Franciela – A Campeã da TUTAN

Natural de Florianópolis-SC, ela é Jornalista de formação, mestre em Educação. Atualmente cursa Nutrição e tem a ultratrail no coração…até rimou! Além de todas estas atividades, ela casada, faz estágio no Departamento Médico no Avaí Futebol Clube e atua fortemente na área comercial da Vidas Corridas.

Convidamos a Franciela Fantin, 1ª colocada Feminina da TUTAN – Transmantiqueira Ultratrail Agulhas Negras – 100km, que ocorreu em Abril /2019, para nos contar um pouco do seu dia a dia, enfatizando a prova que a consagrou campeã. Curtam conosco mais esta belíssima trajetória.

Como conheceu o trailrun?

Corro há 4 anos e meio, mas nos três primeiros anos, corri somente asfalto. Há 1 ano e meio descobri o trail running e desse então migrei somente para esta modalidade.Quem me apresentou o trail run foi o ultramaratonista Claudio Vicente, quando me convidou para fazer o Mountain Do da Lagoa em dupla mista. Bom, nem preciso dizer que foi amor à primeira vista.

 

O que motivou você a iniciar no trail run?

Foi o Claudio, me convidando para fazer o MD em dupla mista. Mas também me motivou pelo interesse em fazer longas distâncias. Após a Maratona de Porto Alegre em 2017, decidi que eu queria mais que 42km e naturalmente as ultramaratonas te levam para a prática do trail run.

Qual foi a sua primeira prova trail e sua percepção? 

De trail foi o Mountain Do da Lagoa, em dupla mista, em outubro de 2017.Foi fantástico, na verdade, eu já sentia isso nos treinos. Mas mais realizada ainda fiquei quando fiz minha primeira ultramaratona (45km), ficando em segunda geral (Amazing Runs Garopaba) e depois quando fui aumentando as distâncias, chegando agora aos 100km, é onde realmente me sinto realizada. Correr por horas e horas é algo que não se explica, somente é possível sentir. E eu tenho foco em desempenho. Tem corredores que gostam de curtir a paisagem, tirar fotos do percurso, e não tem nada de errado nisso, cada um com seu foco, o meu é desempenho.

Você faz parte de alguma assessória esportiva? Qual? E como são seus treinos?

Sim. Carlos Venturini Treinamento de Corrida.

Faço os treinos de corrida orientada pelo Carlos Venturini, faço preparação física na academia, orientada por dois profissionais, tenho uma nutricionista que me orienta e ainda faço fisioterapia preventiva, evitando ter lesões.

Pratico 5 treinos de corrida por semana, variando entre intervalados em pista, tiro em subida, fartleks e os longos no sábado e no domingo; e 2 treinos de preparação física na academia com o personal trainer.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?

Treino as 5 da manhã todos dias. No sábado saio antes devido aos longões. Faço faculdade de nutrição, então estou na aula todas as noites e a tarde eu faço estágio no departamento médico do Avaí Futebol Clube (área de nutrição). No período da manhã atuo com a loja Vidas Corridas.

 O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrun? Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?

Indispensável. Não existe fazer endurance sem acompanhamento nutricional. Visito minha nutri esportiva (Amanda Miranda) a cada 2 meses e em período de prova com mais regularidade ainda. Toda a estratégia de nutrição e suplementação são pensadas por minha nutri conforme o meu tipo de treino, a prova que vou fazer.

Minha alimentção pré-treino depende da modalidade que vou praticar, se for intervalado é um tipo de suplementação, se for fartlek é outro, longos requerem outra suplementação. E para cada prova também tenho uma estratégia a fim.

Quais provas te marcaram mais?

Brasil Ride Botucatu 70km – QUINTA GERAL

XC Run Itaipava 50km – TERCEIRA GERAL

TUTAN 75 ou 100km – CAMPEA

Qual será ou foi seu maior desafio em 2019?

Foi a TUTAN 100km como a prova alvo do primeiro semestre

Será a La Mission 80km no segundo semestre

Como você vê o momento do trailrun no Brasil?

Está em expansão, o que é bom. Mas nas provas de longas distâncias tenho percebido muitos corredores despreparados para tal desafio. O ruim é que acabam desistindo da prova e por vezes do próprio esporte. Ultramaratona não é brincadeira, você precisa treinar muito, ser muito bem orientado por profissionais da área. Me preocupo com a “síndrome do super herói”, do cara que vai lá fazer uma prova longa sem preparação só para dizer que se superou, mas por vezes acaba lesionado, demora muito tempo para se recuperar ou até mesmo desiste das ultras depois.

Qual prova você indicaria para uma Maria?

Brasil Ride Botucatu 70km

XC Run Itaipava 50km

TUTAN 75 ou 100km

Qual seu maior sonho dentro do trail?

Fazer a UTMB (neste ano estou fazendo provas que dão pontuação)

Na sua percepção, ser trail runner é…

Treinar, treinar e treinar muito para alcançar os resultados

Por que você indica o trailrun como prática esportiva?

Porque não é fácil, porque tem que se preparar muito para enfrentar uma prova casca grossa como a TUTAN, por exemplo.

Obrigada pela contribuição Fran, desejamos que teus passos seja cada vez mais longos e seguros. Estaremos sempre sempre na torcida pelo teu sucesso.

Viviane Souza e sua ultramaratona na Patagônia

Fomos até Capão da Canoa -RS, cidade da Viviani Oliveira de Souza, ultramaratonista, para que nos contasse o seu dia a dia e sua recente participação na Patagonia Run, 70 km. Ela, que é Professora – Educação Especial e Anos Iniciais, tem agenda lotada com o filhote de 10 anos, seu grande companheirinho, e ainda assim cumpre a risca sua planilha.

Mais uma Maria como nós para compartilhar a sua experiência, uma mulher, trabalhadora, mãe e ultramaratonista, bora lá conhecer!

Como conheceu o trailrun?
Sempre gostei de esporte e o fazia em academias, quando vim morar em Capão, mudei um pouco a rotina,  sempre achava um tempinho e corria a beira mar. Fiz isso por anos por simples prazer em estar naquela conexão comigo mesma, sem saber de distância, pace, tão pouco provas de corrida…
Há pouco mais de dois anos uma grande amiga, profissional da área e triatleta inaugurou sua assessoria esportiva, voltada para a corrida, onde eu me incluí desde o primeiro treino. Dois meses depois fomos treinar no Morro da Borússia, em Osório e naquelas estradas de chão meio a trilhas e a natureza,
percebi que tinha muito mais do que uma “beira mar” para eu me encontrar, conhecer, treinar e me encantar ainda mais com a prática deste esporte.

O que motivou você a iniciar no trailrunning?
Na verdade o que motivou estar no trail runnig, foi o próprio grupo de corrida, pois eu desconhecia esta modalidade e de fato corria para serenar minha mente e espairecer da rotina e corre-corre de atividades e afazeres de “gente grande”. Logo conheci o Chico, meu companheiro, aí sim o caso com o trail entrou de vez nas minhas rotinas de treinos e provas e passei a conhecer um pouco mais sobre tudo isso através dos conhecimentos e experiências dele, e, cada vez mais me interesso por esta modalidade. Unir esporte, natureza e estar em paz com meu corpo e minha mente, além de construir verdadeiros laços de amizade é sensacional!

Qual foi a sua primeira prova?
No Morro da Borússia, fiz 13km no Circuito Gaúcho de Trilhas e Montanhas em 2017, prova em que eu me perguntei pela peimeira vez o que eu estava fazendo ali… a resposta veio quando eu cruzei a linha de chegada,, um filme se passou na minha cabeça sobre a minha vida e eu sorri grata a Deus por cada km que me levou até ali.

Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trail?
Talvez já tenha respondido um pouco na questão anterior… mas, percebi que eu estava no lugar certo e que ali queria continuar, pelas várias sensações que senti e por estar entre pessoas conectadas de uma energia muito boa, com força, determinação e sobre tudo de alegria.

Você faz parte de alguma acessória esportiva? Qual?
Sim, Meta Assessoria Esportiva – Professora Aline Negruni, aqui de Capão da Canoa.

Como são seus treinos?
Dou aula na parte da manhã em uma escola e a tarde em outra, sendo que a tardinha tenho as atividades com meu filho. Uma ou duas vezes na semana reuniões nas escolas, por isso meus treinos são logo cedinho antes desta rotina toda, vejo o nascer do sol todos os dias acordando as 5h30 para
treinar, segunda, quarta e sexta a corrida na beira mar e nas terças e quintas o reforço muscular na academia. Fim de semana, sigo a planilha por aqui ou nos morros vizinhos.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?
Pois então… eu fiz uma grade de provas que gostaria de realizar durante o ano e tento me organizar para fazê-las, o foco para o primeiro semestre era Patagônia Run e fiquei encantada com tudo o que vivenciei lá. Em função de logística, filho e trabalho, faço o que está ao meu alcance, acordando
cedo para meus treinos e sempre que consigo estou nas competições. Agora estamos reavaliando e viabilizando novos desafios.

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrunnig?
Importantes. Há um ano procurei uma nutricionista que vem me acompanhando com avaliações e dicas importantes. Tento adequar ao máximo possível na minha rotina alimentar diária e vou testando, conhecendo os alimentos durante os treinos para que conclua cada percurso e distância de forma positiva, seja no dia a dia ou nas provas.

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?
Sigo as orientações nutricionais com uma dieta balanceada e muito simples com os principais componentes a serem ingeridos: carboidrato, proteína leguminosas e vitaminas antes e pós prova. Durante as provas e treinos não tenho muita vontade de alimentar-me, mas uso carbogel, isotônico,
já usei bolinhos de batata e frango, sementes, grãos e caldo quente na Patagônia, aos quias tive boa aceitação.

Quais provas te marcaram mais?
Acredito que cada prova tem um marco, porque sempre aprendemos algo sobre os percursos e desafios e mais ainda sobre nós. Mas a Patagônia Run vai ficar para sempre nas minhas lembranças por ser diferente de tudo que já tinha vivenciado: correr a noite, montanhas com altimetria elevada, temperaturas negativas, correr entre grandes feras do trailrunnig, estar em outro país com tantas pessoas de diferentes nacionalidades unidas por um mesmo esporte e alegria, foi demais e ficará para sempre na memória!! Minha primeira maratona, foi no Rio de Janeiro com uma super energia positiva e uma chegada emocionante. A primeira ultratrail foi ano passado na Indomit
Costa da Esmeralda, foi forte, desafiadora e gratificante… E assim vai, mais tantas outras… Meu primeiro lugar na geral da Audax de Riozinho na distância média, foi sensacional também!!

Qual foi o seu maior desafio em 2018 e o que virá em 2019 ?
2018 foi os 50km da Indomit e a TTT em dupla;
2019 foi a Patagônia Run, a continuidade no circuito do Audax e a TTT solo.
Aos poucos, devagar conhecendo o meu corpo, meus limites e trabalhando naquilo que posso melhorar e que seja capaz de realizar, vamos estabelecendo novas metas, levando em consideração as logísticas pessoais (trabalho e família) vou me aventurando em treinos e provas…

Como você vê o momento do trailrunnig no Brasil?
Sou “novata” neste meio e agora estou conhecendo um pouco mais através de amigos, ouço e vejo o crescimento e expansão do trailrunnig com a formação de grandes grupos para treinos, seja eles para “desbravar” novos trechos e percursos, para participar de provas e eventos ou para buscar recursos, estabelecendo assim de companheirismos e amizades através deste esporte.

Qual prova você indicaria para uma Maria?
Patagônia Run, ainda sinto a energia desta prova, tudo muito recente… Foquei nos treinos para a realização deste desafio, estive com meu grupo em belas parcerias de treinos, conheci outros durante este período de treino e ouvi muitas pessoas experientes que só contribuíram para a formação de minha “bagagem”. Viajar e estar com pessoas de nacionalidades diferentes ou ainda
brasileiros de outros estados, e sem nunca ter os vistos conversar, sorrir, trocar e aprender é fantástico!! O trailrunnig tem me feito muito bem no aspecto físico, social e psíquico.

Qual seu maior sonho dentro do trailrunning?
Aumentar minhas distâncias, conhecer novos lugares e pessoas com a certeza e segurança de estar cuidando da minha saúde, do meu corpo e da minha mente, conhecendo e desfiando meus limites.

Na sua percepção, ser trailrunner é…
Aventurar-se através de um esporte, estar em meio à natureza respeitando-a e sendo feliz.

Por que você indica o trailrunnig como prática esportiva?

Porque é um esporte, movimento, saúde, paz, construção de laços de amizades, é natureza, é alegria, são desafios e conquistas pessoais…

A conversa com a “Dama de Ferro”

Ela é uma trailrunner experiente, acostumada a enfrentar provas duras, e tem muitas conquistas em seu currículo. Após a conclusão da UTMB-USCHUAIA, na qual sagrou-se Vice-campeã, entramos em contato com a Cal Nogueira, natural de Ouro Preto – MG, Oficial de Justiça, mãe de dois filhos (casal), uma Maria da Trilha conforme manda o figurino.

Hoje ela vai nos contar como vive a relação com o trailrunning assim como suas tarefas diárias como mulher, mãe e trabalhadora do Brasil. Aproveitem e embarquem de cabeça na história desta mulher chamada com carinho pelos seus amigos  mineiros e conhecida a nível de Brasil como a “Dama de Ferro”.

Como conheceu o trail run?
Na verdade desde criança, já praticava o trail run, só não sabia! Passei boa parte da minha infância, correndo e me divertindo com meus primos, em uma região muita bonita de Minas Gerais, chamada Serra do Cipó. Ali a brincadeira era desbravar; atravessando o Rio Cipó, escalando as pedras, abrindo as trilhas A aventura era certa e quem chegava por último era “a mulher do padre”…rsrsrsr

O que motivou você a praticar o trailrunnig na íntegra?
Sempre fui muito ativa e gostei de praticar esportes. Antes de iniciar na corrida treinava para competições de natação em águas abertas de 1500 a 3000 metros. A convite de uma amiga fiz um treino forte de 8km e fiquei uma semana sem conseguir andar direito, mas fui insistindo pelo prazer que senti. Comecei com a corrida de rua e pista, mas mesmo ganhando as provas de 5km até 10km, sentia que estava faltando alguma coisa. Fui convidada para alguns treinos, nos parques e trilhas de Ouro Preto, sofria muito com as subidas e reclamava (era o meu fantasma), mas a paisagem em constante transformação me encantava e no final dos treinos estava sempre feliz,
como se uma força gigantesca renascesse em mim. Com o passar do tempo e muito treinamento principalmente de subidas, fui melhorando, descobrindo que gostava mesmo era de mato, terra, pedra, água, tudo que lembrava a minha infância. Larguei a natação e comecei a me dedicar às competições de trailrruning.

Qual foi a sua primeira prova?

Nesse período de migração natação x corrida, fiz algumas provas curtas. A primeira foi no ano de 2011 – X-terra Vale do Aço  e, logo depois X-terra Tiradentes, mas a K21 que aconteceu na região de Pedra Azul – ES é a que considero como batismo, pois me deixou fascinada, abrindo um caminho sem volta. Prova dura e linda, foram meus primeiros 21km em trilhas, conquistando o 4º lugar geral.

Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trailrunnig?

Correr em serras, montanhas, estradões, trilhas, é sempre um desafio. A natureza é surpreendente e, são justamente essas surpresas que me motivam. Quando corri em Pedra Azul e me deparei com aquela rocha imensa,
até então vista só de longe, meu coração faltou pular pra fora de tanta emoção, ali parei por alguns segundos e agradeci fazendo um gesto com as mãos, momento inesquecível! Tudo era novidade e assim é até hoje. Eu não gosto de ficar estudando minuciosamente as provas que faço, por gostar
das surpresas que vou encontrando pelo caminho, procuro aprender com a jornada, que faz com que eu tenha que dar o meu melhor, pois sempre saio mais forte de cada prova, descobrindo que ainda tenho muito a evoluir e valorizando o quanto já cresci.

Você faz parte de alguma acessória esportiva? Sim Qual? Go On Outdoor

Como são seus treinos? Fiquei anos competindo sem treinador, mas chegou um tempo que parei de evoluir e senti a necessidade de procurar um profissional. Foram três anos com o Geraldo Abreu da Funcional Trainner que me lapidou, tivemos ótimos resultados nas provas. Como gosto de mudanças, fui treinar com o Guilherme De Agostini e atualmente estou com o Rafael Bonatto da Assessoria Go On Outdoor, todos excelentes profissionais. As planilhas são montadas de acordo com as provas do calendário e realizadas na parte da manhã, acordo cedinho fugindo do sol e calor, pois prefiro os dias frios; depois vou para a academia, onde faço treinamento funcional, aulas de
pilates e meditação. Sou privilegiada em morar nessa cidade rodeada de ladeiras, serras, cachoeiras… Posso escolher a 200m da minha casa, se treino no asfalto, estradões de terra batida, nos parques ou nas trilhas.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?

Sou disciplinada e agitada, não paro nunca e consigo tempo pra tudo…rsrsr. Meu dia começa cedinho. Treino na parte da manhã e depois me organizo para entregar as intimações. Nas provas internacionais aproveito para gozar uns dias de férias e fazer turismo, já as que acontecem no Brasil, combino com certa antecedência com os colegas de trabalho, fazendo troca de plantão quando necessário.

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrunning?

Sem dúvida, o acompanhamento nutricional é fundamental na evolução do atleta, e para mim não foi diferente. Em um período de três anos com a mesma nutricionista Dra. Ana Flávia Martins testamos vários tipos de dieta e fomos adaptando pra mim. Atualmente me sinto muito bem.  Estou mais magra e com pouca gordura corporal, sinto uma melhora absurda na recuperação depois dos treinos e provas, e ainda fazendo alguns ajustes no que comer nas competições pra não ter enjoos. Optei por uma nutricionista por não gostar muito de suplementação, sempre preferi os alimentos de verdade, doados pela natureza..

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?
Não sou gulosa, gosto de pouca comida e de comer quando estou com fome, mas na semana de competição faço um esforço e fico mais disciplinada. Deixo um pouco de lado as verduras e sementes, dando preferências aos ovos, carnes vermelhas, frango e peixe. Meu carboidrato tiro de legumes variados: Batata doce, mandioca, inhame, batata baroa, etc… Macarrão ou arroz branco deixo para os dois dias que antecedem a prova. Na manhã da prova banana, aveia, canela, ovos mexidos com açafrão e o café puro sem açúcar com óleo de côco.
Durante a prova não consigo tomar mais que três saches de gel, gosto de queijos, salame, azeitona, tomatinho, amendoim, maça (tudo em pequenas porções). Atualmente tenho tido bons resultados com a Palatinose que uso 15mim antes da largada e levo outra já preparada na garrafinha com uma
pastilha de Hidroeletrolítico Gu , não esquecendo nunca a hidratação.
Pós prova vale uma cervejinha Puro Malte, carnes, massas, saladas, sopa e tudo que o estômago aceitar.

Quais provas te marcaram mais?
Sem dúvida a minha favorita ainda é Peneda-Gerês trail Adventure, que acontece na cidade de Portugal (Parque Nacional de Peneda-Gerês), onde participei por dois anos consecutivos conquistando o bi campeonato.

Outras como Lá Missión (Passa Quatro – MG);

Deserto do Atacama (Chile);

Zegama-Aizkorri Mendi Maratoia(Espanha),

MIUT – Ilha da Madeira

e o UTMB Ushuaia (Sul da Patagônia Argentina)

Todas pelo desafio em serem únicas em dificuldade técnicas, paisagens maravilhosas e organização, mas a que realmente me marcou foram os 100km da Ultra Maratona dos Perdidos,

na primeira tentativa, tive altos e baixos, só Deus e meu amigo Valmir Lana, sabem o que passei, fui renascendo das cinzas, administrando para não perder a segunda colocação geral. Aprendi muito com a dor e a capacidade de superar, voltei no ano seguinte para corrigir todos os erros, sendo a campeã e recordista da prova.

Qual será seu maior desafio em 2019?
Ainda fresquinha na mente e na alma, a primeira edição Ushuaia By UTMB (05-07 Abril, 2019), vai ficar para sempre na memória. Foi uma prova desafiadora e única, pois não sei se nas próximas edições a natureza vai presentear os corredores com a beleza da neve. Foi uma experiência incrível, onde tudo para mim era desconhecido. Passamos por terrenos alagados (charco) e lama, misturada com gelo e neve durante quase todo o percurso do FBT- 70km, levando muitos escorregões. Gostei muito da prova, achei bem marcada, Staffs prestativos e atenciosos, pontos de apoio suficientes com comida e bebida quente e uma organização preocupada com a segurança do atleta.

Posso ressaltar pontos negativos, como por exemplo o local da largada e chegada, uma melhor marcação para a noite ( uma vez que a neve cobriu algumas estacas). Poderiam ter pedido o uso de grampones nos equipamentos obrigatórios ou sugeridos, são pequenos detalhes que podem ser melhorados.

O meu objetivo era fazer uma prova progressiva e cruzar bem a linha de chegada, estava confiante no meu treinamento e com a sensação que correria bem; meu maior medo era o vento forte e a maior preocupação era acertar na vestimenta devido às baixas temperaturas em torno de 3º- 4º.

Cheguei no “Fin Del Mundo” uma semana antes da prova e fiz alguns passeios, estava frio, e a neve aparecia somente nos cumes. No outro dia, treinei em um terreno arenoso e úmido, com muitas pedras soltas, subindo o Glaciar Martial, que fica bem próximo do centro, queria sentir a respiração, se o corpo aqueceria rapidamente e a dificuldade do terreno. Creio que sem a presença da neve a prova seria mais rápida, mantendo as dificuldades técnicas, mas sem perder a beleza.
Na quarta-feira choveu na madrugada e o tempo mudou, trazendo frio e neve. Fui acompanhando as mudanças do clima, que foi só piorando e foi me dando muito medo ao mesmo tempo em que me sentia feliz em correr na neve.

E agora o que deveria vestir, como me hidratar, como me alimentar para não perder a energia?! Ao mesmo tempo em que tentava tomar decisões, o medo se misturava, com alegria, dor de barriga, forte emoção… o sonho estava começando a se realizar!
Não consegui dormir bem na noite anterior a prova, estava ansiosa e agitada. Normalmente esses sintomas, desaparecem na largada, que sempre é forte, como uma explosão de adrenalina acumulada…rsrsr

Mas dessa vez sai mais lenta, cautelosa, esperando uma resposta do corpo. Em momento algum me preocupei com o ritmo; deixei ser guiada pela sensação de esforço, sentindo a respiração e as passadas firmes. Passamos por florestas de árvores baixas e gigantes, tudo branquinho… As trilhas eram boas para correr (lembrei-me da floresta da Tijuca, pelas raízes fincadas na terra), campos abertos e alta montanha, onde a água descia formando riachos, me deparando com um lago encantador na primeira subida do “Cerro Del Medio”, acredito que foi o Laguna Margot, que me deixou simplesmente paralisada. Pensei em como temos paraísos nesse mundo.
Aos poucos tudo foi se encaixando, o corpo estava aquecido e mais ou menos entre os quilômetros 18-20 teve a divisão dos atletas de 50km e os de 70km que largaram juntos.
Começando a primeira subida, sem sair do meu ritmo de prova, passei duas atletas buscando a segunda posição e conseguindo mantê-la até o final.
Vento, nevasca, chuva e muita neve, mas em momento algum sofri com o frio, com certeza acertei na roupa.

Alimentei muito pouco: 3 saches de gel, 2 pedaços de chocolate amargo; uma porção de amendoim salgado que havia levado, no mais foi o que a organização ofereceu, optando por maça, banana, queijo, salame, marmelada, café e Coca-Cola, muita água e repositor.

Em todo o percurso, me senti muito confortável com o clima; mente forte e feliz, o corpo respondia bem e as surpresas inimagináveis serviam de motivação. Fiquei emocionada por vários momentos e agradecia a oportunidade de estar vivenciado tudo aquilo, pensava que estava onde deveria estar que era o meu momento e não permitia a entrada de nenhum pensamento negativo, ia levando comigo os amigos, os filhos, meus antepassados, lembranças e canções que me fazem rir. Em todos os PCs que
chegava, imaginava a torcida de quem me acompanhava no aplicativo Live Info, e me permitia receber essa energia boa, que me empurrava montanha acima.

Foi uma prova muito técnica e travada; subindo os pés afundavam na neve e descendo levava muitos tombos. Na última montanha já com 64km nas pernas, não tive escolha a não ser descer de skibunda, foi arriscado, mas muito divertido…rsrsrs.

Ao entrar na última floresta, um prazeroso single Track, sabia que faltava pouco, não sei explicar o que aconteceu, mas estava sobrando energia.
Corri com todas as forças e logo estava no asfalto, corria ainda mais, queria chegar e celebrar!
Considero que foi o meu maior desafio, mas também a minha melhor prova. Redondinha, quase perfeita!

Completei em 10h25min7s, conquistando o segundo lugar geral feminino; primeiro na categoria e 24º geral.

Como você vê o momento do trailrunnig no Brasil?
Ainda evoluindo, uma coisa que me incomodada é a figura do Staff, no meu ponto de vista o Staff , que é a pessoa querida e mais importante da competição, ele tem o papel de ser um apoiador do atleta, auxiliando nos PCs e não servir de marcação.
Marcação deve ser feita com placas, fitas, estacas, etc e o atleta sim, responsável por segui-las.
Sinto também a falta do envolvimento da comunidade, colaborando com o organizador e participando na torcida, motivando o atleta. Tenho o sonho de ver mais crianças e mulheres nas trilhas.

Foi pensando em incentivar a prática feminina do trailrunnig na região de Ouro Preto e distritos, que criei o grupo “Trilhas das Minas”, já vamos para o quarto treino juntas. Os encontros são em locais diferentes, no intuito de divulgar as belezas da região. Atualmente temos 87 mulheres cadastradas, mas o trabalho está só começando.

Qual prova você indicaria para uma Maria?
Peneda-Gerês Adventure, organização impecável, realizada em etapas de 4 e 7 dias. Cada dia um novo percurso e novas paisagens. A inscrição inclui transfer, hospedagem e alimentação, ou seja, o atleta fica por conta de correr e se divertir. Ainda oferece passeios para acompanhantes.

Qual seu maior sonho dentro do trail?

Sinto que já realizei. Comecei a correr com 42 anos, sempre disputando na geral com meninas bem mais novas, isso é muito bom, mas a minha maior
conquista é o carinho e respeito das pessoas que me acompanham. Servir de inspiração é gratificante.

Na sua percepção, ser trail runner é …
Ser livre. Me sinto o quinto elemento da natureza: Terra, água, ar, fogo e a Cal!

Por que você indica o trailrunnig como prática esportiva?
Não gosto de rotina e ainda não descobri onde encontrar tanta novidade a cada km. Correr atravessando rios, segurando cordas, subindo e descendo as montanhas, passando por florestas, campos abertos… é diversão garantida, aventura constante.

As Maria´s da Trilha agradecem a tua disponibilidade para nos mostram a tua valentia e coragem. Que possamos nos encontrar ainda várias vezes para compartilharmos este esporte lindo. Parabéns por esta trajetória linda!

Trailrun – me aqueça neste inverno

Há duas semanas atrás, passamos por um treino duro, que se tornou ainda mais difícil por conta do frio. Resolvemos então escrever sobre alguns cuidados que temos que atentar para dar continuidade ao nosso planejamento relacionado aos treinos.

As temperaturas tem despencado nos últimos dias, o que dificulta o seguimento da planilha, principalmente para quem treina outdoor e tem objetivos que não esperam o tempo melhorar,  não perdoam se deixarmos a constância dos treinos propostos.

Treinar com sensação térmica negativa nos motivou a descrever aqui alguns cuidados que temos que tomar para que os nossos treinos sejam contemplados dentro do prazo desejado.

A estação mais fria do ano iniciou na semana passada, mas já mostrou para que veio, para marcar e judiar dos atletas trailrun. Temos a necessidade de manter o treinos, então, bora lá conversar um pouco sobre alguns cuidados, simples, que podem nos ajudar no planejamento e concretização da planilha ofertada pelo nosso treinador.

Na maioria das vezes temos a sensação que basta sairmos correndo, que renderemos a mesma coisa, mas aí que o perigo ronda, a nossa auto suficiência pode nos encaminhar para lesões desnecessárias, desidratação, mal estrares, hipotermia, que podem nos afastar do treinamento temporariamente, ou até mesmo nos impossibilitar de seguir em frente com o desafio proposto. Aí vai então, uma reflexão do que devemos atentar neste momento em que as baixas temperaturas e o clima úmido tomam conta dos nossos dias por 3 (três) longos meses.

Estudando um pouco a fisiologia humana, nos deparamos com a situação de que a prática do esporte outdoor, exposto à temperaturas extremamente baixas, é uma das condições mais estressantes para o nosso organismo, exigindo mais energia,  acelerando o metabolismo e aumentando a pressão arterial, pois o sangue fica dando suporte ao sistema cárdio respiratório. Além disso, a potencia-explosão dos músculos fica diminuída, potencializando o aparecimento de lesões periféricas. O resfriamento excessivo das extremidades também aparece neste momento, o que pode comprometer o desenvolvimento dos movimentos propostos.

Com isso, devemos estar atentos para alguns cuidados que seguem:

Hidratação

Ela não deve ser esquecida, simplesmente por que durante os treinos no frio, sentimos menos sede, que aparece quando o organismo já está debilitado, e muitas vezes quando nos damos conta, a aceitação gástrica da hidratação pode ficar diminuída e provocar vômitos comprometendo a conclusão do treino.

A importância da ingesta hídrica deve ser mantida conforme rotina usual durante a exposição, , pois uma redução de 2% na água do organismo pode causar um pequeno, mas crítico encolhimento do cérebro, o que pode prejudicar a coordenação neuromuscular, diminuir a concentração e deixar o raciocínio lento.

A desidratação também reduz a resistência, a força, causa cólica e retarda a resposta muscular” alertam os fisiologistas.

A regulação da temperatura corpórea também fica afetada com a falta de líquidos ingeridos, especialmente água e repositores hidroeletrolíticos, podendo o atleta desenvolver a hipotermia, pela falta de manutenção hídrica.

Alimentação

Não podemos perder o foco na dieta, nesta época do ano somos surpreendidos com alimentos pesados e hipercalóricos que podem prejudicar a performance com a “falsa” reposição nutricional. O nutricionista pode nos auxiliar a conciliar o treinamento com os excessos oferecidos pela estação.

 

Vestimenta

Estudos demonstram que os agasalhos em excesso podem proporcionar uma maior perda de eletrólitos, causando também a desidratação. Mesmo no frio, a sudorese ocorre durante o exercício, em função das perdas calóricas e compensação do organismo.

Além dos agasalhos em excesso proporcionarem uma sudorese muito mais intensa, deixam as roupas molhadas e resfriam excessivamente do corpo, favorecendo mais uma vez a hipotermia, a qual falaremos mais tarde.

O ideal é iniciar o treino agasalhado com uma peça a mais e descartar assim que o corpo aquecer. Após o treino, é importante manter as vestimentas que favoreçam o aquecimento do corpo, já que o sistema termo regulatório se torna mais após o término do mesmo. As roupas molhas devem ser retiradas imediatamente após o final do objetivo cumprido e substituídos por agasalhos que mantenham o corpo aquecido.

Existem no mercado tecnologias que nos protegem e devem ser utilizadas para nosso benefício, que são:

Agasalho de contato com a pele que deve fornecer evaporação do suor com uma absorção do calor. – blusas justas e de tecidos sintéticos, que protegem, mas drenam o suor rapidamente.

A segunda pele deve proporcionar o isolamento, os chamados corta-ventos.

E a terceira – aquela que fornece resistência contra água e o vento, deve ser de fácil remoção, nestes casos citam-se os impermeáveis ou anoraks.

As extremidades também devem estar protegidas, o uso de toucas e luvas impedem o resfriamento, que neste caso é induzida pelo exercício e pela diminuição do aporte sanguíneo nestas regiões.

Mas os adereços devem também permitir a transpiração para favorecer as trocas energéticas.

Para as pernocas, sugerimos calças justas, compostas de tecidos tecnológicos que também proporcionem as trocas com o meio e a evaporação em caso de chuva e neve.

Hipotermia

Pode-se chamar de vilã do corredor, que pode variar de leve a intensa. Os sintomas vão de tremores, desconforto, até mesmo a desorientação, alucinações e arritmia cardíaca.  É importante ficar atento para os primeiros sintomas , manter o corpo aquecido através de alimentação, hidratação e agasalhos. O atleta trailrun, não deve se preocupar em apenas correr,  mas acima de tudo ficar atentar aos sinais que o seu corpo demonstra, agir com pró atividade, para que não venha a sofrer de moléstias graves.

Aquecimento

Aconselha-se sempre, não só no inverno, o aquecimento do corpo, antes do treino, para estimulação das fibras musculares e articulações, que neste caso, estão mais rígidas, evitar lesões e adaptação do sistema cardio respiratório. O treino deve ser iniciado em ritmo mais lento e progressivo.

Para concluir, é importante mencionar a sensação térmica, muitas vezes o clima nos apresenta uma temperatura baixa, mas o vento, chuva e outros fenômenos, podem nos trazer uma sensação menor. Devemos atentar para a nossa sensibilidade e nos adaptar dentro daquilo que nos proporciona conforto para realizarmos o nosso tão amado esporte confortavelmente.

Deixamos aqui este breve relato atentarmos aos sinais do nosso corpo, a fim de dar continuidade à prática do trailrun,  e também nos conscientizar que não devemos apenas sair correndo pelas trilhas. A preparação e a segurança com certeza somente nos deixarão com gostinho que quero mais….muito mais treinos e vida longa ao nosso contato com a natureza.

Obrigada Maria´s por acreditarem no nosso projeto. Belas e feras na natureza e bora conviver com a natureza no frio também.