As trilhas da doce mineirinha Andréa Vidal

Olá Maria’s hoje contaremos a história da Andréa Vidal, esta mineira, natural de Belo Horizonte, para lá de simpática que tem um currículo enorme para nos apresentar. Casada com Francisco Otoni, também ultramaratonista experiente, a  Advogada e Publisher da Revista Trail Running, acabou de correr o Ultra Trail Monte Fuji no dia 27 de abril, lá do outro lado do mundo. E como introdução nos contou um pouco da sua experiência junto aos orientais.
Ela optou pela prova menor, de 92km. Conta que a prova é super organizada, com balizamento perfeito e que a maior dificuldade da prova é o fuso horário. A largada é 12hs (meia noite no Brasil). Sofreu com o sono pela primeira vez, pela dificuldade de adaptação com a inversão literal dos hábitos costumeiros. Mesmo assim afirma ter sido sortuda, pois em 2016 a prova foi cancelada em razão de fortes chuvas e em 2017 a prova não ocorreu. Esse ano largou com o tempo nublado, não muito frio. Nos confessou que os voluntários são incríveis, super prestativos, sempre sorridentes e nos postos maiores tem sempre um voluntário que fala inglês, não teve problema algum nesse sentido. A prova é bem corrível, as subias e descidas são concentradas, em certos trechos, tornando a prova mais difícil do que ela esperava. Como ponto negativo, descreve que, na chegada não tem nada oferecido pela organização, água, comida, nada, somente para comprar, menos mal que a chegada é dentro da cidade. Ela recomenda a prova, simplesmente, porque conhecer o Japão e uma cultura completamente diferente da nossa é algo muito agregador na história de qualquer pessoa.

Como já foi mencionado acima, o casal corre junto, cada um com o seu objetivo, mas a parceria é enorme, visto que Dea considera o marido como sua motivação, sempre animado, empolgado;  ele foi para o trail run e ela resolveu ir também, e deu super certo.

Como ultratrail já tem alguns kms rodados, mas um dia, há alguns anos, ela também foi iniciante e nos contou que após sua primeira Ultramaratona COMRADES, prova de 89km no asfalto, com subidas e descidas na África do Sul, resolveu correr a APTR Itacolomi (que finalizou como 4ª geral), junto com o marido, nos 55km.  Ela estava com a auto-estima bem apurada, afinal, tinha concluído a COMRADES, até descobrir que correr na trilha é muito, mas muito diferente de correr no asfalto, resultado: sofreu muito e falou que nunca mais voltava. Porém, como corredor não tem memória, no ano seguinte foi de novo.

Mas sua primeira prova, avaliou como péssima, rindo muito, enfrentou subidas íngremes demais, cobra no caminho, bichos estranhos, sujeira, lama, traumatizou-se, por um curto período, pela personalidade que ela denomina “fresca”, correr nesse terreno, por horas, sem descansar, era quase inadimissivel. Os amigos sempre dizem que ela é muito, mas muito fresca para isso, que é algo inimaginável, para eles, vê-la em uma prova dessas.

Andrea faz parte da Upfit e treina com a referência nacional Sidney Togumi. Treina 4 vezes na semana corrida e 2 vezes musculação.  Nos conta que seguir os objetivos não é fácil, mas pensa que se não deu para ir de manhã, vai de noite, que quando se tem força de vontade e foco tudo se ajeita.

Com relação a dieta, considera importantíssima, “muita gente acha que por sermos ultramaratonistas podemos  comer de tudo, quem dera,  um dia”.  Segundo ela, a alimentação deve ser balanceada e proporcionar energia para provas tão longas como as que participa.

Sua alimentação pré prova, é pão com ovo, banana com canela e aveia e café com leite. Durante a prova, gel, bananada, torrone e o que a prova estiver oferecendo, geralmente batata tipo chips, azeitona, pão com geléia e se a prova é maior, uma massa geralmente é oferecida e com tolera super bem qualquer alimentação, manda ver (rsss). No pós prova o céu é o limite (mais risos),  logo após a prova fica sem apetite, mas passado um tempo, come o que tiver pela frente.

Essa Maria de sorriso fácil possui algumas provas que muitos sonham:

A Ultrafiord em 2017 pelas condições adversas da prova, muito frio, lama que ficou atolada até a cintura , charco, prova travada demais, marcação ruim. Foi a primeira prova que não fez sozinha, pois ficou receosa com a natureza inóspita e os riscos que ela oferece.

E o TDS, sua maior prova até então, 120km pelas montanhas, vales e trilhas da região do maciço do Mont Blanc, que enfrentou mudança do tempo no meio da prova, largou com sol , de noite veio a chuva, mas apesar de tudo é a sua prova favorita.

E 2018 não terminou no Monte Fuji, Dea vai participar ds Western States, a prova de 100 milhas mais antiga do mundo, que acontece nos EUA na Califórnia. Ela é a  1a. Brasileira a entrar para a lista de atletas sorteados e  será a nossa pioneira  nessa épica jornada. Certamente o trail brasileiro estará muito bem representado. Seu sonho atual é completar esta prova dentro das 30h de limite.  E o relato dela já tem dada marcada por aqui também.

Para as Maria’s ela indica o UTMB, pela organização impecável, trilhas técnicas, paisagem incrível.

Segundo ela o trailrun no nosso país está em crescimento, mas precisando ainda melhorar e muito. Afirma que, quem corre lá fora, no exterior vê a impressionante diferença em termos de organização e a diferença do envolvimento da comunidade nas provas. Aqui a comunidade tira a marcação das provas, uma pena, falta de incentivo e investimento. Ainda é necessária muito amadurecimento em todas as esferas.

Na sua percepção, ser trail runner é… ter contato com a natureza na sua forma mais primitiva, correr em paisagens deslumbrantes,  o trail runnig é realmente incrível.

E ela indica o trail running como prática esportiva, pelo motivo do menor impacto nos corpo dos participantes em relação ao asfalto, com uma recuperação fisiológica mais rápida, além das paisagens, algo que não há comparação.

Obrigada Dea! Obrigada por permitir que as Maria’s da Trilha espalhadas pelo Brasil conheçam e contagiem-se com sua história e com esse sorriso que empolga e inspira!

2 respostas para “As trilhas da doce mineirinha Andréa Vidal”

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