Antes, Durante e Depois da OCC – UTMB

Uma mulher com muita coragem. Não só por ter participado de uma das provas mais cobiçadas na comunidade trailrunning.

Como ela mesma diz, “eu tinha dois caminhos e decidi enfrentar e lutar”. Venceu o cancer de mama e de quebra concluiu a OCC – Orsières-Champex-Chamonix, uma das distancias (54km) do UTMB, na Semana Mundial do Trail em Chamonix, na França.

Este post nos emocionou demais, percebemos que a vida é frágil, e que podemos sempre, fazer de um limão…uma limonada. Obrigada Lisiani Calvano, por nos presentear com o teu depoimento e Parabéns pela sua bravura.

Há 10 anos, o mês de janeiro traz fortes emoções aos “trilheiros” do mundo.

É o período que sai o resultado das inscrições para todas as provas que compõem a Semana  “UTMB” – Ultra-Trail Du Mont-Blanc, corridas que passam pelos Alpes da França, Suíça e Itália.

Esse ano, eu e meu marido, fomos sorteados para correr a OCC (56,200Km, com 3.500+, largada na Suíça e término na França), e, primeiro a emoção incrível pela realização de um GRANDE SONHO, principalmente, depois de ver o pequeno grupo de brasileiros selecionados, e… depois começou a “correria”!

Organizar uma viagem dessa espécie requer planejamento e dinheiro, e lá fomos nós, empolgados, montar nossa grande aventura.

Tudo seguindo seu rumo tranquilo, treinos avançando, passagens compradas, quando o destino bateu de frente, e vivi a experiência mais assustadora da minha vida: ao fazer exames de rotina para obter o Atestado de Saúde para enviar para a prova, diagnóstico de Câncer de Mama.

O nódulo estava em fase bem inicial, por isso, para minha sorte, primeiro procedimento foi cirurgia de remoção, e, como foi classificado como “hormonal”, que seria a forma mais “branda”, 15 sessões de radioterapia.

Eu não sabia mais o meu futuro exato, mas acreditei no “Projeto OCC”, e me mantive bem alimentada, com sono em dia dentro do possível, e, fazendo reforço muscular, caminhadas e após corrida, sempre dentro dos limites da minha recuperação.

A corrida me manteve “firme”, e os treinadores e amigos da corrida ajudaram em todos os sentidos, e lá fui eu confiante com o passar do tempo ganhando confiança e disposta a encarar a viagem para a Europa.

Devidamente autorizada pelos médicos, feliz demais pela grande experiência que me aguardava, sorriso no rosto, lágrimas nos olhos, a força da corrente do bem, pronta para as Montanhas dos Alpes Franceses e Suíços, impactada pela beleza da região de Orsiére, que já foi energizante para uma largada emocionante!

Foi o começo de uma corrida sem comparação, e para mim, uma parte de uma longa jornada que ainda tenho pela frente!

E para aumentar a emoção, fomos saudados pelas pessoas de todos os vilarejos suíços e franceses que cruzamos ao longo da prova, todos aplaudindo e gritando palavras de incentivo, e, dezenas de crianças faceiras estendendo os bracinhos para dar um cumprimento, sempre sendo incentivada mais ainda quando viam a bandeira do Brasil em meu número de peito.

O desafio foi imenso, porque no Brasil sequer temos Montanhas, e as “subidas infinitas” foram um teste para a mente e o corpo, a primeira já mostrou o que nos esperava, porque tivemos que subir por 10km de forma contínua!

Clima seco, trilhas com muitas pedras e penhascos assustadores, a prova é uma pedreira do começo ao fim.

O cenário nos remete a imagens de filmes, o tempo todo, o corredor se sente no topo do mundo, perto das nuvens e muito, muito perto do cume gelado do Mont’ Blanc.

A estrutura é inigualável no mundo, tanto na largada quanto na chegada, quanto nos Postos de Apoio e controle, e toda comunidade, sempre atenciosa e feliz ajudando todos, e tornando essa prova uma experiência incrível.

Pessoas do mundo todo participam da prova, o que dá uma charme especial ao evento, ainda mais em provas de trilha, onde formamos grandes parceiros ao longo do trajeto, apoiando uns aos outros.

Sem os devidos treinos, mas amparada em meu currículo de trilheira, principalmente porque em dezembro de 2018 tinha feito 70 km na Serra da Cuesta, em São Paulo, fui indo km a km, e chegando dentro do tempo limite nos postos de controle da prova.

A prova exige grande organização e preparo, principalmente, quanto aos equipamentos, roupas e alimentação, um descuido e o corredor não termina, eu sofri na parte da alimentação, porque o calor desgasta muito, mas mantive meu “protocolo de emergência” cuidando hidratação e sal.

Teve 2 momentos que pensei em abandonar a prova, quando duvidei da minha capacidade diante dos treinos “limitados”, mas fui salva por anjos da guarda e certamente pela torcida no Brasil que me fizeram seguir adiante e viver meu “momento UTMB”.

Devagar, mas com resistência e sem me machucar, cruzei o Pórtico de chegada em Chamonix, caminhando, porque já me faltava energia depois de 14h de prova.

Coração acelerado, mente revivendo toda a jornada, e a certeza de que haveriam muitas outras belas chegadas na vida!!

Depois fiquei sabendo que dos 27 brasileiros inscritos para a prova, somente 16 finalizaram a distância, uma razão a mais para agradecer e viver com a alma leve da certeza de que cada dia é possível estar no caminho do bem e conquistar as Montanhas!

O Caminho até aqui.- Lúcia Magalhães

Ela é demais! Tivemos o primeiro contato na UD Passa Quatro em 2017. Ficamos impressionadas com a performance, com a energia e a resistência. A partir daí seguimos esta gigante e ficamos muito felizes com a sua convocação ao Mundial Trail 2019. Ela leva Deus no coração e sempre conquista o primeiro lugar do pódio. É a atual campeã feminina da Patagonia Run – 110 km, com um tempo de 16h47min, 11º geral. Com a sua personalidade prática, ela, em poucas palavras fez um relato surpreendente. Este relato tu não podes perder!

O fato de comprar meu primeiro smartphone me ajudou bastante a iniciar minha caminhada com a corrida. Como eu sempre gostei de ir no parque correr eu baixei o aplicativo de corrida no celular e comecei a leva-lo comigo. Com o aplicativo eu podia correr fora do parque e ter o controle da distância percorrida e dessa maneira eu me obrigava a sempre correr um pouco mais do que no último treino. Fui me desafiando a cada treino até o dia em que corri 15km sozinha. A partir daí concluí que devia procurar um curso de corrida, pois eu já era formada e trabalhava na área já tinha alguns anos e queria aprender mais sobre o treinamento específico dessa modalidade.
Nesse curso de corrida que fiz em uma academia na minha cidade conheci um rapaz que me chamou para um treino outdoor, me interessei pelo convite e fui. A partir desse treino percebi o que queria para minha vida, não tinha ideia do que viria pela frente, mas senti que ali era o meu lugar. Já nesse mesmo ano (2014) me inscrevi para minha primeira prova de trailrunning na distância de 21km, eu sempre gostei de distancias maiores, não que 21km seja considerada uma longa distância, mas não passou pela minha cabeça ir até a Ilha Bela e passar um tempo muito curto correndo. Nada contra distancias menores, certo? Eu admiro quem corre distâncias curtas, pois são incrivelmente intensas para mim. Nesse mesmo ano, depois de alguns meses treinando fui para uma prova de 40km na Serra Fina, e sem ter ideia alguma que era possível fiquei em terceiro lugar geral entre as mulheres. Isso me motivou demais a ingressar de fato no mundo das competições.
A partir desse momento passei a ter um treinador e a cada prova analisava minha performance e procurava detectar onde eu não era boa. Assim, conversava com meu treinador e passava a focar meus treinos naquilo que eu realmente precisava. Passei a selecionar provas que eu julgava serem desafiadoras e que tinham uma projeção bacana no calendário nacional e treinava especificamente para elas. Meu desempenho foi melhorando de prova em prova e comecei a subir no pódio ao lado de grandes atletas que eram consideradas elite.


Em 2017 tive um belo salto de performance, depois de minha única lesão na vida ficando 4 meses parada sem correr decidi que iria dar a volta por cima e ser mais disciplinada ainda quando voltasse. E não deu outra, esse ano de 2017 foi um ano em que me entreguei mais ainda ao esporte e passei a ter resultados muito bons em provas duras. Ingressei no meu time de hoje em dia, Go on outdoor, e comecei a ser uma pessoa conhecida pelos meus resultados como atleta. Nesse ano ganhei praticamente todas as prova que fiz ficando em segundo lugar apenas em uma prova, porém metade da prova disputei com uma grande atleta e isso me motivou muito. Eu perdi a disputa, mas foi como se tivesse ganho de tanto conhecimento sobre mim mesma que adquiri. Eu fiquei muito empolgada com tudo que acontecia.
No ano seguinte em 2018, mais bons resultados (graças a Deus!) e minha primeira prova fora do Brasil. Conquistei um sexto lugar entre as mulheres em uma prova bem acirrada na Europa, tive oportunidade de correr com atletas da elite mundial e nem por isso me senti menor. Eu sabia que tinha treinado muito e queria buscar meu melhor mesmo disputando com a melhores do mundo. Foi um balde de aprendizado e percebi que nós brasileiros somos tão bons quanto todos as outras nações, nós apenas precisamos de mais disputas para percebermos o que precisamos melhorar, e para nos fortalecermos diante das situações de competição acirrada. Precisamos competir mais e mantermos nossa autoestima positiva!


E agora em 2019, fiz minha primeira grande ultramaratona de montanha realizada com sucesso graças a orientação do meu fantástico treinador, que é também meu sócio na empresa que trabalho. O Bonatto me orienta para as provas e tem me ajudado demais a manter minha performance sou muito grata a ele. E esse ano também tive a felicidade de ser convocada para compor a seleção brasileira feminina no mundial de trailrunning ao lado de atletas que admiro muito. O mundial será realizado em Portugal no início de junho, preciso treinar muito até chegar lá. Estou feliz, pois este é meu quinto ano como atleta de corrida de montanha e tenho me dedicado muito desde que iniciei as competições em 2014. Agradeço a Deus por todas essas benções em minha vida, agradeço a Ele pela vida da minha família querida e pela vida do meu marido César. Sem a parceria do César nesses anos, eu não teria chegado até aqui. O meu muito obrigada ao Deus querido.

Lucia da Silva Magalhães

A Importância de ser Autossuficiente em Ultras de Montanha – Vera Saporito.

No Sábado próximo, dia 01/06/2019, teremos um evento trail running em Porto Alegre-RS,  O Desafio Raiz Tapera, com características de autossuficiência. Não terá distância de ultramaratona, mas a Raiztrail ofertará um prova com distâncias de até 21 km, ou seja, os atletas são responsáveis por sua sobrevivência do início ao fim.

Para fins de informação, utilizamos o texto de  um dos ícones do esporte, de uma das primeiras mulheres de destaque a nível nacional. A Vera Saporito nos auxiliou a entender a autossuficiencia de forma prática, mesmo enfatizando a ultratrail, neste caso de montanha, sua especialidade. Venham conosco, até mesmo você que pratica distâncias menores, conhecer e compartilhar o conhecimento desta fera.

Quando se fala de ultramaratona de montanha vem na cabeça:

Como comem, como vivem, como treinam, tipo globo repórter kkkk

Mas falando sério, quando fiz minha primeira ultra de 50km corri com reservatório de água, kit de primeiro socorros e 4 pacotinhos de gel. Foi bom porque a prova foi bem estruturada.

Mas as distancias foram aumentando, os percursos, ficando mais difíceis…

E quanto mais técnica a prova, mais difícil fica para a estrutura da prova chegar nos lugares, por conta da altimetria, e tem trechos que veículos não entram.

E depois de algumas ultras aprendi a ser autossuficiente na marra!!

Autossuficiência: refere-se ao estado de não necessitar de qualquer ajuda, apoio ou interação dos outros, um tipo de autonomia. Quando você se propõe a fazer provas em meio a natureza em um ambiente que você não controla, o desfecho da sua prova depende quase sempre de você.

 

Em 2018 fiz a KTR 80km de Ilhabela, um circuito de ultratrail muito bom aqui do Brasil, prova difícil, muito técnica e mais difícil ainda pois choveu a semana inteira na ilha mudando todos os planos da prova.

A única coisa que não mudou foi que a prova seria de autossuficiência, estava escrito no regulamento e no briefing da prova, o que na minha opinião e´ o ideal para longas distancias.

Então vamos la: além do treino de corrida e fortalecimento muscular pode colocar na planilha estratégias para aprender a ser autossuficiente, como? Use os treinos longos, para adaptação da mochila de hidratação juntamente com um plano de alimentação (itens obrigatórios nestas provas) para ir testando durante a periodização do treino.

A estrutura da prova vai demarcar o percurso, colocar staffs e socorro médico nos lugares pontuados no briefing (lugares possíveis de se chegar ok?) já corri na serra fina 80km La Mission um dos picos mais altos do Brasil, tive ruptura parcial de ligamento no km30 porque enrosquei o pé em uma raiz,o socorro so chegaria no dia seguinte, peguei esparadrapo no kit de primeiro socorros fiz uma bota e prossegui, com ajuda de dois amigos.

Tinha minha alimentação, e a hidratação era reposta com pontos naturais da montanha, temos ainda que contar com as adversidades da natureza ,chuva, frio, calor extremo quanto mais sobe mais gelado fica, mais chances de correr em terreno enlameado e escorregadio também.

O que uma prova séria deve exigir na minha opinião: provas de 50km nos mesmos moldes (de autossuficiência) completadas para correr 80km, e logico se você se inscreveu em 80km sabe a responsabilidade de se treinar para isso! Mesmo assim recomendo, mesmo sendo uma prova de 50km já vai aprendendo ta! Quanto mais treinado para 50km mais fácil encaixar 30km a mais no seu treino.

Já participei de provas que prometiam estrutura X e na hora não tinha nada, fiquei revoltada, mas quando você entra com autonomia nestas provas consegue driblar estes inconvenientes.

Ai vem aquela frase: ¨Mas é Brasil…

Tenho no meu currículo umas 6 provas internacionais, e na minha opinião, o que nos difere dos outros países é a experiência em organizar provas de endurance, são lugares diferentes, cultura diferente, enquanto que aqui no Brasil a ultramaratona de montanha deu um bum absurdo a alguns anos, em países de regiões montanhosas, ultramaratona é uma modalidade muito conhecida e praticada pelas pessoas a muito mais tempo.

Eles contam com a experiência, tem um ambiente que favorece muito a modalidade, os atletas tanto profissionais como amadores treinam e aprendem a correr em situações adversas e assim aprendem a ser autossuficientes.

Tive uma experiência na ultra fiord em 2016 que lembrou muito o Brasil que todo mundo reclama, fui para distância de 70km,o tempo mudou drasticamente, a patagônia chilena é um lugar magnifico mas igualmente perigoso!!!

O tempo virou e ficou impossível chegar nas geleiras, a prova contou 62kms, foi avisado no briefing que teria postos de alimentação e resgate na alta montanha. Largamos com menos 5 chovendo e nevando, e para nossa surpresa só houve um posto de alimentação, chegando na alta montanha a neve aumentou o frio também e muita chuva, quando chegamos no topo só havia uma barraca com algumas pessoas e a contagem do chip para detectar os atletas não funcionava, a neve estava quase nos joelhos, articulações congelando e o socorro não conseguia chegar… foram mais 30km de charco(região onde tem muito barroe humidade)passamos por rios que congelavam os pés, eu acredito que só quem conseguiu concluir esta foram pessoas que aprenderam a ter autonomia em provas.

Duas mulheres entraram em hipotermia, sendo resgatadas depois e houve um óbito na prova.

Pois é, e não foi no Brasil, foi traumático mas serviu de grande aprendizado, outra prova cobiçada por muitos é o UTMB, uma prova super tradicional na Europa ,estrutura impar a meca das ultramaratonas de montanha!!!

Mas para participar desta prova, mesmo tendo uma estrutura incrível você ainda tem que ser autossuficiente, existe o sorteio, e mesmo que você seja sorteado tem que alcançar pontuação em outras provas para participar, a ultra fiord é uma prova que te da esta pontuação desde que você conclua a prova, entende isso?? Vamos te dar todo o suporte, mas você ainda tem que provar que sabe se virar sozinho…

Meu conselho: quer participar de ultramaratonas na montanha??aprenda a ser autossuficiente isso vai te poupar de muitas frustrações, só espere da organização um percurso bem demarcado e sinalizado o resto é por sua conta.

Quanto a valores, sim são altos corremos em áreas preservadas pelo IBAMA, terrenos particulares, contamos com socorro médico (ambulância) staffs espalhados pelo percurso, a organização abre algumas trilhas, porque devemos carregar reservatório de agua? Porque não é permitido utilizar descartáveis em alguns pontos, pois pode sujar as trilhas (e dá uma multa pesada por isso) toda essa estrutura custa dinheiro e infelizmente no nosso pais tudo é super inflacionado!!

E dentro de tudo isto ainda pode acontecer falhas, lembre-se que você está correndo em meio a natureza e nela ninguém manda ,cabe a nós entender estas adversidades, respeitar e preservar as belezas que a natureza nos oferece !!!

Bons treinos!!!

E a Ligia vai para o Trail World  Championship 2019


Ela é uma das referências no trailrunning feminino brasileiro. Se destaca pela sua força e entusiasmo em manter a competitividade no esporte. Conversar com ela deu uma injeção de ânimo. É forte, persistente, corajosa, ousada e disciplinada. Seus desafios são, na maioria das vezes concluídos com sucesso. Hoje ela vai nos falar sobre estar entre uma das melhores do país, o que significa representar as mulheres brasileiras no Trail World  Championship 2019, que acontecerá em Portugal, e, como mantém a competitividade como seu maior combustível.

A Ligia Almeida é de São Bernardo do Campo / SP. Casada com o Ricardo (Thor), ainda não tem filhos, atua como  Terapeuta Ayurvédica , está na segunda gradução em Ed. Fisica , pois quer trabalhar este foco quando concluir o curso. Deixamos tudo com as palavras dela, para nos aproximar mais do dia a dia desta super atleta. Bora aproveitar?

Como conheceu o trailrunning e o que te motivou a praticar o esporte?
Através da Empresa no qual trabalhava, existia uma consultoria em qualidade de vida que oferecia treinamento de corrida em parceria com José Virginio de Morais dono da Assessoria JVM Trail Run, ele é meu técnico e estou na nesta assessoria esportiva desde então isso foi em 2009.

O meu técnico Virgínio, me ofereceu uma inscrição para o percurso de 6 km no Corrida de Montanhas em Parapiacaba região de São Paulo. Eu amei tanto tudo aquilo, me sentia tão eufórica que ao invés de seguir no meu percurso dos 6 km, conforme orientação do Staff, segui para os 12 km o percurso mais longo da prova. Claro fui desclassificada, se tivesse corrido o percurso devido chegaria entre as três primeiras, no 12 km também… rs a partir dai o céu foi o limite comecei a escrever minha história no Trailunning e sou uma Ultramaratonista Endurance.

Qual foi a sua primeira prova e qual sua percepção?
Oficialmente na montanha tirando essa que fui desclassificada foi em Campos do Jordão, Mountain Do 18k, fui 3.ª colocada entre as mulheres.

Veja, foi a de mais pura euforia, estava tão contente por estar naquele contexto, que queria mais e mais e desde então não me vejo não fazendo algo que me traz tanta felicidade, paixão, paz e conexão comigo mesma.

Como são seus treinos?
Nessa fase que sigo para o Mundial de Ultra Trail, estamos na fase de treinos de força específicos para resistência, intervalados e ritmo. Tenho um dia de Day Off (sexta-feira), Sábado meu treino é em horas quando vou para montanha e quando é algo mais rolado (Cross Country) em Kilometragem, tudo não passa de 3h, e o ritmo é como se fosse competição ou na percepção de esforço (eu gosto), e no Domingo uma bike “Lúdica” como assim específica meu técnico, ele quer dizer soltar as pernas não forçar, rs

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?
Já foi mais intenso quando trabalha no mundo corporativo, hoje como trabalho por conta consigo administrar melhor meus horários com família, trabalho, estudo, afazeres de casa, treinos e competições. O que ajuda mais é o apoio e parceria do meu “namorido” ele também corre isso facilita a rotina de acordar cedo e irmos juntos principalmente nos finais de semana. Amamos esportes em geral então entra como entretenimento nosso também, e viagem de férias já nos programamos para fazer uma prova no local que iremos conhecer e depois montamos roteiros para explorar os locais, comidinhas típicas e tudo que gostamos de fazer. Ano passado fomos para Europa competimos em 2 provas na Áustria, inclusive uma delas entrou como prova da minha escolha para contar para a Seletiva do Mundial, antes da prova fizemos um trekking no Parque Nacional do Triglav na Eslovênia e conquistamos o cume do Triglav o pico mais alto da região foi incrível!

O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrunnig?
Fundamental, comer bem é treino tão importante quanto o treino físico e mental, na minha opinião esses são 3 pilares para se encontrar o equilíbrio perfeito e conquistar o Everest se quiser, rs

Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?
No geral não tenho problemas com alimentação, na semana da prova, concentro uma alimentação reforçada nos carboidratos mais complexos e muito líquido (Água, Água de Coco).

No dia antes da largada Isotônico, pão branco com geleia (irei usar essa fonte de açúcar rápida nos primeiros kms da prova) e café preto sem açúcar por gosto e preferência.

Durante a prova, a suplementação que recomenda minha nutri normalmente (eletrólitos, bcaa e recovery) alinhamos isso de acordo com a distância/tempo de prova, mas quando longas distâncias reforço com géis a base de sal e cafeína, tâmaras, damasco, provolone, batata com azeitona, paçoquinha, balas de gengibre e uso o que a prova oferece (leio antes para saber o que terá já que muitas provas precisamos ser mais auto-suficientes) isso entra também como estratégia de prova para não sair muito carregada, como eu me conheço e faço testes de alimentação nos treinos longos então consigo me orientar bem com essa estratégia.

Quais provas te marcaram mais?

Tem algumas, mas irei citar 3 específicas.

Trail World Championship em 2016 também em Portugal, além de ser o 1.º Campeonato, pra mim foi como estar nas Olimpíadas do Trail Run, memorável toda abertura e cenário competitivo que vivenciei. Feliz em voltar esse ano e levar nossa bandeira novamente junto com todos da delegação brasileira.

Ultra Fiord 2017 – 112k Essa corrida me marcou, porque, depois dela revi minha maneira de correr e objetivos com a corrida…, ela me deu um verdadeiro sacode, rs

Indomit São Bento do Sapucaí 2019, embora já tivesse conquistado minha vaga no inicio do ano, eu me coloquei nesse cenário competitivo e forte para continuar firme nos treinos para chegar mais preparada e dar meu 110% nesse mundial.

Qual será seu maior desafio em 2019?
Além do Mundial em Portugal em Junho meu outro maior desafio é o UTMB – Ultra Trail du Mont Blanc) no final de Agosto desse ano percurso das 100milhas (170km cruzando a tríplice fronteira da França, Suíça e Itália) desde 2015 venho me qualificando e me preparando para ela. É meu sonho antigo e esse ano, além dos pontos válidos minha loteria saiu. Não foi fácil conquistar essa primeira parte, como diz o meu amigo Cícero Barreto “suei grosso” até aqui, e continuo suando, rs

Como você vê o momento do trailrun no Brasil?
Vejo mais positivo, estamos 1 km por vez, desde o 1.º Mundial muitos corredores bons começaram a se revelar isso foi ótimo, minha opinião é que precisamos nos organizar com campeonatos estaduais para nos enfrentar mais assim melhoramos nível de provas e performance para todos (organizadores, técnicos, assessorias, lojas esportivas, etc..,)…, penso eu também que esse cenário ajuda a medir o quão nossos treinos estão sendo eficientes para atingir os objetivos, isso vale para todos atletas amadores e profissionais.
Além disso para dar continuidade ao Trail no Brasil precisamos trabalhar, motivar e incentivar mais pessoas para prática, tornar mais conhecido o esporte.

Um outro ponto positivo ao meu ver é que os gringos nos conhecem sabem que tem brasileiros bons correndo montanhas e não estamos tão distante das realidade deles, embora tenhamos que muitas vezes tirar leite de pedra para realizar os treinos específicos, já que não temos na porta do nosso quintal as altas montanhas.

Qual prova você indicaria para uma Maria?
Marias eu gosto de muitas provas, porém a minha melhor experiência nacional foram 3 provas nas quais eu pude desfrutar de tudo: boas trilhas, confiança, segurança, respeito e cuidados com atleta, foram: Faccat Trail, Brasil Ride Botucatu e Indomit São Bento do Sapucaí.

Qual seu maior sonho dentro do trail?

PERFORMANCE! Gosto de fazer jus ao tempo e força que dedico aos treinos e sim eu curto competir e me divirto muito com tudo isso. Aliás é mais divertido do que difícil uma vez que se está preparado/treinado eu sempre aproveito todos os caminhos e competições que me coloco com muita alegria nas pernas e no coração principalmente.

Na sua percepção, ser trailrunner é…
Fazer parte do todo que envolve a natureza que nos ensina o tempo todo como se comportar perante a ela, é se colocar nos desafios com respeito por tudo e todos, é preciso ter a certeza que não é o 1.º e nem o último lugar que determina quem a gente é, mas como estamos realizando a jornada.

Por que você indica o trailrunnig como prática esportiva?
Porque, a natureza e a montanha tem conexão direta com seu eu interior…, ela te coloca em competição direta consigo mesmo, de uma maneira boa, gostosa as vezes dolorosa e bastante suada.
Aposto que todo mundo o tempo todo vivência essa competição, vou dizer que é a minha melhor competição quando eu enfrento a mim mesma, meus anjos e monstrinhos saem, rs nada melhor que conhecê-los, enfrentá-los e conseguir dominar e aprender com cada um deles.
A sensação que dá que quando saio das trilhas e montanhas é que levei uma boa “surra”, me mostra o quão eu preciso aprender a cair e a me levantar repetidamente perante a grandiosidade da vida, e que somos apenas parte dela, semente que Deus plantou perante ela no qual precisamos respeitar, merecer, cultivar e agradecer por tudo que temos principalmente a oportunidade de vivenciá-la e praticá-la. Sou um ser humano melhor depois que comecei a prática do Trail Run isso é fato e transformador.

Sem palavras para te agradecer Lígia. Tua experiência, com certeza, nos impulsionou a “desafiar” cada vez mais o nosso “eu” interior. Temos muito mais para dar, com certeza. Desejamos que teu caminho seja longo e que continues nos representando assim, com essa força!

Obrigada!

Maria´s da Trilha


 

As principais lesões que acometem os praticantes de trailrunning

Além de contar histórias de superação e de inspiração para todas as Maria’s da Trilha, também consideramos importante falar sobre alguns problemas que podem acometer alguma Maria desavisada ou apressadinha na transição para o mundo das trilhas.Neste post vamos apresentar as lesões mais comuns nos praticantes do esporte, para que em outro post o Fisioterapeuta Matheus Kowalski, mais um amigo das Maria’s e sócio da  Suporte Reabilitação Esportiva aqui de Porto Alegre possa nos orientar como prevenir ou até evitar tais lesões e, assim, possamos ter uma maior longevidade no trailrunning junto com uma ótima qualidade de vida, capaz de nos proporcionar o bem estar, a alegria e a saúde que tanto buscamos.

Quais partes do nosso corpo sofrem com lesões quando praticamos o trailrunning?

Segundo estudos em diversos países onde o trailrunning é praticado por centenas e milhares de pessoas, o alto impacto que a apaixonante, porém exigente, atividade exerce sobre o corpo faz que seja necessário termos uma preparação orientada, bem como um cuidado adequado antes, durante e depois da corrida, caso negligenciemos esses cuidados poderemos desenvolver lesões como as que abaixo citaremos:Lesões no tornozelo, pés ou dedos dos pés: cãibras, tendinite da fáscia plantar, neuroma de Morton, entorses e fraturas de tornozelo / pé, luxações e fraturas nos dedos dos pés.

Lesões nas pernas: cãibras nas panturrilhas, tendinite de Aquiles, periostite tibial (canelite), estiramentos ou contraturas musculares.

Joelho: entorses / ligamentos rompidos, lesão do menisco, síndrome da banda iliotibial, tendinite patelar.

Quadril: tendinite do músculo psoas, tendinite do músculo reto-femural, dores no quadril.Lombar ou parte inferior das costas: lombalgia (dores na porção inferior das costas), dor ciática.

Tórax, abdômen e costelas: cãibras no abdômen ou no diafragma, luxações ou fraturas das costelas.
Coluna dorsal e ombros: espasmos nos músculos trapézio, espasmos nos músculos escapulares, contraturas musculares na região dorsal.

Pescoço-cabeça: dores no pescoço e coluna cervical.

Existem outras lesões possíveis nos praticantes de trailrunning, mas essas acima citadas são as mais comuns na grande maioria dos praticantes do esporte.

Agora esperemos o nosso amigo Matheus no próximo post nos orientar como prevenir essas lesões para que, todas nós Maria’s da Trilha  possamos realizar a pratica responsável e consciente do nosso esporte e não tenhamos que ficar de molho por esses inconvenientes.Já estamos ansiosas pelas dicas!

Vamos Maria’s!!! Vamos invadir as trilhas!!! Segue um vídeo da (clique ao lado) Mt. Marathon em Seward no estado americano do Alasca, nela homens e mulheres correm separados, reparem na quantidade de Maria’s correndo por lá! Tomara que em breve tenhamos provas assim por aqui, bem como a mesma quantidade de meninas nas trilhas!!!

Maria’s da Trilha, belas e feras na natureza!!!

Gustavo Carneiro – Uma lição de vida

Conforme foi mencionado no Post da Ultra Fiord, tomamos a liberdade de inserir um homem na página das Maria’s. Ele nos deu uma lição de vida antes no dia em que aconteceria os 70 km da Ultra Fiord 2018,  prova essa que foi adiada em função das cruéis intempéries que assolaram aquelas bandas na noite anterior ao dia da largada.

Se pararmos para pensar, e ao longo da história verificaremos que o Gustavo ao participar  da prova dos 30 km na Ultra Fiord, esteve no percurso durante todo o período que as inclementes condições climáticas varreram a região do Fiord de la Última Esperanza na inóspita e castigante patagônia chilena.

Entrem nessa história, ao final garanto que todas  estarão  motivadas, com energia renovadas e prontas para  novas metas na busca de seus objetivos, sejam na vida ou sejam no trailrunning.

 

Olá Marias!!!
Um grande prazer estar aqui contando um pouco da minha história para vocês.
Dei uma olhada no site e que legal todo esse envolvimento entre vocês e com o trail run.
Sou mineiro, nascido em Uberlândia, 45 anos, administrador, pai de 2 filhas (Jessica 24 e Iasmim 7), atleta amador desde sempre e desde out/17 deficiente físico.
Desde a infância minha vida esteve envolvida com vários esportes. Acho que esse é um talento que Deus me deu, sempre tive muita facilidade e isso resultou em títulos em diversas modalidades.
Comecei cedo na natação, passando pelo futebol e aos nove anos comecei no tênis, esporte que é a minha paixão.
No tênis fui campeão mineiro algumas vezes e um dos melhores do Brasil.
Campeão Mineiro e Brasileiro de Peteca, Campeão Brasileiro de Squash.
Praticante de moutain bike desde 2001, em 2009 fui para a Cordilheira dos Andes fazer uma travessia da Argentina até o Chile.
E a corrida nisso tudo? Comecei cedo, com 15 anos já ia e voltava correndo para o kung-fu. E não parei mais, é o único esporte que sempre fiz em paralelo com os demais.
Desde criança eu tinha o sonho de correr uma maratona, era algo que eu admirava muito. Como uma pessoa consegue correr 42km? Minha primeira maratona só foi acontecer em 2016 por um motivo que contarei abaixo. Eu poderia ter corrido há muito mais tempo, mas por não focar, por estar praticando outro esporte fui deixando o sonho de lado. Me contentava em correr as meias maratonas.
Em 2010 parei de correr, jogar tênis e squash porque estava com tendinite patelar, sentia muita dor nos esportes de impacto. O médico disse que nunca mais eu poderia fazer esses esportes. Foi duro escutar isso, então fiquei só na bike.


Em 2013 minha vida começou a mudar, fisicamente e mentalmente. Descobri um câncer abaixo da batata da perna esquerda. Foi um choque muito grande me imaginar com essa doença.
Muitos detalhes nesse processo, cogitaram amputar a perna nessa época, mas o resumo é que fiz a cirurgia em São Paulo e precisei retirar somente um pouco de músculo da panturrilha até bem perto do pé.
Fiz quimioterapia durante 6 meses e no final 30 sessões de radioterapia. Finalizei o tratamento em dezembro de 2013.
Em 2014 voltei a pedalar e comecei a treinar na equipe máster de natação do meu clube. No final do ano percebi que meus joelhos estavam sem as dores que sentia, fui em outro médico e ele liberou a corrida e ainda me disse “você pode correr até maratona se quiser”.
Já sai do consultório e fui comprar um par de tênis. Corri tanto nos primeiros dias que machuquei a perna da cirurgia. Essa perna só ficou boa para correr forte em Abril de 2015 e foi aí que decidi fazer a minha primeira maratona. Em Maio de 2016 completei a Maratona do Rio de Janeiro.
A vida seguiu normal, trabalhando, treinando e fazendo os acompanhamentos necessários.
Até que em Outubro de 2017 descubro que o tumor tinha voltado e numa região que não dava margem para retirar e preservar a perna.
Em 21 dias descobri e amputei a perna.


Chorei só no primeiro dia quando descobri. Depois eu só conseguia ver o lado positivo de tudo, eu ficaria vivo e colocaria uma prótese. Estava ótimo! E se a doença estivesse se espalhado? Graças a deus que não! Então estava tudo bem!
Fiz a cirurgia numa segunda, dia 23/10. E no fim de semana que antecedeu eu fiz tudo que podia fazer com essa perna, acho que ela até agradeceu quando a tiraram de mim rsrsrs.
No sábado joguei tênis de manhã, a tarde fui jogar tênis na cadeira de rodas para ver como era, depois fui numa corrida noturna da Track & Field. E no domingo eu organizei uma corrida com 10 amigos para me despedir, mas foram 250 pessoas correr comigo, foi muito emocionante.
Fiz a cirurgia e a cabeça continuou boa. Daí em diante não parei mais, em 14 dias já estava na musculação, em 21 nadando e 30 dias após a cirurgia, estava eu  jogando tênis na cadeira de rodas.


Hoje o meu pensamento é que não quero passar a vida sem tentar fazer tudo que eu tenho vontade, não quero ficar velho e olhar para trás e pensar que poderia ter feito mais. Eu quero olhar para trás e ter a certeza que fiz o meu máximo, consegui algumas vezes e outras não, faz parte da vida. Sempre tive vontade de correr a maratona, mas porque demorei tanto pra fazer isso? Precisei passar um susto na época para me motivar? Também tinha vontade de surfar, nunca tinha tentado, em fevereiro fui pra Florianópolis e surfei com uma perna.
Em Janeiro tive a ideia de fazer uma prova caminhando já que correr iria demorar. Tinha comprado a prótese só há 20 dias. (é uma prótese só para andar)
Queria uma prova que me marcasse, que fosse especial, escolhi a Ultra Fiord e não poderia ter sido melhor.


Comecei a treinar, caminhava umas 3 vezes durante a semana e no sábado longões de até 7h.
Me preparei para uma prova de 15 a 16 horas. Como eu estava enganado. Precisei de 27h para concluir os 30km com a minha prótese e 2 muletas.
Foi muito difícil, muita dor nas mãos por causa da descarga de peso nas muletas, um percurso muito difícil mesmo para quem tem as 2 pernas, frio, fome, GPS marcando errado, etc. Mas eu tinha uma lembrança que me motivou a não parar. Lembrava do dia da cirurgia, eu deitado na mesa de cirurgia para ser amputado e depois acordando e vendo que eu não tinha mais a perna. Isso me dava uma força incrível e eu cruzaria a linha de chegada nem que fosse me rastejando.


Terminei a prova chorando de felicidade, de dor, de medo, de não entender como consegui superar essas 27h. Foi um momento inexplicável.
Fui carregado para o barco que nos levaria para a cidade, pois minha mãos estavam inchadas e com muitas dores e estava com hipotermia. Ali no barco, várias pessoas vieram me ajudar. Uma delas foi a Luci que foi me dando comida na boca e suplementos. Lições que só o esporte nos proporciona.
Hoje tenho um objetivo de vida bem definido: tentar realizar todos os meus sonhos e vontades. Não só no esporte, mas na vida. Não quero deixar nada para depois porque pode ser que não terei esse depois.
No esporte meu objetivo maior é estar em 1 ano entre os 3 melhores jogadores de tênis de cadeira de rodas do Brasil e representar o país em todos os torneios.
E a corrida lógico, quero em breve colocar a prótese de corrida e voltar aos treinos. Correr pra mim sempre foi uma terapia e sinto falta de as vezes sair sozinho, correr por horas e pensar na vida.
Um grande abraço para todas vocês e vai aqui um pedido: Não Parem!!!
Fiquem com Deus!!!

Gustavo e Suzi, agradeço todos os dias por ter convivido um pouco com vocês. Com certeza uma grande lição de vida. Saúde e mais saúde sempre para este casal pra lá de especial.

Quantas já somos?

MARIA’S QUANTAS JÁ SOMOS?

Recentemente a IAAF (Associação Internacional de Federações de Atletismo), reconheceu no verão de 2015 o Trailrunning como uma nova disciplina do Atletismo e a ITRA – International Trail Running Association como o órgão de governança para o esporte das trilhas ao redor do mundo.
Anualmente mais de quinhentas provas de trailrunning reconhecidas pela ITRA são realizadas nos quatro cantos do mundo, tornando a disciplina esportiva outdoor com o maior número de competições, possuindo inclusive o maior circuito mundial entre as corridas na natureza.


Já foram realizados dois Trail World Championships reconhecidos pela IAAF em 2016 durante a Trans Peneda-Gerês – Portugal e 2017 em Badia Prataglia, Toscana – Italia. Em 2018 será durante a Penyagolosa Trails SportHG, Castellon – Spain. Todos com organização conjunta entre ITRA e a IAU – Associação Internacional de Ultramaratonistas.

Em 2017 a CBAt – Confederação Brasileira de Atletismo passou a ser a única entidade brasileira reconhecida pelas entidades internacionais (IAAF) que regem os segmentos do Atletismo de Corrida em Montanha e Trilha (Trail) no país, e que tais segmentos estão regidos pelas Regras Oficiais de Competição da IAAF.

No Brasil o Trailrunnig está dividido em Corrida de Trilha e Corrida de Montanha, em breve faremos uma publicação explicando as diferenças básicas entre elas. Com o reconhecimento das modalidades e para que elas cresçam a CBAt necessita saber quantos somos? Isso serve para que as entidades governamentais possam criar políticas públicas de fomento ao esporte, bem como para que organizadores, marcas, mídia e possíveis investidores possam envidar recursos para o fomento e a consolidação das corridas em trilhas e montanhas.

Então gurías? Vamos fazer nossa parte? Abaixo vamos passar a forma de se filiar na CBAt como corredoras de trilhas e corredoras de montanha, VAMOS MARIA’S VAMOS INVADIR AS TRILHAS!

Cadastro Corredor de Trilha e de Montanha na CBAt:

1) Entrar página CBAt na internet;
2) Clicar em Formulários;
3) Escolher o Estado que você reside;
4) Cadastro de Corredor de Trilha ou de Montanha (se for fazer os dois, um de cada vez);
5) Preencher o Formulário (os);
6) Imprimir e assinar (somente o atleta assina);
7) Anexar 01 foto 3×4 para cada formulário e a copia frente e verso do RG (essa serve para os 2 cadastros se for o caso);
8) Depositar a taxa de R$10,00 por formulário na Conta da CBAt;
9) Imprimir o comprovante e também anexar;
10) Por em um envelope e enviar para o endereço da CBAt em SP.

Taxa da CBAt, esta deve ser depositada na conta da CBAt, o valor e de R$ 10,00 por registro.
Dados bancários CBAt:
Caixa Econom Fed
Ag 3033
Op 003
CC 683-4

CNPJ: 29.983

Filiação válida por dois anos!

Você deve enviar diretamente para a CBAt:
Rua Jorge Chammas, 310 – Vila Mariana – São Paulo – Brasil – CEP: 04.016-070

MARIA’S DA TRILHA BELAS E FERAS NA NATUREZA!

Maria’s de SPOT para se aventurarem com muito mais segurança!

Olá Maria’s hoje falaremos do SPOT GEN3 um aparelho que está no mercado como uma aliado para nossas aventuras, pois permite muito mais segurança em nossas andanças pelo mundo. Esperamos que aproveitem!

O dispositivo SPOT fornece tecnologia satelital de mensagens, para que todos os amantes do ar livre possam se comunicar através de áreas remotas ao redor do mundo, além do alcance dos celulares. Muito legal, não?

COMO O SPOT FUNCIONA

1 Satélites fornecem o Sinal.

2 O SPOT obtém sua localização GPS e envia sua localização junto com a mensagem pré-programada para os Satélites de Comunicação.

3 Satélites de Comunicação direcionam sua mensagem para antenas de satélites específicas ao redor do mundo.

4 Antenas de Satélites e Rede Global encaminham sua localização e mensagem para a rede apropriada.

5 Sua mensagem e localização são entregues a seus contatos por email, SMS ou notificação de emergência para o Centro Internacional de Emergência e Resgate GEOS.

FUNÇÕES

AJUDA – Peça ajuda a seus amigos e familiares a partir de sua localização GPS, ou peça ajuda a organizações de assistência (Ex: pneu furado, situações onde não haja risco de morte).

CHECK-IN – Diga a seus contatos onde você está e que você está bem numa mensagem pré-programada.

MENSAGEM PERSONALIZADA – Deixe que seus contatos saibam de onde você está, enviando uma mensagem pré-programada por você, e sua localização GPS.

S.O.S. – Numa emergência, envie um SOS com sua localização GPS para o GEOS, que facilitará sua Busca e Resgate (Ex: Mordida de cobra, picada de aranha, perna quebrada). Um sistema de resgate mundial será acionado e a unidade mais próxima será acionada para lhe socorrer.

RASTREAMENTO – Automaticamente registra e envia sua localização, além de compartilhar com seus contatos o mapa de sua aventura no Google Maps™.

ENERGIA – Pressione o botão de energia para ligar seu SPOT; O LED irá acender. Pressione e segure o botão de energia até que o LED pisque rapidamente para desligar seu SPOT.

LUZ GPS – Notifica-o quando o SPOT é capaz ou não de receber informações dos satélites GPS e obter sua localização GPS.

LUZ DE MENSAGEM – Notifica‐o quando sua mensagem mais recente foi ou não enviada.

Visitem o site:  https://br.findmespot.com/pg/

Qualquer dúvida que tenham, sobre aquisição e ativação dos planos de rastreio, deixem aqui nos nossos comentários ou nos chamem na nossa página no Instagram (@mariasdatrilha)

Vamos Maria’s!!! Vamos invadir as trilhas!!!

MARIA’S DA TRILHA, BELAS E FERAS NA NATUREZA!

 

 

 

Locais para adquirir equipamentos para trailrunning no Brasil

Vamos lá Maria’s,  hoje falaremos sobre locais para encontrar materiais, equipamentos e vestuários para o mundo trail.

Sabemos que vivemos em um país onde os juros e impostos fazem com que as mercadorias variem muito de valor de uma loja para a outra.

Além disso no momento de entrada no trail podemos incorrer no erro de investir em materiais de alto custo que acabam sendo adquiridos de forma equivocada, ou até por ser da marca do momento, ou ainda, deixamos de consumir por ser de marca desconhecida.

Para as Maria’s mais avançadas, teremos também lojas com materiais indicados para todas as distâncias, níveis técnicos, necessidades e bolsos.

Assim sendo, vamos apresentar lojas em que já compramos equipamentos e não tivemos problemas com qualidade dos produtos,com o envio ou trocas quando foram necessárias.

Estamos publicando os canais de contato como e-mail, endereço da loja física, telefones e site na web, conforme as lojas divulgam, isso tudo para facilitar a pesquisa e consulta de vocês.

Orientista

http://www.orientista.com.br/

Orientista – Centro
Rua Conde de Porto Alegre, 1050.
Centro. Santa Maria/RS.
Segunda a Sexta 9h às 18h.
Sábado 10h às 12h. (55) 3027-5748

Orientista – Royal Plaza Shopping
Av. N. Senhora das Dores, 305.
Loja 223. Santa Maria/RS.
Segunda a Sábado 10h às 22h.
Domingo 14h às 20h. (55) 3028-8708

Girardi Runnig Store

https://www.girardirun.com.br/

GIRARDI PORTO ALEGRE – NILO PEÇANHA
Av. Nilo Peçanha, 2245, Três Figueiras – Porto Alegre, RS
(51) 3019.2414 | (51) 99618.2937
HORÁRIOS:
Segunda à sexta: 10h às 19h30min
Sábados: 10h às 18h

GIRARDI CAXIAS DO SUL – SHOPPING IGUATEMI
Rodovia RSC 453, 2780, km 3,5, Desvio Rizzo – Caxias do Sul, RS
(54) 3021.6906 | (54) 99615.0260
HORÁRIOS:
Segunda à sábado: 10h às 22h
Domingos: 14h às 20h

GIRARDI CAXIAS DO SUL – JARDIM AMERICA
Rua José Aloysio Brugger, 1648, Jardim América – Caxias do Sul, RS
(54) 3228.9160 | (54) 99986.7709
HORÁRIOS:
Segunda à sexta: 9h às 19h
Sábados: 9h às 17h

Compressport Brasil

https://www.compressport.com.br/

Telefone: (31) 3297-0490
E-mail: info@compressport.com.br

Arco e Flecha

https://www.arcoeflecha.com.br/

Fale Conosco

Segunda à sexta-feira das 09:00 às 18:00 horas (Exceto feriados)
Sábado das 10 as 14 horas

Televendas

(11) 2122-4069(21) 4062-0067

(31) 4062-0025(41) 4062-0058

(61) 4062-0184

(71) 2626-2971

Loja Física

Aberta das 10h às 19h00Sábado das 10h00 as 14h00Rua Tito, 542 1º e 2º andares – Lapa São Paulo / SP

Estacionamento Conveniado no nº 867

A5 Escalada

https://www.lojaa5escalada.com.br/

Loja física: Av. das Américas, 700
bloco 8 – loja 210a, Barra da Tijuca/RJ

Atendimento on-line
2ª a 6ª das 10h às 19h
Skype: a5escalada

Telefone
21 2025-2037 /21 97079-0930
Nextel ID 12*26067

Equinox

http://equinox.com.br/

Loja Física
Rua Buenos Aires, 41 – 2o andar
Centro – Rio de Janeiro – RJ

Horário de funcionamento
Segunda à Sexta – 10h às 18h

Telefones
(21) 2223-1573 / (21) 2263-5850

Makalu

https://www.makalusports.com.br/

Makalu Centro

Rua da Alfândega, 112 – Centro

Aberta de segunda a sexta das 09:00 às 19:00 horas.

Sábado das 09:00 às 13:00 horas.

Território

https://territorioonline.com.br/nossas-lojas

Endereço: Rua Vicente Machado, 2855
Curitiba – PR – CEP: 80440-020
Telefone: (41) 3078-9552 / 0800-601-2521 / Whatsapp (41) 99106-9741
Horário de atendimento: Segunda a Sexta: 8:00 às 12:00 e das 13:00 às 17:00.

Adrenaonline

http://adrenaonline.com.br/

Loja Física

Av. Getúlio Vargas, 1635 . Savassi . Belo Horizonte /MG.

Contatos

Tel: 31 3261.1125
email: sac@adrenaonline.com.br

Keeprunning

http://www.keeprunningbrasil.com.br

central de atendimento

(11) 2306-8356

(61) 98122-0377

Seg.à Sex. das 8h às 17h
E-MAIL: contato@keeprunningbrasil.com.br

Decathlon

http://www.decathlon.com.br/

Lojas físicas Decathlon

http://www.decathlon.com.br/lojas

Maria’s, existem outras lojas espalhadas pelo país, estas são aquelas que já tivemos algum contato e relacionamento, esta lista não se esgota aqui, podem deixar alguma indicação de loja nos nossos comentários aqui na web ou lá no instagram, suas dicas ficarão publicadas nas nossas páginas como outras opções para todas as demais Maria´s.

Esperamos que o post tenha sido útil, pois para fazer bonito nas trilhas a mulherada necessita estar bem equipada.

VAMOS GURIAS!

BELAS E FERAS NA NATUREZA!

Trailrunning! O que é isso?

 

Olá Maria’s!

Essa semana vamos falar um pouco mais sobre trairunning ou corrida em trilhas.

Antes de mais nada vamos tentar definir trail running, ou trailrun. Vamos apresentar abaixo a definição de Trail Running conforme publicado no site da Associação de Trail Running de Portugal (ATRP) que está em conformidade com o que também define a International Trail Runnig Association (ITRA), órgão mundial que regula o nosso esporte.

  • Segundo as informações publicadas nos dois sites, temos:

a) Conceito Trail Running

Para a Associação de Trail Running de Portugal a abordagem deve ser abrangente e não restritiva. Desta forma o conceito adotado para as provas de Trailrun é o seguinte:

Corrida pedestre na natureza, com o mínimo de percurso pavimentado/calçado, em vários ambientes (serra, montanha, alta montanha, planície, etc) e terrenos (estradão de terra, caminho florestal, trilhas, single track,  campos de neve, praias, etc), idealmente – mas não obrigatoriamente – em semi ou auto-suficiência, a ser realizada de dia ou durante a noite, em percurso devidamente balizado e marcado,  respeitando a ética desportiva, a lealdade, solidariedade e o meio ambiente.

b) Categorização Por distância

Temos regularizadas e definidas as seguintes distâncias, segundo a ATRP:

1) Trail

Trail Curto: até 21,0975Km (até a distância da meia maratona)

Trail Longo: de 21,0975Km até 42,195Km (de distância de meia maratona até distância de maratona)

2) Ultra Trail

Constituído por provas acima de 42,195 Km (acima da distância da maratona)

O Ultra Trail é classificado da seguinte forma:

Ultra Trail  Médio: de 42 a 69 km

Ultra Trail: de 70 a 99 km

Ultra Trail  XL: mais de 100 km

Nota: No caso de uma prova por etapas (Desafio das Serras, El Cruce, Transalpine, Marathon des Sables), considera-se a prova como sendo de uma dada categoria do Ultra Trail, se pelo menos uma das etapas cumprir esse requisito. Caso contrário será considerada uma prova de Trail.

(Fontes:  http://www.i-tra.org e http://atrp.pt/)

Mais informações sobre o trailrun serão apresentadas em breve, mas você também pode encontrá-las nos seguintes endereços:

http://www.i-tra.org

http://atrp.pt/

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Maria’s da Trilha, belas e feras na natureza!