O acaso atrasa o sonho da nordestina Drica

A nossa Maria de hoje vem de longe, para mostrar que o trailrun está em todos os cantos do nosso Brasil.  A Adriana Mara Ribeiro Baptista, a Drica, como é conhecida nas redes sociais, veio lá de Teresina no Piauí, para nos contar a sua história. Ela respira o trailrun, e neste ano, intensificou os treinos para bater a meta de completar os seus primeiros 42 km pelos caminhos nordestinos. Bora lá curtir e festejar com esta empresária, esposa, e mãe do Ícaro, da Daphne e do Mário.

Quando ouviu falar de trail run, não tinha idéia o que seria realmente, foi então que resolveu pesquisar mais sobre a modalidade através da web. E… conforme ía assistindo os vídeos relata que enlouqueceu e decidiu que era o trail que queria para a sua vida.  Algo mágico, pensou em unir o seu amor ao mato, à natureza e aos animais, que nada seria melhor que aliar isso tudo ao esporte, pois já era praticante de corrida há 02 anos.

Suas principais motivações, além do que já foi citado, forma os desafios, os obstáculos da natureza , a sensação de liberdade e a capacidade de provar todo tempo que você é capaz. Relata que sentir o aroma das flores, do mato e até mesmo sentir a sensação de medo, tudo isso foi motivador.

Então, em 2013, lançou-se ao primeiro desafio, correr 9km em Pedro II, cidade perto de Teresina, onde o percurso atravessava uma serra e de lá pra cá nunca mais parou de treinar e preparar-se para competir pelos exigentes ambientes nordestinos.

Nos conta que desde o pricípio foi uma experiência fantástica, movida pela ansiedade. Disse que tudo aquilo tomou conta de dela, que percebeu que o trail running é vida, que diante da grandeza da natureza, em poder estar pisando em locais pouco visitados pelo homem, em poder conviver nessas paragens, nos ensina  e nos trona seres humanos melhores.  Segundo ela, não somos NADA na terra, quando comparados  com a imensa beleza apresentada diante de nossos olhos em treinos e provas de trail runnning. Garante que é espetacular e motivo de exemplo, o respeito e o amor que os praticantes do nosso esporte dedicam à mãe natureza.

Preocupada com a evolução e conforme foi amadurecendo no esporte, procurou assessoria profissional, a FOCO INTEGRADO, em que pratica treinos funcionais específicos para o esporte. Sempre quando pode, participa de cursos para adquirir conhecimento que possa auxiliar na sua performance.

Ela treina duas vezes na semana no asfalto, média de 08 ou 10 km. E todo fim de semana e feriado foge para as trilhas, onde faz o seu longão, sempre entre 15 e 20 km. Porém foca na sua planilha com disciplina, pois pretende migrar para as longas distâncias e sabe que este é fator primordial para se aventurar por caminhos mais longos.

Organizada e consciente, programa seus treinos para cedo da manhã, para não atrapalhar suas  obrigações no trabalho. Não fica estressada quando falha algum treino, tenta sempre recuperar na academia. Quando as provas se aproximam, faz um plano estratégico, modifica a sua rotina, a fim de manter o bem-estar e realizar a prova com sucesso.

Drica tem acompanhamento nutricional, para adequação alimentar, a fim de contribuir para um bom desenvolvimento esportivo e consequentemente ter uma melhor qualidade de vida. Costuma comer alimentos saudáveis sempre. Não usa nenhum tipo de produto industrializado ou produzido quimicamente, por sua própria opção. Faz uso de carboidratos pré treino, durante o treino usa mel em sachê, rapadura ou paçoquinha (afinal é uma nordestina nata) risos, grãos e um salaminho para quebrar aquele doce na boca. Para pós treino faz uso de proteínas.

Essa mulher porreta nos mostrou que existem várias provas trail na sua região, e que é possível a pratica sim naquelas bandas, pois quem pensa que no Nordeste só tem praias, engana-se completamente. As Marias daqui do Sul já ficaram curiosas viu Drica?

Já se aventurou no Desafio Serra dos Matões-PI em todas as edições, em Juquitiba-SP e no Desafio Bee, em São Luiz-MA. Preparou-se arduamente para os  42k de Nazária-PI, mas por conta de um entorce logo nos primeiros kms, não conseguiu concluir o seu principal desafio em 2018. Uma frustração inesperada, mas serviu para levantar e continuar treinando para que em 2019 repita a dose com sucesso.

Ainda pretende concluir novamente o Desafio Serra dos Matões 21km e Picos Pro-Race Trail Run 21 km.

 

Dentro da sua visão crítica, vê o trailrun no nordeste está em ascensão. Haja vista que as provas são inspiradas nos modelos de provas realizadas no Sudeste do Brasil, que considera o berço da modalidade. Acredita que estão no rumo certo, pois os organizadores da sua região usam como referências as provas de alto nível e com atletas de excelência, buscam assim aprender muito e buscar a qualificação no lugar certo, tudo para oferecer boas provas aos atletas nordestinos.

E ela tem tanta confiança na qualidade das provas do nordeste que deixa o convite em forma de desafio para que  Maria´s do Sul do país realizem o  DESAFIO SERRA DOS MATÕES em Pedro II, uma prova muito técnica. Onde os atores principais são os atletas. Organização impecável, estrutura e a logística são nota 1.000. Olhem aí meninas mais uma opção de passeio e prova no nosso imenso Brasil!

 

Ela tem o sonho de concluir a sua maratona trail, e após migrar para as ultramaratonas.  A lesão não deixou ela desistir, pelo contrário, continua  treinando e muito.

E para concluir ela nos diz que ser trailrunner é … ter vida plena, é sentir o pulsar de suas veias, é sentir o suor do seu rosto caindo sobre os olhos, é sentir a respiração sendo puxada pelos pulmões. Ser trailrunner é ter a liberdade de escolha é ser destemida.

E… ainda indica a prática esportiva  porque é o melhor remédio para tratar os males do mundo. Profundo não?

Drica querida, agradecemos demais o teu depoimento. Quando nos conhecemos, mesmo que virtualmente, ficamos muito mais motivadas, pois percebemos que estamos chegando aí tão longe. Nos permitiu a oportunidade de mostrar que o nosso esporte é praticado em todas os rincões do nosso país. Além disso, nos proporcionou a grata sensação de proximidade pelas afinidades, isso não tem preço. Já sentimos o nosso sonho realizado, pois estamos demonstrado as diferentes realidades unidas por uma só paixão: o trail running.

Nosso singelo agradecimento.

Conte sempre conosco, pois somos Maria’s da Trilha, sempre Belas e Feras em meio à Natureza… e cada vez mais espalhadas por todo Brasil!

 

 

As trilhas da doce mineirinha Andréa Vidal

Olá Maria’s hoje contaremos a história da Andréa Vidal, esta mineira, natural de Belo Horizonte, para lá de simpática que tem um currículo enorme para nos apresentar. Casada com Francisco Otoni, também ultramaratonista experiente, a  Advogada e Publisher da Revista Trail Running, acabou de correr o Ultra Trail Monte Fuji no dia 27 de abril, lá do outro lado do mundo. E como introdução nos contou um pouco da sua experiência junto aos orientais.
Ela optou pela prova menor, de 92km. Conta que a prova é super organizada, com balizamento perfeito e que a maior dificuldade da prova é o fuso horário. A largada é 12hs (meia noite no Brasil). Sofreu com o sono pela primeira vez, pela dificuldade de adaptação com a inversão literal dos hábitos costumeiros. Mesmo assim afirma ter sido sortuda, pois em 2016 a prova foi cancelada em razão de fortes chuvas e em 2017 a prova não ocorreu. Esse ano largou com o tempo nublado, não muito frio. Nos confessou que os voluntários são incríveis, super prestativos, sempre sorridentes e nos postos maiores tem sempre um voluntário que fala inglês, não teve problema algum nesse sentido. A prova é bem corrível, as subias e descidas são concentradas, em certos trechos, tornando a prova mais difícil do que ela esperava. Como ponto negativo, descreve que, na chegada não tem nada oferecido pela organização, água, comida, nada, somente para comprar, menos mal que a chegada é dentro da cidade. Ela recomenda a prova, simplesmente, porque conhecer o Japão e uma cultura completamente diferente da nossa é algo muito agregador na história de qualquer pessoa.

Como já foi mencionado acima, o casal corre junto, cada um com o seu objetivo, mas a parceria é enorme, visto que Dea considera o marido como sua motivação, sempre animado, empolgado;  ele foi para o trail run e ela resolveu ir também, e deu super certo.

Como ultratrail já tem alguns kms rodados, mas um dia, há alguns anos, ela também foi iniciante e nos contou que após sua primeira Ultramaratona COMRADES, prova de 89km no asfalto, com subidas e descidas na África do Sul, resolveu correr a APTR Itacolomi (que finalizou como 4ª geral), junto com o marido, nos 55km.  Ela estava com a auto-estima bem apurada, afinal, tinha concluído a COMRADES, até descobrir que correr na trilha é muito, mas muito diferente de correr no asfalto, resultado: sofreu muito e falou que nunca mais voltava. Porém, como corredor não tem memória, no ano seguinte foi de novo.

Mas sua primeira prova, avaliou como péssima, rindo muito, enfrentou subidas íngremes demais, cobra no caminho, bichos estranhos, sujeira, lama, traumatizou-se, por um curto período, pela personalidade que ela denomina “fresca”, correr nesse terreno, por horas, sem descansar, era quase inadimissivel. Os amigos sempre dizem que ela é muito, mas muito fresca para isso, que é algo inimaginável, para eles, vê-la em uma prova dessas.

Andrea faz parte da Upfit e treina com a referência nacional Sidney Togumi. Treina 4 vezes na semana corrida e 2 vezes musculação.  Nos conta que seguir os objetivos não é fácil, mas pensa que se não deu para ir de manhã, vai de noite, que quando se tem força de vontade e foco tudo se ajeita.

Com relação a dieta, considera importantíssima, “muita gente acha que por sermos ultramaratonistas podemos  comer de tudo, quem dera,  um dia”.  Segundo ela, a alimentação deve ser balanceada e proporcionar energia para provas tão longas como as que participa.

Sua alimentação pré prova, é pão com ovo, banana com canela e aveia e café com leite. Durante a prova, gel, bananada, torrone e o que a prova estiver oferecendo, geralmente batata tipo chips, azeitona, pão com geléia e se a prova é maior, uma massa geralmente é oferecida e com tolera super bem qualquer alimentação, manda ver (rsss). No pós prova o céu é o limite (mais risos),  logo após a prova fica sem apetite, mas passado um tempo, come o que tiver pela frente.

Essa Maria de sorriso fácil possui algumas provas que muitos sonham:

A Ultrafiord em 2017 pelas condições adversas da prova, muito frio, lama que ficou atolada até a cintura , charco, prova travada demais, marcação ruim. Foi a primeira prova que não fez sozinha, pois ficou receosa com a natureza inóspita e os riscos que ela oferece.

E o TDS, sua maior prova até então, 120km pelas montanhas, vales e trilhas da região do maciço do Mont Blanc, que enfrentou mudança do tempo no meio da prova, largou com sol , de noite veio a chuva, mas apesar de tudo é a sua prova favorita.

E 2018 não terminou no Monte Fuji, Dea vai participar ds Western States, a prova de 100 milhas mais antiga do mundo, que acontece nos EUA na Califórnia. Ela é a  1a. Brasileira a entrar para a lista de atletas sorteados e  será a nossa pioneira  nessa épica jornada. Certamente o trail brasileiro estará muito bem representado. Seu sonho atual é completar esta prova dentro das 30h de limite.  E o relato dela já tem dada marcada por aqui também.

Para as Maria’s ela indica o UTMB, pela organização impecável, trilhas técnicas, paisagem incrível.

Segundo ela o trailrun no nosso país está em crescimento, mas precisando ainda melhorar e muito. Afirma que, quem corre lá fora, no exterior vê a impressionante diferença em termos de organização e a diferença do envolvimento da comunidade nas provas. Aqui a comunidade tira a marcação das provas, uma pena, falta de incentivo e investimento. Ainda é necessária muito amadurecimento em todas as esferas.

Na sua percepção, ser trail runner é… ter contato com a natureza na sua forma mais primitiva, correr em paisagens deslumbrantes,  o trail runnig é realmente incrível.

E ela indica o trail running como prática esportiva, pelo motivo do menor impacto nos corpo dos participantes em relação ao asfalto, com uma recuperação fisiológica mais rápida, além das paisagens, algo que não há comparação.

Obrigada Dea! Obrigada por permitir que as Maria’s da Trilha espalhadas pelo Brasil conheçam e contagiem-se com sua história e com esse sorriso que empolga e inspira!

Sabrina Schirmer – e suas aventuras no mundo do ultratrail

Hoje vamos conhecer essa fera gaúcha que é inspiração de muitas Maria´s. Tem uma larga estrada e diversos feitos em provas nacionais e  internacionais no mundo trail. Atualmente, ela faz parte do Team Raiz Trail, uma iniciativa gaúcha para o fomento do trailrunning no Rio Grande do Sul. Esta inquieta Maria tem como treinador Sidney Togumi, da Upfitrail, e, está em plena preparação para mais uma vez enfrentar os Alpes entre Itália, Suíça e França, na CCC-UTMB.

Vamos lá saber um pouco mais dela.

A Sabrina Schirmer, vive em Porto Alegre com sua família, que segundo ela, é a base de tudo.

É Professora de Educação Física –Personal Trainner

Teve seu primeiro contato com as trilhas nas corridas de aventura há 20 anos atrás. Praticava corrida, bike, remos e técnicas verticais. Ela diz “foi amor à primeira vista”.

Porém, em 2008 depois do nascimento do seu filho e a falta de tempo para treinar todas as modalidades e o fenômeno das ultramaratonas de montanha, resolveu focar nesta modalidade que leva até hoje como sua maior paixão no esporte.

A principal motivação era manter o contato com a natureza e o desafio de encarar as dificuldades, que a nascente modalidade que chegava ao país impunha.

Já no seu primeiro desafio, a superação já estava explícita, foi encarar as montanhas da Argentina na La Mision Race – 160km –  insana – diz ela.

“A primeira prova foi desafiadora. A sensação de chegar ao cume da montanha foi inexplicável. O visual compensou e compensa qualquer sacrifício.”

Como treinos ela costuma correr, conforme a planilha enviada pelo seu treinador, cumpre a risca cada fase de treinamento, além de pedalar, nadar e fazer reforço muscular.

Relata que sua rotina é bem pesada, devido principalmente ao trabalho, mas ressalta a facilidade de estar o dia todo dentro de academias o que facilita um pouco. É extremamente disciplinada para conseguir encaixar tudo e não abdicar de momentos em família.

Considera o acompanhamento nutricional  muito importante, pois entende que através dele podemos melhorar o desempenho não só nos treinos como nas competições.

A atleta já apresentou muitos problemas digestivos, principalmente durante as provas, a dificuldade em acertar a alimentação adequada acabava sendo decisiva no seu resultado. As complicações gastrintestinais, mais precisamente o vômito aliado ao esforço físico limitavam a sua performance na prova, justamente porque não conseguia repor adequadamente os nutrientes. Hoje com a ajuda da nutricionista ele consegue encontrar o equilíbrio, pois tem uma certa intolerância aos suplementos alimentares, não consegue ingerir grande quantidade de alimentos durante a prova, pois se sente enjoada. Depois de muitos testes, costuma carregar o que vai comer pois já está acostumada. Depois de muitos anos já experimentou várias opções e hoje, relata que está tudo sob. Monta todos os kits e deixa nos dropbags, para evitar ingerir algo que não está habituada.

Antes e depois das provas segue a dieta baseada em aumento da massa magra e manutenção da massa gorda, também importante para reserva de energia para os longos períodos de esforço nas provas.

Dentro das provas que concluiu, ela destaca:  La Mision Race 160 km na Argentina, Patagônia Run 120 km na Argentina, Vulcano Ultra Trail 100 km Chile, Lavaredo Ultratrail 120km na Itália, Ultra Fiord 100km Chile e Ultra Trail du Mont Blanc TDS 119 Km França. Que belo currículo hein?

 

Falando um pouco do seu principal desafio em  2018, mais uma vez irá desfrutar das belezas, dos vales e das montanhas na região do Mont Blanc e aventurar-se na CCC, uma prova de 100 km que larga da Courmayer na  Itália, passa pela Champex Lac na Suiça e termina em Chamonix na França e é das iniciais destas três belas cidades alpinas que vem o nome da prova CCC.

Dentro do contexto do trailrun no Brasil, ela afirma que esta modalidade só cresce. Os corredores saem do asfalto e se apaixonam pelas belezas naturais das trilhas. Provas novam surgem, novos adeptos ,ninguém segura mais !

Como indicação para nos Maria´s ela nos diz que, atualmente com a grande oferta de provas no país, o importante é escolher o desafio que seja compatível ao seu condicionamento físico. A distância escolhida deve estar de acordo com sua realidade, experiência e tempo disponível para treinar. O treinador deve estar ciente das metas para este desafio. E, não devemos esquecer que o desafio deve ser escolhido para a diversão e o prazer de estarmos em meio a natureza.

E ela nos fala do seu sonho: “Meu maior sonho? Continuar me divertindo! O trail me trouxe muitos amigos. Me fez conhecer lugares maravilhosos. Se puder continuar ativa por “todo o sempre” estarei feliz, pois ser trailrunner é: divertir-se, desfrutar da natureza e desafiar-se a cada momento”

Por tudo isso e principalmente depois dessa longa caminhada, a essa Maria indica o esporte, por que defende que é uma modalidade esportiva em que o contato com a natureza é direto, te apresenta  à várias pessoas e de quebra te leve a viajar por ai e conhecer as belezas do mundo. Isso é trailrun!!

Obrigada querida Maria, por ser uma referência e pela disponibilidade em compartilhar toda essa experiência conosco.