A Maria de Sorocaba

As Marias foram até Sorocaba/SP, conversar com a Sabrina Franco Camargo Vieira, farmacêutica, casada, e, finischer, 4ª gral do KTR-Ilha Bela, ocorrida  no dia 10 passado.

Tem a família como Base, estrutura e apoio em todos os momentos e decisões de sua vida.  ” Só tenho á agradecer pelos meus pais, meu marido Júnior, minha irmã e minhas 3 sobrinhas lindas. E também pelos meus sogros, minha cunhada, sobrinhos que são minha 2°Familia. É muita gratidão.” O texto será narrado em 1º pessoa.

Iniciei com a corrida de rua em 2012, meu marido Júnior professor de educação Fisíca que é meu treinador, me levou em uma prova de 5km pela primeira vez e depois disso não parei mais e os km só foram aumentando a cada prova e a cada ano. Como sempre fui do esporte desde criança foi uma alegria conhecer esse mundo da Corrida é muito gratificante.Em 2015 uma amiga Lucimara me chamou para fazer uma corrida de trail em Cabreúva, chamada Armazém do Limoeiro era uma corrida que tinha 8km e 16km, já fui logo nos 16km e amei essa experiência foi amor a primeira vista, e ainda peguei pódio 1° lugar feminino na categoria de 35 a 39 anos, foi uma alegria para quem nunca tinha feito esse tipo de corrida e ainda ganhar um pódio.

Fiquei muito emocionada.Depois disso nunca mais quis saber de outro tipo de corrida. Me apaixonei pelo Trail Run e até agora só faço esse tipos de provas. As Provas de trilhas fechadas são as que eu mais gosto. Já fiz diversas provas ( Indomit, KTR, K21Serra do Japi, K21 Pico do Urubu, Brasil Ride Botucatu, Desafio 28 Praias, Desafio The Rock e muitas outras desafiadoras). E as que eu mais adoro são as Maratonas de Montanhas, os 42km são minhas paixões.

E ainda quero vivenciar as ultramaratonas que serão meus próximos desafios se Deus quiser. Quando faço uma Maratona sempre gosto de homenagear alguém importante para mim, isso me da muita motivação nos treinos e nas provas, é gratificante e ao mesmo tempo uma emoção.

A motivação para isso tudo foi o fato de correr na natureza, de estar mais próximo das belezas naturais que Deus nos proporciona a cada treino e provas. E o fato dos atletas serem mais prestativos e a recepção sempre é maravilhosa. Eu falo que os Montanheiros são tudo de bom é uma energia totalmente diferente da corrida de rua. As pessoas são mais unidas e uma ajuda a outra. Diversão garantida.

A minha primeira prova foi a Corrida Armazém do Limoeiro em Cabreúva/SP. Tive uma ótima percepção, foi uma alegria, diversão, uma misturada de energia e contato com a natureza e de ansiedade por ser a primeira prova de trail. Eu amei e nunca mais quis saber de outro tipo de corrida.

Não participo de nenhuma assessoria, meu marido é meu treinador ele é educador físico e me dá toda assessoria de treinamentos há anos já, é meu braço direito, meu técnico, amigo, psicólogo e companheiro sempre, faz toda a diferença na minha vida de amadora. E aos finais de semana pago para treinar com a Live Assessoria Esportiva aqui de Sorocaba aonde faço os treinos de trilhas mais especifico com o professor amigo do meu marido.

 

Meus treinos são realizados em terrenos variados, rua, trilha, esteiras. Faço trabalhos intervalados, forte e fraco, técnicos em trilhas. De acordo com os meus limiares. Mais fortalecimentos em musculação, pilates, natação.

Geralmente consigo conciliar assim trabalho o dia inteiro e os treinamentos durante semana faço sempre á noite ou as vezes consigo treinar bem cedinho antes do trabalho, mais na maioria são a noite. Sou muito determinada, focada e disciplinada com os treinos e competições. Depende muito da semana, pois como sou Farmacêutica tenho uma rotina bem agitada. Mais consigo conciliar tudo, trabalho, casa, família, treinamentos e competições.

Acho super importante o acompanhamento nutricional, faz toda a diferença uma alimentação bem balanceada para esse tipo de modalidade, pois ajuda muito nos treinamentos e principalmente nas competições, pela alta exigência calórica. Um bom nutricionista do esporte é o melhor profissional que irá orientar para melhorar cada vez a alimentação atleta amador. Como em qualquer esporte de endurance.

Minha alimentação é toda balanceada e saudável, conforme a distancia que irei realizar a minha nutricionista faz um planejamento adequado para cada prova que irei realizar. Como bastante carboidrato e proteínas e faço uma boa hidratação que é muito importante na semana da prova. Faço o uso de suplementação pré, durante e pós prova. Não como nada diferente antes de da prova. E durante a prova depende muito de cada distancia que irei realizar. Mais sempre com bastante suplementação.

Aqui estão listadas as minhas provas de destaque, assim como um relato da KTR Ilha Bela, que consegui o 4º lugar geral nos 36 km.

K21 Serra do Japi em 2016: aonde fui 2°no geral dos 21km.

 

 

Desafio The Rock em 2017: 4°no geral dos 42km.

 

Desafio 28 Praias Abril 2018:  Vice- Campeã da Prova dos 42km.

Indomit Vila do Farol 10 anos agora em Agosto 2018:  3°lugar no geral

A KTR é um circuito de provas autosuficientes.
Na etapa de ilhabela são várias distância: Ligth 8km, Curta 12km, Média 21km,  Longa 36km e Ultra 80km. Nunca tinha participado dessa etapa é uma das mais desafiadoras. Esse ano devido a 3 semanas de chuvas muito fortes, cheguei ao congresso técnico na sexta dia 09/11 e nos informaram que o percurso iria mudar. A prova sai de castelhiano onde aventura começa já de jipe, mais devido ao tempo foi bloqueada pois caiu algumas barragem que impediram de chegar a Castelhiano. Estava muito ansiosa com a Prova e depois dessa noticia que iria mudar, tive que pensar na estratégia de prova.
A largada foi na Praia do Engenho d’água e la nos informaram que o nosso percurso teve que sofrer algumas alterações e também aumentou a distância de 36km foi para 39.8km.


Comecei a prova tranquila tentando manter um pace ali bem de boa, pois foram 8km de asfalto antes de entrar na trilha. Segurei um pouco para não queimar cartucho já na largada. Entrei na trilha e foi uma alegria,  estava bem desafiadora e perigosa em função das chuvas dos últimos dias. Fui administrando a prova, não sabia quantas mulheres estavam na minha frente, fui para a prova para competir, gosto de competição, apesar de saber que estava entre mulheres fortes, brutas e ultramaratonistas de respeito. Esta etapa é a classificatória para Mundial. Eu sabia que se fosse para classificação no geral eu teria que dar o melhor de mim nessa prova. Todo o cuidado era necessário, hidratação, alimentação e suplementação durante a prova. Afinal é uma prova auto suficiente e temos que levar tudo, não tem pontos de hidratação só algumas bicas de água durante o percurso para abastecer as garrafinhas. Nossa as garrafinhas ajudam muito. Foi a prova mais desafiadora que fiz . No km 30 aonde era o ponto de corte, tínhamos que passar lá até (06:30) de prova. Eu passei com 05:00 esse corte fica no mirante do Baipi, aonde passamos para encarar a tão Temida subida do Pico do Baipi que são quase 4km de subida com altimetria de quase 2000. É uma subida que não tem fim, lá a gente brinca que “vai do céu ao inferno”.

Meu ponto forte são as subidas, foi aí que comecei a me destacar na prova, deixei várias mulheres para trás, esta bem tensa com muitos obstáculos, muita pedra, lama, cipo, cobras, mais chegando lá em cima é muito gratificante e lindo. Depois disso temos que descer tudo de novo e para descer estava extremamente liso, prejudicando a locomoção.

O nível da prova foi muito difícil, mas a experiencia incrível, um desafio perigoso mais nos atletas estávamos cientes que as provas da KTR tem esta característica – auto-suficiência e dificuldade técnica..
Foi emocionante para mim.

Quando eu estava no km 33 descendo o Pico, o staff mencionou a minha posição na prova. Naquela hora passou um monte de coisa na minha cabeça, eu não acreditava que estava entre as primeiras, fiquei emocionada, chorei e fui embora. Na descida tivemos muitas dificuldades, pois tudo escorregava eu várias vezes cai enrosca nos cipós. Durante o percurso vi muitos atletas parando devido as câimbras e desidratação, mas comigo felizmente, deu tudo certo.


Foi incrível viver essa experiência na KTR ilhabela. E ainda chegar entre as primeiras com essa mulherada Bruta, melhor ainda.
Fiz meu tempo de prova: 07:14 ficando em 4°lugar no Geral da prova longa.
O pessoal me apelidou de “Jaquatirica das Montanhas” kkkkkkkk.


Eu só tenho á agradecer ao meu esposo Júnior, que é meu treinador que pega no.meu pé, puxões de orelhas nos treinos, pois sabe que gosto de competir. E ao pessoal da Assessoria que faço de final de semana a Live Assessoria que me.ajudam muito nos treinos de Montanhas.

Meu maior sonho hoje é ser classificada para o Mundial de Trailrun e representar o Brasil.

Fora isso continuo praticando e indicando o trailrun porque é um esporte que faz bem a saúde, ao coração, previne vários tipos de doenças. E também porque é um esporte divertido e de uma energia fabulosa. Aonde as pessoas se conhecem fazem muitas amizades e se tornam uma familía Trailrun.

As Maria´s da Trilha agradecem a tua participação e que venham muitas outras vitórias para que teu sonho se realize…que venha o tão sonhado Mundial.

Cledi, a garota das 100 milhas

Clediane Lunardi, gaúcha, natural de São Martinho, movida ao esporte desde pequena, aos nove anos de idade já participou dos jogos olímpicos na sua escola, onde venceu meninas e meninos numa competição de embaixadinhas, com 132 embaixadas Após aventurou-se para o futsal, em que acumulou medalhas e troféus. Esporte e competição sempre estiveram ao seu lado, então migrou para as corridas curtas de pista.

Após sua mudança para Farroupilha na serra gaúcha, e um período de depressão, com o apoio de uma amiga, reiniciou o ciclo das corridas que foram evoluindo para maratona e a tão sonhada ultratrail.

Após ter concluído algumas ultras curtas, Circuito Trilha e Montanhas – 50 km – Brutus do Gaúcho, Indomit Costa da Esmeralda – 50 km, sendo que algumas delas como o primeiro lugar no pódio, decidiu que queria ir mais longe, correr as 100 milhas (160km) do Indomit Costa da Esmeralda.

Essa moça sapeca, pequenina fisicamente, alegre, e com uma força peculiar, veio nos contar como passou durante o seu tempo de exposição na Ultratrail 100 Mi no Indomit Costa da Esmeralda, que com muita garra, trouxe o título para o Rio Grande do Sul. Vale a pena conferir. O texto é narrado em primeira pessoa, pois tentamos manter aqui a emoção que a Cledi tentou nos passar ao relatar a sua experiência. Aproveitem

“Antes de começar a relatar toda diversão que foi correr a Indomit, importante contar que três meses antes  da prova, me privei de muitas regalias, fiz vários testes juntamente com nutricionista e academia, em busca da melhor adaptação do organismo e músculos.

Dois meses antes da prova reservei  hotel para muitas pessoas que  iriam me acompanhar, minhas duas sobrinhas, mãe, irmã. E faltando apenas duas semanas estava quase certo que meu irmão, cunhada e dois sobrinhos também estariam lá. Uma felicidade me invadia, afinal família é refúgio e vida. Correr por eles e saber que passar a linha de chegada encontraria quem mais amo, seria a melhor das sensações.

Infelizmente por situações rotineiras não foi ninguém. Foi engraçado, pois na penúltima avaliação, brinquei com minha nutricionista dizendo-lhe que não bastava ela ser amiga e  nutri, era também minha psicóloga.  Fui tão vibrante e feliz contando que teria quase toda minha família lá e na avaliação seguinte choramos juntas, pois pra mim a prova já não era mais tão importante.

Denise Gaio lembrou que há dois ano e meio atrás, na minha primeira avaliação ela perguntou qual era meu objetivo. Respondi que queria ser Ultramaratonista. Quando participei em 2017 dos 50km na Indomit, fui na Denise e a disse que no ano seguinte queria fazer 100Mi.

Poucas pessoas acreditaram na minha capacidade, ela foi uma dessas pessoas. Vamos trabalhar, fazer testes e treinar muito para conquistar a Indomit Costa da Esmeralda – 100 Mi.

Um dia antes de ir para Santa Catarina, me certifiquei de que não esqueceria nada para prova, dispus os equipamentos, roupas, tênis e comidas na cama para conferir se estava tudo ok.

A Largada:

Na foto acima minutos antes da largada, baixei a cabeça e pensei. Bom minha família apenas não esta aqui de corpo presente, continuarei correndo por eles e por ela (a minha nutricionista) que utilizou o seu período de férias para estar lá comigo.

Tive apoio da Denise, Everton, Alexandre , Panazzolo, e amigos atletas que participaram da competição Luciene, Arcari, Cris, Brandelli, Marcio e Jasieli  pessoas fundamentais para minha conquista.

Na quinta-feira após pegar o kit e número de peito criei um grupo no whatsapp, nele estava muitas pessoas que acredito merecerem estar lá, família e amigos. Tinha muita gente e confesso que faltou muitos. Ele tinha como propósito mantê-los informados, da minha situação durante a prova e também de certa forma, sentir que todos estavam ali correndo ao meu lado.

Bom, a largada foi como todas as outras, coração já acelerado e frio na barriga. Estava pronta. Uma garoa contínua nos acompanhou durante 24horas.

No quilometro 31 já estava com corpo tomado por endorfina, corria num ritmo muito bom, forte demais para quem tinha tanto chão pela frente. Nesse quilômetro fui parada por uma cratera que se formou num córrego que ia em direção ao mar. Impossível passar, as ondas eram imensas e não dava pé.  Conforme os minutos passavam os atletas chegavam, ficamos esperando baixar o nível d’água durante 45min. Após elevar o meu nível de estresse, pensei como minha avó, “nada acontece por acaso”, ok, fizemos uma foto e seguimos.

ALIMENTAÇÃO

Montei uns saquinhos com alimento e suplementos, que usei a cada  6km, vale salientar que todos foram testados durante os treinos. Eles misturavam salgados e doces, cada um devidamente descrito.  Carreguei no percurso o necessário para cada Posto de Assitência, ou seja, no primeiro drop bag –  quilômetro 36,  pegava toda comida lá guardada, corria e usava até chegar no próximo.

Sobre água, isso não pode faltar, tinha comigo o tempo todo. A cada ponto de apoio reabastecia, além de muita água, fiz uso de Coca-Cola que me auxiliou com sódio e açúcar.

O tempo assustava um pouco, pois era como se estivesse fugindo de uma tempestade.

O período da tarde de sexta foi muito difícil, pois além de chuva tinha um vento que atormentava a mente e me fazia questionar o porquê de estar ali sofrendo.  Na foto abaixo minha expressão de cansada, percorri por estratégia 58km sem bastões para poupar esforço nos braços e deu certo.

Após concluir a primeira volta 58km, estava muito bem, concentrada e determinada a passar a noite bem.

Antes de escurecer, para adrenalina ficar ainda mais em alta, estava subindo uma trilha com um atleta e avistei uma cobra enorme, meu coração disparou e me deixo alerta durante a noite toda. Estar na natureza e encontrar répteis peçonhentos era tão inevitável, quanto minha vontade de atravessar a linha de chegada.

Além de fotos enquanto corria enviei vídeos para o grupo que criei. Isso me ajudou muito, me encorajou a seguir sempre, pois a cada contato eu mencionava que a X distância eu os contataria de novo e sabia que devia chegar no próximo ponto.

No Drop Bag, nos 36 km, deixei apenas alimentos para chegar até o quilômetro 58. Concluindo a primeira volta troquei de tênis, detalhe, o tênis que por sua vez era o certo com travas e adequado estava todo reformado, pois havia levado dias antes num sapateiro para conserto. Posso dizer que seria pior, caso não tivesse ganho um par da loja Atitude Esportes de Bento Gonçalves, nesse caso, teria corrido 160km com apenas um par de tênis.  O que preciso evidenciar é que, um atleta pode ter os melhores equipamentos para fazer qualquer prova, seja ela de nível difícil ou fácil, se não tiver psicológico forte não conseguirá concluir.

Por outro lado, sei e concordo que ter tênis bons e ferramentas para tal é muito importante.  Ocorreu um erro, pois devido ao frio e garoa intensa durante o dia todo de sexta, no drop do km 58, tinha apenas tênis reserva, bastões e comida. Roupa limpa apenas no quilometro 108. Estava encharcada nesse ponto, felizmente tenho amigos, Rodrigo Brandelli tirou seu corta vento e me deu para seguir até a próxima parada. Seguimos.

A noite foi isso, com bastões me auxiliando consegui ganhar mais tempo. No mato as plantas raspavam molhada nas pernas e o barro que fazia, dificultava bastante a corrida. Sabia que faltava pouco para chegar num ponto de apoio e ao tentar acelerar, enrosquei um dos bastões num cipó e caí, foram vários tombos, porém esse com certeza foi o pior deles,  caíx em cima da mão e acreditava ter problemas a partir dali. Neste mesmo morro, não sei precisar horário, descíamos e avistamos uma luz vinda à direção contraria. Assustei-me achando que poderia ser resgate o algo semelhante. Ao se aproximar eu parei e perguntei ‘oque foi?’ e Bruno Campeão dos 100Mi respondeu _ “nada, você apenas vão descer tudo isso, dar uma volta enorme na ilha e passarão por aqui de novo”.  Imediatamente pensei, “nossa, esse cara é foda”. Ele já estava na segunda volta, e continuei meu pensamento firme, tinha a certeza que logo passaria novamente por ali também.

 A cada registro e parada uma brincadeira com Staffs e fotógrafos.  Eu falava pra eles “amanhã quero te ver de novo hein”. Manter a alegria e diversão em tudo que se fez é importante, ganhei novos amigos nessa prova e sei que estavam torcendo para me encontrarem no dia seguinte.

Na madrugada, drop do km 108, estava com frio e a ao chegar ouvi uma voz familiar. “vamos Cledi”.  Inacreditavelmente, a nutri estava lá, ela representou tudo que precisava para seguir. Ajudou-me a  organizar as comidas, troquei de roupa, meias secas e até provou “as misturas” de glutamina, whey, BCAA e tudo que foi combinado. Sim, como disse Everton (marido da Dê), “parecem mãe e filha”, uma torcia pela outra e ali meu desejo de chegar era ainda maior, pois eu e Denise ficamos muito tempo treinando e fazendo testes para que tudo ocorresse bem na Indomit. Antes de seguir, ouvi, agora te esperamos na chegada.

A luz da manhã veio, aliviando o coração. Mais uma etapa concluída desliguei a lanterna e segui.  Foi como se a natureza falasse comigo, pois amanheceu e novamente no meio da trilha outra cobra, eu estava correndo e quando a avistei uns 100 metros de distância, resvalei e cai, coração ainda mais acelerado, aguardei ela desaparecer em meio a capoeira.  Dessa vez meu ‘pace’ aumentou.

Quando cheguei no quilometro 138,4 fui muito bem recebida,  nesse ponto de apoio tinha comida, um par de meias secas, protetor solar, óculos de sol e viseira. Ajudou muito, pois ao contrário de sexta-feira, o sábado foi quente.

 Daquele ponto até a chegada faltavam apenas 22km, arredondando Meia Maratona. Ali tomei decisão de deixar os bastões, lanternas, pilhas reservas, corta vento, tudo o que não utilizaria. Carreguei comigo somente o necessário, pouca comida, água e uma garrafinha de Coca-Cola. Ali Germano que trocava minhas meias (imagem) me informou que uma das meninas havia desistido.

Minha vista antes de iniciar a segunda subida ao Morro do Macaco

Antes de subir Morro do Macaco encontrei quatro staffs, um deles corria na minha direção, questionei sobre o que acontecia. Ele respondeu, “nada não, apenas me movimentando, pois já estou desde ontem sentado”. Rimos todos, pois contrariamente, eu estava esse tempo todo em movimento.  Cheguei ao topo e de lá enviei vídeo e foto para o grupo que criei.

Sabia que descendo Morro do Macaco, restavam apenas dois morros a serem concluídos.  Corri 145km com psicológico em alta, bem  e disposta a chegar. Como é algo inevitável e acredito todos atletas passam por isso, chega um momento da prova em que dá a queda do atleta.  O meu chegou, no inicio de uma das praias, onde meu relógio não tinha mais bateria e eu já não tinha controle de pace e horas. Passei por três pontos, onde questionava staffs de quantos quilômetros faltavam para chegar, todos, absolutamente todos me informaram distancias diferentes e erradas. Daquele ponto em diante, não existia mais brincadeiras e meu pensamento era “não vou conseguir”, uma ansiedade e angustia me tomavam e eu seguia cada vez mais forte na velocidade. Diferente da maioria, meus momentos de queda, me fazer acelerar ao invés de desistir ou parar. Comigo corria um argentino, à única coisa que ele ouvia de mim era, “EU PRECISO CHEGAR, EU PRECISO CHEGAR”, tentando me confortar e ajudar ele respondia o tempo todo, “Tranquila, tranquila, estamos llegando’”.

Como se tudo que tivesse feito até então, não significasse nada. Meu coração estava acelerado e o medo de não chegar a tempo me invadia. Nesse momento respirei, olhei para trás e vi o hermano caminhando, parei também, peguei meu celular e liguei para Denise, quase que me desculpando e chorando falei “Dê eu não vou conseguir”,  apenas uma coisa ela respondeu, “calma, respira e continua, caminha e respira”, desliguei o celular com um nó na garganta, olhei um álbum muito especial que criei anteriormente a prova, nele continham imagens da minha família, sobrinhos, mãe, pai, marido e uma frase do evento *A FORÇA PROVÉM DE UMA VONTADE INDOMÁVEL*, parece bobagem, mas pra mim funcionou, afinal treinei tanto para desistir faltando tão pouco?

Nesse momento além do desespero de querer chegar, as bolhas nos pés me faziam sofrer. Ao visualizar um ponto de apoio, comecei a caminhar, respirei fundo e falei com um casal de staffs. “Por favor, se não souberem quantos quilômetros faltam para minha chegada, liguem na organização e perguntem, pois estou com psicológico afetado e preciso da informação correta.” Ambos riam e a moça falou como se fosse música para meus ouvidos. “calma, você é a Campeã dos 100Mi, faltam apenas 7km e tens 3:00h para atravessar a linha de chegada.” Com olhos lacrimejando, sorri e falei, “Serio?” , O rapaz novamente rindo disse, “sim, você é a Campeã”, e eu “não, é serio que faltam apenas 7km?”

Estranhamente, ali não me importei com classificação, queria apenas chegar. Voltando ao real, peguei celular e gravei uma áudio para o grupo informando a tal informação recebida.

Esses 7km foram para mim os mais longos, pois parecia não chegarem, a ansiedade era tamanha que não me dava conta do quanto já havia percorrido.  Senti tantas dores nesse percurso que achava estar com os pés sangrando, duas vezes cogitei parar e tirar os tênis, mas doía tanto que não conseguiria voltar. Sim, faltava tão pouco, poderia seguir o restante caminhando, mas a única forma de aliviar as dores nos pés era correr. E assim foi a finaleira, corri querendo ouvir o que foi dito. “A CAMPEÃ, A CAMPEÃ DOS 100Mi CHEGOU!”

Adrenalina, vontade, aventura, família, amigos, apoiadores, muito, muito treino, preparo físico e desejo de chegar, foi o que me fizeram atravessar a linha. Cheguei, abracei a nutri e disse: “Obrigada, obrigada por acreditar em mim, por acreditar que eu conseguiria, Dê conseguimos!”  Ela foi a primeira a embarcar nessa loucura e a única, dias antes da inscrição a me incentivar e dizer você vai conseguir.”

Viram? Dissemos que valeria cada palavra! Que relato! Emocionante e real como as coisas da alma!

Querida Cledi, obrigada pela tua contribuição. A Maria´s da Trilha com certeza estarão ainda mais estimuladas com o teu relato.

Que essa tu energia esteja sempre contigo e que venham muitas outras ultramaratonas na tua vida.

Pequena movida a desafios e grande como os verdadeiros sonhos devem ser!