A Bicampeã da ExtremoSul Marathon.

Fomos conversar com a Bi Campeã da Extremo Sul Ultramarathon, a Catarinense Ivoneti Loes Wild. Ficamos muito lisongeadas com o depoimento desta super mulher, trabalhadora, máe, e ultramaratonista, que vem se destacado em suas competições. Curtam conosco esta história que preparamos com muito carinho.

01- Como conheceu as ultramaratonias?

Através dos amigos de corrida.

02- O que motivou você a iniciar nas ultras?

A vontade de me desafiar e de me superar.

03- Qual foi a sua primeira prova?

5km em Florianópolis

04- Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira ultra?

Uma alegria enorme,  um sensação de superação de dever cumprido.

05- Você faz parte de alguma acessória esportiva? Qual?

Sim SARUN

06- Como são seus treinos?

Para  a extremo Sul foram 6 meses de preparação e o volume mensal de corrida iniciou em 300km e foi até  600km.

Também faço treino de reforço muscular 2x na semana  e  treinos de bicicleta

07-Como concilia  as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?

Recebo da minha assessoria os treinos com antecedência então eu planejo na semana como executá -los, observando meu trabalho, família e atividades do lar,  quando os horários ficam complicados acordo mais cedo ou treino a noite.

08- O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de ultramaratonas?

Acredito que é muito importante, pois quando vc treina para uma ultra leva o seu corpo e mente ao extremo, então este profissional nos auxilia a repor o que está faltando no nosso corpo e também a seguir uma alimentação de acordo com as nossas  necessidades diarias.

09- Nos conte como foi a sua segunda passagem pela extremosul…bicampeonato…queremos saber tudo….

Foi incrível, cheguei com medo, mas fui tão bem acolhida por todos que logo passou e fui em busca de melhorar o meu tempo do ano anterior.

Lembramos que na sua primeira participação, em 2018, concluiu a prova em 40h00s e em 2019, baixou sem tempo em um pouco mais de 6 horas… 33h 50min, tornando-se a Recordista da sua Categoria, geral Feminina.

Continuado…

Procurei me manter motivada para que cada kilometro não virasse um sofrimento  e sim uma superação.

O segundo dia foi mais difícil estava muito quente e com muito sono, então  estar motivada e lembrar de tudo que já tinha alcançado e treinado,  fez com que eu focasse para a reta final.

Gritei, chorei, pedi forças a Deus ao meu treinador, risos…

Recebi as  energias das pessoas que me acompanham e tenho certeza que elas vieram em todo momento,  principalmente nos ultimos 30km finais, onde eu senti uma força de superação que nem eu conhecia!

10 – Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?

Normal, apenas inclui mais carboidrato e muita água para estar bem hidratada.

Nada de exageros para não chegar mais pesada pra prova.

11- Quais provas te marcaram mais?

Com toda certeza a Extremo Sul!

E a  maratona de Florianópolis.

12- Qual será seu maior desafio em 2020?

Com meu treinador estou organizando o calendário, entre elas tenho provas de 50km ate 300km com trechos de trilha e praia.

13- Qual ulra você indicaria para uma Maria?

Então são muitas provas legais, tudo vai depender da preparação de cada Maria.

Gosto de indicar aquela que vc olha, analisa e o coração começa a bater mais forte, então quando isto acontece fica mais fácil porque o desafio está no coração e vc vence qualquer obstáculo.

14- Qual seu maior sonho dentro das ultras?

Fazer provas ainda maiores, porém sempre observado a saúde e o prazer que a corrida proporciona.

15- Na sua percepção, ser ultratrail runner é…

É o desafio da superação, ver que posso melhorar sempre, que com planejamento organização e disciplina podemos fazer coisas incríveis!

16- Por que você indica a corrida como prática esportiva?

Porque ela é livre, vc escolhe o ritmo que quer correr.

Porque ela te ensina ter organização, disciplina, foco e  persistência.

Porque ela faz com que conhecemos o nosso corpo, um outro mundo,  a superação de cada atleta a alegria de conquistar cada km e ter muitos amigos legais.

Ivoneti, as Maria´s da Trilha desejam desde já um futuro promissor, que continues a te desafiar.

Um abraço de toda a nossa turma!

Obrigada.

 

A Campeã do 1º Campeonato Gaúcho de Trail Running – Categoria Ultra

As Maria´s da Trilha foram correndo conversar com a  atual Campeã do 1º Campeonato Gaúcho de Trail Running, pois ela tem muito para nos contar e contribuir dentro do nosso universo. Casada com o Marcelo, mãe da Valentina e do Pet Snow, a Fisioterapeura Dalila Danelli Ticiani vem se destacando no cenário Rio Grandense, pela sua força e performance. Natural de Bento Gonçalves-RS, tem um terreno propício para estimular o sobe e desce das montanhas.

Ela focou, treinou e foi Consagrada no Sábado passado a 1ª campeã da maior consquista do trail running gaúcho, o nosso Campeonato reconhecido pela Federação de Atletismo do Rio Grande do Sul.

Vamos embarcar com ela e prestigiarmos esta atleta que está fazendo história.

5- Como conheceu o trailrun? Através dos amigos Clécio Rasador e Sirlesio Carboni para fazer o circuito trilhas e montanhas. Estava chovendo e fiz a prova toda com muito barro. Foi a primeira vez que subi no pódio geral. Me apaixonei.

6- O que motivou você a iniciar no trail run? A oportunidade que tive de participar da BTR ( Bento Traill Runners) e conviver com pessoas apaixonadas por trilhas.

7- Qual foi a sua primeira prova? A primeira prova onde entendi o que é traill foi a Patagonia Run, 42 km.

8- Qual foi a sua percepção ao realizar a primeira prova trail? Uma sensação de liberdade, felicidade e vontade de fazer isso de novo.

9- Você faz parte de alguma assessoria esportiva? Qual? Faço parte do grupo de corrida BTR, sendo que este não é um grupo de assessoria. Tenho um treinador particular.

10- Como são seus treinos? Divido meus treinos entre reforço muscular, planilhas e pilates. Faço isso sempre, mas quando tenho provas alvo, intensifico um pouco mais a planilha, dependendo a característica de cada prova.

11- Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições? Isso é uma tarefa exaustiva, que exige organização do tempo e muita determinação. Me divido em trabalhar como fisioterapeuta, ser mãe e esposa. Também tenho o privilégio de ter pessoas que apoiam e ajudam na organização do dia a dia. Amigos e família e meu companheiro nessa trajetória, meu marido.

12- O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrun? Não vejo a possibilidade de fazer uma ultra maratona a nível de competição sem acompanhamento nutricional, acho essencial.

 

13- Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova? Não sigo dietas restritivas, faço uma alimentação equilibrada e orientada pela minha nutricionista esportiva. Uso pouco suplemento, dou ênfase a comida. Dez dias antes das provas, procuro diminuir doces e não consumir álcool e aumento a ingestão de água. Durante a prova uso gél, água de côco, gatorade, palitinhos salgados e gomas. Pós prova frutas vermelhas, uma coca cola bem gelada e uma refeição com carne, massa e um bom vinho (outra paixão).

14- Quais provas te marcaram mais? UTMB (OCC) 56km. Sensacional.

15- Qual será seu maior desafio em 2020? Pretendo fazer a Lavaredo Ultra trail em Cortina d`Ampezzo, e tentar o sorteio da UTMB (CCC) 100 km.

16- Como você vê o momento do trailrun no Brasil? Em crescimento no país, e principalmente em nosso estado. Tem conquistado muitos adeptos que gostam de conciliar corrida e natureza.

17- Na sua opinião, o que o 1º Campeonato Gaúcho de Trail Running representou para o Estado?
Oportunidade incrível de alavancar o traill running, buscando melhorar a organização das provas e elevar o nível dos atletas participantes.

18- Qual prova você indicaria para uma Maria? Patagonia Run e sem dúvida nenhuma UTMB. No Brasil as etapas do Campeonato Gaúcho.

19- Qual seu maior sonho dentro do trail? Ainda pretendo aumentar a minha quilometragem, e me desafiar nos 100km.

20- Na sua percepção, ser trail runner é…superar-se a cada treino.

21- Por que você indica o trailrun como prática esportiva? É um esporte que concilia corrida em lugares incríveis, natureza e nos proporciona fazer novos amigos.

Obrigada Dalila, torcemos muito pelo teu sucesso, que tua disciplina, teu foco e tua força seja multiplicada, para que alcances todos os teus objetivos. As Maria´s da Trilha vibram a cada conquista de uma mulher trail running.

O Caminho até aqui.- Lúcia Magalhães

Ela é demais! Tivemos o primeiro contato na UD Passa Quatro em 2017. Ficamos impressionadas com a performance, com a energia e a resistência. A partir daí seguimos esta gigante e ficamos muito felizes com a sua convocação ao Mundial Trail 2019. Ela leva Deus no coração e sempre conquista o primeiro lugar do pódio. É a atual campeã feminina da Patagonia Run – 110 km, com um tempo de 16h47min, 11º geral. Com a sua personalidade prática, ela, em poucas palavras fez um relato surpreendente. Este relato tu não podes perder!

O fato de comprar meu primeiro smartphone me ajudou bastante a iniciar minha caminhada com a corrida. Como eu sempre gostei de ir no parque correr eu baixei o aplicativo de corrida no celular e comecei a leva-lo comigo. Com o aplicativo eu podia correr fora do parque e ter o controle da distância percorrida e dessa maneira eu me obrigava a sempre correr um pouco mais do que no último treino. Fui me desafiando a cada treino até o dia em que corri 15km sozinha. A partir daí concluí que devia procurar um curso de corrida, pois eu já era formada e trabalhava na área já tinha alguns anos e queria aprender mais sobre o treinamento específico dessa modalidade.
Nesse curso de corrida que fiz em uma academia na minha cidade conheci um rapaz que me chamou para um treino outdoor, me interessei pelo convite e fui. A partir desse treino percebi o que queria para minha vida, não tinha ideia do que viria pela frente, mas senti que ali era o meu lugar. Já nesse mesmo ano (2014) me inscrevi para minha primeira prova de trailrunning na distância de 21km, eu sempre gostei de distancias maiores, não que 21km seja considerada uma longa distância, mas não passou pela minha cabeça ir até a Ilha Bela e passar um tempo muito curto correndo. Nada contra distancias menores, certo? Eu admiro quem corre distâncias curtas, pois são incrivelmente intensas para mim. Nesse mesmo ano, depois de alguns meses treinando fui para uma prova de 40km na Serra Fina, e sem ter ideia alguma que era possível fiquei em terceiro lugar geral entre as mulheres. Isso me motivou demais a ingressar de fato no mundo das competições.
A partir desse momento passei a ter um treinador e a cada prova analisava minha performance e procurava detectar onde eu não era boa. Assim, conversava com meu treinador e passava a focar meus treinos naquilo que eu realmente precisava. Passei a selecionar provas que eu julgava serem desafiadoras e que tinham uma projeção bacana no calendário nacional e treinava especificamente para elas. Meu desempenho foi melhorando de prova em prova e comecei a subir no pódio ao lado de grandes atletas que eram consideradas elite.


Em 2017 tive um belo salto de performance, depois de minha única lesão na vida ficando 4 meses parada sem correr decidi que iria dar a volta por cima e ser mais disciplinada ainda quando voltasse. E não deu outra, esse ano de 2017 foi um ano em que me entreguei mais ainda ao esporte e passei a ter resultados muito bons em provas duras. Ingressei no meu time de hoje em dia, Go on outdoor, e comecei a ser uma pessoa conhecida pelos meus resultados como atleta. Nesse ano ganhei praticamente todas as prova que fiz ficando em segundo lugar apenas em uma prova, porém metade da prova disputei com uma grande atleta e isso me motivou muito. Eu perdi a disputa, mas foi como se tivesse ganho de tanto conhecimento sobre mim mesma que adquiri. Eu fiquei muito empolgada com tudo que acontecia.
No ano seguinte em 2018, mais bons resultados (graças a Deus!) e minha primeira prova fora do Brasil. Conquistei um sexto lugar entre as mulheres em uma prova bem acirrada na Europa, tive oportunidade de correr com atletas da elite mundial e nem por isso me senti menor. Eu sabia que tinha treinado muito e queria buscar meu melhor mesmo disputando com a melhores do mundo. Foi um balde de aprendizado e percebi que nós brasileiros somos tão bons quanto todos as outras nações, nós apenas precisamos de mais disputas para percebermos o que precisamos melhorar, e para nos fortalecermos diante das situações de competição acirrada. Precisamos competir mais e mantermos nossa autoestima positiva!


E agora em 2019, fiz minha primeira grande ultramaratona de montanha realizada com sucesso graças a orientação do meu fantástico treinador, que é também meu sócio na empresa que trabalho. O Bonatto me orienta para as provas e tem me ajudado demais a manter minha performance sou muito grata a ele. E esse ano também tive a felicidade de ser convocada para compor a seleção brasileira feminina no mundial de trailrunning ao lado de atletas que admiro muito. O mundial será realizado em Portugal no início de junho, preciso treinar muito até chegar lá. Estou feliz, pois este é meu quinto ano como atleta de corrida de montanha e tenho me dedicado muito desde que iniciei as competições em 2014. Agradeço a Deus por todas essas benções em minha vida, agradeço a Ele pela vida da minha família querida e pela vida do meu marido César. Sem a parceria do César nesses anos, eu não teria chegado até aqui. O meu muito obrigada ao Deus querido.

Lucia da Silva Magalhães

Franciela – A Campeã da TUTAN

Natural de Florianópolis-SC, ela é Jornalista de formação, mestre em Educação. Atualmente cursa Nutrição e tem a ultratrail no coração…até rimou! Além de todas estas atividades, ela casada, faz estágio no Departamento Médico no Avaí Futebol Clube e atua fortemente na área comercial da Vidas Corridas.

Convidamos a Franciela Fantin, 1ª colocada Feminina da TUTAN – Transmantiqueira Ultratrail Agulhas Negras – 100km, que ocorreu em Abril /2019, para nos contar um pouco do seu dia a dia, enfatizando a prova que a consagrou campeã. Curtam conosco mais esta belíssima trajetória.

Como conheceu o trailrun?

Corro há 4 anos e meio, mas nos três primeiros anos, corri somente asfalto. Há 1 ano e meio descobri o trail running e desse então migrei somente para esta modalidade.Quem me apresentou o trail run foi o ultramaratonista Claudio Vicente, quando me convidou para fazer o Mountain Do da Lagoa em dupla mista. Bom, nem preciso dizer que foi amor à primeira vista.

 

O que motivou você a iniciar no trail run?

Foi o Claudio, me convidando para fazer o MD em dupla mista. Mas também me motivou pelo interesse em fazer longas distâncias. Após a Maratona de Porto Alegre em 2017, decidi que eu queria mais que 42km e naturalmente as ultramaratonas te levam para a prática do trail run.

Qual foi a sua primeira prova trail e sua percepção? 

De trail foi o Mountain Do da Lagoa, em dupla mista, em outubro de 2017.Foi fantástico, na verdade, eu já sentia isso nos treinos. Mas mais realizada ainda fiquei quando fiz minha primeira ultramaratona (45km), ficando em segunda geral (Amazing Runs Garopaba) e depois quando fui aumentando as distâncias, chegando agora aos 100km, é onde realmente me sinto realizada. Correr por horas e horas é algo que não se explica, somente é possível sentir. E eu tenho foco em desempenho. Tem corredores que gostam de curtir a paisagem, tirar fotos do percurso, e não tem nada de errado nisso, cada um com seu foco, o meu é desempenho.

Você faz parte de alguma assessória esportiva? Qual? E como são seus treinos?

Sim. Carlos Venturini Treinamento de Corrida.

Faço os treinos de corrida orientada pelo Carlos Venturini, faço preparação física na academia, orientada por dois profissionais, tenho uma nutricionista que me orienta e ainda faço fisioterapia preventiva, evitando ter lesões.

Pratico 5 treinos de corrida por semana, variando entre intervalados em pista, tiro em subida, fartleks e os longos no sábado e no domingo; e 2 treinos de preparação física na academia com o personal trainer.

Como concilia as tarefas do dia-a-dia, os treinos e as competições?

Treino as 5 da manhã todos dias. No sábado saio antes devido aos longões. Faço faculdade de nutrição, então estou na aula todas as noites e a tarde eu faço estágio no departamento médico do Avaí Futebol Clube (área de nutrição). No período da manhã atuo com a loja Vidas Corridas.

 O que você pensa à respeito do acompanhamento nutricional para os treinos e competições de trailrun? Como é a sua alimentação pré, durante e pós prova?

Indispensável. Não existe fazer endurance sem acompanhamento nutricional. Visito minha nutri esportiva (Amanda Miranda) a cada 2 meses e em período de prova com mais regularidade ainda. Toda a estratégia de nutrição e suplementação são pensadas por minha nutri conforme o meu tipo de treino, a prova que vou fazer.

Minha alimentção pré-treino depende da modalidade que vou praticar, se for intervalado é um tipo de suplementação, se for fartlek é outro, longos requerem outra suplementação. E para cada prova também tenho uma estratégia a fim.

Quais provas te marcaram mais?

Brasil Ride Botucatu 70km – QUINTA GERAL

XC Run Itaipava 50km – TERCEIRA GERAL

TUTAN 75 ou 100km – CAMPEA

Qual será ou foi seu maior desafio em 2019?

Foi a TUTAN 100km como a prova alvo do primeiro semestre

Será a La Mission 80km no segundo semestre

Como você vê o momento do trailrun no Brasil?

Está em expansão, o que é bom. Mas nas provas de longas distâncias tenho percebido muitos corredores despreparados para tal desafio. O ruim é que acabam desistindo da prova e por vezes do próprio esporte. Ultramaratona não é brincadeira, você precisa treinar muito, ser muito bem orientado por profissionais da área. Me preocupo com a “síndrome do super herói”, do cara que vai lá fazer uma prova longa sem preparação só para dizer que se superou, mas por vezes acaba lesionado, demora muito tempo para se recuperar ou até mesmo desiste das ultras depois.

Qual prova você indicaria para uma Maria?

Brasil Ride Botucatu 70km

XC Run Itaipava 50km

TUTAN 75 ou 100km

Qual seu maior sonho dentro do trail?

Fazer a UTMB (neste ano estou fazendo provas que dão pontuação)

Na sua percepção, ser trail runner é…

Treinar, treinar e treinar muito para alcançar os resultados

Por que você indica o trailrun como prática esportiva?

Porque não é fácil, porque tem que se preparar muito para enfrentar uma prova casca grossa como a TUTAN, por exemplo.

Obrigada pela contribuição Fran, desejamos que teus passos seja cada vez mais longos e seguros. Estaremos sempre sempre na torcida pelo teu sucesso.

Ultra Machu Picchu Trail UMPT – Relato de Taís Damasio

Ela escolheu a data do seu aniversário para se tornar ultramaratonista de montanha. Resolveu ir correr a Ultra Machu Picchu que ocorreu no úlitmo dia 13/04/2019. Foi a única mulher a completar a distância e se consagrou campeã!

Fomos atrás da taís para que compartilhasse conosco o seu sentimento, divirtam-se, o relato está lindo.

A expectativa era grande. Correr acima de 4500m de altitude, por si só, já seria um desafio gigante. Eu não sabia como meu corpo reagiria a diversas horas em atividade em um ar tão rarefeito. A expectativa virou medo, quando dois dias antes, ao subir a Montanha das Sete Cores (5.036m de altitude) com o objetivo de aclimatar, eu tive o tal do “mal da montanha”: dores horríveis de cabeça, pressão muito forte na nuca e vômitos intermináveis. Um pavor! Se isso acontecesse na prova, eu estaria fora! Era impossível ficar em pé.

     Chegou o dia. Às 4hs da madrugada parti de Mollepata em direção a Comunidad Kamas, local da largada. As 6hs começou a prova, com 3.250m de altitude, frio e  muito vento. Alguns brasileiros amigos largaram comigo, mas logo nos separamos e dali em diante foi uma prova solitária, raros alguns momentos. Já no Km 6 tive que atravessar um rio pela altura da canela. Resolvi parar e tirar o tênis. Achei muito arriscado molhar o pé, num clima tão frio e assim permanecer por muitas horas, tendo tantos kms pela frente. Escolha certa!

     Do 6km em diante foi só subidas. Logo no km 8 comecei a subir a primeira montanha, chamada Kamas, que em 9km de subida fez eu chegar a 4.718m de altitude, 1.790m de altimetria e uma paisagem de encher os olhos e o coração. Alcancei o topo no km 17, com quase 4 horas de prova. Ali era para ter um ponto de hidratação e alimentos. Entretanto, não havia nada e eu quase não tinha mais água e suplementos. O que não tem solução, solucionado está. Condicionei meu corpo e mente para chegar até o km 30, onde haveria o próximo PC. Segui firme e o melhor, feliz.

    Logo encontrei um atleta das 100 milhas chorando agarrado numa pedra. Perguntei se estava tudo bem, se precisava de algo. Ele me disse que tinha fobia de altura, que embora fosse ultratrail nunca havia corrido em meio a tantos penhascos. Sentei do lado dele e disse que ele não tinha opção, que teria de enfrentar aquilo porque ninguém iria tirá-lo dali antes dele morrer congelado. Eu falava e ele chorava mais. Peguei na mão dele e disse que ele iria descer comigo. E lá fomos, pé por pé. Ele seguiu chorando e eu não parei de falar nenhum segundo, sempre tentando mostrar o quanto tudo estava sendo transformador. Que a fobia ficaria na montanha e que ele sairia daí muito mais forte. A descida era absurdamente técnica. Custamos para ficar em pé. Chegamos a levar 50 min para descer apenas 2km. Terminamos bem, ele mais forte e eu muito feliz em ter sido útil. Segui.

    No Km 23 encontrei uns nativos assando batata no chão. Uma criança veio me oferecer uma. Que espetáculo! Nunca esquecerei o sabor. Comi com casca e nem me importei com o fato de estarem com um pouco de barro. Aliás, comi 4!

    Mais adiante resolvi para numa água corrente em meio as pedras para encher todas garrafinhas de hidratação e suplemento. Que tranquilidade! Estava bem abastecida.

    Nesse ponto encontrei um italiano passando muito mal pela altitude. Parei mais uma vez. Tentei ajuda-lo com tudo o que tinha: folha de coca, oxigênio (levei um pequeno cilindro comigo para essas emergências) e água florida (que eles usam muito para dor de cabeça da altitude).

    Segui bem. As paisagens eram lindas demais, de tirar o fôlego. Mas o terreno era duro demais. Pedras e pedras. Umas gigantes que precisavam ser escaladas, outras menores que ao menor descuido nos levavam ao chão.

    Cheguei no Km 30 com 7h30min de prova. Entrei no PC e só consegui comer queijos e amendoim. Havia sopa, mas achei o cheio muito forte e resolvi não arriscar. Nesse momento soube que eu era a 1ª colocada. Nem acreditei! Logo chegou um rapaz das 100 milhas e me disse que a 2ª colocada estava logo ai. Resolvi não me demorar (kkkk) e logo comecei a subir a 2ª montanha. Meu Deus! Foram intermináveis 13km subindo. Nessa parte da prova encontrei muita gente. Eram turistas que falavam todas as línguas imagináveis. Todos falavam comigo, aplaudiam e davam aquela força. Eu não atendi nem a metade do que me disseram, mas respondi tudo. Era tão bom ver gente! Também encontrei muitos cavalos descendo as montanhas carregando alimentos para os nativos. Que vontade de montar em um e fazê-lo subir (kkkk). Quem não teria, né!

Cheguei ao topo no km 43, com 4.618m de altitude e 12h44min de prova. A partir dai que a coisa ficou tensa. Escureceu e eu, novata no ultra trail descobri, só nesse momento, que minha lanterna era de alcance médio. Eu estava sozinha, numa escuridão, com uma montanha gigante e imponente do meu lado, e minha super lanterna me permitia ver uns 10 passos a minha frente. Ou seja, além de haver poucas marcações eu não conseguia enxergar as poucas que tinham.

Resolvi me guiar pelo rio e pelos cocôs de cavalos e vacas. Afinal, se os animais por ali passavam é porque haveria caminho e eu chegaria em algum lugar. Todo cuidado era pouco. A região é repleta de penhasco e qualquer descuido poderia ser fatal.  Assobiava muito na esperança de encontrar alguém perto. Mas nada! Nem lanternas eu via. Rezei tanto, mas tanto, para estar no caminho certo. Cruzei o rio inúmeras vezes. Me vi perdida várias outras. Mas desespero não iria resolver nada. Uma hora alguém apareceria.

Por vezes, via vultos e me enchia de alegria, mas logo percebia que era um cavalo ou uma vaca. Foram 6 horas assim, até chegar a base da montanha. Que felicidade! Ainda mais que tinha uma PC.  Recebi uma benção de um inca que me revigorou. Que povo mais místico e cheio de energia! Comi pão puro e café preto. Nesse momento soube que 5 mulheres já haviam desistido. Guardei uns pães no bolso da bermuda mesmo e segui.

A montanha tinha acabado, mas os penhascos não. Tremia muito as pernas de cansaço. Por vezes elas não me obedeciam. Cai muito. Quando batia o medo, eu o espantava pensando no quanto tinha sido duro chegar até ali e no quanto eu tinha sido forte. Alinhava a mente e me reequilibrava.

Cheguei no km 51, onde havia o ultimo PC com alimentos. O organizador da prova estava lá e me disse que faltavam 15km (10km seguindo o rio, dentro do Caminho Inca e mais 5km até chegar ao povoado de Mollepata). Fiz as contas na hora e fiquei tão aliviada porque a prova terminaria no km 66. Mas não foi bem assim. Terminei os 10km do Caminho Inca e nada de sinal de luz. Segui por mais 8km de sobe e desce, com terrenos sempre muito técnicos. Comecei a ver luzes, mas muito distantes. Entrei finalmente num estradão que, em 9km intermináveis, me levou a Mollepata, local da chegada. Como era 1h07min da madrugada, havia pouquíssimas pessoas. Tive uma prova e uma chegada totalmente solitária, mas nunca havia me sentindo tão cheia de vida!

Antes de mim, apenas 3 homens cruzaram a linha de chegada. Fui a única mulher a terminar a prova, sendo que a última desistiu no km 60.

UMPT tem sido considerada a prova mais desafiadora e perigosa do mundo. Não é a toa. Há muitos penhascos por todos os cantos, o terreno é altamente técnico e há muito poucos pontos de controle. Além, de não haver sinal de telefone ou internet, o que dificulta muito a comunicação.

Por tudo isso digo, que a UMPT é linda e difícil na mesma medida e aí está a conclusão disso tudo.

A Maria de Sorocaba

As Marias foram até Sorocaba/SP, conversar com a Sabrina Franco Camargo Vieira, farmacêutica, casada, e, finischer, 4ª gral do KTR-Ilha Bela, ocorrida  no dia 10 passado.

Tem a família como Base, estrutura e apoio em todos os momentos e decisões de sua vida.  ” Só tenho á agradecer pelos meus pais, meu marido Júnior, minha irmã e minhas 3 sobrinhas lindas. E também pelos meus sogros, minha cunhada, sobrinhos que são minha 2°Familia. É muita gratidão.” O texto será narrado em 1º pessoa.

Iniciei com a corrida de rua em 2012, meu marido Júnior professor de educação Fisíca que é meu treinador, me levou em uma prova de 5km pela primeira vez e depois disso não parei mais e os km só foram aumentando a cada prova e a cada ano. Como sempre fui do esporte desde criança foi uma alegria conhecer esse mundo da Corrida é muito gratificante.Em 2015 uma amiga Lucimara me chamou para fazer uma corrida de trail em Cabreúva, chamada Armazém do Limoeiro era uma corrida que tinha 8km e 16km, já fui logo nos 16km e amei essa experiência foi amor a primeira vista, e ainda peguei pódio 1° lugar feminino na categoria de 35 a 39 anos, foi uma alegria para quem nunca tinha feito esse tipo de corrida e ainda ganhar um pódio.

Fiquei muito emocionada.Depois disso nunca mais quis saber de outro tipo de corrida. Me apaixonei pelo Trail Run e até agora só faço esse tipos de provas. As Provas de trilhas fechadas são as que eu mais gosto. Já fiz diversas provas ( Indomit, KTR, K21Serra do Japi, K21 Pico do Urubu, Brasil Ride Botucatu, Desafio 28 Praias, Desafio The Rock e muitas outras desafiadoras). E as que eu mais adoro são as Maratonas de Montanhas, os 42km são minhas paixões.

E ainda quero vivenciar as ultramaratonas que serão meus próximos desafios se Deus quiser. Quando faço uma Maratona sempre gosto de homenagear alguém importante para mim, isso me da muita motivação nos treinos e nas provas, é gratificante e ao mesmo tempo uma emoção.

A motivação para isso tudo foi o fato de correr na natureza, de estar mais próximo das belezas naturais que Deus nos proporciona a cada treino e provas. E o fato dos atletas serem mais prestativos e a recepção sempre é maravilhosa. Eu falo que os Montanheiros são tudo de bom é uma energia totalmente diferente da corrida de rua. As pessoas são mais unidas e uma ajuda a outra. Diversão garantida.

A minha primeira prova foi a Corrida Armazém do Limoeiro em Cabreúva/SP. Tive uma ótima percepção, foi uma alegria, diversão, uma misturada de energia e contato com a natureza e de ansiedade por ser a primeira prova de trail. Eu amei e nunca mais quis saber de outro tipo de corrida.

Não participo de nenhuma assessoria, meu marido é meu treinador ele é educador físico e me dá toda assessoria de treinamentos há anos já, é meu braço direito, meu técnico, amigo, psicólogo e companheiro sempre, faz toda a diferença na minha vida de amadora. E aos finais de semana pago para treinar com a Live Assessoria Esportiva aqui de Sorocaba aonde faço os treinos de trilhas mais especifico com o professor amigo do meu marido.

 

Meus treinos são realizados em terrenos variados, rua, trilha, esteiras. Faço trabalhos intervalados, forte e fraco, técnicos em trilhas. De acordo com os meus limiares. Mais fortalecimentos em musculação, pilates, natação.

Geralmente consigo conciliar assim trabalho o dia inteiro e os treinamentos durante semana faço sempre á noite ou as vezes consigo treinar bem cedinho antes do trabalho, mais na maioria são a noite. Sou muito determinada, focada e disciplinada com os treinos e competições. Depende muito da semana, pois como sou Farmacêutica tenho uma rotina bem agitada. Mais consigo conciliar tudo, trabalho, casa, família, treinamentos e competições.

Acho super importante o acompanhamento nutricional, faz toda a diferença uma alimentação bem balanceada para esse tipo de modalidade, pois ajuda muito nos treinamentos e principalmente nas competições, pela alta exigência calórica. Um bom nutricionista do esporte é o melhor profissional que irá orientar para melhorar cada vez a alimentação atleta amador. Como em qualquer esporte de endurance.

Minha alimentação é toda balanceada e saudável, conforme a distancia que irei realizar a minha nutricionista faz um planejamento adequado para cada prova que irei realizar. Como bastante carboidrato e proteínas e faço uma boa hidratação que é muito importante na semana da prova. Faço o uso de suplementação pré, durante e pós prova. Não como nada diferente antes de da prova. E durante a prova depende muito de cada distancia que irei realizar. Mais sempre com bastante suplementação.

Aqui estão listadas as minhas provas de destaque, assim como um relato da KTR Ilha Bela, que consegui o 4º lugar geral nos 36 km.

K21 Serra do Japi em 2016: aonde fui 2°no geral dos 21km.

 

 

Desafio The Rock em 2017: 4°no geral dos 42km.

 

Desafio 28 Praias Abril 2018:  Vice- Campeã da Prova dos 42km.

Indomit Vila do Farol 10 anos agora em Agosto 2018:  3°lugar no geral

A KTR é um circuito de provas autosuficientes.
Na etapa de ilhabela são várias distância: Ligth 8km, Curta 12km, Média 21km,  Longa 36km e Ultra 80km. Nunca tinha participado dessa etapa é uma das mais desafiadoras. Esse ano devido a 3 semanas de chuvas muito fortes, cheguei ao congresso técnico na sexta dia 09/11 e nos informaram que o percurso iria mudar. A prova sai de castelhiano onde aventura começa já de jipe, mais devido ao tempo foi bloqueada pois caiu algumas barragem que impediram de chegar a Castelhiano. Estava muito ansiosa com a Prova e depois dessa noticia que iria mudar, tive que pensar na estratégia de prova.
A largada foi na Praia do Engenho d’água e la nos informaram que o nosso percurso teve que sofrer algumas alterações e também aumentou a distância de 36km foi para 39.8km.


Comecei a prova tranquila tentando manter um pace ali bem de boa, pois foram 8km de asfalto antes de entrar na trilha. Segurei um pouco para não queimar cartucho já na largada. Entrei na trilha e foi uma alegria,  estava bem desafiadora e perigosa em função das chuvas dos últimos dias. Fui administrando a prova, não sabia quantas mulheres estavam na minha frente, fui para a prova para competir, gosto de competição, apesar de saber que estava entre mulheres fortes, brutas e ultramaratonistas de respeito. Esta etapa é a classificatória para Mundial. Eu sabia que se fosse para classificação no geral eu teria que dar o melhor de mim nessa prova. Todo o cuidado era necessário, hidratação, alimentação e suplementação durante a prova. Afinal é uma prova auto suficiente e temos que levar tudo, não tem pontos de hidratação só algumas bicas de água durante o percurso para abastecer as garrafinhas. Nossa as garrafinhas ajudam muito. Foi a prova mais desafiadora que fiz . No km 30 aonde era o ponto de corte, tínhamos que passar lá até (06:30) de prova. Eu passei com 05:00 esse corte fica no mirante do Baipi, aonde passamos para encarar a tão Temida subida do Pico do Baipi que são quase 4km de subida com altimetria de quase 2000. É uma subida que não tem fim, lá a gente brinca que “vai do céu ao inferno”.

Meu ponto forte são as subidas, foi aí que comecei a me destacar na prova, deixei várias mulheres para trás, esta bem tensa com muitos obstáculos, muita pedra, lama, cipo, cobras, mais chegando lá em cima é muito gratificante e lindo. Depois disso temos que descer tudo de novo e para descer estava extremamente liso, prejudicando a locomoção.

O nível da prova foi muito difícil, mas a experiencia incrível, um desafio perigoso mais nos atletas estávamos cientes que as provas da KTR tem esta característica – auto-suficiência e dificuldade técnica..
Foi emocionante para mim.

Quando eu estava no km 33 descendo o Pico, o staff mencionou a minha posição na prova. Naquela hora passou um monte de coisa na minha cabeça, eu não acreditava que estava entre as primeiras, fiquei emocionada, chorei e fui embora. Na descida tivemos muitas dificuldades, pois tudo escorregava eu várias vezes cai enrosca nos cipós. Durante o percurso vi muitos atletas parando devido as câimbras e desidratação, mas comigo felizmente, deu tudo certo.


Foi incrível viver essa experiência na KTR ilhabela. E ainda chegar entre as primeiras com essa mulherada Bruta, melhor ainda.
Fiz meu tempo de prova: 07:14 ficando em 4°lugar no Geral da prova longa.
O pessoal me apelidou de “Jaquatirica das Montanhas” kkkkkkkk.


Eu só tenho á agradecer ao meu esposo Júnior, que é meu treinador que pega no.meu pé, puxões de orelhas nos treinos, pois sabe que gosto de competir. E ao pessoal da Assessoria que faço de final de semana a Live Assessoria que me.ajudam muito nos treinos de Montanhas.

Meu maior sonho hoje é ser classificada para o Mundial de Trailrun e representar o Brasil.

Fora isso continuo praticando e indicando o trailrun porque é um esporte que faz bem a saúde, ao coração, previne vários tipos de doenças. E também porque é um esporte divertido e de uma energia fabulosa. Aonde as pessoas se conhecem fazem muitas amizades e se tornam uma familía Trailrun.

As Maria´s da Trilha agradecem a tua participação e que venham muitas outras vitórias para que teu sonho se realize…que venha o tão sonhado Mundial.

Cledi, a garota das 100 milhas

Clediane Lunardi, gaúcha, natural de São Martinho, movida ao esporte desde pequena, aos nove anos de idade já participou dos jogos olímpicos na sua escola, onde venceu meninas e meninos numa competição de embaixadinhas, com 132 embaixadas Após aventurou-se para o futsal, em que acumulou medalhas e troféus. Esporte e competição sempre estiveram ao seu lado, então migrou para as corridas curtas de pista.

Após sua mudança para Farroupilha na serra gaúcha, e um período de depressão, com o apoio de uma amiga, reiniciou o ciclo das corridas que foram evoluindo para maratona e a tão sonhada ultratrail.

Após ter concluído algumas ultras curtas, Circuito Trilha e Montanhas – 50 km – Brutus do Gaúcho, Indomit Costa da Esmeralda – 50 km, sendo que algumas delas como o primeiro lugar no pódio, decidiu que queria ir mais longe, correr as 100 milhas (160km) do Indomit Costa da Esmeralda.

Essa moça sapeca, pequenina fisicamente, alegre, e com uma força peculiar, veio nos contar como passou durante o seu tempo de exposição na Ultratrail 100 Mi no Indomit Costa da Esmeralda, que com muita garra, trouxe o título para o Rio Grande do Sul. Vale a pena conferir. O texto é narrado em primeira pessoa, pois tentamos manter aqui a emoção que a Cledi tentou nos passar ao relatar a sua experiência. Aproveitem

“Antes de começar a relatar toda diversão que foi correr a Indomit, importante contar que três meses antes  da prova, me privei de muitas regalias, fiz vários testes juntamente com nutricionista e academia, em busca da melhor adaptação do organismo e músculos.

Dois meses antes da prova reservei  hotel para muitas pessoas que  iriam me acompanhar, minhas duas sobrinhas, mãe, irmã. E faltando apenas duas semanas estava quase certo que meu irmão, cunhada e dois sobrinhos também estariam lá. Uma felicidade me invadia, afinal família é refúgio e vida. Correr por eles e saber que passar a linha de chegada encontraria quem mais amo, seria a melhor das sensações.

Infelizmente por situações rotineiras não foi ninguém. Foi engraçado, pois na penúltima avaliação, brinquei com minha nutricionista dizendo-lhe que não bastava ela ser amiga e  nutri, era também minha psicóloga.  Fui tão vibrante e feliz contando que teria quase toda minha família lá e na avaliação seguinte choramos juntas, pois pra mim a prova já não era mais tão importante.

Denise Gaio lembrou que há dois ano e meio atrás, na minha primeira avaliação ela perguntou qual era meu objetivo. Respondi que queria ser Ultramaratonista. Quando participei em 2017 dos 50km na Indomit, fui na Denise e a disse que no ano seguinte queria fazer 100Mi.

Poucas pessoas acreditaram na minha capacidade, ela foi uma dessas pessoas. Vamos trabalhar, fazer testes e treinar muito para conquistar a Indomit Costa da Esmeralda – 100 Mi.

Um dia antes de ir para Santa Catarina, me certifiquei de que não esqueceria nada para prova, dispus os equipamentos, roupas, tênis e comidas na cama para conferir se estava tudo ok.

A Largada:

Na foto acima minutos antes da largada, baixei a cabeça e pensei. Bom minha família apenas não esta aqui de corpo presente, continuarei correndo por eles e por ela (a minha nutricionista) que utilizou o seu período de férias para estar lá comigo.

Tive apoio da Denise, Everton, Alexandre , Panazzolo, e amigos atletas que participaram da competição Luciene, Arcari, Cris, Brandelli, Marcio e Jasieli  pessoas fundamentais para minha conquista.

Na quinta-feira após pegar o kit e número de peito criei um grupo no whatsapp, nele estava muitas pessoas que acredito merecerem estar lá, família e amigos. Tinha muita gente e confesso que faltou muitos. Ele tinha como propósito mantê-los informados, da minha situação durante a prova e também de certa forma, sentir que todos estavam ali correndo ao meu lado.

Bom, a largada foi como todas as outras, coração já acelerado e frio na barriga. Estava pronta. Uma garoa contínua nos acompanhou durante 24horas.

No quilometro 31 já estava com corpo tomado por endorfina, corria num ritmo muito bom, forte demais para quem tinha tanto chão pela frente. Nesse quilômetro fui parada por uma cratera que se formou num córrego que ia em direção ao mar. Impossível passar, as ondas eram imensas e não dava pé.  Conforme os minutos passavam os atletas chegavam, ficamos esperando baixar o nível d’água durante 45min. Após elevar o meu nível de estresse, pensei como minha avó, “nada acontece por acaso”, ok, fizemos uma foto e seguimos.

ALIMENTAÇÃO

Montei uns saquinhos com alimento e suplementos, que usei a cada  6km, vale salientar que todos foram testados durante os treinos. Eles misturavam salgados e doces, cada um devidamente descrito.  Carreguei no percurso o necessário para cada Posto de Assitência, ou seja, no primeiro drop bag –  quilômetro 36,  pegava toda comida lá guardada, corria e usava até chegar no próximo.

Sobre água, isso não pode faltar, tinha comigo o tempo todo. A cada ponto de apoio reabastecia, além de muita água, fiz uso de Coca-Cola que me auxiliou com sódio e açúcar.

O tempo assustava um pouco, pois era como se estivesse fugindo de uma tempestade.

O período da tarde de sexta foi muito difícil, pois além de chuva tinha um vento que atormentava a mente e me fazia questionar o porquê de estar ali sofrendo.  Na foto abaixo minha expressão de cansada, percorri por estratégia 58km sem bastões para poupar esforço nos braços e deu certo.

Após concluir a primeira volta 58km, estava muito bem, concentrada e determinada a passar a noite bem.

Antes de escurecer, para adrenalina ficar ainda mais em alta, estava subindo uma trilha com um atleta e avistei uma cobra enorme, meu coração disparou e me deixo alerta durante a noite toda. Estar na natureza e encontrar répteis peçonhentos era tão inevitável, quanto minha vontade de atravessar a linha de chegada.

Além de fotos enquanto corria enviei vídeos para o grupo que criei. Isso me ajudou muito, me encorajou a seguir sempre, pois a cada contato eu mencionava que a X distância eu os contataria de novo e sabia que devia chegar no próximo ponto.

No Drop Bag, nos 36 km, deixei apenas alimentos para chegar até o quilômetro 58. Concluindo a primeira volta troquei de tênis, detalhe, o tênis que por sua vez era o certo com travas e adequado estava todo reformado, pois havia levado dias antes num sapateiro para conserto. Posso dizer que seria pior, caso não tivesse ganho um par da loja Atitude Esportes de Bento Gonçalves, nesse caso, teria corrido 160km com apenas um par de tênis.  O que preciso evidenciar é que, um atleta pode ter os melhores equipamentos para fazer qualquer prova, seja ela de nível difícil ou fácil, se não tiver psicológico forte não conseguirá concluir.

Por outro lado, sei e concordo que ter tênis bons e ferramentas para tal é muito importante.  Ocorreu um erro, pois devido ao frio e garoa intensa durante o dia todo de sexta, no drop do km 58, tinha apenas tênis reserva, bastões e comida. Roupa limpa apenas no quilometro 108. Estava encharcada nesse ponto, felizmente tenho amigos, Rodrigo Brandelli tirou seu corta vento e me deu para seguir até a próxima parada. Seguimos.

A noite foi isso, com bastões me auxiliando consegui ganhar mais tempo. No mato as plantas raspavam molhada nas pernas e o barro que fazia, dificultava bastante a corrida. Sabia que faltava pouco para chegar num ponto de apoio e ao tentar acelerar, enrosquei um dos bastões num cipó e caí, foram vários tombos, porém esse com certeza foi o pior deles,  caíx em cima da mão e acreditava ter problemas a partir dali. Neste mesmo morro, não sei precisar horário, descíamos e avistamos uma luz vinda à direção contraria. Assustei-me achando que poderia ser resgate o algo semelhante. Ao se aproximar eu parei e perguntei ‘oque foi?’ e Bruno Campeão dos 100Mi respondeu _ “nada, você apenas vão descer tudo isso, dar uma volta enorme na ilha e passarão por aqui de novo”.  Imediatamente pensei, “nossa, esse cara é foda”. Ele já estava na segunda volta, e continuei meu pensamento firme, tinha a certeza que logo passaria novamente por ali também.

 A cada registro e parada uma brincadeira com Staffs e fotógrafos.  Eu falava pra eles “amanhã quero te ver de novo hein”. Manter a alegria e diversão em tudo que se fez é importante, ganhei novos amigos nessa prova e sei que estavam torcendo para me encontrarem no dia seguinte.

Na madrugada, drop do km 108, estava com frio e a ao chegar ouvi uma voz familiar. “vamos Cledi”.  Inacreditavelmente, a nutri estava lá, ela representou tudo que precisava para seguir. Ajudou-me a  organizar as comidas, troquei de roupa, meias secas e até provou “as misturas” de glutamina, whey, BCAA e tudo que foi combinado. Sim, como disse Everton (marido da Dê), “parecem mãe e filha”, uma torcia pela outra e ali meu desejo de chegar era ainda maior, pois eu e Denise ficamos muito tempo treinando e fazendo testes para que tudo ocorresse bem na Indomit. Antes de seguir, ouvi, agora te esperamos na chegada.

A luz da manhã veio, aliviando o coração. Mais uma etapa concluída desliguei a lanterna e segui.  Foi como se a natureza falasse comigo, pois amanheceu e novamente no meio da trilha outra cobra, eu estava correndo e quando a avistei uns 100 metros de distância, resvalei e cai, coração ainda mais acelerado, aguardei ela desaparecer em meio a capoeira.  Dessa vez meu ‘pace’ aumentou.

Quando cheguei no quilometro 138,4 fui muito bem recebida,  nesse ponto de apoio tinha comida, um par de meias secas, protetor solar, óculos de sol e viseira. Ajudou muito, pois ao contrário de sexta-feira, o sábado foi quente.

 Daquele ponto até a chegada faltavam apenas 22km, arredondando Meia Maratona. Ali tomei decisão de deixar os bastões, lanternas, pilhas reservas, corta vento, tudo o que não utilizaria. Carreguei comigo somente o necessário, pouca comida, água e uma garrafinha de Coca-Cola. Ali Germano que trocava minhas meias (imagem) me informou que uma das meninas havia desistido.

Minha vista antes de iniciar a segunda subida ao Morro do Macaco

Antes de subir Morro do Macaco encontrei quatro staffs, um deles corria na minha direção, questionei sobre o que acontecia. Ele respondeu, “nada não, apenas me movimentando, pois já estou desde ontem sentado”. Rimos todos, pois contrariamente, eu estava esse tempo todo em movimento.  Cheguei ao topo e de lá enviei vídeo e foto para o grupo que criei.

Sabia que descendo Morro do Macaco, restavam apenas dois morros a serem concluídos.  Corri 145km com psicológico em alta, bem  e disposta a chegar. Como é algo inevitável e acredito todos atletas passam por isso, chega um momento da prova em que dá a queda do atleta.  O meu chegou, no inicio de uma das praias, onde meu relógio não tinha mais bateria e eu já não tinha controle de pace e horas. Passei por três pontos, onde questionava staffs de quantos quilômetros faltavam para chegar, todos, absolutamente todos me informaram distancias diferentes e erradas. Daquele ponto em diante, não existia mais brincadeiras e meu pensamento era “não vou conseguir”, uma ansiedade e angustia me tomavam e eu seguia cada vez mais forte na velocidade. Diferente da maioria, meus momentos de queda, me fazer acelerar ao invés de desistir ou parar. Comigo corria um argentino, à única coisa que ele ouvia de mim era, “EU PRECISO CHEGAR, EU PRECISO CHEGAR”, tentando me confortar e ajudar ele respondia o tempo todo, “Tranquila, tranquila, estamos llegando’”.

Como se tudo que tivesse feito até então, não significasse nada. Meu coração estava acelerado e o medo de não chegar a tempo me invadia. Nesse momento respirei, olhei para trás e vi o hermano caminhando, parei também, peguei meu celular e liguei para Denise, quase que me desculpando e chorando falei “Dê eu não vou conseguir”,  apenas uma coisa ela respondeu, “calma, respira e continua, caminha e respira”, desliguei o celular com um nó na garganta, olhei um álbum muito especial que criei anteriormente a prova, nele continham imagens da minha família, sobrinhos, mãe, pai, marido e uma frase do evento *A FORÇA PROVÉM DE UMA VONTADE INDOMÁVEL*, parece bobagem, mas pra mim funcionou, afinal treinei tanto para desistir faltando tão pouco?

Nesse momento além do desespero de querer chegar, as bolhas nos pés me faziam sofrer. Ao visualizar um ponto de apoio, comecei a caminhar, respirei fundo e falei com um casal de staffs. “Por favor, se não souberem quantos quilômetros faltam para minha chegada, liguem na organização e perguntem, pois estou com psicológico afetado e preciso da informação correta.” Ambos riam e a moça falou como se fosse música para meus ouvidos. “calma, você é a Campeã dos 100Mi, faltam apenas 7km e tens 3:00h para atravessar a linha de chegada.” Com olhos lacrimejando, sorri e falei, “Serio?” , O rapaz novamente rindo disse, “sim, você é a Campeã”, e eu “não, é serio que faltam apenas 7km?”

Estranhamente, ali não me importei com classificação, queria apenas chegar. Voltando ao real, peguei celular e gravei uma áudio para o grupo informando a tal informação recebida.

Esses 7km foram para mim os mais longos, pois parecia não chegarem, a ansiedade era tamanha que não me dava conta do quanto já havia percorrido.  Senti tantas dores nesse percurso que achava estar com os pés sangrando, duas vezes cogitei parar e tirar os tênis, mas doía tanto que não conseguiria voltar. Sim, faltava tão pouco, poderia seguir o restante caminhando, mas a única forma de aliviar as dores nos pés era correr. E assim foi a finaleira, corri querendo ouvir o que foi dito. “A CAMPEÃ, A CAMPEÃ DOS 100Mi CHEGOU!”

Adrenalina, vontade, aventura, família, amigos, apoiadores, muito, muito treino, preparo físico e desejo de chegar, foi o que me fizeram atravessar a linha. Cheguei, abracei a nutri e disse: “Obrigada, obrigada por acreditar em mim, por acreditar que eu conseguiria, Dê conseguimos!”  Ela foi a primeira a embarcar nessa loucura e a única, dias antes da inscrição a me incentivar e dizer você vai conseguir.”

Viram? Dissemos que valeria cada palavra! Que relato! Emocionante e real como as coisas da alma!

Querida Cledi, obrigada pela tua contribuição. A Maria´s da Trilha com certeza estarão ainda mais estimuladas com o teu relato.

Que essa tu energia esteja sempre contigo e que venham muitas outras ultramaratonas na tua vida.

Pequena movida a desafios e grande como os verdadeiros sonhos devem ser!

É possivel prevenir lesões? Um breve relato do Fisioteraputa Matheus Kowalski

Correr tem imensos benefícios, mas como tudo, qualquer atividade em excesso ou sem os cuidados necessários tem os seus malefícios. Tantos podem ser os problemas, que muitas vezes nos deparamos com atletas que não encontram extrema dificuldade em recuperar a sua performance por conta das lesões crônicas adquiridas. Normalmente tais lesões são consequência, principalemente, da falta de acompanhamento de um profissional adequado ou  mesmo por falta de cuidado e respeito com o seu próprio corpo.

O nosso corpo necessita de manutenção, a prevencão e a proatividade fazem parte de uma boa parte do sucesso de um atleta, seja ele amador ou profissional. O nosso querido amigo Matheus Kowalski, fisioterapeuta experiente e sócio da Suporte Reabilitação Esportiva, nos trouxe alguns tópicos que nos auxiliarão na prevenção de algumas lesões que possam nos tirar ou distanciar temporariamente do mundo trail.

É possivel prevenir lesões?

Primeiro temos que entender que a lesão muitas vezes ocorre pelo desconhecimento ou desleixo do atleta “amador” ou até mesmo “profissional”.

Devemos saber que existem modelos multifatoriais que podemos prevenir antes do EVENTO LESÃO.

Os fatores intrísecos, aqueles que provém do nosso corpo, devem ser levados em consideração para a longevidade do atleta, são eles, os principais:

-Força muscular – o atleta deve manter a sua musculatura fortalecida, para que consiga suportar a sobrecarga dos treinos e os desafios lançados. O reforço muscular deve fazer parte do alinhamento da planilha de corrida. Existem exercícios específicos que fazem a manutenção do corpo e os tornam resistentes para suportar também outras estruturas como ossos e tendões.

-Flexibilidade – deve ser trabalhada para o desenvolvimento correto, no que se refere amplitude, dos movimentos exercidos na corrida, e, ainda também trazer estabilidade às articulações, evitando entorces acidentais, por exemplo.

– Alinhamento anatômico – o atleta precisa reconhecer a importância do corpo estar alinhado,  a necessidade de trabalhar determinados modificações posturais que contribuirão para a diminuição do risco de lesões. O profissional envolvido deve incentivar o atleta a desenvolver exercícios propostos para este fim.

– Fatores Psicológicos – o atleta deve ser motivado a evitar lesões, geralmente os treinos são estressantes e acabam por fadigá-lo, antes mesmo dele se dar conta do que está acontecendo. O profissional deve estar ao lado do atleta para demonstrar que correr, seguir uma planilha focado em um objetivo, cansa, fadiga e desestrutura psicologicamente.

– A nutrição inadequada é diretamente proporcional ao aparecimento de lesões. As células devem receber um aporte de macro e micro nutrientes adequados para sustentarem a sua saúde. Busque um nutricionista.

– O biotipo do atleta e a sua idade também contribuem para o aparecimento dos tais incômodos citados, a cautela sempre deve ser adotada nestes casos.

Temos também os fatores extrínsecos que podem comprometer a saúde do atleta, podem acometer sua performance, eles estão aí e precisamos estar preparados fisicamente para enfrentá-los, pois destes não temos controle. São os fatores ambientais, as regras da prova, a escolha do calçado, dos equipamentos, e principalemnte, o treinamento.

Matheus nos conta que um estudo americano mostrou os principais locais de lesões e as áreas do corpo afetadas.

Sempre antes de iniciar um ciclo de periodização para alguma prova alvo é recomendado que o atleta passe por algumas avaliações: cardiológicas, ortopédicas, fisioterápicas, nutricionais e, sempre, orientado  por um profissional de Educação Física. Tudo isso para estabelecer metas, reconhecer as condições reais de enfrentar o desafio ao qual está querendo se propor.

Ele, como profissional de Fisioterapia, sempre realiza os seguintes testes:

  1. Anamnese Clínica
  2. Avaliação do Dinamismo do Joelho
  3. Avaliação da Rigidez de Quadril
  4. Avaliação do Pé (Estática e Dinâmica)
  5. Avaliação da Força Funcional de Músculos envolvidos com a corrida
  6. Avaliação da Flexibilidade
  7. Avaliação Proprioceptiva
  8. Testes Específicos

 

Mas e aí Maria’s, é possível PREVENIR uma lesão?

Sim, é possível. Com esses dados podemos direcionar o atleta a realizar um reforço muscular específico para os desequilíbrios apresentados. Trabalhos proprioceptivos (equilíbrio) para tornozelos, joelhos, quadris, flexibilidade caso seja necessário trabalhar, ver o alinhamento corporal e a possível necessidade do uso de órtese (palmilha ortopédica), massagem ou liberação miofascial utilizando bolinhas de tênis, foam roller, rolo massageador. Matheus também defende a utilização de gelo pós- treino, pois considera de grande valia para minimizar os micro traumas musculares.

Estas ideias sucintas mas de grande valia são apenas a ponta desse enorme iceberg que é a fisiologia do exercício. Assunto que termos espaço para diversas discussões, a fim de proporcionar ao atleta o amadurecimento necessário para uma “caminhada” longeva e sustentável no mundo das corridas.

Vale ressaltar que cada atleta é um ser único, e a resposta ao treinamento proposto é só sua. O que é adaptado muito bem para um atleta, pode ser prejudicial ao outro, pois como já foi citado, existem vários fatores envolvidos na preparação de um atleta.

O que necessitamos é tratar este assunto com seriedade, pois estamos correndo e praticando o esporte para evoluírmos saudavelmente. O importante a ser refletido também é respeitar as etapas, devemos adquirir a consciência de que tudo tem o seu tempo e necessita de amadurecimento para termos sucesso. O atleta precisa do auto-conhecimento para encarar as reações do corpo com maturidade e aprender com elas, diariamente.

Tudo isso porque vai doer, não será fácil, vamos nos sacrificar na maioria das vezes, mas cruzar a linha de chegada preparado para o próximo desafio é a melhor sacada.

Fica aqui, as dicas do nosso amigo, que deixa o seu abraço às Maria’s da Trilha. E ainda nos diz que podemos contar sempre com ele.

Obrigada Matheus, falar sério é muito importante e faz parte do trailrun saudável.

 

Vamos Maria’s!!! Vamos invadir as trilhas!!!

 

 

O acaso atrasa o sonho da nordestina Drica

A nossa Maria de hoje vem de longe, para mostrar que o trailrun está em todos os cantos do nosso Brasil.  A Adriana Mara Ribeiro Baptista, a Drica, como é conhecida nas redes sociais, veio lá de Teresina no Piauí, para nos contar a sua história. Ela respira o trailrun, e neste ano, intensificou os treinos para bater a meta de completar os seus primeiros 42 km pelos caminhos nordestinos. Bora lá curtir e festejar com esta empresária, esposa, e mãe do Ícaro, da Daphne e do Mário.

Quando ouviu falar de trail run, não tinha idéia o que seria realmente, foi então que resolveu pesquisar mais sobre a modalidade através da web. E… conforme ía assistindo os vídeos relata que enlouqueceu e decidiu que era o trail que queria para a sua vida.  Algo mágico, pensou em unir o seu amor ao mato, à natureza e aos animais, que nada seria melhor que aliar isso tudo ao esporte, pois já era praticante de corrida há 02 anos.

Suas principais motivações, além do que já foi citado, forma os desafios, os obstáculos da natureza , a sensação de liberdade e a capacidade de provar todo tempo que você é capaz. Relata que sentir o aroma das flores, do mato e até mesmo sentir a sensação de medo, tudo isso foi motivador.

Então, em 2013, lançou-se ao primeiro desafio, correr 9km em Pedro II, cidade perto de Teresina, onde o percurso atravessava uma serra e de lá pra cá nunca mais parou de treinar e preparar-se para competir pelos exigentes ambientes nordestinos.

Nos conta que desde o pricípio foi uma experiência fantástica, movida pela ansiedade. Disse que tudo aquilo tomou conta de dela, que percebeu que o trail running é vida, que diante da grandeza da natureza, em poder estar pisando em locais pouco visitados pelo homem, em poder conviver nessas paragens, nos ensina  e nos trona seres humanos melhores.  Segundo ela, não somos NADA na terra, quando comparados  com a imensa beleza apresentada diante de nossos olhos em treinos e provas de trail runnning. Garante que é espetacular e motivo de exemplo, o respeito e o amor que os praticantes do nosso esporte dedicam à mãe natureza.

Preocupada com a evolução e conforme foi amadurecendo no esporte, procurou assessoria profissional, a FOCO INTEGRADO, em que pratica treinos funcionais específicos para o esporte. Sempre quando pode, participa de cursos para adquirir conhecimento que possa auxiliar na sua performance.

Ela treina duas vezes na semana no asfalto, média de 08 ou 10 km. E todo fim de semana e feriado foge para as trilhas, onde faz o seu longão, sempre entre 15 e 20 km. Porém foca na sua planilha com disciplina, pois pretende migrar para as longas distâncias e sabe que este é fator primordial para se aventurar por caminhos mais longos.

Organizada e consciente, programa seus treinos para cedo da manhã, para não atrapalhar suas  obrigações no trabalho. Não fica estressada quando falha algum treino, tenta sempre recuperar na academia. Quando as provas se aproximam, faz um plano estratégico, modifica a sua rotina, a fim de manter o bem-estar e realizar a prova com sucesso.

Drica tem acompanhamento nutricional, para adequação alimentar, a fim de contribuir para um bom desenvolvimento esportivo e consequentemente ter uma melhor qualidade de vida. Costuma comer alimentos saudáveis sempre. Não usa nenhum tipo de produto industrializado ou produzido quimicamente, por sua própria opção. Faz uso de carboidratos pré treino, durante o treino usa mel em sachê, rapadura ou paçoquinha (afinal é uma nordestina nata) risos, grãos e um salaminho para quebrar aquele doce na boca. Para pós treino faz uso de proteínas.

Essa mulher porreta nos mostrou que existem várias provas trail na sua região, e que é possível a pratica sim naquelas bandas, pois quem pensa que no Nordeste só tem praias, engana-se completamente. As Marias daqui do Sul já ficaram curiosas viu Drica?

Já se aventurou no Desafio Serra dos Matões-PI em todas as edições, em Juquitiba-SP e no Desafio Bee, em São Luiz-MA. Preparou-se arduamente para os  42k de Nazária-PI, mas por conta de um entorce logo nos primeiros kms, não conseguiu concluir o seu principal desafio em 2018. Uma frustração inesperada, mas serviu para levantar e continuar treinando para que em 2019 repita a dose com sucesso.

Ainda pretende concluir novamente o Desafio Serra dos Matões 21km e Picos Pro-Race Trail Run 21 km.

 

Dentro da sua visão crítica, vê o trailrun no nordeste está em ascensão. Haja vista que as provas são inspiradas nos modelos de provas realizadas no Sudeste do Brasil, que considera o berço da modalidade. Acredita que estão no rumo certo, pois os organizadores da sua região usam como referências as provas de alto nível e com atletas de excelência, buscam assim aprender muito e buscar a qualificação no lugar certo, tudo para oferecer boas provas aos atletas nordestinos.

E ela tem tanta confiança na qualidade das provas do nordeste que deixa o convite em forma de desafio para que  Maria´s do Sul do país realizem o  DESAFIO SERRA DOS MATÕES em Pedro II, uma prova muito técnica. Onde os atores principais são os atletas. Organização impecável, estrutura e a logística são nota 1.000. Olhem aí meninas mais uma opção de passeio e prova no nosso imenso Brasil!

 

Ela tem o sonho de concluir a sua maratona trail, e após migrar para as ultramaratonas.  A lesão não deixou ela desistir, pelo contrário, continua  treinando e muito.

E para concluir ela nos diz que ser trailrunner é … ter vida plena, é sentir o pulsar de suas veias, é sentir o suor do seu rosto caindo sobre os olhos, é sentir a respiração sendo puxada pelos pulmões. Ser trailrunner é ter a liberdade de escolha é ser destemida.

E… ainda indica a prática esportiva  porque é o melhor remédio para tratar os males do mundo. Profundo não?

Drica querida, agradecemos demais o teu depoimento. Quando nos conhecemos, mesmo que virtualmente, ficamos muito mais motivadas, pois percebemos que estamos chegando aí tão longe. Nos permitiu a oportunidade de mostrar que o nosso esporte é praticado em todas os rincões do nosso país. Além disso, nos proporcionou a grata sensação de proximidade pelas afinidades, isso não tem preço. Já sentimos o nosso sonho realizado, pois estamos demonstrado as diferentes realidades unidas por uma só paixão: o trail running.

Nosso singelo agradecimento.

Conte sempre conosco, pois somos Maria’s da Trilha, sempre Belas e Feras em meio à Natureza… e cada vez mais espalhadas por todo Brasil!

 

 

As trilhas da doce mineirinha Andréa Vidal

Olá Maria’s hoje contaremos a história da Andréa Vidal, esta mineira, natural de Belo Horizonte, para lá de simpática que tem um currículo enorme para nos apresentar. Casada com Francisco Otoni, também ultramaratonista experiente, a  Advogada e Publisher da Revista Trail Running, acabou de correr o Ultra Trail Monte Fuji no dia 27 de abril, lá do outro lado do mundo. E como introdução nos contou um pouco da sua experiência junto aos orientais.
Ela optou pela prova menor, de 92km. Conta que a prova é super organizada, com balizamento perfeito e que a maior dificuldade da prova é o fuso horário. A largada é 12hs (meia noite no Brasil). Sofreu com o sono pela primeira vez, pela dificuldade de adaptação com a inversão literal dos hábitos costumeiros. Mesmo assim afirma ter sido sortuda, pois em 2016 a prova foi cancelada em razão de fortes chuvas e em 2017 a prova não ocorreu. Esse ano largou com o tempo nublado, não muito frio. Nos confessou que os voluntários são incríveis, super prestativos, sempre sorridentes e nos postos maiores tem sempre um voluntário que fala inglês, não teve problema algum nesse sentido. A prova é bem corrível, as subias e descidas são concentradas, em certos trechos, tornando a prova mais difícil do que ela esperava. Como ponto negativo, descreve que, na chegada não tem nada oferecido pela organização, água, comida, nada, somente para comprar, menos mal que a chegada é dentro da cidade. Ela recomenda a prova, simplesmente, porque conhecer o Japão e uma cultura completamente diferente da nossa é algo muito agregador na história de qualquer pessoa.

Como já foi mencionado acima, o casal corre junto, cada um com o seu objetivo, mas a parceria é enorme, visto que Dea considera o marido como sua motivação, sempre animado, empolgado;  ele foi para o trail run e ela resolveu ir também, e deu super certo.

Como ultratrail já tem alguns kms rodados, mas um dia, há alguns anos, ela também foi iniciante e nos contou que após sua primeira Ultramaratona COMRADES, prova de 89km no asfalto, com subidas e descidas na África do Sul, resolveu correr a APTR Itacolomi (que finalizou como 4ª geral), junto com o marido, nos 55km.  Ela estava com a auto-estima bem apurada, afinal, tinha concluído a COMRADES, até descobrir que correr na trilha é muito, mas muito diferente de correr no asfalto, resultado: sofreu muito e falou que nunca mais voltava. Porém, como corredor não tem memória, no ano seguinte foi de novo.

Mas sua primeira prova, avaliou como péssima, rindo muito, enfrentou subidas íngremes demais, cobra no caminho, bichos estranhos, sujeira, lama, traumatizou-se, por um curto período, pela personalidade que ela denomina “fresca”, correr nesse terreno, por horas, sem descansar, era quase inadimissivel. Os amigos sempre dizem que ela é muito, mas muito fresca para isso, que é algo inimaginável, para eles, vê-la em uma prova dessas.

Andrea faz parte da Upfit e treina com a referência nacional Sidney Togumi. Treina 4 vezes na semana corrida e 2 vezes musculação.  Nos conta que seguir os objetivos não é fácil, mas pensa que se não deu para ir de manhã, vai de noite, que quando se tem força de vontade e foco tudo se ajeita.

Com relação a dieta, considera importantíssima, “muita gente acha que por sermos ultramaratonistas podemos  comer de tudo, quem dera,  um dia”.  Segundo ela, a alimentação deve ser balanceada e proporcionar energia para provas tão longas como as que participa.

Sua alimentação pré prova, é pão com ovo, banana com canela e aveia e café com leite. Durante a prova, gel, bananada, torrone e o que a prova estiver oferecendo, geralmente batata tipo chips, azeitona, pão com geléia e se a prova é maior, uma massa geralmente é oferecida e com tolera super bem qualquer alimentação, manda ver (rsss). No pós prova o céu é o limite (mais risos),  logo após a prova fica sem apetite, mas passado um tempo, come o que tiver pela frente.

Essa Maria de sorriso fácil possui algumas provas que muitos sonham:

A Ultrafiord em 2017 pelas condições adversas da prova, muito frio, lama que ficou atolada até a cintura , charco, prova travada demais, marcação ruim. Foi a primeira prova que não fez sozinha, pois ficou receosa com a natureza inóspita e os riscos que ela oferece.

E o TDS, sua maior prova até então, 120km pelas montanhas, vales e trilhas da região do maciço do Mont Blanc, que enfrentou mudança do tempo no meio da prova, largou com sol , de noite veio a chuva, mas apesar de tudo é a sua prova favorita.

E 2018 não terminou no Monte Fuji, Dea vai participar ds Western States, a prova de 100 milhas mais antiga do mundo, que acontece nos EUA na Califórnia. Ela é a  1a. Brasileira a entrar para a lista de atletas sorteados e  será a nossa pioneira  nessa épica jornada. Certamente o trail brasileiro estará muito bem representado. Seu sonho atual é completar esta prova dentro das 30h de limite.  E o relato dela já tem dada marcada por aqui também.

Para as Maria’s ela indica o UTMB, pela organização impecável, trilhas técnicas, paisagem incrível.

Segundo ela o trailrun no nosso país está em crescimento, mas precisando ainda melhorar e muito. Afirma que, quem corre lá fora, no exterior vê a impressionante diferença em termos de organização e a diferença do envolvimento da comunidade nas provas. Aqui a comunidade tira a marcação das provas, uma pena, falta de incentivo e investimento. Ainda é necessária muito amadurecimento em todas as esferas.

Na sua percepção, ser trail runner é… ter contato com a natureza na sua forma mais primitiva, correr em paisagens deslumbrantes,  o trail runnig é realmente incrível.

E ela indica o trail running como prática esportiva, pelo motivo do menor impacto nos corpo dos participantes em relação ao asfalto, com uma recuperação fisiológica mais rápida, além das paisagens, algo que não há comparação.

Obrigada Dea! Obrigada por permitir que as Maria’s da Trilha espalhadas pelo Brasil conheçam e contagiem-se com sua história e com esse sorriso que empolga e inspira!