Entrevista com Manuela Onzi a mais jovem das integrantes do Team Maria’s da Trilha – palavras doces que contrastam com uma atitude determinada quando soa o sinal da largada.

  1. Quem é a Manu além de atleta amadora de corrida em trilha?

Sou a irmã mais nova de 4 filhos do Enio Onzi e da Marinês Onzi. Faço parte de uma família apaixonante, onde cada um, luta do seu jeito para buscar sonhos e ideais. Meus pais me ensinaram que com fé e coragem posso alcançar o que preciso. Não consigo imaginar uma vida sem Deus e oração. Tenho como premissas de vida, o respeito, a empatia e a confiança.

No trabalho, sou uma apaixonada pela educação, principalmente de crianças pequenas. Sou professora de Educação Infantil e atualmente Supervisora Educacional, no município de Farroupilha. Ser professora é uma realização, pois diariamente observo nos olhos das crianças o futuro do mundo.

Tenho amigos muito especiais, estes me trazem paz e muita diversão. Sou feliz por saber que posso contar com eles.

Enfim, gosto de ajudar o próximo, compartilhar ideias, levar uma vida simples, ficar em casa, conversar e ser feliz.

  1. Como e por que iniciou a correr?

Nas terças-feiras a noite, um grupo de corrida possui o hábito de correr pelas ruas da cidade de Farroupilha. Sendo assim, recebi um convite de uma amiga, a Thaile Amaral Dall’Igna, para correr junto com eles. Em uma noite qualquer, decidi me desafiar. Iniciei correndo 3km, depois intercalava corrida com caminhada. A partir daí, não parei mais. Comecei a conquistar amizades e mais confiança a cada passada. Então, combinávamos corridas pela parte da manhã, antes do trabalho e nas quintas-feiras a noite. Hoje, aquele grupo que era desconhecido e admirado, é o meu grupo.

  1. Como e a quanto tempo chegou ao trail running?

No início, não possuía preferencias. Participava de corridas em asfalto e trilhas. Porém, com o tempo, meu coração ficava mais feliz quando entrava na mata. Sentia dificuldade em respirar ao correr em asfalto, pois os percursos não se mostravam variados e aquilo me entediava. Na trilha o ar parece ser mais puro, o verde me revigora, o cheiro de terra faz com que eu lembre da minha infância e das minhas raízes. O bem-estar e as belezas que a natureza proporciona me mostram que o meu lugar é a “trilha”. Nasci e ainda moro no interior da cidade, então poder correr em trilhas faz com que eu me sinta “em casa”. Além disso, devido ao local que moro, para treinar em “trilhas” é só colocar um tênis e dar alguns passinhos. Pronto! Estou no meio do mato.

  1. Você sempre fez parte de assessoria ou treinou com orientação de treinador?

Sim, desde o início faço parte da “Associação Farroupilha Runners”. Tenho muito respeito pela associação a qual participo, afinal foi ela que me apresentou ao mundo da corrida. Iniciei a treinar com auxílio de um treinador há aproximadamente 1 ano.

  1. Como faz pra conciliar os treinos com a sua profissão?

Costumo ser bem fiel a minha planilha. Então, todos os dias, no final da tarde, coloco meus tênis e vou treinar. Tenho em mente que por mais que não esteja motivada, eu preciso ter disciplina.

  1. Como vê o momento e a evolução do trail feminino?

Por muito tempo, as mulheres foram ensinadas a se submeterem aos desejos de outras pessoas, e essa “regra” limitou as vidas de muitas, que se viram obrigadas a abandonar os seus sonhos e autenticidade. Hoje em dia as coisas estão diferentes e estamos caminhando para uma mudança. Temos mais espaço para nos expressarmos verdadeiramente, exigir nossos direitos e escolher nossa felicidade acima de qualquer coisa. Penso que o “Trail Feminino” está agregando muito nesta nova forma de ver as mulheres. Somos muito fortes e capazes. Maria’s são capazes de invadir as trilhas e arrasar!

  1. Como você vê o papel dos grupos e assessorias na consolidação do trail running como modalidade esportiva em pleno crescimento no país?

Penso que acima de tudo precisamos apoiar uns aos outros. Ter um grupo/assessoria, faz com que a corrida se torne mais comprometida e segura. Devemos nos sustentar na ideia de que corremos pelos mesmos objetivos. Saúde, bem-estar, superação e felicidade.

  1. Como você se sente sendo parte do primeiro Time exclusivamente de mulheres do trail nacional?

Feliz, grata e motivada. Fazer parte do time faz com que eu me sinta responsável pelo esporte.

  1. O que espera do prosseguimento do ano esportivo no país depois que tudo voltar ao normal e possamos retomar nossas rotinas?

Acredito que muitas coisas irão mudar e não serão fáceis, não só no mundo do esporte. Mas, estou encarando tudo isso, como um momento de aprendizado. O mundo precisa mudar a forma de ver a vida e as pessoas. Este tempo de isolamento nos mostra que as pessoas devem ficar em primeiro lugar e que a vida é o dom mais precioso que temos. O corredor possui como caracteriza a reinvenção. Vejo que muitas pessoas estão treinando em casa, no pátio, nas escadas. Isso mostra comprometimento com o esporte. Então, acredito que o retorno, com respeito, responsabilidade e cautela será profícuo.

  1. Qual seu principal sonho dentro do nosso esporte?

Meu sonho é ficar velinha e continuar com a motivação e entusiasmo para correr. Meu sonho é fazer do esporte um hábito eterno.

Obrigada Manu, que teu carinho, juventude e energia contagiem mais e mais mulheres e que elas criem coragem ou sintam-se revigoradas para cada vem mais invadirem as trilhas!

@manuelaonzi

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