a planilha enviada pelo seu treinador, cumpre a risca cada fase de treinamento, além de pedalar, nadar e fazer reforço muscular.

Relata que sua rotina é bem pesada, devido principalmente ao trabalho, mas ressalta a facilidade de estar o dia todo dentro de academias o que facilita um pouco. É extremamente disciplinada para conseguir encaixar tudo e não abdicar de momentos em família.

Considera o acompanhamento nutricional  muito importante, pois entende que através dele podemos melhorar o desempenho não só nos treinos como nas competições.

A atleta já apresentou muitos problemas digestivos, principalmente durante as provas, a dificuldade em acertar a alimentação adequada acabava sendo decisiva no seu resultado. As complicações gastrintestinais, mais precisamente o vômito aliado ao esforço físico limitavam a sua performance na prova, justamente porque não conseguia repor adequadamente os nutrientes. Hoje com a ajuda da nutricionista ele consegue encontrar o equilíbrio, pois tem uma certa intolerância aos suplementos alimentares, não consegue ingerir grande quantidade de alimentos durante a prova, pois se sente enjoada. Depois de muitos testes, costuma carregar o que vai comer pois já está acostumada. Depois de muitos anos já experimentou várias opções e hoje, relata que está tudo sob. Monta todos os kits e deixa nos dropbags, para evitar ingerir algo que não está habituada.

Antes e depois das provas segue a dieta baseada em aumento da massa magra e manutenção da massa gorda, também importante para reserva de energia para os longos períodos de esforço nas provas.

Dentro das provas que concluiu, ela destaca:  La Mision Race 160 km na Argentina, Patagônia Run 120 km na Argentina, Vulcano Ultra Trail 100 km Chile, Lavaredo Ultratrail 120km na Itália, Ultra Fiord 100km Chile e Ultra Trail du Mont Blanc TDS 119 Km França. Que belo currículo hein?

 

Falando um pouco do seu principal desafio em  2018, mais uma vez irá desfrutar das belezas, dos vales e das montanhas na região do Mont Blanc e aventurar-se na CCC, uma prova de 100 km que larga da Courmayer na  Itália, passa pela Champex Lac na Suiça e termina em Chamonix na França e é das iniciais destas três belas cidades alpinas que vem o nome da prova CCC.

Dentro do contexto do trailrun no Brasil, ela afirma que esta modalidade só cresce. Os corredores saem do asfalto e se apaixonam pelas belezas naturais das trilhas. Provas novam surgem, novos adeptos ,ninguém segura mais !

Como indicação para nos Maria´s ela nos diz que, atualmente com a grande oferta de provas no país, o importante é escolher o desafio que seja compatível ao seu condicionamento físico. A distância escolhida deve estar de acordo com sua realidade, experiência e tempo disponível para treinar. O treinador deve estar ciente das metas para este desafio. E, não devemos esquecer que o desafio deve ser escolhido para a diversão e o prazer de estarmos em meio a natureza.

E ela nos fala do seu sonho: “Meu maior sonho? Continuar me divertindo! O trail me trouxe muitos amigos. Me fez conhecer lugares maravilhosos. Se puder continuar ativa por “todo o sempre” estarei feliz, pois ser trailrunner é: divertir-se, desfrutar da natureza e desafiar-se a cada momento”

Por tudo isso e principalmente depois dessa longa caminhada, a essa Maria indica o esporte, por que defende que é uma modalidade esportiva em que o contato com a natureza é direto, te apresenta  à várias pessoas e de quebra te leve a viajar por ai e conhecer as belezas do mundo. Isso é trailrun!!

Obrigada querida Maria, por ser uma referência e pela disponibilidade em compartilhar toda essa experiência conosco.

 

Vamos conhecer Tais Damasio Rotta, essa Maria que recentemente fez bonito representando todas nós nas altitudes de Machu Picchu

Ela é da Serra Gaúcha, mas reside em Porto Alegre, iniciou a prática do trailrun em Bento Gonçalves sua terra natal e foi na vizinha Farroupilha que fez sua estreia numa das mais belas provas do nosso estado realizada na região do Salto Ventoso, uma queda d’água sob a qual os atletas passam durante o magnífico percurso. Há alguns dias participou da Ultra Machu Pichu onde conquistou o terceiro lugar para o Brasil, nos 30km. Conheçam a história de mais essa MARIA DAS TRILHAS!

Nome: TAIS DAMASIO ROTTA

Cidade: PORTO ALEGRE

Profissão: ADVOGADA e FISIOTERAPEUTA

Familia: meu esteio

Como conheceu o trailrun? Em Bento Gonçalves, minha cidade natal, com um grupo de amigos loucos pelo trailrun (BTR), que além de parceiros, foram e são exemplos de garra e superação.

O que motivou você a iniciar no trail run?  A sedução da natureza e da imprevisibilidade que ela oferece. De fato, quanto menos monótona for a atividade, mais ela me encanta.

Qual foi a sua primeira prova? Salto Ventoso, em Farroupilha, do Circuito Trilhas e Montanhas.

Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trail?  Percebi que as trilhas são realmente muito desafiadoras e que, por mais que façamos todos os preparativos, a natureza por mudar tudo de uma hora para a outra.

 Você faz parte de alguma acessória esportiva? Sim. Cia dos Cavalos.

Como são seus treinos? Treino 4 vezes por semana, conforme a planilha. Há intervalados, progressivos, fartlek, ritmados e  o temido longão, com distâncias e altimetrias maiores. Sem esquecer do treino de força, 2 vezes por semana.

11- Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições? Essa é uma das partes mais difíceis do treinamento (kkkk). De fato, uma rotina que envolve casa, trabalho, faculdade e filhos exige um grande jogo de cintura para encaixar os treinos. As vezes é preciso madrugar, renunciar ao horário de almoço ou encarar os perigos da noite. Mas o importante é não deixar de treinar.

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrun? Ter um acompanhamento nutricional é indispensável. É preciso uma ingesta equilibrada e adequada a rotina de treinos. O trail exige muita força, resistência e energia.

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova? Como ainda não corro distâncias superiores à 30 km, a alimentação pré-prova é a mais importante. Procuro reforçar a ingesta de carboidratos nos dois dias que antecedem a prova e beber, pelo menos, 3 litros de água por dia. Estar hidratado é tão importante quanto estar bem alimentado. Durante a prova, uso um carbogel a cada 40/50 min de prova, e cuido para não deixar de beber água a cada 30 minutos. Pós prova é festa (kkkk), muita salada, carne, carboidrato e frutas.

Quais provas te marcaram mais? Mesmo tendo corrido provas mais desafiadoras, as Audax foram as provas que mais me marcaram. Foram as primeiras provas que realmente me tiraram da zona de conforto, tanto por ter aumentado a distância, quanto pela altimetria. Além do mais, estar entre amigos é sempre sensacional!

 

Você trouxe o troféu de bronze para o Brasil, quando participou da Ultra Machu Picchu Trail há alguns dias. Conte-nos um pouco do seu desafio de 2018

Fui sem qualquer pretensão de resultados. Era uma prova que me desafiava muito. Nunca havia corrido na altitude. Ouvi que passaria por muitas dificuldades já que correria pelo menos 22km acima de 4500m de altitude. Além disso, por questões pessoais, treinei muito pouco para a prova.  Então, resolvi ir para curtir e me desafiar, apenas.

Conselhos dos mais experientes sempre são bem vindos para iniciantes como eu. Por isso guardei uma dica de um colega: – te controla na subida e te preserva porque você é boa na descida e precisa estar inteira para recuperar posições e terminar bem.
Aí começou a prova. Logo nos primeiros kms, subidas intermináveis. Todos com bastões e eu, cheia de vontade (apenas! Kkkk). Mesmo assim, fui ganhando posições. Pelo km 8 era a 2a colocada. Que emoção! Prova dura. Dificil de respirar. Segui firme. Lá pelo km 20 as pernas começaram a sofrer… mas estava aliviada pois logo começariam as descidas.
Pois foi justamente aí que começou o mais difícil. Nunca vi descidas tão técnicas. Cai e me esfolei toda. Levantei e segui. Em muitos momentos tive que parar para pensar como descer. Resultado obvio: perdi o 2o lugar rapidinho. Mas enfim, terminei em 3o lugar geral. Feliz e realizada pela missão cumprida.
Que prova! Que visual! Volto com ainda mais amor e respeito pelas montanhas.

16- Como você vê o momento do trailrun no Brasil? A corrida de montanhas está ganhando mais espaço. Quem corre no asfalto e vem para a trilha encontra uma nova energia e acaba de encantado. Sair da cidade e se conectar à natureza é perfeito para equilibrar o stress da rotina contemporânea.

Como tudo o que é novo, o trail ainda tem muito a melhorar, especialmente em relação às ultras. Há muitos erros nas provas. No Brasil, entre os organizadores há ótimos profissionais, mas não há dinheiro. Não há trabalho voluntário. Não há o preparo adequado aos staffs.

Acredito que é questão de tempo para que o trail evolua e se consolide. A experiência para o trail será adquirida no próprio trail.

17- Qual prova você indicaria para uma Maria? São tantas! Muitas delas eu mesma ainda sonho em fazer. Ultramaratona dos Perdidos, Circuito KTR, GCR Extreme Marathon, Etapas Mountain Do.

18- Qual seu maior sonho dentro do trail?

Meu sonho é quase unanimidade entre os trailrunner. Correr a UTMB seria o ápice.

Tirando o foco das provas, tenho outro sonho, ainda maior, que é poder ter saúde para correr por muitos e muitos anos ainda.

19- Na sua percepção, ser trail runner é… gostar de ser a todo momento desafiado, é fazer muitos amigos pelo caminho, é cansar o corpo e alimentar a alma.

20- Por que você indica o trailrun como prática esportiva? Sou suspeita. Vejo na prática do trailrun pontos positivos. É um esporte que integra e aproxima as pessoas. Fisicamente, aumenta a resistência e a força muscular. A instabilidade do terreno, com pedras, buracos, barro, entre outros, torna a musculatura mais ágil e com grande capacidade de adaptação.

Além disso, numa vida estressante como a da modernidade, sair da cidade e ir “para um mundo paralelo” com barulho de pássaros, com cheio de mato e com um visual lindo, é uma benção!. 

Gustavo Carneiro – Uma lição de vida

Conforme foi mencionado no Post da Ultra Fiord, tomamos a liberdade de inserir um homem na página das Maria’s. Ele nos deu uma lição de vida antes no dia em que aconteceria os 70 km da Ultra Fiord 2018,  prova essa que foi adiada em função das cruéis intempéries que assolaram aquelas bandas na noite anterior ao dia da largada.

Se pararmos para pensar, e ao longo da história verificaremos que o Gustavo ao participar  da prova dos 30 km na Ultra Fiord, esteve no percurso durante todo o período que as inclementes condições climáticas varreram a região do Fiord de la Última Esperanza na inóspita e castigante patagônia chilena.

Entrem nessa história, ao final garanto que todas  estarão  motivadas, com energia renovadas e prontas para  novas metas na busca de seus objetivos, sejam na vida ou sejam no trailrunning.

 

Olá Marias!!!
Um grande prazer estar aqui contando um pouco da minha história para vocês.
Dei uma olhada no site e que legal todo esse envolvimento entre vocês e com o trail run.
Sou mineiro, nascido em Uberlândia, 45 anos, administrador, pai de 2 filhas (Jessica 24 e Iasmim 7), atleta amador desde sempre e desde out/17 deficiente físico.
Desde a infância minha vida esteve envolvida com vários esportes. Acho que esse é um talento que Deus me deu, sempre tive muita facilidade e isso resultou em títulos em diversas modalidades.
Comecei cedo na natação, passando pelo futebol e aos nove anos comecei no tênis, esporte que é a minha paixão.
No tênis fui campeão mineiro algumas vezes e um dos melhores do Brasil.
Campeão Mineiro e Brasileiro de Peteca, Campeão Brasileiro de Squash.
Praticante de moutain bike desde 2001, em 2009 fui para a Cordilheira dos Andes fazer uma travessia da Argentina até o Chile.
E a corrida nisso tudo? Comecei cedo, com 15 anos já ia e voltava correndo para o kung-fu. E não parei mais, é o único esporte que sempre fiz em paralelo com os demais.
Desde criança eu tinha o sonho de correr uma maratona, era algo que eu admirava muito. Como uma pessoa consegue correr 42km? Minha primeira maratona só foi acontecer em 2016 por um motivo que contarei abaixo. Eu poderia ter corrido há muito mais tempo, mas por não focar, por estar praticando outro esporte fui deixando o sonho de lado. Me contentava em correr as meias maratonas.
Em 2010 parei de correr, jogar tênis e squash porque estava com tendinite patelar, sentia muita dor nos esportes de impacto. O médico disse que nunca mais eu poderia fazer esses esportes. Foi duro escutar isso, então fiquei só na bike.


Em 2013 minha vida começou a mudar, fisicamente e mentalmente. Descobri um câncer abaixo da batata da perna esquerda. Foi um choque muito grande me imaginar com essa doença.
Muitos detalhes nesse processo, cogitaram amputar a perna nessa época, mas o resumo é que fiz a cirurgia em São Paulo e precisei retirar somente um pouco de músculo da panturrilha até bem perto do pé.
Fiz quimioterapia durante 6 meses e no final 30 sessões de radioterapia. Finalizei o tratamento em dezembro de 2013.
Em 2014 voltei a pedalar e comecei a treinar na equipe máster de natação do meu clube. No final do ano percebi que meus joelhos estavam sem as dores que sentia, fui em outro médico e ele liberou a corrida e ainda me disse “você pode correr até maratona se quiser”.
Já sai do consultório e fui comprar um par de tênis. Corri tanto nos primeiros dias que machuquei a perna da cirurgia. Essa perna só ficou boa para correr forte em Abril de 2015 e foi aí que decidi fazer a minha primeira maratona. Em Maio de 2016 completei a Maratona do Rio de Janeiro.
A vida seguiu normal, trabalhando, treinando e fazendo os acompanhamentos necessários.
Até que em Outubro de 2017 descubro que o tumor tinha voltado e numa região que não dava margem para retirar e preservar a perna.
Em 21 dias descobri e amputei a perna.


Chorei só no primeiro dia quando descobri. Depois eu só conseguia ver o lado positivo de tudo, eu ficaria vivo e colocaria uma prótese. Estava ótimo! E se a doença estivesse se espalhado? Graças a deus que não! Então estava tudo bem!
Fiz a cirurgia numa segunda, dia 23/10. E no fim de semana que antecedeu eu fiz tudo que podia fazer com essa perna, acho que ela até agradeceu quando a tiraram de mim rsrsrs.
No sábado joguei tênis de manhã, a tarde fui jogar tênis na cadeira de rodas para ver como era, depois fui numa corrida noturna da Track & Field. E no domingo eu organizei uma corrida com 10 amigos para me despedir, mas foram 250 pessoas correr comigo, foi muito emocionante.
Fiz a cirurgia e a cabeça continuou boa. Daí em diante não parei mais, em 14 dias já estava na musculação, em 21 nadando e 30 dias após a cirurgia, estava eu  jogando tênis na cadeira de rodas.


Hoje o meu pensamento é que não quero passar a vida sem tentar fazer tudo que eu tenho vontade, não quero ficar velho e olhar para trás e pensar que poderia ter feito mais. Eu quero olhar para trás e ter a certeza que fiz o meu máximo, consegui algumas vezes e outras não, faz parte da vida. Sempre tive vontade de correr a maratona, mas porque demorei tanto pra fazer isso? Precisei passar um susto na época para me motivar? Também tinha vontade de surfar, nunca tinha tentado, em fevereiro fui pra Florianópolis e surfei com uma perna.
Em Janeiro tive a ideia de fazer uma prova caminhando já que correr iria demorar. Tinha comprado a prótese só há 20 dias. (é uma prótese só para andar)
Queria uma prova que me marcasse, que fosse especial, escolhi a Ultra Fiord e não poderia ter sido melhor.


Comecei a treinar, caminhava umas 3 vezes durante a semana e no sábado longões de até 7h.
Me preparei para uma prova de 15 a 16 horas. Como eu estava enganado. Precisei de 27h para concluir os 30km com a minha prótese e 2 muletas.
Foi muito difícil, muita dor nas mãos por causa da descarga de peso nas muletas, um percurso muito difícil mesmo para quem tem as 2 pernas, frio, fome, GPS marcando errado, etc. Mas eu tinha uma lembrança que me motivou a não parar. Lembrava do dia da cirurgia, eu deitado na mesa de cirurgia para ser amputado e depois acordando e vendo que eu não tinha mais a perna. Isso me dava uma força incrível e eu cruzaria a linha de chegada nem que fosse me rastejando.


Terminei a prova chorando de felicidade, de dor, de medo, de não entender como consegui superar essas 27h. Foi um momento inexplicável.
Fui carregado para o barco que nos levaria para a cidade, pois minha mãos estavam inchadas e com muitas dores e estava com hipotermia. Ali no barco, várias pessoas vieram me ajudar. Uma delas foi a Luci que foi me dando comida na boca e suplementos. Lições que só o esporte nos proporciona.
Hoje tenho um objetivo de vida bem definido: tentar realizar todos os meus sonhos e vontades. Não só no esporte, mas na vida. Não quero deixar nada para depois porque pode ser que não terei esse depois.
No esporte meu objetivo maior é estar em 1 ano entre os 3 melhores jogadores de tênis de cadeira de rodas do Brasil e representar o país em todos os torneios.
E a corrida lógico, quero em breve colocar a prótese de corrida e voltar aos treinos. Correr pra mim sempre foi uma terapia e sinto falta de as vezes sair sozinho, correr por horas e pensar na vida.
Um grande abraço para todas vocês e vai aqui um pedido: Não Parem!!!
Fiquem com Deus!!!

Gustavo e Suzi, agradeço todos os dias por ter convivido um pouco com vocês. Com certeza uma grande lição de vida. Saúde e mais saúde sempre para este casal pra lá de especial.