Entrevista com Nadjala João, uma Maria do Rio

Vamos lá MARIA’S como prometido aqui está a entrevista com nossa primeira Maria, uma Maria do RIO. Esperamos que desfrutem dessa história e que a experiência dela sirva de incentivo para vocês, para nós já serviu. Uma história extremamente inspiradora e capaz de fazer com que continuemos na busca dos nossos objetivos como atletas AMADORAS do TRAILRUNNING!

Vamos Gurías, vamos invadir as trilhas!

1- Nome: Nadjala de O. Richard João

2- Cidade: Rio de Janeiro

3-Profissão: Assistente Social

4-Familia: É a bateria para seguir sempre em frente.

5- Como conheceu o trailrun?

Foi participando de uma prova. Antes, corria só provas de asfalto e nem tinha ideia dessa modalidade. Fiquei encantada em poder correr em contato com a natureza e como ela me ajudaria pra vida mesmo. Digo isso, pois sempre tive alguns medos e vi que esse esporte me ajudaria de alguma forma.

6- O que motivou você a iniciar no trail run?

Primeiro, foi o fato de correr livre na natureza. O segundo motivo seria de se conectar com o desconhecido, e enfrentá-lo quando necessário. Na minha cabeça, não chamo de prova e sim jornada (uma mais curta, outra mais longa) cada qual com seu mistério, dificuldade e especificidade. Eu fico vivendo aquilo de forma saudável, sem neura, só com compromisso de treinar para poder desfrutar dos quilômetros da forma que vou imaginando ao longo de cada ciclo.

7- Qual foi a sua primeira prova?

Foi lá em 2012, na antiga k21 Arraial do Cabo (WTR Arraial do Cabo – atualmente). Foi em dupla, 10,5m para cada.

8- Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trail?

Que era muito mais legal correr conhecendo lugares incríveis, o que normalmente no circuito de turismo, seria impossível. E atualmente, o que me fascina é que cada jornada que faço, a natureza me ensina grandes lições. Sigo só agradecendo.

9- Você faz parte de alguma acessória esportiva? Qual?

Sim. Treino com Iazaldir Feitoza – Iaza Trail and Road Team

10- Como são seus treinos?

Depende muito do momento e da periodização. Agora, estou no momento de readaptação do corpo, já que desde o final do ano passado, estava treinando para realizar uma maratona de asfalto no início de janeiro desse ano. Curto muito um treino dinâmico com variados tipos de terreno. Acho importante. Meu corpo reage superbem. E aqui no RJ, fica fácil variar.

Além da corrida, faço musculação, spinning e exercícios funcionais que ajudam demais.

11- Como concilia as tarefas do dia a dia, os treinos e as competições?

Procuro levar tudo de forma leve. Nessas horas é que entra a força de vontade, o foco e o querer. Sim, esse para mim é o mais importante. Você precisa querer muito para driblar os obstáculos e seguir. Sempre digo que o processo de treinamento é mais difícil que o grande dia. E que é preciso ser determinada para passar por ele com tranquilidade.

12- O que você pensa a respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrun?

Acho importante ter um acompanhamento nutricional. O nosso corpo é muito complexo, e nada melhor que um profissional para te ajudar da forma correta. Sou muito agradecida a minha nutri por todos os desafios conquistados. Uma má alimentação/suplementação pode te tirar de uma prova.

13- Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?

Eu não tenho regras. Sou muito flexível. Tudo depende do tipo de jornada.

Principalmente nas mais longas, sempre tenho uma orientação para semana da prova (priorizando certos alimentos e muita hidratação) durante a prova (um esquema de alimentação a cada 1 hora) priorizando o que a prova oferece, com objetivo de levar apenas o essencial na mochila. Ao longo do tempo e com a vivência das provas, vamos aprimorando a dieta. E sempre visando a melhor recuperação do corpo, uma boa alimentação e hidratação, principalmente nas primeiras refeições depois de cada prova.

14- Quais provas te marcaram mais?

Fiz boas e grandes provas, mas essas foram incríveis.

* Vulcano Ultra Trail no Chile 100km. O clima estava hostil. Acho que foi a pior edição deles. Ficamos perdidos na montanha, por conta do vento de 90km/h que retirou toda marcação daquele ponto. Isso com temperatura de -2 graus no momento. Lembro de cada minuto desesperador nesse ponto.

*TDS- UTMB (120km): Vivenciei ela por 7 meses, até o grande dia. Foi super intenso, acho que até exagerado. Aprendi muito com ela. O grande dia foi maravilhoso, estava feliz e realizei uma prova leve.

*La Thuille Trail – Valle d’ Aosta (Itália) – Uma prova de 25km em uma região linda, super técnica e pesada, em que tive que ser forte e trabalhar alguns medos para poder seguir no percurso.

* Verticale Du Grand Serre – Meu primeiro KM Vertical, no circuito mundial de skyrunning. Uma modalidade totalmente diferente do que tinha feito até hoje, pelo qual fiquei apaixonada.

15- Qual será seu maior desafio em 2018?

UTMB – 171km. Uma longa jornada passando por três países, dando a volta no Mont Blanc.

Já comecei a interiorizar como será mágica. Fico imaginando como será cada km. O maior desafio será passar 2 noites correndo, mais por não saber como o corpo vai reagir.

De certa forma, é isso que me fascina, me dá mais garra para seguir com os treinos e algumas provas na periodização até lá.

16- Como você vê o momento do trailrun no Brasil?

Ainda engatinhando. Vejo como algo novo, que necessita de um amplo debate para o seu desenvolvimento. Nas potências mundiais, já existem trabalhos de base com jovens, proporcionando a descoberta de novos talentos, inúmeras provas consolidadas e altamente competitivas, o que eleva o nível dos atletas.

Na torcida pelo crescimento da modalidade em nosso país.

17- Qual prova você indicaria para uma Maria?

São tantas provas bacanas que participei, que é até difícil de escolher.

Primeiro, devemos pensar no perfil de cada prova. Existem as mais rápidas, as mais travadas e técnicas e as que misturam um pouco de cada característica.

Gosto muito de provas que oferecem variadas distâncias, dando oportunidade para quem está iniciando nesse esporte, para os mais experientes e para toda família (inclusive com corrida kids).

Dentro desse perfil de circuito, indico a Vulcano Ultra Trail, no Chile (com distâncias variadas) em um lugar incrível, no pé do Vulcão Osorno. Acontece sempre em dezembro. Amo aquele lugar. Já participei 2 vezes e ainda pensando se volto nessa temporada rs.

E uma prova com perfil mais rápido, super linda é a Endurance Challenge São Francisco (Califórnia) 50 milhas (80km). Como é a etapa final dos EUA, vários atletas da Elite mundial marcam presença.

Fiquei encantada com o percurso. Já com inscrições abertas para 2018 – Será em novembro.

18- Qual seu maior sonho dentro do trail?

Como procuro viver de forma intensa cada jornada programada para tal ano, ainda não pensei sobre o assunto. Tudo comigo aconteceu de forma natural, inclusive o aumento das distâncias. Penso que tudo tem o seu tempo, sua hora. E outra, você precisa se sentir feliz naquela distância e não apenas fazer por fazer. Quero fazer uma grande jornada, algo espiritual, não sei o ano ainda, então por enquanto vou dando passos (provas), conhecendo meu corpo, sabendo os meus limites e realizando essa conexão por montanhas incríveis.

19- Na sua percepção, ser trail runner é…

Se aventurar com as próprias pernas pela natureza, respeitando e cuidando daquele ambiente.

20- Por que você indica o trailrun como prática esportiva?

O trailrun é uma prática saudável, em contato com a natureza que traz muitos benefícios para a saúde tanto do corpo, quanto mental.

Obrigada Nadjala!!! Obrigado por compartilhar a sua história! Estamos muito feliz por isso!

Gurías deixem seus comentários e suas impressões desse depoimento bárbaro e cheio de amor ao nosso esporte!

Semana que vem, outra Maria nos brindará com sua trajetória! Uma Maria de Minas!

MARIA’S DA TRILHA, BELAS E FERAS NA NATUREZA!


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